terça-feira, 30 de maio de 2017

Maestria da vida

Ela buscava em todos os lugares um bom
motivo para alegrar-se;
As vezes se satisfazia plantando rosas
em seu jardim, noutras, apenas as vendo crescer.
Enquanto outras meninas se enfeitavam para satisfazer com olhares,
ela apenas olhava de longe a complicação do  viver.
Em sua historinha de menina, príncipe não existia, e princesa,
muito menos.
Não queria ser alguém melhor que ela mesma, não queria ser bibelô,
nem fantasia, nem sonho, nem esperta demais, só queria poder
andar pela vida, colhendo as flores pelo caminho, sabendo que enfrentaria
tantas contrariedades, por ter gosto apurado, e pelos tantos desejos que
lhe faltava.
Trabalhava com afinco em seu roçado, plantando e colhendo á seu tempo,
e as tardes ensolaradas, já livre da labuta, sentava diante do espelhado
mundo, a ver refletido nele, um pouco de si mesma.
Uma pequena fagulha, dizia ela: - nesse imenso vale do olhar.
Não posso simplesmente querer o prazer sem trabalhar, nada
me vem as mãos se antes não me levantar e realizar. Assim trabalha
a natureza, dia e noite, incansavelmente.
A noite a encontrava despida completamente de sonhos, maravilhada
com tanta beleza, muitas vezes, ficava a observar as estrelas, uma
a uma, enquanto nasciam ante seus olhinhos curiosos.
Quantos pontinhos brilhantes, - pensava ela: - será que me veem também assim?
Uma coleção brilhante, de variado esplendor, cada uma com identidade própria,
nasceram quase que despercebidamente, tomando conta daquele imenso vale
azulado, que agora, parecia mais com um pano de fundo cobrindo seu
mundo.
Abaixo da lona, estava seu corpo, estremecendo de frio, quase que a desmaiar
de tanto êxtase. Como era bom estar ali, sem idealizar nenhum futuro.
Por muitas horas acolhera aquele momento único, pois sabia ela, que
outro dia, talvez sentasse abaixo daquele véu brilhante, mas a sensação não
seria a mesma.
Nunca mais seria a mesma.
Desceu de sua imaginação, um pouco frustrada pelo sono que já
a espreitava. De súbito, soltou uma baforada de ar para fora, elevou-se
como uma árvore que emerge da terra, tornou a encher os pulmões com
oxigênio, sentindo a brisa suave tocá-la por dentro, e o
perfume da noite  a deixou tonta.
Só então, pensou no dia seguinte, Teria que levantar cedo, não dava para
namorar a noite por mais tempo.
Alcançou o alpendre com passos lentos, ainda com olhos voltados para o céu,
abriu a portinha que a levava para dentro e deixou lá fora o maravilhoso espetáculo.
Sua cama estava arrumada, tirou  a colcha de retalho que a enfeitava, afofou
o travesseiro de pena de ganso, e jogou-se  sobre ela  suspirando
de prazer.
Sempre seria assim: sua melhor hora era a hora que abrigava qualquer momento.
pouco importava o que fazia, sempre havia prazer em estar presente.
Enquanto dormia, sua alma a levava em lugares desconhecidos, raramente sonhava
com coisas palpável, ou lugares já vistos.
Naquela noite, especialmente, andava nas nuvens, sentindo a maciez sobre os pés, tendo
como companhia, milhares de gansos selvagens,  que passavam distraidamente ante seus olhos,
cortando as nuvens como vento cortando fumaça.
Acordou tão disposta ouvindo o som lá de fora, os gansos se tornavam reais, o som de seus gritos atravessavam a parede de terra batida, trazendo-á de volta a realidade.
Gostava de animais, principalmente  de aves. Tinha uma infinidade deles em suas terras, nenhuma
entre grades, Todos livres assim com ela.
Tirou de cima o cobertor que a aquecia, colocando seus pés sobre um chinelo que passara
a noite a observá-la ao lado da cama. e saiu a sorrir.
-Mais um dia!- pensava:
Tomou o rumo da cozinha, acendeu o fogo, e preparou seu café, sorvendo aos poucos a bebida quentinha, sentindo-se mais atenta do que nunca. tudo lhe dava prazer.
A vida se anunciava la fora a todo vapor;
Pássaros revesavam na cantoria, os gansos faziam tanto barulho parecendo uma pequena orquestra
regida pelo sol ardente que espalhava ternura por todos os poros.
Ela saiu para fora sentindo-se a dona do paraíso, pegou algumas espigas de milho, e pôs-se a debulhar,
jogando as sementes sobre a terra, enquanto as galinhas se aglomeravam entre os gansos, disputando
cada grão, comungando uns com os outros:- como não ser feliz?
Tudo estava calmo naquele dia, nenhuma nuvem perturbava o sol, e a harmonia na natureza era bom de se admirar.
Depois daquele banquete, cada um procurara o que fazer: os gansos se jogaram na água, numa dança frenética de poder, as galinhas se embrenharam na mata a cuidar de si, e ela se preparou para o trabalho.
Nada mais importava, nem o relógio á obrigava a ir mais rápido.
A pequena enxadinha descansava ao lado da porta, a esperar por sua ordem, Ela pegou a ferramenta
com naturalidade, como se já fizesse parte de seus dias. E com uma certa agilidade nas mãos,
se pôs a limpar o seu quintal.
Se alegrava demais com o ruido que ela fazia, e vendo os matinhos se deitarem á seus pés, sorriu satisfeita.
O dia parecia fluir bem humorado,
Mas, em certo dia, quando a chuva caia em abundância, ela sentiu falta de alguma coisa, não sabia bem o que era, mas, uma nostalgia tomara conta de seu ser. Precisava entender o que lhe acontecia.
Aquele sentimento de antes á abandonara, e uma mescla de infelicidade começava a rondar por ali.
Não havia mais alegria em suas tarefas, apenas uma canseira sem fim. Tudo á incomodava, seria saudades
do que não tinha?
E o que lhe faltava? - pensava:
Um amor? mas amor ela tinha em seus bichos!
Um outro eu, talvez! para sonhar comigo, para dividir meus espaços, para cuidar e ser cuidada, e reaver vozes que por muito tempo deixara de ouvir,
Suas vozes internas não mais satisfaziam, suas melodias se perdiam no vazio quase sussurradas ao vento.
E a chuva, cada vez mais intensa, lhe obrigava a se recolher, e se recolhendo, sentia-se tão sozinha.
E sentindo-se sozinha, começara a sonhar.
Tinha saudade do que havia lá fora, saudades de outras vozes que não fosse a sua. Outra musica a tocar, outros elementos a se compor, tão cansada estava das mesmas letras.
Foi então que conheceu a dor.
Descia toda hora para a pequena biquinha lá na ribanceira, quando o rio se jogava de um barranco transformando-se em cachoeira, mas, notou algo acontecendo, quase sem som já estava, a desbarrancar-se em seu leito.
Nas suas noites belas, agora povoava uma certa agonia, inexplicável, soberba e repleta de pesadelos.
Pela primeira vez na vida ela sentiu-se frágil e deslocada. Precisou se esforçar para entender os sinais, que estavam estampados como uma bandeira hasteada,
O tempo! - ela se viu a exclamar:
Passou sem que me desse conta, envelhecendo tudo ao derredor, tirando-me as forças e a capacidade, assim como os aguaceiros de verão, chegou sem avisar.
E pela primeira vez em sua historia sentiu medo de morrer.
Passou então a fantasiar, Assim como uma nova historia a se contar de outro jeito. E a espera agora era sua unica companheira.
Nunca se ligara muito ao tempo, só pensava nas renovações de cada instante, assumindo diante da vida
a sua maneira de ver, de ouvir e de estar.
Mas, agora, as coisas estavam mudando, precisava se habituar ao fato de que estava envelhecendo, não cabendo mais aquele sentido florido como dias de sol.
Tudo ia desaparecendo: o apetite, as lembranças, a alegria, o sorriso, a força, enfim, estava definhando.
E a noite não mais lhe trazia alento, ficava horas acordada, tentando subir no lombo das nuvens, chamando por seus gansos, mas eles não vinham, assim como o sono.
Tudo á sua volta dormia, mas, ela não conseguia fechar sequer seus olhos.
Tinha medo do amanhã, aliás, tinha medo do segundo seguinte, as horas, agora, se tornara sua maior rival.
Muitos dias se passaram, cada vez mais seu corpo definhava, e sentia cada mais saudade: saudade do que vivera, daquelas horas todas ocupadas com alguma coisa.
Até que surgiu no horizonte mais um dia, aquele que a levaria para outra instancia. quando sem querer ouviu o som de um sino tocado ao longe, e esse som lhe encheu de paz, Fechou os olhos para sentir melhor a melodia, e foi se deixando levar, até que tudo parou, Não mais ouviu o tilintar das gotas caindo do telhado, não mais ouviu a voz do seu lamentoso estado. Tudo se tornou silencio, e ela enfim,
se foi!

Herta Fischer  (Hertinha)



















segunda-feira, 29 de maio de 2017

Zumbis das esquinas

Estou vendo meu mundo desabar diante dos
meus olhos.
Eu digo, meu mundo, porque é
também meu o dever de construção
de sentimentos á minha volta.
Tenho certa responsabilidade sobre
a amizade e o bem querer.
No entanto, parece sou invisível,
talvez por me preocupar mais com
a realização minha que dos outros.
Dou minha contribuição, dosando
as palavras, tentando colorir os caminhos
já visualizado, e levar um pouco
de cor pelos que ainda não passei,
No entanto, poucos conhecem essa linguagem,
Se eu falar da situação dos meus vizinhos,
se eu passar a minha língua por historias alheias,
seja bem vista e tão melhor aceita.
Não se pode mais dar conselhos, nem falar de bons princípios.
 parece que soa mal, que não vem do coração,
que estamos invadindo territórios proibidos.
E quem se atreve a pensar e a falar do que se deve fazer para viver melhor,
acaba se tornando ofensa,
O mundo as avessas, não o reconheço mais. Ha muita
falta de pão, mas, há também, mais falta de coerência. desaprenderam
a pensar.
A unica coisa plausível e desejada são as lojas,  por onde as pessoas passam
e entregam as suas almas.
Carros e mais carros passam pelas ruas, luxo desnecessário
corre nas veias dos velhos e adolescentes, e o primordial
da vida se esconde entre os dentes ávidos e cortantes
que só mastigam ilusões.
Quando foi que nos perdemos uns dos outros, quando foi
que a aparência tornou-se muito mais importante
que os princípios?
Quando aconteceu o término familiar, onde as mães
tornaram-se produtos de mercado, e os filhos, igualmente,
foram entregues a adoção temporária, não mais fazendo
parte do seio que os alimentou, alimentando-se do leite
mundano.
Leite contaminado por ideais que vem de fora, subjugados
a aprender dos outros, tendo que se virar para ser alguém
a mercê da sorte.
Assim como um cãozinho abandonado a abanar seu rabo
para quem passa, mendigando um pouco de atenção,
aprendendo com quem não é da sua raça, a pedir,
ao invés de buscar por si mesmo.
E está tudo certo, é assim mesmo que deve ser, filhos abandonados literalmente,
para poderem enfim, ter coisas que todo mundo tem, quando o principal
lhes é negado: O direito de aprender  e de conviver com os pais!
Então acabam aprendendo com o mundo, a procurar satisfação
de outro jeito, como zumbis das esquinas, tragando as suas frustrações como
fumaças salvadoras, que o levam justamente para onde não querem ir.
Para o fundo do poço!


Herta Fischer (Hertinha)





A esperança esta num amanhã que nunca chega

Ninguém mais a precisar de mim com tanta ânsia,
estou subsistindo em minha concha.
De que preciso mesmo para ser feliz, talvez,
de uma historia nova para contar, sem
que precise sofrer para isso.
Por falar em sofrimento, lá estou eu a ver o rato
amassado em uma ratoeira,
Como quem não teve o prometido, um pequeno
pedaço de queijo foi a sua perdição, e a sua morte por desejar.
Enquanto o relógio conta suas horas sem cessar, quase
que passo despercebida. Ninguém conhece minhas
necessidades mais do que eu, mas, temo ser um rato pronto
a ser sugado pelas artimanhas de meu destino que não
sabe bem de que preciso,
mas insiste em me dar o que mereço, desmerecendo
o que quero.
Trago em mim, algumas desconfianças em relação
a algumas coisas, ainda sou apenas uma gota a gotejar
no oceano, que de quebra não se satisfaz com meus préstimos.
Doando-me pequena demais, quase a sumir entre uma doação
e outra, me sentindo, talvez, importante, quando ninguém mais
se da conta de que sou capaz.
Nem eu mesma!
Estou dentro da paisagem que vejo, entre árvores e descaminhos,
mais que qualquer coisa, ainda dependo do tempo.
E que tempo eu mereço? De quanto?
Nem sei mais o que me falta, se mais ou se menos, porque
tudo a minha volta parece não ter valor, nem minha suplicas
por merecimento, nem minhas suplicas por milagres, pois, tudo
acaba acontecendo sem minha interferência, o tempo é apenas
sonho, um sonho quase construído na esperança, porém tudo se acaba
em amanhã.

Hertinha (Herta Fischer)




sexta-feira, 26 de maio de 2017

O lugar sou eu

Como eu gostaria de
poder dizer que sou sempre a mesma.
Mas, embora, meu fisico seja sempre igual
com exceção das ações do tempo,
minha ideias se confundem.
Hoje eu estou mais amena, assim
como na meia estação, mas, ha
o inverno que constantemente
se instaura em minha alma, mesmo
fora de tempo.
Como um vento frio e cortante,
que me faz encolher nos arrepios,
assim, as vezes me sinto.
Talvez eu tenha aprendido a viver nos trópicos das emoções,
 onde para a constância não ha lugar, um dia
é sempre um dia.
Faz tempo que não choro, faz muito tempo
que estou a um passo da coerência do existir
sem dor.
E mesmo que sofra, as vezes, uma dor aqui e acolá,
nada me tira do sentimento de que sou bem
mais forte do que penso.
De que a vida é compreensível em nossas perdas,
que não sou mais que nuvem que passa,
E os que estão do meu lado, podem
facilmente tomar outro rumo, e me deixarem só.
E mesmo só encontrarei o meu lugar, pois o
lugar sou eu, e de mim, eu nunca me distanciarei.
Não vou me tornar outra pessoa, nem abandonar
minhas virtudes ou defeitos, muito pelo contrario,
diante das tempestades, serei tempestade, mas diante
do tempo bom e ensolarado, serei sol.
Serei o que puder ser até que não seja, ou seja, sei lá!
O que vem após são só desejos, o que esta visível agora,
neste momento, isto é real e pode ser visto e sentido.
E o bem estar esta aqui do meu lado, e não serão
as circunstâncias á incomodá-lo, assim como arco-íris,
de tempos em tempos aparece no céu, assim sou eu, quando
me aceito em totalidade, sem miudezas a me corromper.
 Sou feliz agora!
Herta Fischer  (Hertinha)




Casa de Deus

Lembrando sempre que Deus é capaz.  Claro
que é desnecessário falar isto, mas ha quem esqueça.
O homem da atualidade, ou melhor: alguns tantos
homens da atualidade acham que Deus não existe, por
ter seu NOME ligado a instituições religiosas
que fazem mau uso da palavra para enganar, ou
enaltecer a si mesmo.
Esquecendo-se dos devidos tempos ao qual falou o profeta:
Quando o homem seguiria o caminho da mentira,
como quem segue para um caminho bom.
É como alguém estar sujeitado as drogas achando
que as drogas lhe trazem algum benefício.
E se transforma em um autômato, sem vontade
e sem caminho.
Por causa dessa miséria que é se levantar como
líder religioso, em nunca ser chamado, só para tornar-se
competidor, sem, no entanto,
estar disposto a renunciar os próprios favores e
desejos.
Se Cristo disse ser rei espiritual, então, porque,
ainda se precisa tanto de líder.
Se conhecemos as sagradas letras, então, porque,
ainda nos limitamos ao que o outro fala,
Porque tememos tanto as verdades?
Eu sei da canseira de viver, de precisar
constantemente de médicos
e remédios, por causa de epidemias e outras
tantas doenças que trazemos em nosso DNA.
Mas, em se tratando da espiritualidade, porque
haveremos de estar sujeitos ao que o homem fala,
e não ao que Deus revelou-nos segundo o que precisávamos
saber?
Porque ainda sentem tanta necessidade de templos
mesmo sabendo que o templo humano nada é?
Pois Deus nos revela. Não mais habitarei em templos feitos por mãos humanas.
Se Ele tiver de ser encontrado, podem estar certos disso, será em alguém, numa
pessoa ou num povo.
Deus quer habitar em nós.
Quem deve ser edificado somos nós.
Perdemos muito tempo envolvidos com coisas que nada contribuem para
a nossa edificação.
Para que a casa de Deus exista, necessário se faz que cada um de nós
seja edificado em Cristo. Se Cristo estiver em mim, posso sentir que
sou participante de Sua casa, se Ele permanecer
em mim,
é evidente que se agradou de fazer em mim morada.
Paulo tinha essa crença e nos aconselhou a fazer o mesmo:
"Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé, provai-vos
á vós mesmos. Ou sabeis quanto a vós mesmos, que Cristo está em vós?
Se não é que já estais reprovados.
Tudo o que foi criado, foi criado para que o homem pudesse
encontrar um modo bom de viver, de constituir família, de
poder ficar bem em todas as estações, mas, o homem,
não satisfeito com ele mesmo, precisa estar acima de todos
construindo-se em cima de poder.
Quando que, o único poder capaz de salvá-lo é Cristo, e Ele
nunca pediu mais que Amor, lealdade, discernimento.
Não em relação a Ele nem ao Pai, pois são donos de tudo o que há. mas de uns para
com os outros, muito mais entre os que vivem sobre o mesmo teto.
E haveremos de nos juntar ante um proposito Maior, E como nos juntarmos
se não aprendemos a conviver?
Cristo é a primazia da criação, a primeiro em tudo, Tudo se fez pelas suas mãos, a fim
de ser o primeiro em tudo, e segundo a palavra, devemos ser obedientes até a morte, assim como
Ele foi e é.
Honrando-o em amor. E como amá-lo sem amar também as feituras de suas mãos?
E quem são os seus feitos: senão tudo que se move, lembrando que tudo o
que foi feito, foi feito para um determinado fim, e que as honrarias nunca deveriam
ser direcionadas a criatura, e sim, ao criador.
A mesa em que Cristo fez a ultima refeição com seus discípulos significava união,
Todos no mesmo parecer segundo a graça. Não mais como escravos do pecado, mas como
devedores á Cristo.
E como pagar tão grande salvação, á não ser pela obediência aos mandamentos?. Não
mais como quem é obrigado a fazer, mas, como quem tem liberdade de escolher. E escolhe
O caminho de Cristo, seguindo as suas pegadas, não mais como meninos arrogantes e
indecisos, mas, como adultos que sabem bem o que quer.
Conhece bem as pegadas sem necessidade que precise que apontem a direção.
 Herta Fischer (Hertinha)
















quarta-feira, 24 de maio de 2017

Jogada no ar

Engraçado como se teme ver-se á maneira que se é.
Sou metade, sou nada ainda, como
se o tempo fosse livre ou eterno.
É claro que somos, que acreditamos em algo
maior, para não sucumbirmos ao maranhosismos
a que se predispõe a criação.
Penso como uma formiga, e como uma
formiga estou sendo pisoteada a todo instante,
de sorte, que, sou maior do que ela em tamanho.
Hoje me pus a pensar em Deus, nas crenças que nos levam,
e também no quanto tempo
desperdiçados em crer em alguma coisa menor.
Como um talismã, ou água benta, ou ainda,
em a deusa daqui e dali.
Que fraqueza a nossa!
Me sentindo como uma mariposa a chegar perto da luz,
como se pudesse concorrer com ela, não sei o que
busco, se luz ou se morte.
Quem sou eu para pensar que Deus olharia por mim?
Deus! Veja que nome grande!
Miserável e inútil que sou, a unica coisa de que preciso é trabalhar
para sobreviver, no entanto, quero bem mais do que isto,
quero que o mundo veja as minhas conquistas, e é claro,
que só alguns conseguem ver, o restante, ainda não conheço.
Então, faço força para que me vejam no meu bairro,
embora não converse com todos, mas, todos
os que passam por mim, pode facilmente dizer: - Nossa!
queria ser como ela! E dai? no que isto pode me agradar!
Fico onde estou a observar de longe, as pessoas se matando por algo
que se gasta e desgasta, que só tem valor enquanto ainda se
está apto para aproveitar, e não se sabe a hora em que tudo isso
passará a valer nada.
Assim como nada somos, diante da grandiosidade do universo,
como grãos de areia na praia e poeira no ar, é isso que somos.
Dai eu olho para minha casa, construída sobre a terra, coberta
por camadas de outro material, que me faz livre da chuva
e do sol forte, mas que também abriga tantas desnecessidades.
E essas desnecessidades me pesam mais que viver sem rumo,
pois dela sou escrava.
Olhando no espelho de minha historia, só vejo a mesma
coisa de sempre, nada que me agrade ou me tire deste
modo de estar. Mas preciso estar, preciso, mesmo que não me agrade,
sou e pronto, existo por isso não posso me mexer em outro sentido
que não seja o mesmo sentido de todos. a não ser que me descarregue
em algum canto, e me torne algo superior ou inferior, quando não
mais precise desse sistema ilusório de viver.

Herta Fischer  (Hertinha)





terça-feira, 23 de maio de 2017

Arrependimento do pecador

Não me repreendas, Senhor, na tua ira,
nem me castigue em teu furor
Cravam-se em mim as tuas setas,
e a tua mão recai sobre mim.
Não ha parte sã na minha carne, por
causa da tua indignação,
não ha saúde nos meus ossos;
por causa do meu pecado.
Pois já se elevam acima da minha cabeça
as minhas iniquidades;
como fardos pesados, excedem as minhas forças.
Tornam-se infectas e purulentas as minhas
chagas,
por causa da minha loucura.
Sinto-me encurvado e sobremodo abatido,
ando de luto o dia todo.
Ardem-me os lombos,
e não ha parte sã na minha carne.
Estou aflito e  mui quebrantado;
dou gemidos por efeito
do desassossego do meu coração.
Na tua presença Senhor,
estão os meus desejos todos,
e a minha ansiedade não te é oculta.
Bate-me excitado o coração.
,faltam-me as forças, e a luz dos
meus olhos, essa mesma já não
está comigo.
Os meus amigos e companheiros
afastam-se da minha praga, e os meus
parentes ficam de longe.
Armam ciladas contra mim, os
que tramam tirar-me a vida;
e os que me procuram fazer o mal.
dizem coisas perniciosas e
imaginam engano todo o dia
Mas, eu, como surdo, não ouço e, qual
mudo, não abro a boca.
Sou, com efeito, como quem não ouve
e em cujos lábios não ha réplica.
Pois, em ti, Senhor, espero,
tu me atenderás, Senhor, Deus meu.
Porque eu dizia:Não suceda que se alegrem de mim
e contra mim se engrandeçam
quando me resvalo o pé.
Pois estou prestes a tropeçar; a minha
dor está sempre perante mim.
Confesso a minha iniquidade;
suporto tristeza por causa do meu pecado.
Mas os meus inimigos são vigorosos e fortes,
e são muitos os que sem causa me odeiam.
Da mesma sorte, os que pagam o mal pelo bem
são meus adversários, porque eu sigo o
que é bom.
Não me desampare Senhor; Deus meu; não
te ausentes de mim.
Apresa-te em socorrer-me,
Senhor, salvação minha.
Salmo 38
Herta Fischer


A vaidade do homem

Povos todos, escutai isto:
Dai ouvidos, moradores todos da terra,
tantos plebeus como os da fina estirpe,
todos juntamente, ricos e pobres.
Os meus lábios falarão sabedoria,
e o meu coração terá
pensamentos judiciosos.
Inclinarei os ouvidos a uma parábola,
decifrarei o meu enigma ao som
da harpa.
Porque ei de eu tremer no dia da tribulação,
quando me salteia a iniquidade
dos que me perseguem,
dos que confiam no seus bens
em na sua muita riqueza se  gloriam?
Ao irmão, verdadeiramente,
ninguém pode remir.
nem pagar por ele a Deus o seu resgate
(pois a redenção da alma deles é caríssima,
e cessará a tentativa para sempre.), para
que continue a viver perpetuamente e
não veja a cova;
porquanto vê-se morrerem os sábios
e perecerem tanto os estulto como
o inepto, os quais deixam aos
outros as suas riquezas.
O seu pensamento íntimo é
que as suas casas serão perpétuas
e as suas moradas para todas as gerações;
chegam a dar seu próprio nome ás suas terras.
Todavia, o homem não permanece em sua ostentação,
é, antes, como os animais, que perecem.
Tal proceder é estultícia deles; assim mesmo
os seus seguidores aplaudem o que eles dizem.
Como ovelhas são postos na sepultura;
a morte é o seu pastor;
e descem diretamente sobre a cova,
onde a sua formosura se consome;
a sepultura é o lugar em que habitam.
Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte,
pois ele me tomará para si.
Não temas, quando alguém se enriquecer,
quando avultar a gloria de sua casa,
pois, em morrendo, nada levará consigo,
a sua gloria não o acompanhará.
Ainda que durante a vida
ele se tenha lisonjeado,
e ainda que o louvem
quando faz o bem a si mesmo,
irá ter com a geração de seus pais,
os quais já não verão a luz.
O homem revestido de honrarias,
mas sem entendimento, é antes,
 como os animais que perecem.
Salmos 40

Herta Fischer










Alheia a tudo

Cá estou novamente para falar das mesmas coisas,
as vezes me sinto um tanto inútil, aliás, tudo é uma dimensão de
futilidades. Uma ilógica maneira
de ser vista, e talvez, apreciada.
Poderia fazer alguns versos, alguns poemas, mas,
estou um pouco murcha, quer dizer: um tanto
letárgica.
Não consigo sair deste meu modo de viver, de ver as coisas,
quase como uma lagarta em seu casulo, tão alheia e ao mesmo tempo,
viva e vibrante..
Acho que não aprendi como se aproveitar das coisas, Muitas vezes, penso
em mudar minha direção, me alegrar com as coisas banais, mas, não
consigo, Fui feita deste jeito, e desse jeito, morrerei.
Gostaria mesmo de ter desejos, de conquistar mais, de não ficar
parada neste meu mundinho de faz de conta, assim como muitos,
que se enfeitam por fora, só para poderem ser vistos por dentro.
Sempre cultuei a felicidade constante, sempre defendi as alegrias por nada,
pois não me encontro com aqueles que pensam que felicidade é
sair por ai, gastar tudo que tem, e de novo,
buscar um pouco mais para continuarem gastando sem parar.
Meus dias são chatos, isso eu não posso negar, mas, por dentro
a iniciativa de crer me faz bem, de saber que daqui não tiramos nada,
exceto aquilo que comemos e bebemos.
Todo o prazer do homem consistem em beber, comer, e satisfazer seu corpo,
no resto do tempo é só canseira e enfado.
Em fogo esta a minha alma, fogo que nunca se apaga, há! como eu gostaria de poder
sair po r ai, sem documento, sem mochila nas costas, sem ferramentas, nem nada, só
para ter o prazer que o homem não consegue ter em todo o tempo.
O meu ventre está cheio de tesouros que aqui não são encontrados, tesouros preciosos demais para serem gastos em vão.
Tenho saído em busca de amigos, de companheirismo, porém, os corações estão cerrados,
com cadeados de incompreensões.
Como eu queria ter desejos, como eu gostaria de sentir satisfação nas coisas e nos
bens que aqui semeiam.
Porque já não ha homens piedosos, falam com falsidade uns aos outros, falam
com lábios bajuladores e coração fingido.
Assim minha alma se corrompe por medo de ficar sozinha, e acabo por entrar na onda, e
fico triste comigo mesma, e me sinto mal. Então, prefiro a reclusão da minha casa,
onde o silêncio canta, mas  a alma se recusa a dançar.

Herta Fischer (Hertinha)





domingo, 21 de maio de 2017

Razão de viver

Coração, as vezes, engana. Mas o cérebro, nunca..
Seja mais consciente que sentimental...
"Todo homem, por menor que seja, conhece o bem e o mal"
Se ele sabe para si, também sabe para os outros!
Tenho em mim
a razão do todo,
que sobrepõe
as miudezas.
Que de conto em contos
me preenche.
O que me abastece,
não é o amor que
me dá,
mas, o amor
que sinto.
Se apenas me desse,
não ficaria satisfeita,
pois, doando-me
é que me completo.
Herta Fischer;

sábado, 20 de maio de 2017

Momento propício

Viajar, quem não quer?
Poder escrever sobre outros lugares,
ter outras fontes de poetização,
pois, até agora, só os livros,
E ficam cada vez mais escassos, meus olhos
estão fracos, e a leitura já não me atrai muito.
Pensamentos alheios nos deixam alheios á nós mesmos.
Ha tanto para descobrir aqui dentro, que o que
está lá fora é puro exagero.
Eu vivo de meio termo, não suporto estômago cheio,
Dá uma preguiça!
Nem mesmo no amor eu exagero, gosto de sentir, mas não
gosto de sofrer ao sentir.
Sabe quando uma andorinha sai a voar, mas, ela não voa muito?
Guarda toda a sua energia para quando está para chover e o vento
se torna sua força. Então, eu sou igual, gosto de me sentir bem,
e também guardo minhas energias para quando posso
estar de acordo com o momento certo.
Herta Fischer




A espera

Já ouvi alguém dizer que escrever sem nunca ter publicado é como
gravidez mental, a barriga cresce e nunca se vê o filho.
Pois é!
Eu nem ligo, não posso publicar, não tenho dinheiro para isso,
então, essa gravidez fica encruada, como
um filho desejado que fica para depois.
Mas, pelo menos não fico a me remoer, pensando se meus escritos são bons ou não,
Nunca
me envergonho de nada, pois não tenho quem me critique.
Sou como avelãs que caem, sem nenhum esquilo a comê-las,
me enterro em meu desejo e fico a esperar pela ordem da natureza,
 Quem sabe qualquer hora, quando menos se espera,
a semente desperte, e que,  com alguma qualidade, cresça!
Herta Fischer

Nem uma coisa nem outra

As vezes me assusta um pouco toda essa tranquilidade.
fico a pensar em dias passados, de fúria e ansiedade, quando
meus dias eram contados pela quantidade de produções.
Não havia nenhuma hora em que podia ficar de boa sem nenhum trabalho.
Porque escrever não me é cansativo, é como se estivesse em pleno descanso,
Quando minha alma se desprende das coisas e notoriamente
sai de mim, me tornando outra pessoa.
Fico a imaginar minha vida escapando aos poucos pelos poros,
sem que eu perceba, mas, quando escrevo não vejo`assim. Ê
como se a vida fosse elástica, quanto mais estica mais cresce.
Tem alguém em algum lugar feliz, mas, em algum lugar, alguém sofre. E
eu, não sinto nem uma coisa nem outra, apenas vivo em muitas
expectativas.
Sei que um dia morro, se é que já não esteja morta, pois de alguma forma
a vida e a morte se sentem irmãs..
Herta Fischer.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O agora á me encarar

Descobri que corri demais e me cansei a toa.
Tudo se fez em seu tempo, independente
do meu querer.
Nasci, cresci, estudei, aprendi, e no mais, só
intensifiquei o aprendizado, praticando!
Fluiu os meus dias, como água corrente, cada um me levava
para algum lugar, me estendia feito
roupas no varal, a secar e se dobrar., e me guardar.
Gosto de observar os pássaros, que continuamente
voam  de lá para cá sem se preocuparem com o até quando?
Comem, criam seus filhotes, e de novo, e de novo, ninhos
se fazem e se desfazem, talvez, também envelheçam, mas
não o sabem.
Chega o verão, a primavera, o inverno, tudo igual, recomeço,
começo, ciclo são só ciclos. nada muda, nem os personagens,
porque são, são os mesmos..
E eu vou assim como eles, aceitando tudo como dádivas. Amanhá não existe,
só o respirar de agora.
Está chovendo, parece que sempre foi assim, não tenho lembrança
do sol, E quando o sol voltar,
será o sol o meu ver, como se não conhecesse a chuva.
Tudo me encara no agora.
Herta Fischer (hertinha)





O dia de realizações

Está chovendo, aproveito o dia, depois do trabalho doméstico,
 aproveitando para me exercitar um pouco.
Não só o físico precisa de exercício, a mente, talvez, muito mais.
Estou mais madura, eu acho!
Não faço mais trancinhas nem friso meus cabelos,
também por dentro, não friso mais nada.
Falo do fim, muito mais que do começo, embora,
as vezes, me incomoda passar, Resolvendo, aqui dentro, que
o tempo parou, que não envelheço, que ainda sou a mesma, mas,
vejo que minto a  mim mesma..A verdade é a verdade, não tem como escapar.
Embora me sinta bem melhor do que antes, quando meus sonhos ainda eram criança,
hoje, mais madura, meus sonhos são maiores.
Já me satisfaço em meus dias, não corro tanto, nem
acho que o mundo se acabará amanhã, embora anão saiba nada
que me acontecerá, mas, sei do tempo, o tempo
continuará.
Creio que tudo está certo, as mentiras e as verdades, cada uma contando de si,
acredita nelas quem quiser.
O que espera, espera! E quem está sem paciência, também espera!
Nada para mim tem muita importância, Só Deus e seus propósitos.
Há de chegar o dia de esclarecimento, O dia em que não mais
precisaremos acreditar, o dia em que já sabedores de tudo descansaremos!
Será como viajar por uma estrada descoberta, quando enfim, já teremos olhos para identificar o
que estará após as curvas.
Quando não mais precisaremos de nada, pois o nada não mais existirá,
só verdades em nosso ser.
Herta Fischer (Hertinha)







quarta-feira, 17 de maio de 2017

Mentirinha inocente

Estava aflita dentro dela, o espírito agitado como
uma mula a dar coices. Já era tarde, e pela manhã
descobrira ser fértil.
Ficara mocinha- como diria sua mãe!
Um dia, dois dias, os óvulos sendo lançados
para fora dela, numa mistura de pranto e sangue.
Tudo que ela pensava naquele momento era
que os abutres, enfim, se encaminhavam em sua direção,,
sentindo cheiro de mulher.
Seu pai a guardava á sete chaves, como se fosse a joia mais preciosa,
ela se sentia reclusa, com um pouco de raiva dele.
Mas, pai! - dizia ela: - só estou conversando!
Mas, o pai, com razão, advertia: - É com essa proximidade que tudo começa!
Agora, ela sabia bem o por quê!
O ninho estava pronto, o colaborador só precisava ser aceito. - e assim, se faz filhinhos, pensava:
Na escola já sentia o drama, quando a olhavam com um certo desejo de posse, ela fingia
que não entendia, mas, lá dentro, se arrepiava de prazer.
Era bom sentir-se desejada, só não era bom ser vista como um brinquedo, como
algo que se pode obter.
Certo dia sua mãe contou-lhe o necessário, e a partir daí, as coisas começaram a fazer sentido.
Entendia o medo de seu pai:  ser mãe naquela idade seria como abdicar de seus sonhos, e ainda mais cruel, seria ser abandonada " de barriga", por que, nunca se sabe até que ponto, o doador seja capaz de tal responsabilidade.
Quando algum rapaz se aproximava dela, ela mantinha uma certa distancia, com medo de engravidar, seria muito escandaloso para ela, se pegasse uma gravidez indesejada.
certo dia ela perguntou a sua mãe: - Mãe, estando agora fértil, seria possível engravidar com beijos?
Sua mãe deu uma gargalhada nervosa, e respondeu: - Não, minha filha, não se fica grávida com beijos!
-Então, eu já posso namorar?
-Você ainda é muito jovem- a mãe falou em tom sério:- Pode bem esperar um pouco mais!
-Sim! eu sei! mas, é que, minhas amigas já namoram, e, eu tenho uma certa curiosidade sobre os rapazes.
-Guarda essa curiosidade para a hora certa!
- Mas, quando será a hora certa, como saber?
- Não se sabe, filha, a gente só precisa tomar um certo cuidado. Não somos animais, por isso Deus nos deu inteligencia, nos programando com uma limitada liberdade.
Os animais usam seus instintos, chegando o momento, eles apenas satisfazem suas necessidades. Já nós, fomos dotados de consciência. Devemos pensar antes de tomarmos qualquer decisão, ainda mais se tratando da vida de outra pessoa.
Lembrando, que, uma vez feito, se deve cuidar, E cuidar de outra vida que não seja nossa, exige muito mais de nós.
E não se deve jogar essa responsabilidade em cima de outros.
Por isso é que tomamos tanto cuidado com você, pois, se fizer algo desse tipo sem estar preparada, sofre por dois.
A menina ficou pensativa por alguns instantes, tentando absorver tudo o que a mãe dizia, depois voltou a falar com desenvoltura. Pela primeira vez conseguira  falar sobre o assunto sem enrubescer.
- E se eu gostar de alguém?
- Se você gostar de alguém, pode até namorar, mas, namorar não significa que tenha que ir mais além.
Quer dizer: - Não significa que tenha que ter relações mais íntimas com seu namorado!
- Mas, se ele insistir!
- Ninguém pode te obrigar a fazer nada que você não queira!
-Mas, e se ele não mais me querer depois disso?
- Melhor ele não te querer agora, do que não querer depois! sinal que não te respeita, e se não te respeita agora, que dirá, depois!
- Verdade! Que bom poder contar com a Senhora.
-Pode contar comigo sempre!
E as duas se abraçaram por um longo tempo.
Os dias e passaram, todos os meses vinha  na lembrança aquela conversa, Ela se sentia bem em saber que não tinha namorado, portanto, não precisava lutar contra ela mesma,, nem contra o desejo alheio.
Tudo era paz, até aquele dia.
Sentada na praça saboreando um sorvete, distraidamente, nem viu o rapaz se aproximar, quando ouviu uma voz atrás dela, levou um susto:
-Oi! Desculpe meu atrevimento, não consegui ficar alheio á sua beleza!
-Oi! - ela respondeu: -  um tanto incomodada pela surpresa:
- Meu nome é Timóteo, e o seu?
_ Lídia, - falou quase que sussurrando:
- Lídia, que belo nome!
Ela sorriu, mostrando as carreirinhas de dentes quase perfeito, deixando o moço quase sem palavras.
Então, ele sorriu também.
-Posso me sentar?
- sim! - a palavra pulou de sua boca:
Ela se encolheu toda como se ele não pudesse lhe tocar. -  nem de leve! pensou:
E as perguntas vieram feito enxurradas; - onde você mora? estuda? quantos anos tem? mora com seus pais?
Nossa! não dava nem para respirar.
Depois de conversarem por algum tempo, entre perguntas e respostas,  trocaram números de telefones combinando de se encontrarem novamente.
Talvez um cineminha! - ele falou: - com ela concordando a sorrir.
Seu pai já estava um tanto relaxado nesta questão, e sua mãe já a deixava sair sozinha, não sem antes despejar algum conselho.
O domingo chegou!  O telefone tocou perto do meio dia, Era ele! combinando de se encontrarem ás seis,  para dar tempo de tomarem um sorvete antes do filme começar. Lá pelas dez horas e meia, seu pai a pegaria em frente ao cinema.
As dez em ponto o pai já estacionava em frente.
As dez e meia o povo começou a sair, um a um, mas, ele não via a sua filha.
Esperou mais um pouco e nada!
Entrou em desespero. Desceu do carro e foi até a bilheteria. Interpelou o moço que fazia o balanço da noite: - Já saiu todo mundo?
-Sim! O que o Senhor deseja?
Minha filha- disse ele: - com uma certa apreensão  no olhar:
-Que tem sua filha?
Gaguejou um pouco ao perguntar:- Você não á viu por aqui?
- Como posso lhe dizer, meu senhor, se não á conheço!
Passa tanta gente por aqui, só posso te garantir que já estamos fechando, não há mais ninguém lá dentro!
Ele gelou por dentro: - será que ela saiu antes, ou nem chegou a entrar e já estava em casa?
-Tudo bem, disse ao rapaz: - pode ser que já esteja em casa, obrigado e boa noite!
Saiu sem esperar pela resposta, entrou em seu carro e ligou para a esposa:-Amor, nossa filha já chegou?
- Uma voz surpresa do outro lado, quase a meia voz se ouviu: - Como assim, você não foi buscá-la?
-Sim! mas, ela não está aqui!
- Como não está ai?
- Não estando! espero a uma hora e nada, já perguntei por ela, e ninguém sabe!
- Com uma voz abafada por lágrimas a mãe concluiu:- Meu Deus, onde estará essa menina?
- Você não tem o telefone do moço? É só ligar para ele, porque já liguei no celular dela e ninguém atende!
- Nem perguntei! Disse ela em desespero: -Me preocupei em prepará-la para resguardar-se, e... Ficou em silêncio por alguns instantes, depois voltou a dizer: - preparei-á para resguardar-se e me esqueci de dizer que havia  gente má no mundo.
O pai desesperado deu algumas voltas pelo local:passando em sorveterias, bares, na praça, e sem respostas, voltou para casa!
ligaram para várias amigas, mas ninguém sabia de nada, exceto que saíra com um rapaz desconhecido.
O pai resolveu ligar para a policia, porém, o policial disse que esperassem vinte e quatro horas para receber queixa de um desaparecimento.
A noite tornou-se mais escura naquele dia. Todos, ou quase todos dormiam, porém, a mãe e o pai de Lídia não,
as horas iam passando devagar e ainda não tinham nenhuma noticia da filha, nem um telefonema, nem nada!
Lá pelas tantas da madrugada, o telefone tocou, a mãe de Lídia correu para atender. Lá do fundo se ouviu uma voz abafada e chorosa falando: - Mãe? estou bem! E.. tum tum, caiu a linha, e um silêncio profundo caiu pela sala adentro, onde um par de olhos brilhantes e aflito clamava por respostas.
O pai de Lídia interpelou a mãe com um aceno de braço:- E ai?
- Nada- ela disse: -Só ouvi a palavra, mãe, estou bem!
Enquanto isso, Lídia se lembrava do acontecido.
Estava feliz demais sentada na praça com seu amado, quando ele pediu que entrasse em seu carro, para que chegassem mais perto do cinema. Sem nenhuma duvida, ela entrou e colocou o cinto, enquanto o rapaz fazia o mesmo.
 Timóteo ligou o carro, e o colocou em movimento. Conversavam alegremente, embora ela ainda estivesse um tanto constrangida diante da presença sensual daquele rapaz.
Nem percebeu que tomavam um outro caminho, indo em direção contraria do destino prometido.
As luzes da cidade iam ficando para trás, foi quando, num estalo ela lhe perguntou se não tinha errado o caminho.
Ele, por sua vez, tentou lhe passar segurança falando com um certo nervosismo na voz: - Sim, estou errando de propósito, vou te levar á um lugar mágico! - depois ficou quieto.
Ela se encolheu toda, esperando pelo pior. Não conhecia aquele homem; não sabia quem era, onde morava, nada!
- Lembrou-se do que sua mãe dizia quando criança:- Jamais entre num carro com um desconhecido!
Gelou por dentro e pensou no que fazer.
Resolveu fazer de conta que estava relaxada: e continuou conversando sem demonstrar o medo que sentia.
Enquanto ele dirigia, ele  falava que ela ia gostar do local para onde á levava, e quanto mais ele falava, mais amedrontada ela ficava.
Até que, depois de uma curva ele foi pisando no freio, fazendo menção de parar o veículo, ela colocou a mão no trinco, e tão logo o carro parou, ela abriu a porta, se jogou para fora, saindo em disparada.
Ouviu um chamado, mas nem olhou para trás, estava escuro, e logo que passou a curva, antes mesmo que ele pudesse se lançar atrás dela, ela se embrenhou na mata densa!
Se escondeu atrás de uma moita e lá ficou.
Viu o carro passar por lá por várias vezes até que não mais ouviu nenhum barulho, só então, usou o celular, ligando para casa, mas, a bateria estava quase descarregada, e só conseguiu falar algumas palavras.
Pensava em desespero:- como podia um encontro romântico e inocente se transformar naquele pesadelo.
Sentia frio e desconforto, mas, de lá, não arredou pé, até o dia seguinte.Enquanto seus pais desesperados continuavam á sua procura.
Timóteo chegou em sua casa, depois de procurá-la pela estrada por longas horas, desanimado e desentendido, entrou pela porta adentro. foi para seu quarto e não conseguia dormir. Se pelo menos soubesse o endereço da garota, pensava ele:
Sentindo-se culpado pela mentirinha deslavada. Deveria ter ido ao cinema, e se preservado de tal circunstância. Não conseguindo dormir, levantou-se pela manhã, contou o ocorrido aos pais e foram para a delegacia.
Mas, o policial que lá estava não deu a minima, quase que rindo da situação falou que não podia fazer nada, não até que alguém aparecesse para dar queixa:- Deixa para lá. ele disse: - A menina já deve estar em casa numa hora dessas, deve estar dormindo em sua caminha quentinha. É o que também deveria fazer!
As cinco horas da manhã, o pai de Lídia chamou um policial amigo dele e comentou o desaparecimento da menina. e ambos saíram para tentar achá-la em algum lugar. Enquanto sua mãe em desespero ficou orando em casa.
Quase que varreram a cidade de ponta a ponta, mas, era como procurar uma agulha num palheiro. Desistindo de procurar, voltaram para casa.
O policial aconselhou-os a esperar até anoite, prometendo que, se ela não aparecesse, eles fossem até a delegacia fazer queixa de desaparecimento.
A mãe de Lídia se queixou da forma com que a policia via o caso, dizendo que, em vinte e quatro horas muita coisa podia acontecer:
- É de praxe - disse o amigo!
Dez horas da manhã, um carro parou em frente a casa. Quatro pessoas desceram, entre eles estava Lídia, descabelada e branca como cera.
Quando encontrou a mãe na sacada, ela a abraçou e desatou a chorar, pondo para fora a emoção contida.
Desculpe! - ela falou em pranto:- eu me equivoquei!
- Como assim: - se equivocou? - E quem são essas pessoas?
Só então ela percebeu as três pessoas olhando para ela; - São os pais do Timóteo!
-Timóteo? - então você dormiu com ele?
- Não! - ela respondeu com surpresa na voz: - Como pode pensar isto de mim?
- Então, me conte, que não estou entendendo nada!- Onde você passou a noite? quase morremos de preocupação!
O rapaz se aproximou meio sem jeito e entrou na conversa: Quer que eu conte? ele perguntou a ela:-  Não!- ela respondeu de pronto:- pode deixar que eu conto!
Mãe, me desculpe mais uma vez. Ontem, assim que encontrei Timóteo na praça, ele me convidou a ir de carro até mais perto do cinema, mas, ao invés de me levar até lá, ele tomou outro caminho, segundo sei agora, ele queria me fazer uma surpresa de primeiro encontro, Você conhece o bairro Campininha?  -pois bem, lá estava rolando um evento, e foi para la´que ele queria me levar. Só que, como era surpresa, ele não me disse nada, e eu também não preguntei. Mas, quando percebi que o caminho que ele fazia era outro, entrei em pânico. Lembra-se quando você  me dizia para tomar cuidado com quem andava, de como é perigoso entrar no carro de um desconhecido?
Tudo isso me passou pela mente, e sem que Timóteo pudesse desconfiar dos meus planos, porque eu desconfiei dos dele, eu fiquei em estado de alerta. Assim que ele diminuiu a velocidade, parecendo que ia parar, eu coloquei a mão no trinco da porta do carro, e assim que ele parou, Agora já sei por quê, pois ele me contou que se arrependeu, ia dar meia volta  e trazer-me para a cidade. Então, aproveitando esse momento eu pulei do carro. E sai correndo, entrando na mata e por lá ficando até o amanhecer.
Hoje pela manhã, ele, o pai e a mãe saíram á me procurar. e  me encontraram saindo da mata. E assim que tudo ficou esclarecido, eles me trouxeram de volta.
Foi tudo um equivoco, e  eu estou muito envergonhada disto!
Mas, para sua surpresa, os pais de Timóteo entraram na conversa:- Não minha filha!- não tem do que se envergonhar. Você agiu certo, E se ele estivesse com más intenções? - O erro foi dele, em falar que te levaria no cinema e fazer outros planos sem te consultar, por isso, nós te pedimos perdão!
Olhando para o filho com um certo ar de repreensão o chamaram: - acho que você deve desculpas a ela e aos pais dela, pela confusão e transtorno que causou, não é meu rapaz?
-- Sim meu pai, eu devo mais que desculpas:- eu sinto muito, mais muito mesmo o ocorrido, que isto me sirva de lição.
A mãe de Lídia convidou-os á entrar para tomarem café juntos, pois, todos estavam precisando. Assim que ligou para o pai de Lídia, ele veio correndo até sua casa, tudo ficou as claras.
As duas famílias acabaram se tornando bons amigos e Lídia continuou namorando Timóteo, agora, sem reservas, agora que já se tornaram mais que conhecidos, quando lembram do acontecido, dão muitas gargalhadas, lembrando do quanto pode causar danos uma simples mentirinha de adolescente!
 Herta Fischer






































































terça-feira, 16 de maio de 2017

Falta de comunicação

Já passava da meia noite, todos
dormiam.
No silêncio meu corpo
não me dava descanso e me fazia
lembrar de você.
Havia muita distância entre nós,
embora compartilhando do
mesmo lençol, tu  dormias,
e eu sofria.
Não havia mais nada a nos unir,
apenas frieza nos gestos,
palavras soltas sem nenhum
significado.
Uma cama, dois corpos,
e vazio.
Queria te dizer que
sentia muito, mas, não me atrevia,
o orgulho,as vezes, é mais
forte que o amor.
E a gente disfarça
dor com mais desamor.
O acordar já não tinha mais
sentido, o viver mais um dia
nada significava, a não
ser para as lágrimas que teimavam
em cair.
Ir embora era a solução, mas, o coração não
ajudava.
Ficamos lado a lado como
ternos amigos, comendo na mesma mesa,
sorrindo sem vontade, aparentando
a nós mesmos, aquilo que não mais
existia.
Até que num certo dia, acordei
sem você na cama.
Esperei pela tarde e você não chegou do trabalho.,
fiquei ali, como mariposa morta, tentando se levantar.
Entendi então, a nossa espera: - Eu por você,
e você por mim, mas, não tivemos
coragem para dizer, então, só
restou o vazio que construímos, perdendo-nos
em silencio.
E agora, sem você aqui, a respiração me falta,
entendi que o seu calor me bastava, mas, infelizmente,
não consegui entender o que faltou:- se foi
eu ou você- ou nós dois!
Herta Fischer (Hertinha)





Favor

Assim como nos sentimos gratos a alguém
que nos oferece algum presente, assim também deveremos ser gratos ao Senhor.
Pois, Ele nos ofereceu o presente do perdão.
Tirou-nos do matadouro, para oferecer uma
nova vida, garantindo-nos salvação.
Quem, em sã consciência rejeita este favor?
Porque se acreditamos ser algo que amanhã morre, então o
viver não tem lógica, mas, se acreditamos que, a gloria
do Senhor restabelece o que esta morto, a morte é
que não fará mais nenhum sentido.
Herta Fischer (Hertinha)


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Velhice eminente

Gosto de solidão, as vezes, é tão mais fácil falar com
as paredes!
Estou limitada as tarefas, as mesmas coisas de sempre,
como um eterno fazer.
Não vejo nada no fim do túnel,
só túnel,
,, equilibrado na necessidade
de posse.
E saber que os dias passam, sem nenhuma prerrogativa
satisfatória. Vai e a noite chega, vem, e a noite se vai.
Todos os dias iguais.
Numa canseira sem sessar: nos pés, nas mãos, no corpo e no
coração.
uma correria em vão.
Difícil chegar a uma certa idade, e perceber que,
seus melhores anos ficaram no tempo, mas, o tempo
ainda continua, mesmo levando um tanto de nós.
Um fim eminente expectado no olhar, uma névoa
se abrindo na mente que vai ficando esquecida das coisas,
e aquele hormônio, que despertava em mim, todas as  vontades,
vai diminuindo a cada passo que dou.
E deixamos certas manias, para cultivar outras: Um tique, uma
angustia sem causa, uma dor que sempre dói.
Sei lá!
Vou vivendo as escondidas, quase que a minar meus lamentos,
com a dignidade de mostrar que tudo flui, mas, por dentro, crente
de que já foi melhor.
Já não tenho asas para voar, enfraqueceram-se  á ponto de
atrofiar, e me dói esse volume, toda vez que penso que ainda posso.
Tudo se tornou penoso, até mesmo o mastigar, o apetite que falta,
a força que limita, a dor que não cessa.
A única coisa que ainda não me abandonou é a esperança, que
insiste em me dizer que o inverno traz em sua cola a primavera,
que nada é totalmente infrutífero: nem o viver, nem o morrer...
Herta Fischer  (Hertinha)





quinta-feira, 11 de maio de 2017

Procurar pelo meio termo

As vezes a gente pensa que bondade é sair por ai, abraçando todo
mundo, distribuindo doces, etc...
Bondade é não desejar e nem fazer ao outro nada que a gente não
queira para a gente.
Respeitar o próximo significa amar o próximo, quando a
gente consegue se colocar no lugar do outro em qualquer situação
de defensiva.
Não é oferecer a sua casa para todo mundo, é acolher os que chegam com modéstia
e respeito.
Não é sair batendo em todas as casas oferecendo conforto, é confortar aquele
que te pede conforto.
A bondade não pode ter olhos fechados, a bondade precisa estar centrada
na razão, acolhida pelo bom senso, e ser sabedora do bem e do mal.
Você não vai se deixar levar por lábia de ninguém, por isso, antes de qualquer coisa, deve
procurar ter uma certa sabedoria em relação ao momento de aplicar a bondade.
"Não se remenda roupa velha com tecido novo, pois o remendo forçará a roupa, tornando pior o rasgo, nem se põe vinho novo em vasilha de couro velhas; se o fizer se arrebentarão, o vinho se derramará e as vasilhas se arrebentarão (Mateus 9:16-17"
Usando essa parábola para exemplificar:
Pois, dizer-se bom a ponto de passar por maus bocados por acreditar que todos são iguais é inocência, e não bondade!
(Sede meninos na malicia, e adultos no entendimento)
Hertinha


domingo, 7 de maio de 2017

canção de passarinho

Fora do ninho estou,
lá para fora eu vou
e cantar como cigarra
á viver quase na marra.
Sem o bico que me traz
sem a manha de pedir
em certeza ainda nu
sou eu a me definir.
Solidão em meus reveses
quase a morrer em cada esquina
e como se não encontrasse
mais amor, nos doces olhos
de menina.
Tudo o que conheci,
tudo o que me ensinaram
tive que aprender, sem
saber como trabalhavam
as mãos que me afagaram
Na mente, crente que podia,
na fonte, águas rolavam a
mercê,
Na pratica, só o entender
sem saber fazer
Livre do ninho, livre
da imposição, mas, escravo
de mim,
da ruína de ser só,
de ter que ser o
que queriam,
de me fazer, enfim.
Temerosa e descoberta,
já no mundo a me rodear,
sem a cobertura de suas asas
o meu medo era de assustar
Até que também um dia
encontrei-me no mesmo adágio
De fazer as contas de um ninho, la
no quintal do seu Eurásio
sobre um pé de eucalipto
eu comecei meu estágio
Hertinha

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Do nada se faz, cresce e se desintegra

Ha algumas cabecinhas pequenas,
assim como a minha.
Eu só consigo ver bondade nas pessoas,
a maldade eu descarto.
Não posso falar mal do que não entendo,
nem me colocar como juíza em
algumas situações.
Viajo em mim, não quero passar
por terras estranhas, nem me contaminar
em solo desconhecido,
Se tudo está nas mãos de Deus, quem
sou eu para desfazer o feito?
Tudo anda conforme deve andar, só aquele
que não tem perna, não anda.
A vida, os seres, eu também, que de tudo
faço parte, vivemos porque nascemos.
Se nascemos é porque devemos viver, cada
um em sua estação, em seu tempo, em
seu lugar.
Não posso querer que alguém pense como
eu, porque, não quero pensar como ninguém,
podemos ter os mesmos pareceres em alguns
casos, mas, em outros,podemos indeferir, e
nem por isso posso achar que sou melhor.
Todos estamos a caminho da resposta, que em
determinado dia chegará, tanto para mim, quanto
para todos.
Pouco se aproveita ao homem questionar o
que aqui se passa, dos por quês, e afins,
pois, se nem conseguimos entender-nos direito,
que se dirá do resto?
Assim como não podemos explicar a água no seio da terra,
que nela não se mistura,
rompe-se não se sabe como, e submerge em nascente,
também não podemos explicar a vida em si, que,
do nada se faz, cresce e se desintegra.
Assim é Deus, uma soma d"Ele mesmo, não se
define, nem se entende, mas, deixa-nos rastros
de sua delicadeza.
Deu-nos a vida que parece se acabar, e acabamos
por não entender como a trará de volta, simplesmente
por não termos o poder de enxergar com seus olhos.

Hertinha (Herta Fischer)





terça-feira, 2 de maio de 2017

Seres errantes

Se você realmente quer ver dias melhores,
acalme-se por dentro.
La entre você e você mesma, construa sua paz,
assim como um jardineiro cuidando de suas flores,
assim, também, seja fiel.
Há um transtorno em tudo: na aparência, no bem querer,
na busca por consolo, naquilo que se quer,
no que se vai.
Há trastorno por onde se passa: Nos olhos
que te evitam, na boca que te desanima, no
ouvido que não te escuta, na atenção desviada.
há comodismo e aflições em todos, porque
o todo se limita a ser a medida controlada, a mesmice
deslocada, e a pureza proclamada no desvio de
cada um.
Não somos jardins, somos flores deserdantes, jogadas
a esmo, sem compromissos, sem ordem, nem ação.
Lá fora, fora de mim, há o que chamo de parábola.
Somos seres a  se descobrir, uma charada de nós, como
uma onda maliciosa que corta a orla com sua fúria,
despedaçando e despedaçada, volta em seu leito
sem descanso.
Tudo vai na inutilidade.
Tudo segue um rumo desconhecido, apreciado sem
conhecimento de  como se aprecia.
Assim como erva preciosa plantada num lugar, quando
ainda desconhece sua propriedade, esta lá, podia ser
útil, mas ainda espera ser descoberta, e quem sabe, nunca será.
Assim somos seres errantes, a procurar o que?
Passamos  quase que todo tempo precioso na  vivencia em dores,
em desarmonia com tudo e com todos,
Na inocência vivemos, na burrice desencaminhamos.
E ficamos a ir e vir, a procurar por felicidade,  e até
a sentimos por alguns momentos, quando nos desviamos
de nós mesmos, e nos encontramos com
algo que esta longe de nós.
A satisfação de ser, porque o poder
não existe, a menos que vivamos só,
Porque tudo que conheço dos homens, ou é obrigação,
ou é desejo,  exaltação de si mesmo e  vencer os demais.
Hertinha (Herta Fischer)








Consciência pobre

Poesia mesmo é estar conectada
com tudo.
Não só de alegrias as pessoas vivem,
olha o dia em derredor?
luz e sombras!
O ser que realmente toca é aquele que faz,
realiza sua obra independente da
quantidade que vive., não
se preocupa com o tempo,pois
sabe que o tempo, na realidade,
não existe.
Mas é preciso compreender!
Compreender o quê,
porque alguém morre, ou vive?
Porque alguém é assim, ou assado?
Você até pode ver as coisas, mas não se
apercebe de nenhum crescimento. pois, as
ações humanas são vistos a olhos nus, mas, a
obra Divina, ah! estas são invisíveis.
Por um acaso sente a terra girar em seu eixo, ou
girar sobre ela mesma?
De onde surge os óvulos, como são nascidos, e de onde
vem os espermatozoides?
Você vê o crescimentos dos frutos, ou o crescimentos de seus filhos?
Parece que ao desviarmos os olhos, por um instante,
tão logo, os vemos adultos!
Tudo tem forma, lugar e tempo, tudo, menos a nossa imaginação,
que fica reduzida ao minusculo lapso consciente de um pensar com
os olhos.
Um saber pobre, um olhar pobre, uma consciência pobre, uma esperança
pobre, entre uma pobreza e outra, acabamos por nem perceber
a ultima hora!
Hertinha (Herta Fischer)




Ternura regada a relalidade

Gosto de aconchego,
mesmo quando busco aventuras.
A minha realidade sou eu
mesma a construir. Não
gosto
quando a realidade do outro bate
á minha porta, tentando me
desvincular do que sou.
Ha em mim uma paz espalhada
no ambiente em que vivo,
suave, quase que, como brisa,
me toca.
Ha em mim, a certeza de que posso ser melhor
do que sou, e cada dia tenho mais
certeza de que o que escolhi
é o melhor para mim.]Não sou de espalhar
em todos os cantos, sou de fracionar, para
que, onde eu esteja, tenha conteúdo
para levar.
Não carrego em minhas costas nada
que me incomode, até mesmo
a carga mais pesada, ainda me
é fácil suportar.
Através dos anos de luta, a hora seguinte, sempre
foi a hora seguinte, após segundos, já estou livre.
Construo ao redor de mim bons momentos, e estes,
me preservam a lucidez, para trazer felicidade
e bem estar aos que chegam, para quando
chegar a hora de ir, eu esteja plenamente convicta,
que que vão em paz, de que levaram o melhor
de mim.
Se tudo passa: Bons momentos são guardados, para
que, bons momentos sejam uma forma de ver
e de fazer bem melhores seus sucessores.....
Hertinha

Dentro da tempestade

Ainda hoje eu
busco respostas para
muitas perguntas.
mas, tem uma em especial:-
Porque nada nos
parece suficiente?
Me deparo todos os dias
com a luz do sol, que,
incessantemente se coloca
á nosso dispor.
Dizer que me contento com
tanto concreto, tijolos
e descaso, seria mentir.
Dizem que nunca deveríamos
pensar no passado como dias
melhores, porque cada tempo
é um tempo diferente, a historia
a se contar precisa ter sequencia,
contando de coisas boas e ruins.
Tudo que se coloca hoje como protagonista central
não são os mesmos de antes, nem
poderia ser, pois hoje já é um
futuro sonhado, o que foi, já
foi realizado.
Quando a terra estava vazia, tudo se fez conforme
modelo do pensamento de Deus. E tudo
que se faz hoje, é modelo da mente humana, seguindo
um propósito maior Daquele que prometeu.
Talvez ainda haja um tempo bem diferente deste,
tão mais terrível, pois tudo caminha para isto.
Já não são poucos os desanimados, os revoltados,
que se alinham ao mal.
Ainda penso que aqueles a quem Deus escolheu,
ainda precisem aprender como viver neste meio
competitivo, sem, no entanto, se contaminar com isto.
Deus requer que seus filhos estejam aptos a encarar
tudo como prova de lealdade, estando no meio, mas do
meio não fazendo parte.
Mortos para o mundo, conscientes de que aqui
não fazem parte.
A caminho da paz, a caminho da consagração, a caminho do
céu, a caminho de Deus!
Pertencer a Ele, ainda estando dentro das tempestades,
para, enfim, merecer estar com Ele após o diluvio.
Hertinha (Herta Fischer)





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