Desde que me entendo por gente, já usava minhas pequenas mãos para ajudar meu pai e meus irmãos na lavoura. Lembro que nem força para capinar eu tinha, mas lá estava, abrindo buracos na terra com uma enxada nas mãos. Livre como qualquer ser sem limitações, eu amava estar ali e trabalhar. Não era por dinheiro, mas por puro prazer. Quantas vezes ajudei sem pensar em retorno; nem conhecia o dinheiro, mas já conhecia o trabalho. Nunca tive preguiça de “colocar a mão na massa”, amava o que fazia e realizava bem qualquer tarefa. Isso me trouxe responsabilidade, pois sempre a pratiquei. Não gosto de pessoas folgadas que jogam suas responsabilidades nas costas dos outros. Todos deveriam sentir prazer em trabalhar tanto quanto sentem ao comer e dormir. Porque para isso ninguém precisa mandar; aquele que recusa o trabalho, que também não coma. Trabalho é dignidade, bênção, é sagrado; é com ele que pagamos as contas e não ficamos devendo nada a ninguém. Quem não trabalha e deseja coisas acaba tirando do fruto do esforço alheio. Isso é vergonhoso e desleal.
Herta Fischer
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Restos do resto
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
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