terça-feira, 18 de julho de 2017

Algo a se temer

Na melhor das hipóteses, sou ainda
alguém que almeja ser.
Estou a procura de mim, e vejo
nos outros as minhas próprias falhas,
por isso creio tanto que o outro, talvez, seja um
reflexo distorcido de mim, algo de que não concordo,
mas, em mim, insisto em esconder.
Busco o que sei que não encontro, nem em mim
nem no outro, e seguidamente, por ainda
não conseguir me compreender, não consigo
ver o outro como um bem.
O mal do outro me espreita, e não consigo
me ver como quem espreita e condena, simplesmente
por me ver melhor do que realmente sou.
Vejo no outro as minhas esperanças
se esvaindo, as minhas suplicas não sendo
ouvidas, e mais que isso, vejo que o
outro, talvez, seja a minha decadência total,
algo a temer, algo que não funciona como
desejaria, e me esqueço que sou igual..
Hertinha Fischer.

Sobrevivi

Estou mais calma que de costume,
aprendi a ser feliz com pouco.
Dizem que precisamos correr
atrás dos sonhos, mas, o sonho
que eu sonho está aqui
nas minhas mãos.
Riquezas e conforto não
podem ser descritos como
algo de valor, porque a vida
só terá sentido se a felicidade
não depender disto.
O dinheiro compra coisas, o
essencial nada custa.
Eu vejo alegria nos olhos de quem ama,
e tristeza nos olhos de quem busca.
Quando o mundo se torna pequeno, o homem
sai em busca do que lhe falta, e ao
voltar sente-se ainda pequeno.
Dentro de cada um cabe somente o necessário,
 o desnecessário torna-se sua ruína.
O querer demais é luxo maligno,
pois deixa os que precisam
sem abrigo, e a troca se
torna desleal.
De minha parte, o que me cabe,
já está a bater na porta, e ao
abrir me deparo com tudo  de que preciso.
Em minha casa pousa a paz, algo
que tem a ver com esperança, que de mariposa não tem nada,
tem a ver com algo mais. vaga-lume, talvez!
Passamos a vida toda com a mania de decidir, quando
tudo se decide sem nenhum esforço por si mesmo, no
tempo que te acolheu.
Estou aqui, apesar das andanças de bêbado, cai não
cai, conhecendo bem o chão, este já não
me machuca.
Estou, não estou?
Embora sempre duvidassem de mim, que
no desamparo me achastes, embora este fosse
o que mais me impulsionou.
 Hertinha Fischer



segunda-feira, 17 de julho de 2017

Tudo tem seu tempo

Quando menina eu sentia muita tristeza ao
constatar que minhas amigas tinham
namorado, e eu não tinha muita sorte
neste sentido.
Quase sempre sozinha, no máximo,
alguns ficantes aleatórios que
não gostavam de compromisso, por vezes,
vinham ao meu encontro.
Eu esperando mais para os dias
seguintes, e o que havia era
frustrações no lugar de novo
encontro.
Minhas esperanças iam e vinham, quase sempre
desgastadas pela falta de atenção e ou dedicação,
sei lá! falta de amor?
Não me considerava uma pessoa feia, um pouco
maltratada, talvez, mas acho que havia algum encanto,
 sempre há!
Imatura eu era, não sabia nada da vida, nenhum grande
experiência sobre rapazes. apenas curiosidade e prazer
nas descobertas.
Gostava das sensações que o outro emitia num
abraço caloroso, num beijo de amor.
Porém, nunca houve amor de fato, só
o desejo de dois em um.
Meus pais nunca me alertaram sobre os perigos que
poderiam cercar-nos numa certa idade, quando
os hormônios enlouquecem, fazendo-nos pipocar por dentro.
Os olhos clamam por beleza e paixão, o corpo fala,
a alma se enleva e alcança a plenitude de viver.
E o sofrimento se instala dentro da gente, quando a  nossa
vontade
não coincide com a vontade do outro.
Um só beijo nos faz sonhar com o futuro, com casamento,
filhos, família, mas a realidade sobressaí como alfinetes doloridos
cutucando o ego e ferindo nosso orgulho.
Pelo menos, foi assim comigo.
Eu desejava um amor para toda a vida, mas, o amor se recusava a
ficar. Visitava-me por alguns dias, e ia embora quando queria, deixando
minha alma arrasada e perplexa com tanta ingratidão.
Beijos e beijos foram desperdiçados no tempo, como
aguaceiro que passa e seca, sentimentos desejados e sentidos
se desfaziam como pó nas calçadas.
As madrugadas frias contavam as minhas dores, o dia parecia
zombar de mim, e os rapazes cada vez mais arredios jogavam
meus sonhos ao chão.
Até que desisti e preferi viver só,
Foi então, quando eu não mais procurava que aconteceu.
E andou de frente, protocolado e justificado, até hoje ainda me sonda,
me completa e me impede de querer mais.
Estou presa neste amor, pelo compromisso assumido,
pelo amor acontecido, pela soma, pela reciprocidade, pelo
que muito desejei e sem querer conquistei...

Hertinha Fischer






Olhe o que faz a si mesmo

Existir, porque é tão complicado?
Nascemos sem nenhum preparo, sem conhecimento nem regras,
no entanto, ao passar dos anos
vamos conhecendo todos
os limites,
seja para comer, seja para onde ir, ou ainda,
para se comportar,
No entanto, ainda assim, ficamos ou vivemos
entristecidos por querer saber mais, e ou,
continuar sem limites.
Se prestarmos atenção á natureza, seja
ela quais forem, que estejam sujeitas
umas as outras, há a mesma necessidade
de regras definidas, não
é uma ordem imposta, mas
uma ordem necessária para
a própria sobrevivência em grupo.
Imaginem abandonar um bebe para
que ele sobreviva só?
É obvio que não subsistirá.
Assim também   um agrupamento que não
haja disciplina, acaba se desmanchando
 por não haver nenhuma estrutura capaz
de mantê-los unidos por
muito tempo.
A vida deve ser vivida com
sabedoria voltada para si, sabedoria
 essa que traga benefícios
antes de qualquer outro sentimento
de prazer..

Hertinha Fischer


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Sonho sair deste mundo

Deixei de olhar para trás,
também não gosto de olhar para a frente,
tudo que vejo me dá arrepios.
Embora já saiba o que me espera,
ainda assim, navego de olho
na maré que passa debaixo do casco.
Sempre andei em sintonia com o
momento, que tanto pode ser bom,
quanto ruim.
O que eu gosto mesmo, é pensar que,
enquanto aqui estou, ainda posso
realizar, talvez, não do jeito que queria,
mas, do jeito que posso.
Ha tanta vida em mim, que desperdiçá-la
olhando o que há de vir, é perder tempo.
Se Deus escreveu,leu e resolveu, dando seu
parecer sobre tudo, prometendo aos
mortais a vida eterna, porque, então, desejaria
outra coisa?
Esta sombra que sou eu, embora viva e disposta,
será sempre uma sombra desejosa de existir
por inteiro, assim como
uma planta brotada precocemente, espera
para saber a que veio, assim sou eu, a esperar
pela recompensa, onde não mais haja
esse sabor que se desfaz.
Não quero me perder neste devaneio
mortal, quanto muito se regala
no pouco, e se mata aos poucos
provando fel ao invés de saborear o mel.
Ainda ando em trevas, e nas trevas faço meu ninho,
mas, minhas suplicas são como
uma planta em vaso, que desmerecidamente
é colocada longe do sol, desejosa de crescer
se estica para fora.
Nada me deixa contente: nem o comer ou o
beber, sinto que, aos poucos, toda essa
obra morta vai se findando, e o que tinha
de ser, um dia, se torna algo irrelevante.
Meu corpo definha após os minutos contados,
e num lampejar se vai como quem nada possui.
e nada espera, embora deseje tanto.
Ouço vozes que vem de fora, e o silencio
inunda meu ser, corroborando, assim com
essa vontade inusitada de sair.
Todos me querem presente, e até sou
presente, em algum instante qualquer,
só não sabem, que embora presente,
o maior presente que gostaria
de ganhar, é não estar.
Sonho com a sabedoria Divina, sonho com a promessa
de sair deste mundo, de não mais pertencer
a raça mortal, que desfalece ante a probabilidade
da morte, que espreita tudo, e que despertará
em algum dia, mesmo que, arrogantemente,
ninguém espere!

Hertinha Fischer


sábado, 8 de julho de 2017

Esboço de mim

Maria rodopiava
no celeiro, entre
o cesto de quirera
e os pintainhos. Uma visão de arrepiar.
Estendia as mãozinhas a jogar
os grãos fininhos, espalhando-os
sobre o chão de concreto.
E os bichinhos esfomeados,
encenavam seu primeiro
passo rumo a emancipação.
ao som da mãe que
incentivava.
Os pezinhos  de unhas
compridas ciscavam sem parar.
numa confusão de vozes
ininteligível.
Maria sentia-se no paraíso, mesmo a trabalhar
sem parar.
Os animais faziam festa toda hora em que
se preparava para entrar em cena, parecia
que a amavam. Não sabia se a amavam
por ela mesma, ou era só por causa
da comida que oferecia.
lembrava-se de que a vida é assim: somos
amados. talvez, não
pelo que somos, mas, pelo que oferecemos.
Não se importava muito
com o resultado, só queria mesmo
estar entre as demandas criativas do viver.
Sabia que as flores precisavam da terra,
o mar, das águas, a felicidade, do sorriso,
a mansidão, da paz, e a vida a precisar dela.
E assim se via, no decorrer da seara, que em si mesma,
brota e se desenvolve, sem canseira ou desordem,
tudo em seu precioso momento.
Até que tudo mude e se transforme.
Amanhecia, anoitecia, e nada oferecia
mais do que merecia ou pedia.
O sol brilhava ao amanhecer como
se conhecesse seu próprio caminho, e o dia
encantado seguia seu curso sem novidade,
e mesmo que o sol, em algum momento
se perdesse no céu, ainda estaria no
mesmo lugar, longe dos olhos.
Assim como quem dorme, não sabendo
para onde vai suas lembranças, mas, que,
quando desperta, se vê sem nuvem e nunca
deixa de ser.
Ela tinha plena consciência de si: das coisas,
dos modos, das querencias e sentimentos,
do corpo que a identificava, da vida que
havia.
Em tudo que via ou ouvia, se lembrava: do canto dos pássaros,
da borboleta que voava,
das folhas que gemiam, da sua imagem e partitura á
trilhar sem constrangimento, fartada de tudo.
Sentia que andava em sintonia com a natureza,
que fazia parte da magia, ela e seus duendezinhos
supersticiosos que insistiam em se vestir de verde.
Assim como quem sonha e nunca se lembra, assim
também sabia-se morrendo, mas, quem se  perseverará até
o fim?
O túnel!
O pisar na lua!
O seguir as cegas!
O querer sem querer!
O ser  desejado!
Tudo na ilusão de quem segue a marcha
dos humanizados, até que não seja,
até que se rompa a madre, e se exponha
a cria, e tudo mude num lampejar
de luz. E se forme em tempo
de se nascer de novo, como
se nunca houvera nascido ou compreendido,
Hertinha Fischer













quarta-feira, 5 de julho de 2017

Frase para hoje

Quem vive, vive seus tormentos entre sonhos diversos, 
alguns ao alcance das mãos, outros,
 por nascerem em temporão, 
apenas nascem sem serem vistos ou alcançados! 
Hertinha

terça-feira, 4 de julho de 2017

Manhãs dos meus sonhos

Eu sempre penso na tarde como algo
muito distante, gosto
das manhãs.
O emblema suave que desponta no horizonte
em forma de felicidade.
o ar sorrindo de satisfação,
voando com o vento,
e o "solriso" na boca
do céu
de ponta a ponta.
E o branco se misturando ao azul,
como ponta de lápis brincalhão.
Sai em disparada como
moço bonito a surfar nas
ondas tempo.
Suave e meigo com
suas pernas compridas, comprimidas e
desatentas, suavizando
o trabalho árduo da terra.
Com um brilho sem igual
marcha a luz em sintonia
com o amor que se torna
seu meio e conquista.
A vida se expande, brota
e se revela, como arco-íris
na imensidão, e a madre
não se cansa, nem de dores
se espanta.
Os pequenos e grandes
se misturam, numa vegetação
abundante, entre cometas e sóis,
Assim se completam,
na sutileza do dia, para
depois sonhar com a tarde
que virá, não sem
antes plantar emoções.

Herta Fischer (Hertinha)




segunda-feira, 3 de julho de 2017

Tempo a escorrer

Talvez, por ser tão incerta,
a vida seja toda essa razoabilidade
que se estende como quem
sabe de tudo, se conforma e se
vai acreditando no sonho
de existência, quanto muito
por poucos anos vividos
sem nenhum proveito
Pois o que se aproveita das coisas,
a não ser no momento em que se precisa.
Quando não houver mais saúde,
de nada adiantará todas as riquezas
da terra, e quando não houver mais moedores na
boca, a carne nem fará tanta falta.
Estamos condenados a morrer algum
dia.
Sei que parece triste, mas, é a verdade
O que nos bastará neste miserável sistema,
quando a vida se esvair entre os
dedos do tempo,
e nada poderá detê-lo?
Somos como ervas, nada mais que isto,
sonhos desfeitos ao findar os dias,
E quando não acreditamos em nada além,
fica aquele amargor na boca, como
se inútil fossemos.
Hertinha (Herta Fischer)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Cada um por si

Estou falando menos, bom ficar
calado a observar.
Preciso estar assim,
como quem não deve nada, como
quem não tem muito a oferecer.
Assim não caio na tentação
de dar palites, mesmo porque,
de nada precisam, todos sabem bem
o que querem.
Atualmente, todos estão cheios
de si, cheios de razão,
e não ha mais lugar para conselhos.
De que vale querer oferecer um
bom lugar, bem estar, se estão
tão seguros na confusão.
De minha parte, realizo a fotossíntese
para minhas raízes,
Não vou mexer em caldo alheio, mesmo ao
vê-los queimar, pois se mexo, por cuidado,
ainda vou ser sacrificada por estar ali.
hertinha  (Herta Fischer)

No mesmo barco

Que te importa se eu
me vá,
Se chego sem avisar
que de todo,
não me tem

Que te importa quanto sinto
a distancia e o chorar
quando tudo que
me das
não tem valor para
ninguém

Que me importa seu amor,
que me entregas o
que não tem
 é seu todo prazer,
que suga em desdém

Que me importa...
que te importa
estamos no mesmo barco
se eu caio, eu encharco
e se tu cai, se molha
também.

Hertinha (Herta Fischer)

terça-feira, 27 de junho de 2017

Crença num depois

Ha muito para se olhar
e tão pouco sentimento nos
olhos.
Estamos focados no ganho,
Quando o que realmente
tem valor é grátis.
As vezes um simples calçado
descansando na soleira da porta
pode parecer belo.
Sinal de que tudo que vive
tem propósito, mesmo
que esteja fora da compreensão
momentânea e morto aos nossos
conceitos.
Ha uma fartura em nós, mas o estômago
esta mais propenso que o corpo.
Olho para as linhas de minhas mãos
que mais parecem caminhos pelos
quais já passei.
São tantas marcas em minha pele,
sinais!
E ainda me iludo com
o dia seguinte.
Quando penso ser mais feliz e
repletos de bençãos desejadas, me esqueço
que o caminho
trilhado estão cheios de gloria.
O que ha depois?
Terra, silencio!
Não!
Haverá muito mais ternura
lá adiante, muito mais do
que minha vã filosofia alcança.
Hoje me prego como alfinete
inteligente, galgando o tecido
tempo, falando, talvez, do que
defendo e acho que entendo,
mas, o que não entendo se desenlaça
ante meus olhos e minha mente, que de tão pequena,
 deixa sonhos para trás, ao invés de inventar
um depois.
Esperança não é algo que se vê, ou se escuta,
ou que esteja na palma das mãos.
Esperança é virtude de quem acredita
num outro amanhecer que não seja este
pelo qual lutamos todos os dias, que somem
ao cair da noite, quando estamos
inutilmente esquecidos de tudo,
e ainda assim sonhamos, parecendo-nos viver.
O meu futuro são meus créditos, créditos estes
não visto, não sonhados, mais cridos.
Que estão além desta visão que embaça, nada
que esteja tão longe do meu alcance, nada
que eu espere tanto, mais que esperados são
em minhas vagas lembranças,
Algo inexplicável como água
a escorrer sobre as pedras, nenhum motivo,
nenhum embaraço, só uma visão
magnifica do que virá.

Hertinha (Herta Fischer)







De 0 a dez.. 1

De repente... Nada!
Não sei o porque, mas
sinto que de nada
vale estar sentada aqui,
com essa mania de letras.
Me parece pura perda de tempo,
seria muito mais divertido
viver em conjunto,
poder estar compartilhando emoções.
Talvez o que faço, só
tenha importância para o
meu ego insistente
que de quando em quando desperta
e precisa  se exaltar um pouco,
sentindo uma necessidade imensa
de fazer algum
sentido para alguém,
mesmo que este alguém
esteja tão longe dos meus olhos.

Hertinha (Herta Fischer)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Tudo tem o seu tempo

Hoje mesmo eu estava conversando com meu marido
e lhe dizia: - Pare de reclamar de tudo!
Olha para a tua mesa, não falta o que comer! Olha para a tua casa, só bençãos e paz! Porque ficar remoendo o estado do país, o estado dos outros! A condição alheia nunca poderá afetar aqueles que são movidos de esperança através da fé.
Tudo tem o seu tempo e tudo move segundo a vontade criada em nós, quando trabalhamos com alegria, quando não medimos esforços para alcançar o prazer além do prazer. Faça a sua parte, siga o seu ritmo, creia que o que você deseja aqui nunca o satisfará, a menos que deseje algo maior que tudo isto!
Meu pai lutou, minha mãe também, fizeram cada um a sua parte, viveram e se resolveram. E tudo permanece igual a qualquer tempo, difícil ou não.. Conosco não sera diferente!...
(Plante, colha e coma, esta é a sua porção!)
Herta Fischer.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Puro êxtase

Estava frio, pelo
menos eu sentia a brisa
gelada penetrar em meus
pés e percorrer em meu corpo.
Já era tarde, eu precisava sair,
Entrei no carro, do lado, o motorista
rezava seus créditos, em um silencio
avassalador.
Onde me levava - a distancia percorria
meus ossos, com um alavancar tremulo de ousadia.
Fui olhando as paisagens que por mim passavam, abusadas
e melindrosas, caçoavam do meu jeito
de apreciá-las, quase que com saudade.
Não queria ir, mas precisava me ausentar
daquilo que chamava de vida.
O eterno levantar e sentar, como
se o preço
de viver fosse aquela misera
tarefa.
Ouvia nitidamente o som
do ar que saia das narinas do motorista,
que dirigia como
se fosse dono do espaço. as mãos cuidadosamente
apegadas ao voltante,  fazendo as curvas
milimetricamente estudadas.
Eu bem que queria tomar a direção, mas, tinha medo
de tudo.
Silencio total, nenhuma conversa, nada. Só o pensamento
aliviava um pouco a tensão.
Os pneus raspavam o asfalto, comiam-no como
quem come pão, o barulho do motor atiçavam as folhas dos
arredores, que, emblematicamente, dançavam a deriva.
As horas passavam, os metros de terrenos ficavam para
trás, e a velocidade não diminuía.,
O meu ser se arrepiava por dentro como
ouriços do mar, que se envolve em suas pedras,
para fugir de seus algozes.
Também fugia, não de gente, nem de lugar, fugia
da mesmice, Do levantar e deitar-me no mesmo lugar.
Queria estar num lugar diferente;: outros sons, outros sabores,
outros cheiros, que não fosse os mesmos de sempre!
O motorista trocou de marcha após uma curva acentuada,
a placa marcava um lugar onde a velocidade tinha
que ser reduzida, e o meu semblante desanuviou,
e o medo deu uma trégua.
O vento soprava quase que quente, cheio de suavidade
e odor. Um perfume delicado chegou-me
as narinas, e eu me transportei em seu navegar.
As coisas iam desaparecendo como
trigo a moer no moinho, outros prazeres, pouco a pouco,
enchiam meus olhos.
Cheguei ao meu destino, desci de meus devaneios, e novamente
me pus a pensar: - Quanta coisa existe além da minha toca!
Ouvi canto de pássaros que desciam para comer abacates
caídos ao chão, e as maritacas enchiam os ares com seus
gritos enfadonhos.
Um tucano de belas cores sentava em um galho a sondar
seus conterrâneos, Tão belo e tão arisco.
Ao ouvir o som dos meus passos, bateu asas e voou, passando
tão perto que me deu vontade de tocá-lo.
Fiquei abobada por alguns instantes, Tão bom estar ali,
entre as árvores frutíferas, cheia de vida e sustentação.
Lembrei-me então, do motivo de estar ali, fiquei um tanto
tristonha, quase a chorar.
Tudo a minha volta era vida, e toda vida fazia sua tarefa, só
eu me sentia inútil.
O dia se desfez como gelo no calor, e a noite se preparava para
acordar. A lua que dormia, despertou mais cedo que de costume,
mal  se aguentava por esperar sua vez.
E como um arco enfeitando a cabeça da noite, se aprontou e
saiu a passear.
Peguei um banquinho de madeira, o encostei na parede, sentei-me
como uma rainha em seu trono, espiando ao redor como avidez.
La ao longe o dia já acenava com um braço de cores maravilhosas,
e foi se despedindo aos poucos sem nenhum resquício de remorso,
Eu ali fiquei a conversar com os anjos, sem dizer uma só palavra.
No silencio da oração não falada, meu coração se aconchegou
nos braços da noite que chegava,
Os pontinhos brilhantes resplandeciam no céu, enfeitando aquele
momento sublime de puro êxtase. Entre o gramado já se podia
ver as pequenas e charmosas gotícula de sereno, que como
cristais vivos piscavam seus olhinhos ativos.
Tudo as escuras, só o céu fazia festa, Na mata, já se podia sentir
a confusão que se formava, quando os animais noturnos saiam para
caçar.
Olhei para o céu e pude observar as inúmeras fileiras das estrelas, algumas
em forma de cruz, entre outros aglomerados pontinhos, formando figuras,
 as vezes estranhas, noutras, compreensíveis.
Eu fazendo parte, como Adão em seu paraíso, sentado na relva a espiar
aquele espetáculo.
Se podia sentir a presença de Deus, a passear pelos pomares, com
suas mãos poderosas, incitando a vida, fazendo-á pulsar.
Estava um frio de congelar, talvez, por isso, a noite estava tão linda,
como uma figura encantada, sofisticada, vestida de luz.
Por alguns momentos eu fiquei muda por dentro, os pensamentos
se puseram a distancia. Era como se de nada mais precisasse, o mundo
estava perfeito.
Meu corpo ficou letárgico, as mãos formigavam, hora de me recolher.
Subi os degraus devagarinho, ainda sem acender as luzes, não queria
 ofuscar tanta beleza.
Abri a porta meio sem vontade, meu coração queria ficar, mas, meu corpo
reclamava por seu descanso.
Entrei debaixo da coberta macia, que me acolheu em seu calor, as pupilas
guardavam ainda em seu seio, aquele esplendor vivido, mas, cansada demais
para agir, fechou-se como uma flor dorminhoca.
Tão logo adormeci, para sonhar com as estrelas numa outra noite
de luar, num lugar tão mais remoto, longe de
tudo o que me dera até então.

Hertinha



















quarta-feira, 21 de junho de 2017

Nascer e morrer: - É obra para todos nós

Quão bom seria se a paz fosse consequência
de nossos atos.
Quão bom seria
trabalhar não só pelo pão.
Quão bom seria santificar-nos
na esperança
Quão bom seria
esquecer rótulos,
olhar pela magia do amor,
sem mumificar em nós mesmos
a decadência de querer
mais do que se precisa,
de buscar mais do que
se pode ter, de furtar dos
outros a dignidade de ser
o que aprendeu.
Hertinha (Herta Fischer)

Eternidade

Porque parar no escuro, quando
pode correr para as estrelas?
Confusão mental é patinar
sem conseguir se livrar
da lama.
Tão bom colher por ai,
sem medo
do que encontra,
Já que tudo é ilusão
de momento, porque
tudo passa, cada segundo
precisa ser dialogado, aceitado
como se não houvesse
depois.
Se aparecer alguém?
sempre aparece!
O que não pode
é fazer a eternidade em alguém ,sem enxergar
 a eternidade em si mesmo..
Hertinha (Herta Fischer)

Amor-corpo

Amor existe,
amor não tem fim,
nas promessas de vida
na continuidade
assim
Tudo num instante, nada no depois
depois é só um rumo
distancia a dois.
O amor dá-se nos olhos,
bate no coração,
rodopia no prazer,
acelera na
emoção.
Um vendaval que
destrói todas
as defesas. encobre mentiras
e vive de incertezas.
Ah! esse amor que desconhecemos,
chamamos, clamamos, nos
fartamos e desaprendemos.
Um dia sente, noutro não
há mais, Vira do avesso,
quando é incerto demais
Confundido é, desprezado e
amado ao mesmo tempo,
quando não faz o que se quer.
Só se torna bem resolvido,
em um corpo de mulher.
Hertinha (Herta Fischer)

Até que morra o dia

Estava eu a debruçar sobre
a trama da vida,
olhando de soslaio
as coisas que cresciam
ao meu redor.
Um cobertor de satisfação
cobria minhas horas exaustas,
que não se contentavam
em ver um fim.
Não havia nada fora de mim
que me acusasse, mas, dentro
um arrazoar de sentimentos obscuros
me aterrorizavam.
Olhava para a frente e só via
tempo, mas em que tempo,
ou até que tempo, poderia
seguir?
As pessoas se despediam um a um,
as passagens cada vez mais apertadas
não diziam nada, mal
cabia em si.
Olhava o futuro e o futuro
que seria?
Talvez o espaço, agora,
onde eu queria ficar, não queria
ver o tempo engolindo amor.
Não queria o sentido vazio.
Mas, de que me adianta o querer,
se não depende de mim?
O tempo se encarrega de tudo, o
tempo se encarrega da dor, mas, também
leva a alegria.
Talvez traga outras em outras formas,
mas, nunca o que levou!
Hertinha (Herta Fischer)




Eu vim para ser

Me vejo ainda
como um raio de sol
que se perde num horizonte
de luz.
Lá adiante, vejo o lampejar de
minhas idas e vindas
como algo que
de nada valeu.
Mas, ao olhar para
trás, rastros de saudade
preenchem todo
o espaço de minhas
ilusões.
Quanta honra houve em
meus dias passados, quando
a luz dos passageiros alumiavam
meu entendimento.
E crente de que tinha o melhor
sentia-me viva.
Mesmo com os veres de tesouros
que nunca chegavam aos meus pés,
meus tesouros
sempre foram vistos como maiores.
O que me abastecia não tinha
nome nem pronome, era como uma reluzente
andorinha que se exaltava apenas
por saber que voava.
Dentro da ternura de minha estadia,
estava um mundo cheio de marcas,
que me descobriam, que me faziam
importante e me levavam para
onde queriam, me fazendo a cada instante,
aquilo que eu vim para ser...
Hertinha  (Herta Fischer)


sábado, 10 de junho de 2017

Desrazão

Todavia
a ironia ia adiante
a se lamentar entre paredes.
Nada de nada, rumores
de felicidade.
Alegria, só quando se ria
de coisas bobas,
na hora da certeza, só
canseira sem necessidade.
Matar-se aos poucos, nem
é preciso, se morre assim
mesmo.
Lava, enxuga, se molha,
enxuga novamente, e a chuva
vem, e a seca se instala em sua hora,
tudo na mesma, doze horas
por dia.
E o dia não se cala, e a noite
não se abala, ruma na intenção
de ser o que tem de ser.
Vamos e voltamos, eternidade
de passos, quantos a se contar,
e muito mais a se andar.
A pele a se secar mais ainda o
novelo a se enrolar na ilusão
de se acabar.
E ao se findar, sem desconfiar,
nada a reclamar, tudo
se torna o quê?
Corpo inerte, alma
morta, bravura, tortura,
ou posicionamento
de mais uma etapa
a vencer, sobre
outro aspecto
do viver, sem nem
sequer saber, que, ou
quem era ou será!
Herta Fischer  (Hertinha)

Insonia

Ela ainda estava ali, deitada
na escuridão, como
uma desvairada mulher
que não consegue dormir.
Olhos abertos,a olhar sem cor,
imaginando de todo, coisas qualquer.
Do lado, seu marido roncava, sonhando,
talvez, com uma nova vida,
Tudo lhe parecia opaco, na escuridão
que a dominava, que vida tão densa,
impossível ultrapassá-la.
Seria possível dormir e acordar
pela manhã, sendo outra pessoa?
Olhava sem ver, sentia quase  que
como uma estrela cadente, despencando
nas paredes do nada, sobre olhares curiosos
abaixo, pedintes de não se sabe o quê.
Sorte, que sorte, seria morrer aos pedaços.
Sentia que não podia mais manter
seus olhos abertos, que de quando em
quando sobre a falta de luz, se formavam
pontinhos coloridos sobre as íris fechadas.
Isto é o que prometeram?
Esta é a promessa da vida?
Levantar pela manhã a preparar
café, passar o dia alisando coisas,
e na hora do descanso, sentir-se tão
cansada e não conseguir descansar.
Não podia se levantar, se assim o
fizesse, ficaria mais desanimada,
O silencio a secaria por dentro,
e a solidão a esmagaria como
uma semente socada no pilão.
Seu corpo não aguentava o conforto
da posição, sofria no silencio,
e incomodado, não a deixava em
paz.
Se virava quase que automaticamente,
de la para cá, de cá para la.
Os olhos pareciam pesar mais que
uma tonelada, e seu corpo também pesava
como peso de uma pedra, e o marido
nem notava. estava a dormir como
um anjo.
A noite parecia não ter fim, era mais
que eternidade, Uma hora parecia meses.
Torcia para que chegasse o dia, só assim
descansaria daquela insonia que a amava.
E foi assim, de tanta insistência
que seus olhos se fecharam, a noite
deixou marcas escuras debaixo de seus olhos,
e mesmo assim, ninguém percebia
ao nascer do dia.
Ao trabalho, como sempre, esquecia da noite
mal dormida, até que, novamente,
a tormenta começasse nos arredores
do silencio, no descanso das coisas.

Herta Fischer (Hertinha)







sexta-feira, 9 de junho de 2017

Resfolegar de ausência

Andando pela rua de cabeça baixa,
sem ter o que encarar.
Onde estão todos?
Caixa vazia.
Não tem olhar,
não ha amar,
só resfolegar
de ausência.
Sorriso cansa?
Não ha mais, as ruas estão
mudas, um
silencio decorrente
de medo? talvez!
Desconfiança,
autoconfiança.
Quem é quem?
As mãos abanando o ar,
a mente solitária e triste,
nem um som de cumprimento.
Não me veem,
não se veem
Um anel sem pedra, uma escora
sem rama
é o que nos tornamos
sem perceber
Quase que um automato,
quase que um anãozinho
de jardim,
Anda, se mexe
sem sentimento algum...

Herta Fischer  (Hertinha)


Orvalho nos olhos

Brota orvalho
em meus olhos,
já cansados de monotonia.
Clareia o dia
e.. ventania.
Claraboia rodeada
de nuvem fria
esperando que sorria
E é só mania
de querer
o que não podia, e a
vida se estendia
como quando
se inicia, é
tristeza e alegria
todo
dia, todo dia.
Só medo
e covardia.

Herta Fischer  (Hertinha)

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Tudo certo

Nascemos da corrupção,
por isso estamos tão
dispostos a troca.
Tive meus momentos de duvida,
no desconforto de me ver como
coitadinha no mundo.
As pessoas me pareciam "tão grande",
 mas tão grande, que quase me espremi
para caber onde vivi.
Ficava, muitas vezes, a sonhar
com o primeiro lugar, e nunca
ganhei o prêmio.
Nunca confiei naquilo que fazia,
mas não duvidei daquilo
que dizia.
Minhas palavras sempre convenciam,
mesmo que nem soubesse bem
o que queria dizer.
E assim se passaram os anos,
 a semente germinava dentro
de mim, E de tanto insistir,
cheguei ao ponto de entender
bem o que queria, e não mais
duvidar  de que podia.
Encontrei o meu lugar,
exigindo dos outros o meu espaço,
Não me vejo melhor do que ninguém,
mas, também não sou pior, sou
igual.
Por isso não sofro mais, entendi
o processo; tudo será como
tem que ser.
No meu dia, no seu dia, nada foge
de seu destino. Tudo certo!

Herta Fischer  (Hertinha)




Mundo reduzido

As vezes contestam minhas elucidações
por me verem pequena,
De fato, o sou.
Vim da pobreza, de um lar
cujo começo, foi de uma gastura
total.
Esse dom que  tenho, pode
parecer pouco aos olhos de muitos,
mas se conhecer a minha historia, verá
que não vem de mim, e sim, de
uma força maior que me faz.
Essa mente que carrego, é muito
simples, nela não caberia
nenhuma complexidade, as vezes,
eu me pergunto, de onde vem
essa minha mania de escrever.
Essa mania que eu tenho
de buscar respostas.
Vivo em meio a tantas dificuldades,
que me parece irreal, o fato, de
me expressar em palavras.
Tão difícil fazer do pensamento
algo para que outros possam refletir.
Não digo que sei, mas, posso dizer que tento.
Só não me peçam para dizer algo memorável,
com palavras sofisticadas que não cabem em
meu mundo imaginário.
Ha muita imaginação, mas poucas formas
de dizer.
Vivo num mundo reduzido, sem mesquinharias,
um pouco dona de mim, um pouco além das posses.
Não sou corrompida pelas coisas, coisas são
necessidade, e a minha necessidade não vem
do que se tem, pois, o que se consegue na vida, só vale
por alguns instantes, desgasta-se, assim como se desgasta
meu corpo. Trilho o caminho da eternidade,
tão complexa para os viventes, e tão simples para mim.
Herta Fischer  (Hertinha)



O agora é eterno

Nada é mais duvidoso que
o dia seguinte,
parece um menino peralta,
pregando peça na  alma gente.
Só confio na hora exata,
quando sou completamente capaz de
sentir que ainda vivo, que
ainda faço parte do momento.
De resto não tenho esperança.
O agora é meu amigo,
no agora confio, só do
agora, me lembro,
só o agora me reflete.
O passado se foi, o futuro ainda
não veio, portanto, o que me
consola é ver o tempo brotando
á minha frente como um
botão virando flor, mas, ainda
não sabendo em que tempo se findará.
Hertinha (Herta Fischer)


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Inspirando-me

Inspirando-me na vivência.
No sol que aqui sublinha,
em vestes cintilantes, ante meus olhos
carentes.
No vento que atravessa
janelas e na porta bate
ao amanhecer, trazendo
acordos entre o
pensar e eu,
que somos a medida
de vida, que juntos
vivemos, quase que
sem perceber.
O sol, a lua, a divindade
encoberta,
a descoberta de mim,
Que sou, se sou menos
que tudo que vive,
pois todos sabem
bem o que fazer, só eu
me lamento diante
do que ainda me cabe
entender.
Pois o que descubro
são só sombras de outro,
nada a complementar.
Só essa linguagem
é somente minha,
quando em palavras
descrevo-me em linhas!
Herta Fischer  (Hertinha)

Liberdade em contexto

Livre no tempo
das palavras, no
conformismo do saber
o que todos já sabem.
Se sabe, eu
Se sabemos nós.
Nos viés em causa
inacabada,
de sonhos sonhados,
de mente rebelados,
sem malicia, aliciados,
na conveniência, mais
que cercados.
Sem começo nem fim,
apenas o que se sabe,
até quando?

Herta Fischer  (Hertinha)

Consolo

Me vesti de seda,
ao despertar a aurora,
quando então me vi nu na despedida
do dia.
Ainda quis seguir como quem vagueia
no escuro, com as pontas dos dedos
tateando, as pontas dos pés
freando o absoluto das
fontes, onde se bebe argumentos e
se vomita sobriedade.
Nada é tão cruel como acreditar no amanhã
que nunca chega, nem nos milagres
do dia seguinte, A primeiro
que se chegar lá!
Herta Fischer (Hertinha)

Satisfeita em mim

Quando eu olhei para o lado, todas as minhas ideias sumiram ante
os ideais que se viam.
Não havia mais precipícios em mim, nem coroa de verdade,
nem nada que pudesse me dizer que tinha
algum poder sobre a vida.
Em qualquer direção para qual olhava, não havia nenhum
lugar para descansar de meus sentimentos adversos, nem
regalia a mostrar-se do outro lado.
Insistiam em mostrar-me seus caminhos fartos de misérias.
Eu, simplesmente, dei meia volta, não queria ser outra coisa, outro fato, nem outra historia que se fazia sem mim...
Se pudesse estar lá por inteira, por intensão de quem acredita, lá eu estaria, Porém, meia verdade não me atrai, nem meia mentira, nem meio ser, meio não ser.
A solidão me satisfaz por ser a melhor companhia,
a unica que não desbota minha sensibilidade, nem corrompe
meus pensamentos, nem suga a energia de pensar. pensar por mim mesma..
Herta Fischer (Hertinha)

terça-feira, 6 de junho de 2017

Esquecimento

Dia triste quando me derramei feito
chuva de frente fria.
Uma enxurrada de duvidas permeava
a descida dos meus sentimentos.
Você me encarava como quem encara
uma novidade, para depois deixar-me
apagada num canto
incerto.
Dei-me de todo, não sobrava
nada em mim que não fosse seu.
Minhas noites celebravam
sua imagem, quase que como um deus
pagão.
Vagava em meus sonhos sem
pedir licença, me arrastando
á um mundo sem volta.
Era você somente a mostrar-se
em meus dias, quase a apagar
outras historias.
Quase a apagar o bem que vivia em mim.
 dono do meu querer,
juiz e carrasco dos meus desejos.
Precisava acordar e tirar-te da minha mente,
precisava desesperadamente te esquecer.
Com o ego fraco e a vontade adormecida, só
me restava as lágrimas e desespero.
Eis que naquele imenso aguaceiro
de dor, abriu-se o sol de um novo amor,
me tirando daquele estado de torpor.
 Outras imagens apagaram as suas,
sonhando outro sonho que não
era você e tudo recomeçou
novamente.

Herta Fischer  (Hertinha)



segunda-feira, 5 de junho de 2017

O meu lugar

Não ha nada além do que vejo,
nada a declarar sobre o
que ha além do meu leito.
A água fica onde ha como correr,
o mar esta encarcerado em
seu lugar, não
pode transpor o limite,
E eu, assim como todos: sou
o que vim para ser.
Não é por acaso que escrevo, não
é por acaso que encaro toda
essa arrogância de achar
que posso, mesmo sendo analfabeta
total referente a muitas outras coisas,
assim mesmo, a  vaidade de existir é que me faz.
Herta Fischer (Hertinha)




Ruídos no silêncio

Eu gosto de ruídos, aliás, convivo com ele a algum tempo,
um zum zum dentro do ouvido não me deixa em silencio.
Por isso a chuva no telhado é mais que uma canção,
o vento uivando lá fora é musica.
O som de uma simples folha se desprendendo
de seu leito me faz feliz.
Já terei silêncio o suficiente quando me baixarem
a terra, e por enquanto, que cantem as cigarras, que
gritem os grilos, que se lamentem as folhas ao despregar-se,
que se vente bastante, que se fale de tudo, que se esbaldem
os ruídos.
Herta Fischer (Hertinha)

Silencio a dois

Oi amor.
Eu pensei que sempre
seria o mesmo, até perceber
que o tempo une, mas,  na vaidade
se distrai.
Teu real interesse estava na juventude
que me alimentava, na boca que
jorrava perfume.
Enquanto tudo se fazia no
dia-a-dia que abruptamente
nos engolia, sua missão
ficava cada vez mais fraca.
Teu olhar se entornava em outras
direções, e seu querer, de mim,
 se afastava.
Embora ainda me quisesse, quando seu corpo
pedia, não era mais eu a despertar interesse,
mas, sim, a vaidade que lhe atribuía afeição.
Ficamos lado a lado, como
dois seres inanimados, que se mexem
por comodismo, que se aceitam por
conveniência, apegados somente
pelo compromisso.
Onde foi que nos perdemos?
Não nos perdemos um do outro, mas
nos perdemos em nós mesmos. quando
a emoção se foi,
Ficou a amizade, o silêncio conta tantas historias,
e o coração solitário pulsa aqui e ali.
Não restou mais nada daquela quentura,
quando ainda te esperava pela tarde, e meu
amor chamava por você.
Ainda fala de seus atos, daquilo que lhe agrada,
mas, de mim, do que eu sinto, não lhe interessa mais.
Estou, sempre estou, mas não faz nenhum
sentido, pois seu interesse mudou, ou
foi eu quem mudei?
Herta Fischer (Hertinha)






Obsoleto sentimento


Cheguei ao entardecer
quando a auréola  do dia se desfez
 em nada.
Preguiça tinha de ver,
de sentir
o que já não tinha
Deixei, talvez, lembrança,
mas, que sei eu?
Não posso ver o
que o outro sente,
a não ser que me digam.
Mas, do que esta
na distância, do
que imagino sem som e sem
memoria?
Falou do que sentia,
e a brisa do seu falar
me trouxe redenção, até
que o ir embora foi
sua ultima palavra.
E esse silêncio ainda me
incomoda e não me dá sossego,
Quero saber se já não pensa mais em mim.
Se ainda se lembra do que sentíamos, ou
o tempo é mesmo tão cruel, a ponto
de trazer esquecimento total.
Tão obsoleto é esse sentimento
que insiste em ultrapassar medidas,
que de memoria ainda vive, e não
quer te esquecer,

Herta Fischer (Hertinha)




sexta-feira, 2 de junho de 2017

Seria inverno?

O céu tão brincalhão
está a fazer serão
e as nuvens suspensas
a radiar inspiração,
brincando
de pega-apega
cheia de paixão
vai e vem
com muita disposição
A chamar pelo sol
de verão
que só chegará
na próxima estação.
E o meu coração
tem a sensação
de que não
chove não!

 Hertinha Fischer
:D

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Criando saudades

Solitária e triste está a minha
janela, aberta para seu dia chuvoso.
Tantas historias se
desvendando por ai, tantos
segredos sendo engavetados,
e eu aqui, completamente
alheia a tudo.
Minha alma se consome em nostalgia,
querendo viver de passado, querendo trazer o tempo
escorrido pelas mãos, a novamente fazer o feito
que se deixou para trás.
Não é saudade de amor, não é saudade
de mim,. É, sim, saudade dos
passantes que já se foram, e me
deixaram sem querer.
E sem querer eu também passei á passos largos,
e não sou mais quem eu era, fui
descobrindo por mim mesma, a maneira
de passar e deixar rastros na memoria,
que aos poucos também se vão.
A chuva traz em si, lembranças.
E sobre esta lembrança eu crio saudades.
Herta Fischer  (Hertinha).




terça-feira, 30 de maio de 2017

Maestria da vida

Ela buscava em todos os lugares um bom
motivo para alegrar-se;
As vezes se satisfazia plantando rosas
em seu jardim, noutras, apenas as vendo crescer.
Enquanto outras meninas se enfeitavam para satisfazer com olhares,
ela apenas olhava de longe a complicação do  viver.
Em sua historinha de menina, príncipe não existia, e princesa,
muito menos.
Não queria ser alguém melhor que ela mesma, não queria ser bibelô,
nem fantasia, nem sonho, nem esperta demais, só queria poder
andar pela vida, colhendo as flores pelo caminho, sabendo que enfrentaria
tantas contrariedades, por ter gosto apurado, e pelos tantos desejos que
lhe faltava.
Trabalhava com afinco em seu roçado, plantando e colhendo á seu tempo,
e as tardes ensolaradas, já livre da labuta, sentava diante do espelhado
mundo, a ver refletido nele, um pouco de si mesma.
Uma pequena fagulha, dizia ela: - nesse imenso vale do olhar.
Não posso simplesmente querer o prazer sem trabalhar, nada
me vem as mãos se antes não me levantar e realizar. Assim trabalha
a natureza, dia e noite, incansavelmente.
A noite a encontrava despida completamente de sonhos, maravilhada
com tanta beleza, muitas vezes, ficava a observar as estrelas, uma
a uma, enquanto nasciam ante seus olhinhos curiosos.
Quantos pontinhos brilhantes, - pensava ela: - será que me veem também assim?
Uma coleção brilhante, de variado esplendor, cada uma com identidade própria,
nasceram quase que despercebidamente, tomando conta daquele imenso vale
azulado, que agora, parecia mais com um pano de fundo cobrindo seu
mundo.
Abaixo da lona, estava seu corpo, estremecendo de frio, quase que a desmaiar
de tanto êxtase. Como era bom estar ali, sem idealizar nenhum futuro.
Por muitas horas acolhera aquele momento único, pois sabia ela, que
outro dia, talvez sentasse abaixo daquele véu brilhante, mas a sensação não
seria a mesma.
Nunca mais seria a mesma.
Desceu de sua imaginação, um pouco frustrada pelo sono que já
a espreitava. De súbito, soltou uma baforada de ar para fora, elevou-se
como uma árvore que emerge da terra, tornou a encher os pulmões com
oxigênio, sentindo a brisa suave tocá-la por dentro, e o
perfume da noite  a deixou tonta.
Só então, pensou no dia seguinte, Teria que levantar cedo, não dava para
namorar a noite por mais tempo.
Alcançou o alpendre com passos lentos, ainda com olhos voltados para o céu,
abriu a portinha que a levava para dentro e deixou lá fora o maravilhoso espetáculo.
Sua cama estava arrumada, tirou  a colcha de retalho que a enfeitava, afofou
o travesseiro de pena de ganso, e jogou-se  sobre ela  suspirando
de prazer.
Sempre seria assim: sua melhor hora era a hora que abrigava qualquer momento.
pouco importava o que fazia, sempre havia prazer em estar presente.
Enquanto dormia, sua alma a levava em lugares desconhecidos, raramente sonhava
com coisas palpável, ou lugares já vistos.
Naquela noite, especialmente, andava nas nuvens, sentindo a maciez sobre os pés, tendo
como companhia, milhares de gansos selvagens,  que passavam distraidamente ante seus olhos,
cortando as nuvens como vento cortando fumaça.
Acordou tão disposta ouvindo o som lá de fora, os gansos se tornavam reais, o som de seus gritos atravessavam a parede de terra batida, trazendo-á de volta a realidade.
Gostava de animais, principalmente  de aves. Tinha uma infinidade deles em suas terras, nenhuma
entre grades, Todos livres assim com ela.
Tirou de cima o cobertor que a aquecia, colocando seus pés sobre um chinelo que passara
a noite a observá-la ao lado da cama. e saiu a sorrir.
-Mais um dia!- pensava:
Tomou o rumo da cozinha, acendeu o fogo, e preparou seu café, sorvendo aos poucos a bebida quentinha, sentindo-se mais atenta do que nunca. tudo lhe dava prazer.
A vida se anunciava la fora a todo vapor;
Pássaros revesavam na cantoria, os gansos faziam tanto barulho parecendo uma pequena orquestra
regida pelo sol ardente que espalhava ternura por todos os poros.
Ela saiu para fora sentindo-se a dona do paraíso, pegou algumas espigas de milho, e pôs-se a debulhar,
jogando as sementes sobre a terra, enquanto as galinhas se aglomeravam entre os gansos, disputando
cada grão, comungando uns com os outros:- como não ser feliz?
Tudo estava calmo naquele dia, nenhuma nuvem perturbava o sol, e a harmonia na natureza era bom de se admirar.
Depois daquele banquete, cada um procurara o que fazer: os gansos se jogaram na água, numa dança frenética de poder, as galinhas se embrenharam na mata a cuidar de si, e ela se preparou para o trabalho.
Nada mais importava, nem o relógio á obrigava a ir mais rápido.
A pequena enxadinha descansava ao lado da porta, a esperar por sua ordem, Ela pegou a ferramenta
com naturalidade, como se já fizesse parte de seus dias. E com uma certa agilidade nas mãos,
se pôs a limpar o seu quintal.
Se alegrava demais com o ruido que ela fazia, e vendo os matinhos se deitarem á seus pés, sorriu satisfeita.
O dia parecia fluir bem humorado,
Mas, em certo dia, quando a chuva caia em abundância, ela sentiu falta de alguma coisa, não sabia bem o que era, mas, uma nostalgia tomara conta de seu ser. Precisava entender o que lhe acontecia.
Aquele sentimento de antes á abandonara, e uma mescla de infelicidade começava a rondar por ali.
Não havia mais alegria em suas tarefas, apenas uma canseira sem fim. Tudo á incomodava, seria saudades
do que não tinha?
E o que lhe faltava? - pensava:
Um amor? mas amor ela tinha em seus bichos!
Um outro eu, talvez! para sonhar comigo, para dividir meus espaços, para cuidar e ser cuidada, e reaver vozes que por muito tempo deixara de ouvir,
Suas vozes internas não mais satisfaziam, suas melodias se perdiam no vazio quase sussurradas ao vento.
E a chuva, cada vez mais intensa, lhe obrigava a se recolher, e se recolhendo, sentia-se tão sozinha.
E sentindo-se sozinha, começara a sonhar.
Tinha saudade do que havia lá fora, saudades de outras vozes que não fosse a sua. Outra musica a tocar, outros elementos a se compor, tão cansada estava das mesmas letras.
Foi então que conheceu a dor.
Descia toda hora para a pequena biquinha lá na ribanceira, quando o rio se jogava de um barranco transformando-se em cachoeira, mas, notou algo acontecendo, quase sem som já estava, a desbarrancar-se em seu leito.
Nas suas noites belas, agora povoava uma certa agonia, inexplicável, soberba e repleta de pesadelos.
Pela primeira vez na vida ela sentiu-se frágil e deslocada. Precisou se esforçar para entender os sinais, que estavam estampados como uma bandeira hasteada,
O tempo! - ela se viu a exclamar:
Passou sem que me desse conta, envelhecendo tudo ao derredor, tirando-me as forças e a capacidade, assim como os aguaceiros de verão, chegou sem avisar.
E pela primeira vez em sua historia sentiu medo de morrer.
Passou então a fantasiar, Assim como uma nova historia a se contar de outro jeito. E a espera agora era sua unica companheira.
Nunca se ligara muito ao tempo, só pensava nas renovações de cada instante, assumindo diante da vida
a sua maneira de ver, de ouvir e de estar.
Mas, agora, as coisas estavam mudando, precisava se habituar ao fato de que estava envelhecendo, não cabendo mais aquele sentido florido como dias de sol.
Tudo ia desaparecendo: o apetite, as lembranças, a alegria, o sorriso, a força, enfim, estava definhando.
E a noite não mais lhe trazia alento, ficava horas acordada, tentando subir no lombo das nuvens, chamando por seus gansos, mas eles não vinham, assim como o sono.
Tudo á sua volta dormia, mas, ela não conseguia fechar sequer seus olhos.
Tinha medo do amanhã, aliás, tinha medo do segundo seguinte, as horas, agora, se tornara sua maior rival.
Muitos dias se passaram, cada vez mais seu corpo definhava, e sentia cada mais saudade: saudade do que vivera, daquelas horas todas ocupadas com alguma coisa.
Até que surgiu no horizonte mais um dia, aquele que a levaria para outra instancia. quando sem querer ouviu o som de um sino tocado ao longe, e esse som lhe encheu de paz, Fechou os olhos para sentir melhor a melodia, e foi se deixando levar, até que tudo parou, Não mais ouviu o tilintar das gotas caindo do telhado, não mais ouviu a voz do seu lamentoso estado. Tudo se tornou silencio, e ela enfim,
se foi!

Herta Fischer  (Hertinha)



















segunda-feira, 29 de maio de 2017

Zumbis das esquinas

Estou vendo meu mundo desabar diante dos
meus olhos.
Eu digo, meu mundo, porque é
também meu o dever de construção
de sentimentos á minha volta.
Tenho certa responsabilidade sobre
a amizade e o bem querer.
No entanto, parece sou invisível,
talvez por me preocupar mais com
a realização minha que dos outros.
Dou minha contribuição, dosando
as palavras, tentando colorir os caminhos
já visualizado, e levar um pouco
de cor pelos que ainda não passei,
No entanto, poucos conhecem essa linguagem,
Se eu falar da situação dos meus vizinhos,
se eu passar a minha língua por historias alheias,
seja bem vista e tão melhor aceita.
Não se pode mais dar conselhos, nem falar de bons princípios.
 parece que soa mal, que não vem do coração,
que estamos invadindo territórios proibidos.
E quem se atreve a pensar e a falar do que se deve fazer para viver melhor,
acaba se tornando ofensa,
O mundo as avessas, não o reconheço mais. Ha muita
falta de pão, mas, há também, mais falta de coerência. desaprenderam
a pensar.
A unica coisa plausível e desejada são as lojas,  por onde as pessoas passam
e entregam as suas almas.
Carros e mais carros passam pelas ruas, luxo desnecessário
corre nas veias dos velhos e adolescentes, e o primordial
da vida se esconde entre os dentes ávidos e cortantes
que só mastigam ilusões.
Quando foi que nos perdemos uns dos outros, quando foi
que a aparência tornou-se muito mais importante
que os princípios?
Quando aconteceu o término familiar, onde as mães
tornaram-se produtos de mercado, e os filhos, igualmente,
foram entregues a adoção temporária, não mais fazendo
parte do seio que os alimentou, alimentando-se do leite
mundano.
Leite contaminado por ideais que vem de fora, subjugados
a aprender dos outros, tendo que se virar para ser alguém
a mercê da sorte.
Assim como um cãozinho abandonado a abanar seu rabo
para quem passa, mendigando um pouco de atenção,
aprendendo com quem não é da sua raça, a pedir,
ao invés de buscar por si mesmo.
E está tudo certo, é assim mesmo que deve ser, filhos abandonados literalmente,
para poderem enfim, ter coisas que todo mundo tem, quando o principal
lhes é negado: O direito de aprender  e de conviver com os pais!
Então acabam aprendendo com o mundo, a procurar satisfação
de outro jeito, como zumbis das esquinas, tragando as suas frustrações como
fumaças salvadoras, que o levam justamente para onde não querem ir.
Para o fundo do poço!


Herta Fischer (Hertinha)





A esperança esta num amanhã que nunca chega

Ninguém mais a precisar de mim com tanta ânsia,
estou subsistindo em minha concha.
De que preciso mesmo para ser feliz, talvez,
de uma historia nova para contar, sem
que precise sofrer para isso.
Por falar em sofrimento, lá estou eu a ver o rato
amassado em uma ratoeira,
Como quem não teve o prometido, um pequeno
pedaço de queijo foi a sua perdição, e a sua morte por desejar.
Enquanto o relógio conta suas horas sem cessar, quase
que passo despercebida. Ninguém conhece minhas
necessidades mais do que eu, mas, temo ser um rato pronto
a ser sugado pelas artimanhas de meu destino que não
sabe bem de que preciso,
mas insiste em me dar o que mereço, desmerecendo
o que quero.
Trago em mim, algumas desconfianças em relação
a algumas coisas, ainda sou apenas uma gota a gotejar
no oceano, que de quebra não se satisfaz com meus préstimos.
Doando-me pequena demais, quase a sumir entre uma doação
e outra, me sentindo, talvez, importante, quando ninguém mais
se da conta de que sou capaz.
Nem eu mesma!
Estou dentro da paisagem que vejo, entre árvores e descaminhos,
mais que qualquer coisa, ainda dependo do tempo.
E que tempo eu mereço? De quanto?
Nem sei mais o que me falta, se mais ou se menos, porque
tudo a minha volta parece não ter valor, nem minha suplicas
por merecimento, nem minhas suplicas por milagres, pois, tudo
acaba acontecendo sem minha interferência, o tempo é apenas
sonho, um sonho quase construído na esperança, porém tudo se acaba
em amanhã.

Hertinha (Herta Fischer)




sexta-feira, 26 de maio de 2017

O lugar sou eu

Como eu gostaria de
poder dizer que sou sempre a mesma.
Mas, embora, meu fisico seja sempre igual
com exceção das ações do tempo,
minha ideias se confundem.
Hoje eu estou mais amena, assim
como na meia estação, mas, ha
o inverno que constantemente
se instaura em minha alma, mesmo
fora de tempo.
Como um vento frio e cortante,
que me faz encolher nos arrepios,
assim, as vezes me sinto.
Talvez eu tenha aprendido a viver nos trópicos das emoções,
 onde para a constância não ha lugar, um dia
é sempre um dia.
Faz tempo que não choro, faz muito tempo
que estou a um passo da coerência do existir
sem dor.
E mesmo que sofra, as vezes, uma dor aqui e acolá,
nada me tira do sentimento de que sou bem
mais forte do que penso.
De que a vida é compreensível em nossas perdas,
que não sou mais que nuvem que passa,
E os que estão do meu lado, podem
facilmente tomar outro rumo, e me deixarem só.
E mesmo só encontrarei o meu lugar, pois o
lugar sou eu, e de mim, eu nunca me distanciarei.
Não vou me tornar outra pessoa, nem abandonar
minhas virtudes ou defeitos, muito pelo contrario,
diante das tempestades, serei tempestade, mas diante
do tempo bom e ensolarado, serei sol.
Serei o que puder ser até que não seja, ou seja, sei lá!
O que vem após são só desejos, o que esta visível agora,
neste momento, isto é real e pode ser visto e sentido.
E o bem estar esta aqui do meu lado, e não serão
as circunstâncias á incomodá-lo, assim como arco-íris,
de tempos em tempos aparece no céu, assim sou eu, quando
me aceito em totalidade, sem miudezas a me corromper.
 Sou feliz agora!
Herta Fischer  (Hertinha)




Casa de Deus

Lembrando sempre que Deus é capaz.  Claro
que é desnecessário falar isto, mas ha quem esqueça.
O homem da atualidade, ou melhor: alguns tantos
homens da atualidade acham que Deus não existe, por
ter seu NOME ligado a instituições religiosas
que fazem mau uso da palavra para enganar, ou
enaltecer a si mesmo.
Esquecendo-se dos devidos tempos ao qual falou o profeta:
Quando o homem seguiria o caminho da mentira,
como quem segue para um caminho bom.
É como alguém estar sujeitado as drogas achando
que as drogas lhe trazem algum benefício.
E se transforma em um autômato, sem vontade
e sem caminho.
Por causa dessa miséria que é se levantar como
líder religioso, em nunca ser chamado, só para tornar-se
competidor, sem, no entanto,
estar disposto a renunciar os próprios favores e
desejos.
Se Cristo disse ser rei espiritual, então, porque,
ainda se precisa tanto de líder.
Se conhecemos as sagradas letras, então, porque,
ainda nos limitamos ao que o outro fala,
Porque tememos tanto as verdades?
Eu sei da canseira de viver, de precisar
constantemente de médicos
e remédios, por causa de epidemias e outras
tantas doenças que trazemos em nosso DNA.
Mas, em se tratando da espiritualidade, porque
haveremos de estar sujeitos ao que o homem fala,
e não ao que Deus revelou-nos segundo o que precisávamos
saber?
Porque ainda sentem tanta necessidade de templos
mesmo sabendo que o templo humano nada é?
Pois Deus nos revela. Não mais habitarei em templos feitos por mãos humanas.
Se Ele tiver de ser encontrado, podem estar certos disso, será em alguém, numa
pessoa ou num povo.
Deus quer habitar em nós.
Quem deve ser edificado somos nós.
Perdemos muito tempo envolvidos com coisas que nada contribuem para
a nossa edificação.
Para que a casa de Deus exista, necessário se faz que cada um de nós
seja edificado em Cristo. Se Cristo estiver em mim, posso sentir que
sou participante de Sua casa, se Ele permanecer
em mim,
é evidente que se agradou de fazer em mim morada.
Paulo tinha essa crença e nos aconselhou a fazer o mesmo:
"Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé, provai-vos
á vós mesmos. Ou sabeis quanto a vós mesmos, que Cristo está em vós?
Se não é que já estais reprovados.
Tudo o que foi criado, foi criado para que o homem pudesse
encontrar um modo bom de viver, de constituir família, de
poder ficar bem em todas as estações, mas, o homem,
não satisfeito com ele mesmo, precisa estar acima de todos
construindo-se em cima de poder.
Quando que, o único poder capaz de salvá-lo é Cristo, e Ele
nunca pediu mais que Amor, lealdade, discernimento.
Não em relação a Ele nem ao Pai, pois são donos de tudo o que há. mas de uns para
com os outros, muito mais entre os que vivem sobre o mesmo teto.
E haveremos de nos juntar ante um proposito Maior, E como nos juntarmos
se não aprendemos a conviver?
Cristo é a primazia da criação, a primeiro em tudo, Tudo se fez pelas suas mãos, a fim
de ser o primeiro em tudo, e segundo a palavra, devemos ser obedientes até a morte, assim como
Ele foi e é.
Honrando-o em amor. E como amá-lo sem amar também as feituras de suas mãos?
E quem são os seus feitos: senão tudo que se move, lembrando que tudo o
que foi feito, foi feito para um determinado fim, e que as honrarias nunca deveriam
ser direcionadas a criatura, e sim, ao criador.
A mesa em que Cristo fez a ultima refeição com seus discípulos significava união,
Todos no mesmo parecer segundo a graça. Não mais como escravos do pecado, mas como
devedores á Cristo.
E como pagar tão grande salvação, á não ser pela obediência aos mandamentos?. Não
mais como quem é obrigado a fazer, mas, como quem tem liberdade de escolher. E escolhe
O caminho de Cristo, seguindo as suas pegadas, não mais como meninos arrogantes e
indecisos, mas, como adultos que sabem bem o que quer.
Conhece bem as pegadas sem necessidade que precise que apontem a direção.
 Herta Fischer (Hertinha)
















quarta-feira, 24 de maio de 2017

Jogada no ar

Engraçado como se teme ver-se á maneira que se é.
Sou metade, sou nada ainda, como
se o tempo fosse livre ou eterno.
É claro que somos, que acreditamos em algo
maior, para não sucumbirmos ao maranhosismos
a que se predispõe a criação.
Penso como uma formiga, e como uma
formiga estou sendo pisoteada a todo instante,
de sorte, que, sou maior do que ela em tamanho.
Hoje me pus a pensar em Deus, nas crenças que nos levam,
e também no quanto tempo
desperdiçados em crer em alguma coisa menor.
Como um talismã, ou água benta, ou ainda,
em a deusa daqui e dali.
Que fraqueza a nossa!
Me sentindo como uma mariposa a chegar perto da luz,
como se pudesse concorrer com ela, não sei o que
busco, se luz ou se morte.
Quem sou eu para pensar que Deus olharia por mim?
Deus! Veja que nome grande!
Miserável e inútil que sou, a unica coisa de que preciso é trabalhar
para sobreviver, no entanto, quero bem mais do que isto,
quero que o mundo veja as minhas conquistas, e é claro,
que só alguns conseguem ver, o restante, ainda não conheço.
Então, faço força para que me vejam no meu bairro,
embora não converse com todos, mas, todos
os que passam por mim, pode facilmente dizer: - Nossa!
queria ser como ela! E dai? no que isto pode me agradar!
Fico onde estou a observar de longe, as pessoas se matando por algo
que se gasta e desgasta, que só tem valor enquanto ainda se
está apto para aproveitar, e não se sabe a hora em que tudo isso
passará a valer nada.
Assim como nada somos, diante da grandiosidade do universo,
como grãos de areia na praia e poeira no ar, é isso que somos.
Dai eu olho para minha casa, construída sobre a terra, coberta
por camadas de outro material, que me faz livre da chuva
e do sol forte, mas que também abriga tantas desnecessidades.
E essas desnecessidades me pesam mais que viver sem rumo,
pois dela sou escrava.
Olhando no espelho de minha historia, só vejo a mesma
coisa de sempre, nada que me agrade ou me tire deste
modo de estar. Mas preciso estar, preciso, mesmo que não me agrade,
sou e pronto, existo por isso não posso me mexer em outro sentido
que não seja o mesmo sentido de todos. a não ser que me descarregue
em algum canto, e me torne algo superior ou inferior, quando não
mais precise desse sistema ilusório de viver.

Herta Fischer  (Hertinha)





terça-feira, 23 de maio de 2017

Arrependimento do pecador

Não me repreendas, Senhor, na tua ira,
nem me castigue em teu furor
Cravam-se em mim as tuas setas,
e a tua mão recai sobre mim.
Não ha parte sã na minha carne, por
causa da tua indignação,
não ha saúde nos meus ossos;
por causa do meu pecado.
Pois já se elevam acima da minha cabeça
as minhas iniquidades;
como fardos pesados, excedem as minhas forças.
Tornam-se infectas e purulentas as minhas
chagas,
por causa da minha loucura.
Sinto-me encurvado e sobremodo abatido,
ando de luto o dia todo.
Ardem-me os lombos,
e não ha parte sã na minha carne.
Estou aflito e  mui quebrantado;
dou gemidos por efeito
do desassossego do meu coração.
Na tua presença Senhor,
estão os meus desejos todos,
e a minha ansiedade não te é oculta.
Bate-me excitado o coração.
,faltam-me as forças, e a luz dos
meus olhos, essa mesma já não
está comigo.
Os meus amigos e companheiros
afastam-se da minha praga, e os meus
parentes ficam de longe.
Armam ciladas contra mim, os
que tramam tirar-me a vida;
e os que me procuram fazer o mal.
dizem coisas perniciosas e
imaginam engano todo o dia
Mas, eu, como surdo, não ouço e, qual
mudo, não abro a boca.
Sou, com efeito, como quem não ouve
e em cujos lábios não ha réplica.
Pois, em ti, Senhor, espero,
tu me atenderás, Senhor, Deus meu.
Porque eu dizia:Não suceda que se alegrem de mim
e contra mim se engrandeçam
quando me resvalo o pé.
Pois estou prestes a tropeçar; a minha
dor está sempre perante mim.
Confesso a minha iniquidade;
suporto tristeza por causa do meu pecado.
Mas os meus inimigos são vigorosos e fortes,
e são muitos os que sem causa me odeiam.
Da mesma sorte, os que pagam o mal pelo bem
são meus adversários, porque eu sigo o
que é bom.
Não me desampare Senhor; Deus meu; não
te ausentes de mim.
Apresa-te em socorrer-me,
Senhor, salvação minha.
Salmo 38
Herta Fischer


A vaidade do homem

Povos todos, escutai isto:
Dai ouvidos, moradores todos da terra,
tantos plebeus como os da fina estirpe,
todos juntamente, ricos e pobres.
Os meus lábios falarão sabedoria,
e o meu coração terá
pensamentos judiciosos.
Inclinarei os ouvidos a uma parábola,
decifrarei o meu enigma ao som
da harpa.
Porque ei de eu tremer no dia da tribulação,
quando me salteia a iniquidade
dos que me perseguem,
dos que confiam no seus bens
em na sua muita riqueza se  gloriam?
Ao irmão, verdadeiramente,
ninguém pode remir.
nem pagar por ele a Deus o seu resgate
(pois a redenção da alma deles é caríssima,
e cessará a tentativa para sempre.), para
que continue a viver perpetuamente e
não veja a cova;
porquanto vê-se morrerem os sábios
e perecerem tanto os estulto como
o inepto, os quais deixam aos
outros as suas riquezas.
O seu pensamento íntimo é
que as suas casas serão perpétuas
e as suas moradas para todas as gerações;
chegam a dar seu próprio nome ás suas terras.
Todavia, o homem não permanece em sua ostentação,
é, antes, como os animais, que perecem.
Tal proceder é estultícia deles; assim mesmo
os seus seguidores aplaudem o que eles dizem.
Como ovelhas são postos na sepultura;
a morte é o seu pastor;
e descem diretamente sobre a cova,
onde a sua formosura se consome;
a sepultura é o lugar em que habitam.
Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte,
pois ele me tomará para si.
Não temas, quando alguém se enriquecer,
quando avultar a gloria de sua casa,
pois, em morrendo, nada levará consigo,
a sua gloria não o acompanhará.
Ainda que durante a vida
ele se tenha lisonjeado,
e ainda que o louvem
quando faz o bem a si mesmo,
irá ter com a geração de seus pais,
os quais já não verão a luz.
O homem revestido de honrarias,
mas sem entendimento, é antes,
 como os animais que perecem.
Salmos 40

Herta Fischer










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