quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Fim de tarde

tenho fobia a pôr do sol,
eu gosto do dia inteiro, completo,
tempo para tudo, sombras
me causam pânico, parece
que tudo morre.
Descobri por acaso, que tudo
que a gente teme, é preciso encarar,
tratamento de choque, sabe?
Quando a tarde deita no horizonte
pronta para dormir, eu saio
para caminhar, e vejo ainda
a luz dançando nas sombras,
escuto pássaros se acomodando
nas árvores, e sinto em mim
um sossego de dar inveja.
Me canso e volto para casa renovada,
assim como o outro dia que a noite
esconde!
Herta Fischer

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Quando há tempo para amar

Quando se fala em pobreza raramente vemos com olhos bons.
Parece que os seres ricos se esbaldam na felicidade.
E que os pobres não vivem bem.
Eu fui uma pessoa pobre, e dava um valor danado
a cada pedaço de pão.
Tudo tinha um pouco mais de significado: a pequena bonequinha
de pano, as roupas limpinhas no varal,
quando minha mãe ralava os joelhos numa tábua de lavar.
Ao sair para trabalhar era como se o amor Maior nos visitasse, tinha tanta
luz no olhar.
Não havia canseira nos olhos e os corpos pareciam dançar a luz de velas
na escuridão.
Hoje tudo se tornou tão triste. O dinheiro fala mais alto que felicidade,
comprar o que nos falta parece que supre as nossas necessidades
 e que a urgência é ter,
Andar com cabelos bem alinhados, roupas de grife, e mesmo assim
ainda achar que falta.
Acúmulos de coisas e sentimentos a faltar.
O carinho deu lugar a presentes, e o amor aos filhos
só se dá em fins de semana.
Meu pai nos levava para trabalhar com ele, só para
que não nos faltasse presença. Íamos todos juntos
á caminho do amor. E quanto amor havia enquanto
a gente se ajudava.
Não era o que fazíamos, nem na quantidade, nem na qualidade,
mas na companhia que existia entre nós.
Não havia um só dia em que não éramos felizes,
sobejava sorrisos e cumplicidade.
Hoje eu vejo tudo desmoronar, cada um em seu lugar,
como se o que nos fizesse fossem coisas, a felicidade
esta no mercado.
Compra-se alegrias, mercadejam sorrisos, e isto
tem o custo da solidão.
Não temos tempo para um bom papo, nem
para se construir um no outro, nem para
ensinar os mais pequenos, nem para aprender com eles.
A ganância não só de dinheiro, mas de tudo que ele compra
esta nos afastando cada vez mais daqueles a quem dizemos amar.
E o amor cada vez mais frio, se enquadra num sentimento vazio,
que tira mais do que dá.
Herta Fischer


Pingo a pingo

Até o dia de hoje carreguei meus fardos,
antes, pareciam bem mais pesados, achava
que carregava sozinha.
Minha fonte se esgotava a cada gole de tristeza,
porque procurava inutilmente, e la na frente,
eu só enxergava doença e morte.
Quando, porém, meus olhos se abriram, e passei a
compreender meu caminho e o que me levava.
Não era minha a força, não era meu querer
que fazia acontecer.
Não foram os sonhos que me levaram as realizações.
E, sim, algo que se concretizava aqui dentro, como
olhos invisíveis a me alertar.
Passei por meus momentos como quem
precisa aprender. Nada é tão fácil.
Mas, também, nada é tão difícil que não se
possa suportar.
Tremia diante da vida, muito quis e pouco
me foi dado, me enterneci com amores
que desejei, que só se tornaram objetos
sem valor ao passar dos anos.
E passou, sim, passou, até mesmo
aqueles desejos pelos quais chorei,
virou passado quase todos que amei.
Depois de muito tempo é que, finalmente,
as coisas se encaixaram, não porque quis,
mas, porque aconteceu, simplesmente, aconteceu,
sem esforços, nem cobrança. Como um rio
formado por uma pequena nascente.
Uma construção de todos os dias, pingo
a pingo. Ora seco, ora abundante, na necessidade
foi crescendo até se tornar algo pelo
qual dá para se dizer: É tudo que eu tenho,
e quero, e preciso.
Podem me oferecer o mundo, não
troco pelo que vivo hoje!
Herta Fischer









terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Castigo de todos os dias

Não fico bem nestes dias, nostalgia, talvez!
saudade dos que viajaram para nunca mais voltar. Saudade dos que passaram e vivem em outro lugar.
Ou saudade de mim, daquela que fui, quando ainda estava
em mim, sem que precisasse me desfigurar para agradar.
Dizem que precisamos nos desprender, mas, como? diante da cobrança de todas as horas, sempre nos lembrando algum compromisso, alguma coisa para colocar no lugar.
Este é o nosso castigo: - sobrevivência!
Herta Fischer

Carteira do coração

Não é preciso ir tão longe
há tanta beleza a se concluir.
Aqui onde mora o que mais amo.
Aqui onde se encaixa sentimento
capaz de mudar o mundo, esse
mundo que eu chamo de lar.
Não é preciso pegar carona
em alegrias alheias, Nem correr
atrás das corredeiras de amor,
qualquer galho que se enrosca
na encruzilhada dos sonhos,
é uma maneira bela de colher
para aprender a amar.
Herta Fischer

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Tudo certo

Acabei pensando no meu passado. coisa de criança levada.
Cobiçava o que meus olhos viam e estavam além de mim.
Coisas como uma laranja em temporão.
Não necessitava tanto de abraços, nem me afligia a falta de atenção.
Estava eu no mundo como a luz em seu lugar.
Tinha pés e andava, tinha mãos e afagava: tato, olfato, paladar, audição, intuição.
Perigo não havia, o cair era mania, ralar os joelhos me divertia.
Tudo era manso, assim como as marolas, ia e vinha sem sombra alguma, nada era em vão.
Pessoas passavam, andavam, cantavam, trabalhavam, tinham, não tinham, pouco ou muito, tudo certo.
O vento da tarde brincava com meus cabelos, a noite mostrava as suas maravilhas, colocando suas estrelas lá em cima.
E la vinha o dia trazendo em sua face um sol imenso. Calor, suor, e alegria,
companhia sincera de todos os dias,
Nada, nenhum abalo: sem dor, nem amor, só um aconchego simplório no peito, como quem chega de uma festa, e se acha de novo em festa.
Deitar, dormir, sonhar, nada para se preocupar. Tudo certo, tudo normal, nada a reclamar.
Sair, chegar, ficar, Um amor pra toda vida é essa vida que vem nos presentear.
Herta Fischer

Castigo humano

Incrível como a mente humana não consegue alcançar
o minimo?
Por acaso não sabe que os animais carnívoros não podem
ser considerados assassinos, porque entre eles a única lei
que impera é a lei da sobrevivência?
Que, antes de se ter conhecimento das leis, leis não existem.
Por exemplo: No dia em que foi dito: - Não matarás!
Tornou-se errado matar.
Então, porque ainda é questionado o fato de que Moisés era um assassino,
se ele foi criado onde não havia lei?
Não havendo lei sobre o tirar a vida, ele não se tornou culpado em tirar a vida. Assim como Caim matou
Abel, e não foi preso, Apenas recebeu o castigo de Seu Senhor. segundo a lei de Seu próprio Senhor.
Assim como antigamente existia lei de exílio, lei da decapitação, lei da crucificação, lei do apedrejamento, Ante qualquer destas leis escritas e fundamentadas, ninguém podia fugir das consequências.
Como atualmente ha muitas leis, e infringi-las, estará o infrator sujeito as normas da lei.
Em cada região onde se fazem leis, as leis não são as mesmas. e nem seu modo de executá-las. Em algumas ha pena de morte, e em outras não.
Houve um tempo em que imperava a lei dos mais fortes, a lei do que tinha o maior exercito, mais armas e etc...
A lei condiciona o homem a andar segundo a lei de seu país. - Onde a lei diz ser  proibido  a mulher mostrar o rosto, imposto uma condição para que isto não ocorra. aquela que fizer isso estará sujeita
a pena.
Se não houvesse lei, também não haveria pecado.
O transgredir a lei é pecado.
"Assim como Eva desobedeceu a lei que lhes fora imputado: - Comerás livremente o fruto de qualquer espécie de árvore que está no jardim: Contudo, não comerás da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comerdes, com toda certeza morrerás!" (Gênesis)

Deus deu uma ordem, e também os fez saber qual seria a consequência se acaso desobedecessem tal ordem.
Quando Eva foi enganada pela serpente, na verdade ela estava ciente de que não deveria comer, e também estava ciente de qual seria o castigo. Então, na verdade, a proibição já estava afetando seu desejo. E foi esse desejo que a fez pecar. A serpente apenas usou esse desejo para que ela transgredisse a ordem.
Com certeza, a serpente usou de artimanhas para desmoralizar a criação divina, por invejar a lealdade com que eles se mantinham diante do Senhor.
Conhecendo a fraqueza e natureza do homem natural que vivia na terra, jogou com a possibilidade de o homem espiritual fosse feito com a mesma semente.
E, no final deu certo. A mulher é mais suscetível a enganos. com muito mais capacidade de induzir o homem a pecar, porque sabe usar a sensualidade a seu favor.
Depois de rebaixar o homem espiritual a homem natural, Deus estabeleceu para ele outras leis, das quais os responsabilizaria por qualquer prejuízo resultante.
Sendo assim a nação poderia se sentir segura e protegida.
E os lembrou de que não deveriam deixar-se influenciar por outras nações que andavam sem regras.
Pois em Deus não ha injustiças, nem parcialidade, nem aceitação de suborno; O sim, é sim, e o não é não!
Quem anda segundo os preceitos Divinos não pode andar segundo  os costumes humanos, que são deficientes em si, por ser impreciso e parcial.
"Quando Cristo se fez homem nascido de mulher, ele também ficou sujeito as leis dos homens. tanto que, quando um de seus discípulos lhe disse que estavam pedindo que pagassem impostos. O Senhor Jesus pediu que ele introduzisse a mão na boca de um peixe, e de lá tirou uma moeda que deu ao cobrador dizendo: Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus!"
Significando que Ele estava cumprindo a lei dos homens, para também cumprir as leis de Deus.
Através do sacrifício do Filho humano, muitos humanos se beneficiariam se tornando homens espirituais.
Pois a humanidade morre na velhice, e a morte nada mais é do que juízo, pois foi dito em certo lugar:- O salario pago pelo pecado é a morte, ou ainda: -Aquele que morreu foi absolvido do seu pecado!
Pelo conseguinte: O castigo pela desobediência de Eva e Adão foi viver entre a humanidade natural, tendo que lutar para sobreviver, depois de tudo experimentar a morte. Porque foi dito: Por certo morrerás!
O natural do homem é a morte, assim como de qualquer animal. O homem espiritual não estava sujeito a morte. porque se alimentava da vida na árvore que era o Senhor. No entanto, conhecendo o bem e o mal, passou a ter conhecimento de tudo, inclusive naquilo que se refere ao que é passageiro.
Tornou-se como todos ou qualquer elemento terreno.
Por isto se levantou Cristo, que significa misericórdia. Deus compassivo, que veio para dar esperança ao homem. Deu a sua vida por muitos, morrendo sem pecado, para que os pecadores pudessem participar com Ele
da vida eterna.
Não sem antes pagar a divida que temos com Deus, porque sua lei é justa: - Se comeres, por certo, morrerás!
Tendo o conhecimento o homem se tornou conhecedor do que é certo e do que é errado, por isso ele pode e deve escolher, não pode mais se defender dizendo que não conhece, nem tão pouco se fazer de inocente diante de Deus.
O castigo que Deus imputou ao homem é esse: viver como homem natural, sendo escravizado por desejos impuros, tendo que disputar pela sobrevivência entre homens de todo tipo.
Mas, olhando para o Exemplo de Cristo, tenhamos fé de que Ele venceu o mundo e os poderosos, experimentou a morte e foi ressuscitado, voltando ao seu lugar de origem.

Herta Fischer













domingo, 18 de dezembro de 2016

Tudo parece fácil para os outros

Então, hoje eu estava pensando naquele escritor
que foi viver em um farol para escrever seu livro.
Ele precisava de solidão para ser criativo, e além
disso, precisava sentir-se grande, e só poderia sentir-se
assim, onde ele pudesse estar consigo mesmo, sem a influência
de outras vozes.
Olhava para o horizonte e só via água, talvez, se saísse um pouco
mais cedo viria o nascer do sol e se um pouco tarde veria o sol se por.
Mas, o que ele via não poderia competir com ele,
pois o que ele via parecia miragem; o sol a sumir nas águas, ou o
sol a emergir da mesma, enquanto, ele pairava sobre ele mesmo.
È bom, as vezes, nos sentirmos, assim, donos de tudo, e poder, assim, ver o que
ninguém mais vê, porque falar e falar sobre o que acontece é como
tear que faz as mesmas coisas em todo tempo. Tudo da no mesmo.
Ele começou seu livro falando das coisas mortas. das coisas que se vão
sem deixar vestígios, que se esquecem, que somem sem nunca chegarem a ser achadas.
mas, que continuam lá, fazendo parte, mesmo que não estejam mais memoradas no tempo.
Assim começou:
-Era uma vez um menino cheio de vida, que brincava em seu quintal com uma bola
vazia, chutava o pequeno pedaço de borracha que fazia um som brincalhão, nada tinha
a ver com bola, mas em sua imaginação o era, pois algum dia foi.
Em sua imaginação de menino, viu sair de sua mente um outro menino, que com ele quis brincar.
Olhava para sua casa, e nada tinha a ver com sua lembrança, estava velha e desfigurada, quase a despencar pelo chão.
Onde estava, pensava ele:
Olhou pela vidraça, enquanto o outro menino pulava a cerca a buscar a bola que tinha se perdido em algum lugar.
Viu a sua mãe amarrando os cabelos com a barriga encostada na pia. Não participava de seus sonhos, mas, sempre estivera ali.
Que bom, pensava ele: - Tenho sonhos em minhas mãos, mas, a realidade está ai, sem que eu possa mudá-la.
Sonhar com crianças a bailar sentadas num balanço, a colher as horas com alegria. Disposto a fugir das circunstâncias que os adultos os impõe. Onde mora o amor?
De que amor nos ensinam, de que solidariedade nos falam, quando eles mesmos se perdem na incompreensão e no vazio depois de se amarem?
Nunca se completa, só competem dentro de um jogo que nunca acaba.
Como árvore podre, cuja superfície se encobre de nódoas. Onde as cobras se movem, Onde os cogumelos se alastram, aproveitando do que já está morto.
Porque?
Porque nos fazem no abandono?
Se deixam levar como peixes no mar, se escondem em conchas e a deixam a deriva. Não faça se não for para cuidar.
Não ame se não sabe perdoar.
E o farol, ele estava lá, a fazer vozes, a construir historias, talvez, as mesmas que ele queria viver, sobre a luz forte que mostra direções, mas, de si mesmo, não sai do lugar.
E o homem, porque estava lá. Na ignominia, desapercebido do mundo. As folhas em branco sentadas num canto, esperando pelo zelo. sem nem ao menos saber quem seria; Apenas uma bola amassada dentro de um balde, ou algo a desfoliar entre o dedo de alguém?
Tudo o que ele deixou para trás foi a impossibilidade: talvez, de viver por ele mesmo... É bem mais fácil sonhar que viver. É muito mais fácil estragar tudo e depois sofrer. E bem mais fácil ainda:- falar, que fazer, escrever, que viver. Dar lições, que aprender,

Herta Fischer,






quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Passo!

Passo!
Simplesmente passo, sem deixar rastros. no, entanto, meu íntimo carrega flores e sabores, que vão ficando para trás.
De amores sonho, de amores realizo, Só o tanto que posso
carregar fica aqui dentro, só o tanto que ainda posso dedicar, não só aos que me querem bem, mas, a todos que, de uma forma, ou de outra, fazem parte do mesmo caminho que padeço!
Estrelas mil a brilhar em seus semblantes, talvez, algumas se apagam ao se depararem com a escuridão do medo, mas, logo que se acende as luzes, lá estão de novo a Rastrear amores e esperanças...
Herta Fischer..

Sou vida

Saber de onde vem... Que me importa.
Da terra brotam-se sementes. Quem as plantou?
Na terra crescem-se árvores. Quem as alimenta?
Saber para onde vai.. Que me importa.
Nem vejo as correntes que me prendem aqui, sou livre!
Se precisar me desprender da casca.. Que felicidade?
Esta dará satisfação ao meu voar...
Herta Fischer.

sábado, 10 de dezembro de 2016

O encontro

Eu amo andar por ai, pela
vida fora como alguém
que simplesmente vive
Queria aproveitar meu tempo
fazendo algo que gosto,
sem me preocupar com
o que pensam de mim.
As vezes, eu penso em mudar,
em não sentir tanto esse desamparo
mundano. Querendo mesmo estar
entre as estrelinhas no céu.
Mas, por mais que queira criar asas
e voar, meus pés se recusam a sair
da terra.
Se ainda sou terrena, eu só posso
almejar o céu, mas, estar nele, ainda
só faz parte de um plano longínquo,
Em sonho, eu posso tirar os meus pés do chão,
iniciar um voo imaginário, mas, ao acordar,
estou de volta, agarrada a minha cama
que insiste em obedecer a lei da gravidade.
Deus nos deixou uma mensagem de fé, dizendo:
_ Se tiver uma fé do tamanho de uma mostarda,
se pedir a montanha que saia do seu lugar, ela sairá!
Então, te peço perdão, porque embora pense
que minha fé é grande, ela não passa de
exiguidade.
A única forma de constatar que creio, é saber
que um dia eu me despedirei deste chão, como
alguém que sentirá saudade, mas, nem mesmo a
saudade me fará pensar nela novamente.
Tudo morre quando morro, sentimento nunca
mais terei.
Assim como alguns pensadores acreditam que
em um outro plano teremos
um encontro com os que foram,
e eles dirigirão a nossa alma para algum
lugar, a fim de tornar menos dolorida a
nossa passagem. Assim eu não creio.
Eu creio que dormirei como quem
descansa a noite, sem memoria, nem
sonhos. e que, em algum momento, não
tão distante, pois, quem dorme não tem
noção de tempo, assim também despertarei.
Entre uma paisagem jamais vista, num corpo
glorificado que nada tem a ver com este que
carrego, cercado de dores e aflições. Mas, um corpo
incorruptível, livre de qualquer resquícios
de ilusões no paraíso de Adão, quando Deus
me visitará como amigo e me dirá: Vencestes
meu filho! vencestes como o melhor pelotão
que destinei. Guerreastes com sabedoria
ante as ilusões dos homens, não comestes
o que te preparavam, passastes fome de pão,
mas nunca fome de bem.
E, assim, como algo que ainda não vimos, nem
apreciamos, o lagar do amor se abrirá, e eu estarei
com os milhares de irmão, a saudar a vida, a vida
eterna, com aquela felicidade que sempre procuramos,
e que, por sermos ainda crianças não conseguimos
alcançar...
Herta Fischer



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Plantador de sonhos

Estamos ainda a plantar. E, plantar
não é tão prazeroso quanto parece.
O plantador prepara a terra,
e sobre um sol forte arranca as mudas.
Abre o sulco e coloca o renovo, confiante
que vai haver chuva,  e as vezes, ela não vem.
Algumas brotam, outras não, algumas resistem apenas por
algumas horas, outras nem se levantam, murcham
sem haver quem as despertem.
A terra recebe a vida, a vida depende da terra, mas, o despertar
está nas mãos de Deus.
E o plantador resiste ao temor, resiste até mesmo a falta,
muitas vezes, da esperança, quando parece-lhe tudo
 em vão.
Ele não descansa, semeia mais um pouco, sobre um olhar
vigilante ao que se perde,
E o que se perde recebe mais uma vez outra muda, desta
vez escolhe as mais fortes, as mais viçosas, mas, mesmo assim, é
só esperança.
Depois da semeadura, ele ainda trabalha, delicadamente, coloca
terra em torno delas, as acaricia com seus olhos, demonstrando
seu amor.
Coloca sobre ela a vitamina que precisa, adubando-á com
toda destreza, nem demais, nem de menos.
E espera pela condescendência do tempo, sobre a passagem das horas
e seu milagre.
As vezes o milagre acontece, noutras não, mas o bom plantador não se desespera,
Se não for desta vez, ele se prepara para outro tempo.
Até que num belo dia acerte, e acertando, chegue o tempo
de colher.
Herta Fischer.





Tão simples

-Eu gosto de você! dizia uma voz
atras de mim;
 - porque não diz isto olhando nos meus olhos?
- Tenho vergonha!
- Vergonha de olhar?
- Não! vergonha de gostar!
Herta Fischer

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Felicidade vem de dentro

Estava eu espantada comigo mesma,
sorrindo por dentro por coisas bobas.
Era apenas um sapatinho fechado, de verniz,
sola de couro. Eu nem imaginava, mas era o couro
que fazia cocegas nas pedrinhas; elas riam, e eu,
ficava deslumbrada com aqueles sorrisos.
Meus pés pequenos se perdiam naquele
imenso sapato, precisei amarrar o cadarço com um nó bem
apertado, até me ferir, mas, o que aquilo significava?
Significava tudo, um prazer incalculável!
Não era só o sapato, era o que ele fazia com as pedrinhas.
Um som lindo, e quanto mais eu os esmagava com os pés,
mais som elas produziam, e mais contente eu ficava.
Coisas simples, você diria: Como alguém pode se alegrar
ao vestir um sapatinho de couro, e sentir tanto prazer,
ao ouvir o som das pegadas.
Como um valsear num grande salão, sobre a luz fraca
de sensações, minha pessoa rodopiava em cima de dois
pés saltitantes, a pisar a areia fina, a sentir a musica,
a orquestra da alegria, a valsa , a esplêndida particularidade
do gosto.
Eu não era mais eu. Eu era o pensamento, o despertar
dos sonhos mais singelos, a alegria de viver e de pertencer
aquele pedacinho de terra, que se desenhava sozinha
sobre meu olhar de menina.
E as pedrinhas. Ah! o encanto das pedrinhas que me amavam,
e o sapatinho mais charmoso, perfumado de verniz, vestido
com couro fino e feliz.
Fora dele eu me sentia crescida, dentro dele despertava a criança.
a inocência, a mescla do divinal.Uma magia sem igual.
Minha vestes estavam rasgadas, maltrapilha e sem brilho,
e aquele sapatinho tão fino, tão educado, me aceitava sem igual.
E aquele som, aquele som que ele fazia, quando meus pés pisavam
mais forte, ainda guardo aqui comigo como presente de um amigo.
Coisa pouca, quase nada, a felicidade estava ali.
Herta Fischer



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Espinhos e rosas

Se não fosse os espinhos não se nasciam as rosas...
Muito relativo o conceito de bom ou ruim.. justos e injustos.. Muitas vezes o considerado ruim pode ser mais justo do que aquele que é considerado bom por motivos interesseiros.. e vice-versa.
É tão mais fácil seguir tendências.. fazer o que todo mundo faz...O mais difícil é manter as coisas como sempre esteve.. puras e verdadeiras, sem ostentações...nem falsos merecimentos..
Herta Fischer

Mediocridade

Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, a força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! que desabafo! que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lentejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há platéia. O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que pisamos o território da morte; não digo que ele se não estenda para cá, e nos não examine e julgue; mas a nós é que não se nos dá do exame nem do julgamento. Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados.
Memórias póstumas de Brás Cubas
Machado de Assis

Dedo podre

Dedo podre ou apenas carência afetiva?
Se puder avaliar com a razão suprema de quem tem cérebro.
verás que o predador avalia sua presa enquanto a observa, e escolherá aquela que mais lhe parecerá ingênua e frágil.
Nunca atacará aquela que está atenta. e que lhe parecerá forte.
Assim como qualquer predador espreita a sua presa pela força de sua fome, alguns predadores (homem/mulher) espreitam suas presas pela vontade de "possuir", de tornar-se dono(a)
do corpo e da alma.
Como qualquer estelionatário, lhe parecerá bem intencionado, pois usa sua lábia para enganar. Assumindo uma postura sexual tão melindrosa e tão atraente capaz de enganar até mesmo os mais experientes.
Diz-se que o diabo é esperto, ele busca te atrair sondando os pontos fracos. Ataca a presa que mais lhe parece vulnerável e desatenta..
Herta Fischer.

Olhar alem

Talvez, se eu me levantasse em favor do visível, do objeto de paixão, da ciranda dos que botam confiança em mortos, dos sofredores alienados que se embotam ainda mais não querendo aceitar misericórdias. que gostam de se abater, para se dizer dele, que se importa, que é fiel. Se eu me entregasse mais ao passageiro, e gritasse como todos gritam em vão, sem ganho, nem perdas, pelo simples fato de querer de, alguma forma, fugir de sua realidade.
Talvez pudessem me ver de outra maneira, conseguissem sentir o que sinto, não me taxassem de fria, não me questionassem tanto sobre a que espero, a que se vê a minha esperança. No não me entregar tanto as grandes comoções, no entender que tudo passa, no confiar que depois de amanhã, talvez, nada me restará a não ser olhos fechados, coração parado e nenhuma, nenhuma lembrança ou emoção.
Herta Fischer

sábado, 3 de dezembro de 2016

O indivisível

Estou indo embora de uma vez,
não posso mais aguentar estes dias chatos.
São dias em que as rosas não se abrem,
a chuva não cai, e ninguém a me dizer
por quê?
Nuvens pairam em mim, e a minha
alma não encontra nenhum consolo, só
esquisitice e pensamentos frios.
Já tentei mudar, tentei florir em todos
os jardins que encontrei, mas, as pragas
do mundo teimam em me ver murchar.
Tento desesperadamente espalhar esperança,
as transformo em palavras, para que sintam
nos ouvidos  o som da chance que ainda
temos.
Não de mudanças externas, nem mudança
de estatus, nem amor demais. è só
o acolhimento verdadeiro de cada
um para cada um, sem aquele sentimento
que confunde  a gente. O de se amar para
 enfim amar.
Semeia-se amor próprio, quando O Senhor Jesus
nos ensina a esvaziar-se de si.
Semeia-se toda forma de amor confundindo-se
com lascívia.
Semeia-se corrupção querendo colher bem.
Tá tudo errado.
Não quero mais fazer parte, não quero mais
me tornar sócia deste conturbado sistema.
Quero sair, ser de fato, livre. Numa liberdade
simples, onde o real prazer exista.
Quando eu possa me assemelhar ao
indivisível, Ser um todo e não mais
me sentir apenas pedaço.
Que ninguém mais me questione sobre
o que penso, o que acredito, como vivo,
sem me conhecer.
Porque da mesma forma que vivo eu penso,
da mesma forma que eu penso, vivo.
Só não posso ser como todos, pois eu sou
inteira em mim mesma, e não suporto
a mediocridade de quem tenta me
despedaçar, controlar a minha crença,
como se pudessem tirar de mim a
coisa mais divina que ha.
O crer que a vida é muito
mais importante que qualquer corpo,
pois, todo corpo um dia vira pó,
mas, a vida permanece para sempre!
Esteja eu onde estiver.
Herta Fischer





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