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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Inversão de valores

O Zé falando com a mulher; -velha dá para matar aquele peru?
Tô com vontade de carne!
A velha olha surpresa para o Zé;- Á Zé, você tem certeza, coitado
do peru, ele não merece a morte, será que Deus não vai nos castigar?
-Claro que não, imagine! eles foram criados para isto!
-Será? Eu tenho medo, dizem que não devemos maltratar os animais.
-Não estamos maltratando, só estamos atrás de alimento, mais vale um homem que
um animal, não acha?
-Eu não sei Zé! acho melhor não.
-Tá bom velha, então vamos deixar ele viver.
Ao passar alguns dias.
- Acorde Zé, tem alguém no galinheiro, acho que estão roubando
nosso peru.
O Zé levanta-se ainda meio sonolento, ziguezagueando pelo quarto, -o que
foi velha? Onde?
-No galinheiro Zé, pegue a arma!
O Zé pega a arma e os dois saem para fora:
-Ali Zé, atire!
E o Zé põe a mão no gatilho e dispara:
-Matamos Zé?
-Acho que sim,!
- Eita! ladrão sem coração, queria comer nosso peru, agora
mais parece uma galinha toda estrebuchada no chão.
-E agora velha? matamos o homem.
-Ah! Zé, a policia há de compreender, matamos por boa causa,
era só um ladrão.
Depois de alguns dias na prisão:
-Zé, porque estamos aqui?
-Porque somos assassinos!
-Era só um homem mau.e
nós salvamos o peru.
-É sim, mais era um homem, sô. e
o peru, apenas um peru.
E você com dó do peru, antes o peru
do que o homem, porque o peru
nos mataria a fome, e o homem
nos colocou neste galinheiro,
e ainda continuo com fome,
agora também de liberdade!
Herta Fischer







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