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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Sobre camas alheias

Vaguei sobre montanhas de entulhos, enjoada
por minhas escolhas.
Escolhi melhor viver entre trabalho
e cansaço.
E no pouco que descansei, ali mesmo
é que me desconsolei.
Alegrias tolas nos braços da incerteza,
alegrias tolas nas injurias do apego.
E a decência me dizia: Em que eu falhei,
se nunca pode nadar em meu manancial?
Só na beira da loucura tu andavas, e os
homens te condenavam, assaltavam sua
inocência.
Então, fiz para você uma bela cama,
de prazer e de sustento, e tu não
deitastes nela, por ser tão jovem e tão
preciosa eleita era da dor.
 Cravejastes em meu peito o sonho,
e me tirastes a certeza, e ele
enfim, morreu, sem nunca mostrar seu rosto.
E de dia, te buscava, e na noite te sentia, mas
estavas tão longe de mim.
Sobre o estaleiro sutil da memoria, me
enlacei no que falavam, e quis sobreviver
sobre a sombra da verdade que me contavam.
E os entulhos me sufocaram até perder a fala,
e deixei-me levar pela consciência alheia, muda
e sem vontade,
De tanto viver a sombra me escureci,
 tiraram de mim
proveito, e hoje eu me liberto, nunca
 mais durmo em seu leito.
Herta Fischer




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