sábado, 31 de março de 2012

Amizade

Amizade, não existe só no encontro, nem no companheirismo, ou no pensar igualmente.
Amizade se tem no coração que liberta, que se preocupa, que não invade.
Que não faz diferença do desconhecido, que se esforça na bondade, nas palavras e no fazer.
Que alcança o infinito, pois o infinito são insondáveis, que na crença se finaliza , no sentimento, não na causa.
Não tem rosto, não se importa com aparência, pois é forma de coração, não de consciência.
Resplandece na harmonia e como o vento sopra brisa fria, alivia toda dor na ignomínia.
Quando o bem que te alcança, daquele que nunca vê, é de onde sai a amizade, de quem não quer remuneração, pois faz o bem, sem olhar a quem.
A amizade é uma fonte onde quem tem sede vem beber, de águas vivas e revigorantes, a alma se renova e se consola na ternura do poço da bondade.
A amizade não é vista com os olhos, pois se encontra além dele, é fagulha de fogo que não queima, é sabedoria que a própria luz esconde.
Esta além da compreensão, além da imaginação, pois não é vista, mas é sempre benquista quando caídos na ilusão.
Uma mão pra levantar, dois braços a abraçar, uma palavra de conforto, uma lágrima no olhar.
Um sorriso sem malicia, o compreender uma dor, o respeitar seu autor, sem nada lhe perguntar.
É olhar pra um desconhecido, como se já o conhecesse, é sentir que somos iguais, perante os homens e perante Deus.
Que não fazemos menos que nada no ato de ajudar, pois consolo na angustia todos buscam em alguém!


Autora: Herta Fischer                                              Direitos reservados



quinta-feira, 15 de março de 2012

Poesia

Poesia está na alma..em tudo que vivemos, aprendemos e executamos.
Poesia se vê no que vê, e no que não se vê.
Poesia é algo que se passa na mente e que por razões desconhecidas se transforma, unifica pensamentos reações e reflexões.
Poesia é dialética da alma com o ser existente, conversa íntima, incoerência coerente.
Poesia é coração, é letras que se fazem canções, é sonho, é magia, é confronto com o desconhecido.
Poesia é voz de vento, é farfalhar de folhas, é dança de asas, é beleza de nuvens, é melodia de borboletas.
Poesia é mente, corpo e alma.
Alma que se cola na energia, corpo que se pinta de alegrias, mente que se esvazia na beleza da poesia.
Poesia é fuga, é o encontrar-se nessa fuga, é embalar-se no tempo e correr como vento, é trabalho e passa-tempo.
Poesia é falar com a divindade, é poder e felicidade, é comprometer-se consigo mesmo, no silencio  da vaidade.
Poesia sou eu, é você. Onde tudo se torna novo, mais bonito e mais saudável, é o bem que tudo vê,  é a delicia de esconder entre a lua e sua luz.
Poesia é mar que conhece seus limites, é onda que beija mansamente sua brisa, é esconderijo dos amantes, é maré que leva saudades.
Poesia é letra, é leitura, é beleza, é feiura, é água mansa, rio bravo, é liberdade e escravo.
Poesia é tudo que tem sentido, que ao mesmo tempo é difícil de ser entendido, compreendido, ou sem nenhum significado.
Poesia é sentimento, é palavra, é revolta, é sorriso, é a volta, o começo e o terminar.
É tudo que encanta, no cansado e no que descansa, no trabalho do que se deita e do que se levanta.
Na ideologia da movimentação, na vontade de mudar, na ânsia que se tem de amar, na necessidade de se tocar.
Poesia é consolação, é exortação, é conexão, é inspiração.


Autoria de: Herta Fischer                        Direitos reservados



sábado, 3 de março de 2012

Aprendendo com seu mestre

Certa vez um homem de Deus chamou o seu discípulo para fazer uma viajem num lugar bem distante.
Viajaram durante semanas passando por vários lugares, e o discípulo aprendeu muito com seu mestre.
Até que numa tarde calorosa chegaram no topo de um monte..Lá de cima dava para ver um vale que se estendia. No vale uma pequena casinha muito pobre e duas crianças maltrapilhas brincando ao pé do morro.
Ao descer avistaram uma vaquinha que pastava ao redor do precipício.
Ao chegarem na casinha o morador e sua esposa os receberam com alegria, e ali eles pernoitaram.
Enquanto conversavam durante a noite, antes de dormirem, o discípulo fez várias perguntas ao homem da casa.
Ele lhe perguntou como sobreviviam naquele lugar esquecido por Deus, e o homem lhe explicou que tinham uma vaquinha e que todos os dias tiravam o leite e vendiam para o vendeiro dali de perto... e com isso eles compravam o que precisavam e eles iam vivendo.
Ao despertarem no outro dia, os dois se puseram a fazer o caminho de volta, se despediram de seus anfitriões e começaram a subir o morro. Lá no alto encontraram a vaquinha pastava tranquilamente..quando o mestre surpreendeu seu discípulo empurrando a vaquinha no precipício.
O discípulo ficou furioso com seu mestre, mas nada falou, apenas pensou em sua insensibilidade, pois matou a única fonte de renda daquela família tão pobre e necessitada...
Passaram-se muito tempo desde o ocorrido, mas o discípulo nunca esquecera o que seu mestre fez. Então quando foi convidado novamente para ir por aquelas bandas, de imediato o discípulo aceitou.
Novamente viajaram por vários dias, até que chegaram no topo daquele mesmo morro, mas quando olharam para o vale, não o reconheciam mais. No lugar daquela casinha tão pobre havia uma casa grande, imponente, cercada de um imenso jardim, ao lado dela, muitas cabeças de gado cercadas num imenso curral.
Ao descerem até a casa, o casal de meninos, antes maltrapilhos, brincavam alegremente, bem vestidos e bem tratados.
Quase não aguentou de tanta ansiedade para saber o motivo daquela transformação.
Logo que o dono da fazenda veio lhes receber, o discípulo lhe perguntou o que acontecera em sua ausência, e o homem sorridente lhe falou: Sabe, da última vez que estiveram por aqui, aconteceu uma tragédia, a nossa vaquinha caiu no precipício e morreu, e eu fiquei sem a única fonte de renda que tinha, então, tive que tomar uma atitude...Arrumar um outro modo de sobreviver e sustentar minha família.
 Esse pequeno relato nos faz ver que na verdade o mestre viu que o morador daquela casa estava muito acomodado com sua situação.. acordava cedo, tirava leite da vaquinha, vendia pro vendeiro e...ficava satisfeito, Quando porém se viu sem alternativa, começou a pensar em outras soluções que não pensara antes, e assim com muito trabalho começou a ver a vida por outro prisma.
Naquele dia o discípulo aprendeu a lição: Muitas vezes nos acomodamos tanto com nosso dia a dia que deixamos passar despercebidos o mundo de possibilidades que estão a nossa frente..E acabamos morrendo na pobreza, só pelo medo de investir......

Fim

quinta-feira, 1 de março de 2012

Ao sabor da felicidade

Quando eu nasci, meu Deus me colocou num bercinho de palha, uma casinha simples me acolheu no amor, filha de pais analfabetos a quarta filha dentre cinco irmãos, e uma história linda pra se contar.
Apenas uma parede separava nossa cozinha do quarto, dois cômodos acomodavam toda nossa esperança.
Uma prateleira com três repartições retinham algumas panelas queimadas no pequeno fogãozinho a lenha que não se cansava de ficar acomodado em um canto da cozinha. Duas cadeiras e um toco de pau serviam de ponto de descanso no final de cada jornada.
E nós eramos muito felizes, a ponto de não fazermos questão de sonhar com mais nada. Tínhamos dona Francisca como nossa vizinha, o seu Dario seu companheiro e suas crianças para brincar.
A mata ao redor da casa escondiam vários segredos que gostávamos de desvendar, entre barbas de bode em várias jabuticabeiras, que se lançavam das cunheiras até o chão era nosso esconderijo, que de gargalhadas estridentes era fácil nos encontrar.
Um pequeno riacho entre ramas se escondia, donde minha mãe e dona Francisca compartilhavam para a lavagem de roupas e para levar pra cozinhar... Carregavam baldes na cabeça, em cima de uma rodilha feita de panos, água limpinha, água potável que hoje já não mais existem por lá.
Eu com meus dois anos de idade, ainda me lembro de tantas coisas, como se a minha memória resistindo ao tempo, ainda gosto de lembrar.
Coisas boas não se esquecem, felicidade é cultivada na mente e nem o tempo consegue apagar.
Meu pai saia bem cedo pra roça, e minha mãe ia pro rio, sua roupas sujas lavar, e eu e meus irmãos saímos para brincar.
Era tempo de sobra, tempo que não se findava até a hora de dormir todos juntos numa mesma cama, era bonito de se ver. Cada um se encolhia em seus próprios sonhos, do meu pai, o merecido descanso, da minha mãe, fim de preocupação. E o nosso... esperança de ver o sol nascer noutro dia, anunciando novas formas de brincadeiras dentro da mata que se estendia além de nosso quintal.
Dona Chica... assim que costumávamos chamar nossa outra guerreira, estava sempre se preocupando conosco, era como se conhecêssemos duas mães fervorosas, sempre de olho, sempre alerta ao som de qualquer perigo ou choro, lá estava ela pra nos socorrer.
Brincávamos, brigávamos, mas estávamos sempre juntos, crescendo no tamanho, e também em esperteza. Até que num belo dia, sem que soubéssemos o motivo, vimos meu pai colocando nossos pertences nas costas, dizendo que estávamos mudando para um outro lugar.
Quando pequenos, tanto faz para onde vamos, tudo é uma aventura, então, carregando alguma coisa nas mãos fomos conhecer a nova casa, motivo de outras experiências que faziam bater mais forte o coração.
Uma fila indana se pôs a caminho pelo trilho que estendia sobre a mata fechada, até alcançar do outro lado, uma casinha fechada.
Eu, com meus olhinhos de criança, não cansava de admirar aquele lindo lugar. Parecia ter saído dos contos que ainda não tinha lido, mas  que já acontecia no lado do inconsciente, porque era mágico.
Uma casinha de barro, com duas portas e três janelas, até então minha casa só tinha a porta de entrada e nem uma janela... agora eram duas portas e três... três janelas.
Que paraíso.. Eu sai de um para entrar num outro, muito mais bonito e singelo, tinha tantas coisas que nem te conto, meus olhinhos de menina brilhavam de alegria e meus pequeninos pés não cansavam de explorar.
A casinha era rodeada por bananeiras, coqueiros , pessegueiros, laranjeiras e outras árvores frutíferas, era tudo o que queria.
A cozinha era pequena, com uma porta e uma janela, um fogão a lenha feito a mão, ao lado da porta, estava imponente esperando pelo fogo que logo se acenderia, dando vida aquela casa. Meu pai colocou uma pequena mesinha bem embaixo da janela, e o nossa prateleira ficou entre a mesa e o fogão. Do outro lado, um banquinho sustentava o balde onde armazenávamos a água pra beber e pra cozinhar.
Só minha mãe não ficou muito satisfeita, pois o rio era muito longe, então o sacrifício seria bem maior, já que não tinha mais dona Francisca para olhar por nós.
Um quilômetro mais ou menos, teria que caminhar, tanto para lavar suas roupas, quanto para outros afins.
Mas eu estava satisfeita olhando meu pé de lima, onde as galinhas se apoleiravam, quando era hora de dormir. E ainda mais emocionante era ter nosso próprio quarto, porque eram dois no total, um para meus pais, outros para nós cinco.
Uma sala também, com apenas uma mesa com quatro cadeiras, mas já era um avanço, pois na outra casa não tínhamos nenhum.
Nosso quintal era grande, do lado da frente da casa, era apenas um pequeno espaço entre a casa e o jardim. mas na lateral, o espaço era enorme, e ainda terminava num grande corredor entre duas faces de pés de bananeiras que se dispunham desde a entrada até a estradinha que passava por ali.
Antes de chegar na estrada havia um pequeno ranchinho, assim como nossa casinha, coberto com telhas de barro cozido. Ao lado do ranchinho,  havia um pequeno pomar, misturado com jardim, cheio de flores e de frutos.
Na primeira noite, a gente nem conseguiu dormir, tanto era a excitação, embora estivéssemos deitados sobre panos, pois precisávamos de uma cama, era uma delícia estar ali, naquele lugar misterioso, cheio de lugares para serem explorados.
Ao nascer do dia, logo que o galo cantou já estávamos acordando para saborear o mel de mais um dia de alegrias.
Meu pai se preparava para desbravar a terra que se estendia do outro lado da estrada, logo acima de nossa casa, com uma foice na mão, derrubava a densa mata e os capins se rendiam na força de seus braços fortes. Enquanto que nós rolávamos ribanceira abaixo, deitados sobre os capins macios de marmelada que cobria metade da vegetação nas laterais do plano que meu pai roçava. As gargalhadas se misturavam com o barulho da foice  e dos cantos do passarinhos que pareciam se reunir na dança de nossa alegria.
Ao meio dia, meu pai olhava para o céu, dizendo que já era hora do almoço e nós em disparada rumávamos pra nossa meiga casinha. Não precisávamos de relógio, os ponteiros escondidos do sol nos mostravam as horas.
Minha mãe já estava com a comida pronta, fresquinha e fumegante, o arroz com feijão nos esperavam em cima do fogãozinho a lenha. Sem geladeira, a comida tinha que ser feita incansavelmente todos os dias.E geralmente o acompanhamento eram ovos,  algum legume ou verduras. Depois  do almoço, nos recolhíamos cada um no seu quarto para tirar uma soneca. Meu pai roncava, enquanto nós liamos revistas, quer dizer..Eu apenas olhava as figuras enquanto minhas irmãs esqueciam da vida, lendo algum tipo de romance. Foi então que minha imaginação de criança já começava a desejar aprender as sagradas letras, para pode ser como minhas irmãs mais velhas que não se cansavam de ler.
Aos cinco anos de idade, eu já pegava papel e lápis e já tentava escrever alguma coisa, saia alguns rabiscos e eu não ficava nada satisfeita, eu queria aprender a ler.
Depois da sesta, meu pai se levantava, batendo seu tênis no chão para retirar a terra, quando ouvíamos esse barulho, rapidamente escondíamos as revistas embaixo do colchão de palha que minha mãe teceu para nós.
Pois se meu pai visse qualquer pessoa lendo essas revistas, ele ficava muito bravo, dizendo que leitura nos deixávam preguiçosos, sem vontade de trabalhar, mesmo que fosse só para brincar, nós tínhamos que ir com ele para a roça.
Logo que toda vegetação se estendia na terra, era hora de por fogo, para chamar quem a revolvesse com um parelho de cavalos e de um arado. Com a terra toda arada, era hora de plantar, então não era mais tempo de brincadeiras, era hora de aprendermos a trabalhar.
Somente minha irmã mais nova não ia para a roça, pois tinha apenas três anos...Eu com cinco já ajudava como podia, pois meu pai não nos forçava a fazer trabalhos pesados, mas tínhamos que ajudar de alguma maneira.
As vezes , nem podia com o peso da enxada e já tirava os matos do meio do milharal, mas não me incomodava não, pois também me divertia muito estar no meio de gente grande, fazendo trabalho de gente grande, e me esforçava bastante para não fazer feio.
Também brincava bastante com as bonecas feitas de espigas de milho, sonhando em um dia poder ter uma boneca de verdade, com trapos velhos vestia as espigas e as embalava, enquanto cozinhava de mentirinha num fogão feito com a ajuda de dois tijolos, e latas vazias que minha mãe descartava no quintal.
Era um sonho poder dizer que em breve entraria no mundo dos adultos, pois queria muito aprender a ler e escrever, para poder sonhar com os romances que minhas irmãs liam nas revistas. Eu só via a imagem, mas também queria entrar nas histórias.
Até que completei seis anos de idade, e chorava todos os dias, pedindo para que meu pai me colocasse na escolinha perto de casa.
Meu pai me levou até lá para falar com a professora. Ela então, depois de tanta insistência por parte de meu pai, e tocada pelas minhas lágrimas, aceitou fazer um teste comigo, vendo então a minha disposição e desempenho, não teve como negar fazer a minha matricula. Disse que se o diretor viesse visitar a escola me esconderia embaixo da carteira, por eu ser tão pequena.
No primeiro dia de aula, eu me senti a menina mais feliz do universo, estava realizando meu primeiro sonho, e depois desse dia, me esforcei tanto que no final do ano só perdi em resultado, para a filha da professora.
Então, entrei no mundo das letras, já sabia escrever e já dominava  a escrita, podia ler os romances relatados nas revistas de fotonovelas.
Também entrei na rotina de esconder as revistas emprestadas de outras colegas, embaixo do colchão, para que meu pai não brigasse comigo. E toda vez que se aproximava a hora do almoço, minha ansiedade aumentava, não via a hora de estar novamente naquele mundo tão magnifico, das letras e dos contos.
O tempo foi passando depressa e minha ânsia pelo conhecimento aumentava gradativamente, porém ao completar dez anos, depois de concluir a quarta série, eu tive que parar de estudar.
Então, entrei mesmo no mundo adulto, tinha que participar das tarefas como qualquer outro membro, desempenhando de igual modo, tanto na roça, quanto em casa, as brincadeiras só aconteciam no período da tarde, ou noite, quando meu pai deitava em cima de um saco de estopa no quintal e nós deitávamos ao lado dele, e ficávamos olhando as estrelas do céu. Não havia televisão. apenas um rádio velho que tocava  lindas canções sertanejas que nos faziam viajar na imaginação.
Certo dia minha mãe chegou da cidade, e foi para a roça nos levar o café da tarde, dizendo que tinha comprado duas bonecas, uma para minha irmã caçula, outra para mim, eu quase morri de alegria, então pedindo para meu pai, dizendo que iria pegar água, rumei para conhecer outro sonho se realizando.
Minha boneca era linda, de plástico, vestia um maiô verde, também de plástico, e aquela noite eu dormi abraçada com ela.
Essas lembranças são mais fortes em minha mente, pois foram as mais importantes da minha infância.
Então, meu pai resolveu sair daquela nossa casinha, pois a terra em que morávamos era arrendada.O dono das terras ia levantar uma outra casinha perto dali.
A nossa vida começou a melhorar, de uma casa de barro, passamos para uma casa de tábua, os cômodos eram tão pequenos quanto a outra, mas a sala tinha o piso revestido com tijolos, o resto, a cozinha e os quartos eram de terra batida.
De resto tudo continuou na mesma, só meu único irmão que passou a dormir na sala, pois meu pai comprou um sofá para ele dormir, para que nós quatro mulheres pudéssemos ter um pouco de privacidade.
Nós quatro dividíamos a mesma cama de casal, em um quarto quatro por quatro.
O rio era bem mais perto, embora para alcançá-lo tínhamos que descer uma ribanceira, e consequentemente subir uma ladeira com baldes cheios de água.
Aos catorze anos de idade, meu pai deixou de plantar e nos intimou a arrumar emprego em outro lugar, tendo que se virar para vestir-se já que meu pai só nos dava o que comer, tivemos que nos virar, trabalhando de empregados para um e para outro.
Ganhávamos uma ninharia que mal dava para comprar as coisas de primeiras necessidades na pequena feira da cidade.
Mas, não me importava, pois foi naquele recanto escondido que conheci a felicidade de poder ter nascido naquela família humilde, onde os valores eram tão ricos.
Aprendi que não é a casa, nem as coisas que nos tornam importante, mas o que se aprende com os pais enquanto criança. Aquelas bagagens que a gente carrega para a vida toda é que nos deixam preparados para a vida.
Enquanto pequena, eu me sentia grande, pois meus sonhos eram maiores que eu, minhas realizações embora consideradas pequenas é que enchiam meu mundo de possibilidades.
Meu crescimento espiritual foram se solidificando dia a dia, e o conhecimento aumentava a medida em que ia crescendo, as realizações, a simplicidade de quem sabe manejar uma enxada, as conversas entre irmãos, os conselhos sábios dos meus pais, construíram pilares de aço formando um caráter impossível de ser derrubado.
E agora é com esses mesmos pilares que construo o alicerce da vida dos meus filhos, repassando tudo o que aprendi no decorrer dos anos que vivi.
Meus agradecimentos primeiramente a Deus, o oleiro da minha construção, depois á meus pais, que fizeram de mim uma herança deixada para meus filhos, que também são uma herança que deixo para Deus.


Autora: Herta Fischer              Direitos reservados










































       



























             

























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