quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Viajando na maionese




Esta é uma história de minha autoria que diz respeito a um viajante que por acaso foi parar num lugar paradisíaco, e encontrou um lugar  além da nossa iamginação!
Certo dia, um homem cansado de viver na confusão da cidade, entre carros e concretos, resolveu aventurar-se na selva amazônica.
Comprou uma barraca, um saco e uma rede para dormir, e colocou em uma pequena mochila.Tomou o ônibus e chegando a Manaus, procurou um lugar para que pudesse alugar um pequeno barco.
Por enquanto vamos chamar esse homem de viajante,
Então esse viajante comprou vários tipos de comida enlatada, um pequeno cobertor, e entrando no barco sumiu na curva do rio.
A paisagem era deslumbrante, dessas de tirar o fôlego.
O viajante perdeu a noção do tempo, entre o silencio da mata e a gostosa sensação de liberdade, ouvia apenas o ruido das águas batendo no casco do barco e o barulho do motor.
Pensava consigo mesmo: de como era bom estar naquele lugar, longe da loucura da cidade, participando da curiosa vida selvagem que havia por aquelas bandas, diferente de tudo o que já havia visto antes.
Estava deslumbrado com tantas espécies de vegetação que enfeitavam as margens do rio, em volta, as aves exploravam o recanto, comunicando-se entre si, parecia que sua presença não os incomodavam e  que ele também fazia parte daquele lugar.
De quando em quando, ele olhava para as margens do rio, procurando um lugar que pudesse parar, mas a vegetação quase que entrava rio adentro, não havia margem, apenas água, vegetação e floresta. Não dava para  se ter ideia de onde terminava um e começava o outro.
Começou a ficar nervoso. O dia quase se despedia, e a noite se preparava para tomar posse daquele lugar. No escuro seria impossível encontrar um lugar que fosse seguro. Precisava urgentemente de um banco de areia ou algo parecido, para atracar seu pequeno barquinho, e com sorte armar sua barraca.
Mas ficava cada vez mais difícil, não havia margem nenhuma. Foi então que começou a se arrender de sua louca idéia de desbravamento, devia pelo menos ter arranjado um mapa, ou coisa assim, que o pudesse ajudar em momentos de apuros.
Antes de embarcar em sua aventura, ele pensava que logo de inicio, acharia uma pousada perto dalí, ou uma aldeia indigena que o pudesse acolher quando a noite chegasse, não imaginou que o que encontraria fossem apenas água e mata.
Quando via os documentários sobre a Amazônia, parecia que havia muitas vilas ao redor dela, só não imaginava que as cameras só registrassem uma parte do caminho, e que para encontrarem uma vila. muitas vezes levavam dias.
O som noturno começava a dar ar de sua graça. Começou devagarinho, com alguns grilos cantando aqui e ali, depois foi a vez das cigarras incorporando seu canto em sintonia com á dos grilos.
Depois veio a dos sapos, cada um querendo sobrepor a outros sons, até que não dava mais para identificar nenhuma canção em especial. A algazarra era total e o barulho ensurdecedor.
O viajante pensou que iria enlouquecer, sentiu saudades da cidade, nem os roncos dos motores dos carros conseguiriam competir com aquela sinfonia transloucada da natureza em festa.
A noite chegou totalmente, já não dava para distinguir quem era quem, apenas vultos negros cumpunham uma paisagem sem cor, e a imaginação começava a desenhar coisas sem nexo, nada a ver com a imagem do dia, quando tudo era lindo.
Aquele viajante não tinha medo de nada, acostumado com a selva onde vivia, aprendeu a se virar muito bem e a se proteger dos perigos das grandes metrópoles.
Mas, naquele momento não sentia nenhum conforto, tudo lhe parecia novidade, e desconhecia qualquer perigo que pudesse lhe pegar de surpresa.
Imaginou quantas onças estariam naquela hora a procura de alimentos e entrou em pânico, e rapidamente levou o seu barco para longe da margem, não poderia correr o risco que algumas dessas feras pulassem para dentro do seu barco.
A noite era daquelas onde a lua aparecia muito tímida, querendo esconder-se atras das árvores, com vergonha da sua própria beleza.
Foi então que com a ajuda de um farolete, ele conseguiu claramente enxergar um pequeno atalho entre a vegetação, desligou o motor  e usando um pequeno remo, alcançou a margem, Uma árvore recentemente arrancada talvez por um vento forte, exibia ainda suas folhas verdolengas esparramadas sobre a água, sugestionando que ali  havia um galho forte, onde poderia amarrar o seu barco.
Encostando o barco nas margens, bem devagar para não correr o risco de ficar encalhado, notou que o rio era bem profundo, saltou do barco para a terra diretamente, sem precisar molhar os pés. Satisfeito, amarrou seu barco no galho daquela árvore.
Agora só precisava continuar na presença daquela sorte que repentinamente viera em seu socorro.
Precisava de muita coragem para caminhar por aquele trilho tão estreito, para ver se conseguia encontrar um bom lugar para pernoitar. E com um pouco de paciência conseguir acender o fogo e esquentar alguma coisa para sossegar seu estômago, pois além de cansado estava faminto.
Tirou do barco sua mochila e começou uma lenta caminhada pela mata fechada, não dava para ver nada alem do alcance da luz fraca de sua lanterna.
Andou apenas por alguns minutos quando ouviu um murmurar, parecia algumas pessoas conversando, ficou um tanto animado, mas logo essa animação transformou-se em apreensão, pensando que talvez pudesse ser  selvagens fazendo uma caçada noturna.
Mas não tinha como voltar atras, ou seguia em frente, ou seguia em frente.....Foi então que caminhando um pouco mais encontrou uma pequena clareira, duas árvores exibiam seus troncos, uma na frente da outra, parecendo que estavam ali de propósito. Ele não perdeu tempo, tirou da mochila sua rede, e com o auxilio de uma corda, amarrou-a naqueles troncos,
Passou então a concentrar-se na tarefa de procurar alguns gravetos para acender o fogo. Após, abriu uma lata de feijão preto e colocou-a pendurado em um varal feito com dois ganchos, dispostos um de cada lado do fogo.
Depois de alimentado, deitou-se na rede, meio receoso, tinha a sensação de que estava sendo observado,
como estava muito cansado, tentou relaxar um pouco fechando os olhos.
Ele não sabia ao certo, mas tinha a nítida sensação de que sua rede se movimentava, quando abria os olhos a vegetação mudava e o fogo parecia distanciar-se dele.
Pensou então com seus botões, deve ser por causa do tempo em que fiquei exposto ao balanço das águas e  aos sons da cantiga das cigarras e dos grilos, isso deve ter mexido com meu labirinto, e por isso devo estar meio tonto.
Depois de pensar sobre isso, fechou seus olhos novamente e  acabou adormecendo.
No meio da noite, ao acordar, estava num lugar completamente diferente, deitado no chão, em cima de um tapete de folhas, pensou estar sonhando, mas ouviu novamente um murmurio de gente conversando muito próximo a ele.
Olhou a sua volta, tudo lhe pareceu extremamente estranho. Um lugar exótico, parecia ter saído de um conto de fadas. As árvores estavam agrupadas, pareciam fazer uma espécie de reunião, até que um coqueiro enorme se aproximou desse conjunto e num tom grave sua voz se fez ouvir:
-Onde o acharam? Disse ele se curvando.
-Uma voz feminina lhe respondeu:  - Na entrada da mata!  Estava dormindo numa espécie de balanço.
-No meio da noite?  Isso é quase impossível!
- Pois é!  Nós tivemos muita pacìência, foram dias de espera, até que finalmente encontramos alguém que vale a pena.
-E como voces descobriram que esse homem é o ideal para o que queremos.
-Ele mostrou-se muito seguro, adentrando a mata, com uma espécie de lanterna sem fogo,  caminhou até nós, acendeu o fogo, e em momento algum pareceu estar com medo.
O viajante não entendia o que falavam, mais sabia que o assunto era ele!
Então como num passe de mágica, as árvores foram descartadas, de dentro delas saíram várias figuras humanas, e o viajante percebeu que aquilo era um disfarce tão perfeito, que enganaria qualquer homem por mais inteligente que fosse.
Notou também a figura de uma mulher de cabelos ouriçados, olhos negros como uma noite sem lua, pele de cor pigmentada, parecendo que o sol daquele lugar queimava desproporcionalmente, estatura mediana, cintura fina e um bumbum exageradamente arredondado, seu corpo coberto apenas por uma saia engraçada, feita de folhas de palmeiras desfiadas grosseiramente.
Os homens eram da mesma cor da mulher, a diferença estava apenas no corpo, eles tinham o tronco um pouco maior que as pernas, dando-lhes um aspeto completamente diferente dos homens que conhecia. E também cobriam o sexo com folhas de palmeiras desfiadas.
Notou também que estava numa espécie de gruta, mas os homens estavam fora dela, perto de sua entrada, e no que dava para seus olhos alcançarem, havia muitos amontoados de terra, parecendo grandes cupinzeiros, de resto, só conseguia ouvir murmúrios de muitas pessoas falando ao mesmo tempo.
Ficou um pouco tonto, não queria acreditar que sua façanha pudesse ter fugido tanto do seu propósito, ele só queria um pouco de aventura e não contava  com nada daquilo que estava acontecendo.
Foi então que alguém se aproximou dele e lhe perguntou:
-Você está bem?
Ele não respondeu de imediato, olhou para a figura a sua frente e ficou tremendamente desconsertado:
Não era parecido com nada que conhecesse, tinha aparência de homem, mas não era homem. Ou era? Não sabia explicar!
A cabeça era desproporcional ao corpo, um tanto pequena para o tronco, e o tronco um tanto grande para as pernas.
Os braços e as pernas eram curtinhos, os pés e a mãos eram iguais as dos seres humanos comum, dando-lhe um aspecto de homem das cavernas. Tinha os cabelos espetados como juncos que nascem nos pântanos, e a aparência de um ser de outro planeta. Olhos redondos cor de mel e a pele como já dissera antes, era mesclada, como se nesse lugar os raios de sol fossem diferentes.
Logo entendeu que estava em um lugar selvagem, com gente selvagem, e estremeceu pensando que poderiam ser canibais querendo-o como refeição.
Resolveu então responder a pergunta que o ser lhe fizera:
-Estou bem! Mas onde estou?  E por que estou aqui?
Foi então que notou que o homem falava sua língua.
-Está num lugar secreto, onde não temos muito contato com os seres da sua espécie, e...precisamos de você para aprimorar nossos conhecimentos.
-Como assim?
-Você pode nos ensinar muitas coisas, como por exemplo: caçar, dançar, lavrar a terra e plantar!
-Mas...como você aprendeu a falar nossa língua, se diz que não tem contato com nosso mundo?
-Nós já requisitamos um homem como você, da mesma forma que trouxemos você para cá, nós também o trouxemos, e ele viveu aqui por muitos anos, nos ensinando tudo o que sabia. Só que a pouco tempo, ele morreu e nós ficamos sem líder, não sabemos mais a quem ouvir.
Foi então que tivemos a ideia de trazer mais um da mesma espécie, só teríamos que achar alguém tão especial quanto o outro, e quando o vimos, sabíamos que era especial.
-Por quê?
-Porque só uma pessoa destemida desceria do barco á noite e adentraria aquela mata densa, sem demonstrar medo.
-Mas eu estava com medo...só não tive alternativa!
-Não nos pareceu estar com medo, nós farejamos o odor que o medo exala, e o seu odor era de coragem.
O ser sem nome o pegou pelo braço ajudando a levantar-se e o empurrou para fora da caverna, e o que o viajante viu foi indescritível.
-Eu não entendo, ele disse meio abobado: É dia, mas tive a impressão de ter acordado no meio da noite!
O ser então lhe contou que naquele lugar não havia escuridão, todos os momentos são dias ele disse:
-Como pode ser?
-Esse lugar é mágico, temos dois sóis, e o sol nunca se põe, é o único lugar no mundo onde a lua não existe!
O viajante olhava para cima, olhava para os lados e para baixo, sem compreender a loucura daquele lugar tão exótico, e ao mesmo tempo tão maravilhoso aos seus olhos.
A terra era arenosa e a vegetação era parecida com coqueiros miúdos, alguns de folhas verdes, outros de folhas azuis, as árvores exibiam grandes troncos e poucas folhas.
Entre as  vegetações, cupinzeiros gigantes, que depois o homem classificou como casas.
Olhou para os arredores e viu algumas pontes que levavam a um lugar mais exótico ainda. De onde estava dava para ver que alguns animais estranhos pastavam.
Nesse momento algumas pessoas saíram de suas casas tirando um pouco  sua concentração de explorar com os olhos aquele lugar.
Foram chegando devagarinho, curiosos, logo depois foram se curvando ante sua presença, como se ele fosse uma pessoa muito importante.
Ele sorriu meio sem jeito...e começou a ficar entusiasmado com a festa que  se seguiu, todos dançavam ao seu redor, inclusive as crianças que eram muitas. Uma alegria contagiante tomou conta do lugar, muitas vozes cantando uma canção em língua nativa.
Depois de alguns minutos que pareceram horas, todos rumaram para seus cupins, ou casas, como preferirem.
O seu guia convidou-o a acompanhá-lo, e ele o seguiu curioso para explorar aquele mundo tão magnífico e tão estranho para ele.
Atravessaram a primeira ponte, ele notou alguns materiais diferentes e questionou seu guia:
-O que é isso?  Disse apontando com o dedo indicador para a lateral da ponte.
-Uma espécie de cipó, que nascem perto do pântano! Aqui, nós temos tudo, só precisamos de idéias para que possamos usar os recursos com responsabilidade. Foi para isto que o trouxemos!  No seu mundo, as idéias trazem progresso, só que com o progresso vem a destruição, e nós não queremos cometer o mesmo erro. Queremos desenvolver esse mundo sem que para isso precisemos causar danos a natureza.
Foi então que andando um pouco mais sobre a ponte suspensa, ele pode entender a preocupação daquela raça tão nobre.
Eles estavam passando de uma montanha para outra, abaixo havia um rio, mais adiante uma cachoeira derramando suas águas num vale. Era uma visão estupenda. Águas douradas, tanto ao cair, como ao se deitarem sobre o vale.
Ele se deleitou com aquela visão!
Não tinha como não ter curiosidade, olhando de relance ao companheiro, perguntou-lhe como aquilo seria possível?
E o Ser lhe respondeu:
- O que você está vendo são pepitas de ouro!
-Deste tamanho?
- São milhares de anos que a natureza vem esculpindo essas pedras. A natureza nos presenteia com a beleza e o nosso povo conserva. Está vendo as pedras lá embaixo, são de rara beleza, ametista, jade, rubi, e outras tantas mais que nem conseguimos classificá-las.
-Como você sabe os nomes das pedras?
-Seu conterrâneo é que colocou esses nomes, fez muitos estudos por aqui e nos ensinou muitas coisas,
sabemos por exemplo que, na sua terra elas são muito valiosas!
-Se soubessem desse lugar...dizia ele: Já não haveria nada por aqui! Bastaria um cientista descobrir esse lugar e...sua raça seria extinta.
-É por isso que tomamos tanto cuidado quando atravessamos do outro lado!
-E como é que fazem isso?
-Nos nos transformamos em árvores! Há tantas nas florestas que uma a mais ou a menos não fazem diferença, ninguém iria se importar se encontrasse uma especie de árvore fincada em algum lugar!
-É verdade, eu nem percebi que estava amarrando minha rede numa de vocês!
Mas, o que esperam de mim?
-Que você nos ajude a fazer a terra produzir mais!
-Por quê, estão com dificuldades?
-Um pouco, a população vem crescendo, e nós precisamos desenvolver novas técnicas na agricultura., já que abominamos o comércio, e não queremos moedas, precisamos apenas do sustento que a terra pode garantir.
- Quais são esses tipos de alimentos?
-Alguns tipos de raízes, vegetais e também algum tipo de animal.
Algumas são nativas, outras o estrangeiro trouxe em sua mochila, ele coletava algumas espécies de sementes, quando nós o trouxemos para cá. Ele dizia que pretendia formar uma fazenda no meio da mata atlântica.
-Quer ver nossos animais?
- Sim, eu quero conhecer tudo por aqui!
Foi então que o nativo o levou por uma outra ponte, passando daquela montanha para outra, porque havia muitas a serem exploradas. Os animais estavam pastando tranquilamente uma espécie de capim com folhas muito verdes, parecendo pura clorofila.
Então, ele não pode deixar de observar que as diversidades de espécies eram muitas, todas diferentes das que conhecia. Com alguma semelhança, mas todas pareciam ter saído de um mundo muito antigo, onde suas características foram preservadas pelo tempo, sem sofrer nenhuma modificação.
Por onde olhava havia muitas combinações de cores, tanto a vegetação, quanto aos animais.
Depois de algumas horas curtindo aquele paraíso perdido, eles voltaram para o aglomerado de casas e o anfitrião  o levou para dentro de uma delas.
Cansado pelo esforço das caminhadas e da adrenalina de estar em um lugar desconhecido e cheio de surpresas, ele sentou-se numa espécie de banco, feito de um material diferente. olhou para cima e  ficou maravilhado com a arquitetura. Uma abobada reluzente e cheia de cristais circundava as paredes arredondadas, dando um ar de beleza e leveza ao mesmo tempo, nada muito sofisticado, mas cheio de encantos.
Nada perguntou, porque já sabia a resposta, todo o material foi tirado da natureza exuberante e exótica daquele lugar.
As paredes contrastando com o teto que aos poucos iam se afunilando, perdendo-se do alcance dos olhos, até que sumia por completo dentro de uma espécie de material arredondado que nós chamamos de cano.
Parecida com uma mesquita, mas cheio de imperfeições, já que as paredes seriam de uma espécie de terra misturada com cristais coloridos em conjunto com pedras lascadas e outros materiais não identificados por ele naquele momento.
O anfitrião deixou-o dizendo que ele precisava descansar, prometendo que logo voltaria, para que pudessem conversar mais a respeito do que esperavam dele.
Uma pequena mesa de pedra estava disposta num cantinho, tomada de iguarias desconhecidas, mais muito saborosas, ao qual ele não teve nenhum problema e nem se fez de rogado, saboreou tudo com muito apetite.
Logo após deitou-se numa rede que logo reconheceu ser sua, e entrou em transe, tanto eram as emoções e o cansaço.
Não tomou consciência do quanto dormiu. Ao acordar sentiu-se tão revigorado que nem se lembrou de imediato de onde estava. A porta se abriu e ele ficou um pouco confuso com a aparição.
Uma mulher esquisita, com um ar muito alegre lhe saudou dizendo:
-Dormiu bem?  Hora de trabalhar!
Ele sorriu quando as lembranças se harmonizaram dentro de sua cabeça, e em um segundo estava em pé, um pouco inseguro disse a mulher:
-Bom dia!  Tem um lugar que eu possa me lavar?
Na verdade ele estava apertado, louco para fazer uma visita ao banheiro.
-No rio! Ela disse como se fosse a coisa mais natural do mundo.
-Não tem banheiro nesse lugar?
-Ban...nheiro, ela repetiu sem entender.
-Deixa para lá!  Ele já havia entendido que não.
Daria um jeito de aprender a fazer tudo sozinho, só queria um pouco de privacidade.
-Eu posso sair sozinho?
-Pode! Mas volte logo, que vamos para a plantação.
Ele então saiu de sua toca e rumou para o rio, tinha tanta vegetação alta por ali, que não teve nenhum problema em achar um lugar reservado para suas necessidades fisiológicas. Lembrou então que a primeira coisa que faria naquele lugar era fabricar papel e construir pelo menos um banheiro para ele.
Quando voltou havia uma grande concentração de adultos e crianças reunidas num grande pátio, as crianças eram tão barulhentas quanto as que ele conhecia, algumas brincavam num brinquedo bem conhecido que ele veio a saber depois que o homem que antecedeu a ele desenvolveu. Era feito de madeira cortada em forma de y, e no centro do gancho uma grande tora servia de gangorra.
Logo que chegou algumas pessoas o cercaram  e o arrastaram para o campo.
Ao chegarem ele logo percebeu que todos estavam muito animados para iniciar o trabalho. Tudo parecia bem ordenado e as tarefas bem distribuídas entre eles, que chegou a pensar que seria desnecessário sua estadia por aquelas bandas.
Havia tantas variedades de tubérculos, árvores frutíferas e outros tipos de alimentos que qualquer um ficaria com água na boca.
Cada  ser tomou o seu lugar, e ele ficou ali plantado com a sensação de que não sabia o que fazer, afinal ele era da cidade, não entendia nada de agricultura, até que a mesma mulher que o acordou pela manhã aproximou-se dele e lhe falou:
-Sei que não está entendendo bem o que está acontecendo, tudo é novidade para você, o que nós precisamos é de um homem inteligente que nos ajude a continuar o que já foi começado. Olhe a sua volta! O que você vê?
Ele olhou e respondeu:
-Muitas árvores e uma paisagem de tirar o fôlego, a terra é convidativa, parece que pede para ser plantada, nunca vi tamanha benção em nenhum outro lugar, há tanta fertilização quanto beleza por aqui.
- Então... ela continuou. Nós precisamos de um método de irrigação eficiente, os canteiros com as mudas ficam do outro lado do rio, dificultando o transporte. Se fossem cultivadas mais próximas das plantações definitivas, poderíamos plantar mais. As sementes precisam ser regadas todos os dias!
Foi então que o viajante lembrou de algo que tinha vivido na infância e precisava colocar sua ideia em prática.
-Deixa eu pensar em alguma coisa que podemos realizar, mas para isso preciso de algumas informações!
-Pode pedir o que quiser, você terá todo o nosso apoio.
-Primeiro preciso saber seu nome!
-Princes! Ela falou sorrindo:
Ele olhou para ela um tanto surpreso, por que esperava ouvir um nome bem diferente.
-Por que me olha assim, não gostou do meu nome?, pode colocar outro se quiser!
- Não, imagine, seu nome é lindo!
-E como posso chamar você?  estou muito curiosa para saber!
-Francisco. Ele falou:
-Ela repetiu num som um tanto engraçado e ele caiu na gargalhada acompanhado por ela que também o imitou.
-Bom, agora vamos pras coisas práticas. Onde poderemos achar algumas especies de árvores que sejam parecidas com canos, quer dizer...ocas.
-ocas, ela repetiu. Como bambus?
Ele ficou boquiaberto, não podia sequer imaginar que naquele lugar parecido com uma terra perdida, poderiam conhecer aquela planta.
-Isso mesmo, você sabe onde podemos encontrar?
-Sim, há muitas espécies por aqui. Por que você precisa de bambu?
-Para trazer água para perto da plantação!
- E como você vai fazer isto?
-Você vai ver com seus próprios olhos, mas primeiro precisamos de muitos homens dispostos a fazer o trabalho pesado.
Princes olhou para ele franzindo a testa e dizendo alegremente;
-Isso é a coisa mais fácil desse mundo e dando um assovio, uma multidão de homenzinhos apareceram diante dele.
Numa língua desconhecida ela então passou para eles as coordenadas sobre o corte dos bambus. Antes mesmo que terminasse o dia, já havia bambus suficientes para a obra que ele pretendia realizar.
O dia não terminava nunca, no entanto, o corpo pedia um descanso, e ele foi novamente guiado até seus aposentos. Enquanto seguiam para lá ele foi explicando de que maneira iria trazer aquela água até lá embaixo.
Dizia ele:
-Seus homens devem abrir os bambus pelo meio, mas sem danificá-los, tirando as partículas existentes entre os gomos, deixando-os com aparência de canaletas.
E ela ia ouvindo tudo com muita atenção, até que alcançaram o quintal da pequena casinha onde iria dormir.
Tudo estava muito quieto, então ela lhe contou que já era hora de descanso, ele ficou intrigado com tudo aquilo, não conseguia entender aquele mundo misterioso, onde não havia noite, então como eles poderiam saber a hora de dormir? Resolveu então perguntar:
-Como vocês sabem que é hora de dormir?
-Está vendo aquele sol da esquerda?
-Sim!  Ele respondeu:
-Então, quando ele atinge o pico daquela montanha  da esquerda, e o outro sol menor começa a despontar na montanha do lado direito, já é hora de irmos descansar.
Ele então percebeu novamente os encantos daquele lugar, tudo era realizado num ciclo uniforme, como em nosso mundo, só que com uma diferença, não havia sol e lua, e sim sol e sol.
Tudo era extremamente estranho para ele, mas estava cansado demais para tentar entender, então resolveu relaxar, entrou nos seus aposentos que como no dia anterior estava bem arrumado, encontrando tudo de que precisava dispostas na mesma mesinha. Se alimentou e deitou-se em sua rede.
No dia seguinte, acordou com alguém batendo em sua porta, levantando-se apressadamente foi ver quem era. Eram apenas dois que falavam sua língua, Princes e Joum , e naquele momento era Joum quem viera
acordá-lo dizendo em voz alta:
-Vamos , muito trabalho lhe espera!
Meio sonolento, um sorrisinho sem graça despontou no canto de sua boca:
-Já, eu...parece...não consegui descansar o suficiente...eu estou um pouco tonto com essa doideira de tempo daqui, nunca sei que horas são....
Joum deu uma gargalhada gostosa antes de fazer seu comentário:
-Para quem não está acostumado isso é muito chato mesmo, mas depois acaba se acostumando, quando estará pronto?
-Só o tempo de me arrumar e tomar meu café, não acordo se não cumprir meu ritual!
-Então estarei lhe esperando na lavoura!
-Esta bem, daqui uns quinze minutos estarei lá!
E o serzinho esquisito saiu apressado, enquanto o viajante cumpria seu ritual de todos os dias, logo que ficou pronto, abriu a porta de sua cabana e deu de cara com um dia lindo.O sol parecia feito de vidro e acompanhava seus raios a mesclagem de todas as cores se fundindo.
Ficou maravilhado com toda aquela beleza e já cogitava a ideia de não mais sair daquele lugar, não fosse a extrema saudade de sua família., mas não tinha muito tempo para pensar nisso, lá embaixo tinha um montão de gente ansiosa para começar logo o trabalho, e era gente que não sabia esperar.
Ao chegar perto da plantação avistou um monte de semelhança de bambus dispostos em um monte grande, percebendo que aquela gente era muito estranha, mas muito disciplinadas.
-Vamos subir até o morro, disse ele logo que chegou. E os seres dispunham os feixes nas costas e já iam saindo, parecendo robozinhos, prontos para atender suas ordens de imediato.
Logo que chegaram com a carga no topo, o viajante deu ordens para que fossem formando canaletas ribanceira abaixo, quando a altura não dava, usavam troncos de árvores com ponta em formato de V como alicerce, não demorou muito tempo , ele acertou a ponta da canaleta no fio de água e elas fizeram seu curso vagarosamente até chegarem em outra extremidade ao lado da plantação.
Quando ele desceu para ver sua obra, os selvagens estavam em festa, com uma alegria contagiante vieram lhe cumprimentar formando fila e lhe estendendo a mão.
O viajante não conseguiu segurar a emoção, nunca tinha feito nada que lhe parecesse tão importante pra alguém, e ver o seu trabalho sendo valorizado, até mesmo ele se encheu de alegria a ponto de derramar algumas lágrimas, coisa que há muito tempo não acontecia.
As crianças festejavam tomando banho na bica, e as mulheres cantavam uma canção alegre, ele não entendia a letra, mas o ritmo era muito gostoso de se ouvir.
Princes e Joum lhe abraçaram comovidos e não cansavam de agradecer.
Princes era a mais eufórica e falava até pelos cotovelos misturando sua língua nativa com o idioma do viajante que ficava difícil saber do que se tratava, mas ele sabia que era de tanta felicidade.
Dois dias depois houve uma grande festa, junto ao pequeno lago e uma pedra de jaspe lhe foi dado de presente, enrolado numa espécie de bolsinha de juncos dourados e foi Princes que colocou em seu pecoço lhe dizendo:
-Nós estamos lhe oferecendo este humilde presente em forma de agradecimento, e queremos saber se você fica conosco ou parte ainda esta noite?
O semblante do viajante ficou sem expressão por um momento, estava tentado a ficar, mas pensou no sofrimento de seus filhos e de sua esposa, pensou um pouco e depois respondeu:
-Eu tenho que ir, mas nunca me esquecerei desse paraíso, e sou extremamente grato por isso!
-Então, você precisa ir pra casa  dormir, quando você acordar não mais estará aqui!
E o viajante muito triste se despediu de seus novos amigos e deitou-se em sua rede. Ao acordar no dia seguinte, antes mesmo de abrir os olhos, ouviu os cantos dos pássaros saudando a chegada de mais um dia, sua rede estava no mesmo lugar do dia em que foi raptado pelos homenzinhos, com uma diferença, sua rede estava amarrada em duas estacas da mesma madeira com que foi feita a canaleta que transportava a água daquele lugar paradisíaco. Era a prova de que não fora um sonho, lembrou-se então do presente que tinha ganhado, colocou a mão no pescoço deslizando os dedos sobre o fino pendão até chegar na pequena bolsinha de junco, e lá estava sua pedra preciosa. Bocejou e levantou-se, uma mesinha estava colocada ao seu lado cheiinha de guloseimas, um sorriso se formou em seus lábios quando percebeu que seus amigos foram fiéis até na hora de entregá-lo de volta, ao lado de sua refeição estava um pote com pepitas de ouro, como pagamento por sua ajuda.
Tomou seu café despreocupadamente, colocou as sobras na mochila e voltou para o rio, onde seu barco lhe aguardava, seguiu de volta para casa assobiando uma canção nova, não sabia a letra, mas sabia que nela continha uma estória de um povo que vivia além da nossa imaginação!


Autora: Herta Fischer
                                                                         direitos reservados








segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

''Sabedoria de Deus X Sabedoria humana



Se houve uma mudança real nesse mundo, eu ainda não vi.
Se houve alguma mudança, eu tenho que descobrir.
Não há sapos pondo ovos fora da lagoa, nem aves perdendo as asas, ou deixando de voar.
Não há macacos ficando eretos, deixando de ser macacos e virando gente.
Não houve grandes mudanças no comportamentos das cobras, elas estão se adaptando,
mas ainda são agis, não criaram pernas e continuam gostando de picar.
Se houve uma mudança real nesse mundo, eu ainda não vi.
A metamorfose das borboletas e do bicho da seda continuam acontecendo e ninguém consegue explicar, como que uma larva consegue se transformar num casulo, e o pequeno casulo se alimenta por onde, onde se esconde a inteligência desses seres?
Que se transformam tantas vezes para colocar seus ovos nas folhas para depois morrer, se despedem da vida sem nunca verem seus filhinhos crescer.
Não se entende também as extensões das nuvens,e os trovões da sua casa, que com as mãos se encobre a luz e não deixa passar por entre elas.
E os morcegos que entram durante o dia nos seus esconderijos e ficam em suas cavernas, até que a luz se apague.
Dos confins do sul sai o pé de vento, e do extremo norte o frio, já se entendeu o seu destino?
E os dinossauros, por que todos foram eliminados da face da terra de uma só vez?  Por acaso não foi para o homem entrar na estória?
A chuva por acaso tem família, ou quem gera as gotas do orvalho? De que ventre procede o gelo?  E quem gera a geada do céu? Alguém consegue me explicar.
Como a corrente de ar pode vencer o mar bravio, e sair do outro lado, sem um sopro forte e alguém para lhe designar o caminho?
Como os animais podem suportar suas dores de parto e darem a luz sozinhas, sem um homem inteligente por perto?
Quem encerrou o mar com portas, quando transbordou e saiu da barriga de sua mãe?
Por que suas águas traçam seus limites e dali não passam e suas ondas se quebram empoladas?
Sabes tu as ordenanças do céu, ou pode explicar do domínio deles sobre a terra?
Ou pode gritar para as nuvens , para que chova em abundância sobre a terra?
Explica-me como se funde o pó numa só massa, e se pegam os torrões uns aos outros?
Quem prepara os alimentos para os corvos, quando seus filhotes clamam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?
Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente, faz grandes coisas que nós não entendemos e que o homem teima em decifrar, e sofre por não poder explicar.
Atentamente ouvi a movimentação da sua voz, e o sonido que sai de sua boca. Ele o envia por debaixo de todos os céus,e a sua luz até os confins da terra.
Só aquele que o teme sabe que nenhum homem é sábio, se alguma sabedoria há, é por que o próprio Deus o concede, e aquilo que não poderemos saber ainda, homem nenhum conseguirá me explicar!
                                                                                                                                                                 
Trechos do livro de Jó com algumas adaptações feita por hertinha

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Amor



O amor é planta que não se abala, mesmo enfrentando tempestades, ela continua resistindo.
Frente a um mar de ondas revoltas, ela continua inabalável.
O amor é folha que nunca seca, mesmo em tempos de seca e de sol forte, ela continua firme e forte.
O amor é luz que nunca se apaga, mesmo em tempos de ventanias constantes, continua acesa.
O amor é fagulha que o vento de carinho carrega em todos os lugares, incendiando corações tristes ou alegres.
O amor é lenha que nunca se cansa de queimar, passe o tempo que passar, mantém suas chamas acesas.
O amor é lembrança que nunca foge, nem o tempo consegue levar.
O amor é como o beija-flor que nunca se cansa de procurar pela flor.
O amor é como cactos do deserto, nunca morre de sede.
O amor é o que sou, é o que você é, é o que somos, o que buscamos, o que conquistamos.
O amor não conhece a palavra silêncio, é o grito dos inocentes ante as injustiças do mundo.
O amor é peregrino, não estaciona em nenhum lugar, está sempre em movimento.
O amor procura o bem, protege, trás o que está perdido de volta ao lar.
O amor respeita limites, respeita as leis, e segue tranquilo.
O amor é tudo em todos, não se abala diante das adversidades, está sempre lutando por dias melhores, conserva em si a delicadeza, não deseja ou faz mal a ninguém.
Enfim, o amor é o responsável por ainda existir beleza na terra, por que quem ama preserva, quem ama cuida, renova e busca perfeição em todas as coisas!

Autora:  Hertinha

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