quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Viajando na maionese




Esta é uma história de minha autoria que diz respeito a um viajante que por acaso foi parar num lugar paradisíaco, e encontrou um lugar  além da nossa iamginação!
Certo dia, um homem cansado de viver na confusão da cidade, entre carros e concretos, resolveu aventurar-se na selva amazônica.
Comprou uma barraca, um saco e uma rede para dormir, e colocou em uma pequena mochila.Tomou o ônibus e chegando a Manaus, procurou um lugar para que pudesse alugar um pequeno barco.
Por enquanto vamos chamar esse homem de viajante,
Então esse viajante comprou vários tipos de comida enlatada, um pequeno cobertor, e entrando no barco sumiu na curva do rio.
A paisagem era deslumbrante, dessas de tirar o fôlego.
O viajante perdeu a noção do tempo, entre o silencio da mata e a gostosa sensação de liberdade, ouvia apenas o ruido das águas batendo no casco do barco e o barulho do motor.
Pensava consigo mesmo: de como era bom estar naquele lugar, longe da loucura da cidade, participando da curiosa vida selvagem que havia por aquelas bandas, diferente de tudo o que já havia visto antes.
Estava deslumbrado com tantas espécies de vegetação que enfeitavam as margens do rio, em volta, as aves exploravam o recanto, comunicando-se entre si, parecia que sua presença não os incomodavam e  que ele também fazia parte daquele lugar.
De quando em quando, ele olhava para as margens do rio, procurando um lugar que pudesse parar, mas a vegetação quase que entrava rio adentro, não havia margem, apenas água, vegetação e floresta. Não dava para  se ter ideia de onde terminava um e começava o outro.
Começou a ficar nervoso. O dia quase se despedia, e a noite se preparava para tomar posse daquele lugar. No escuro seria impossível encontrar um lugar que fosse seguro. Precisava urgentemente de um banco de areia ou algo parecido, para atracar seu pequeno barquinho, e com sorte armar sua barraca.
Mas ficava cada vez mais difícil, não havia margem nenhuma. Foi então que começou a se arrender de sua louca idéia de desbravamento, devia pelo menos ter arranjado um mapa, ou coisa assim, que o pudesse ajudar em momentos de apuros.
Antes de embarcar em sua aventura, ele pensava que logo de inicio, acharia uma pousada perto dalí, ou uma aldeia indigena que o pudesse acolher quando a noite chegasse, não imaginou que o que encontraria fossem apenas água e mata.
Quando via os documentários sobre a Amazônia, parecia que havia muitas vilas ao redor dela, só não imaginava que as cameras só registrassem uma parte do caminho, e que para encontrarem uma vila. muitas vezes levavam dias.
O som noturno começava a dar ar de sua graça. Começou devagarinho, com alguns grilos cantando aqui e ali, depois foi a vez das cigarras incorporando seu canto em sintonia com á dos grilos.
Depois veio a dos sapos, cada um querendo sobrepor a outros sons, até que não dava mais para identificar nenhuma canção em especial. A algazarra era total e o barulho ensurdecedor.
O viajante pensou que iria enlouquecer, sentiu saudades da cidade, nem os roncos dos motores dos carros conseguiriam competir com aquela sinfonia transloucada da natureza em festa.
A noite chegou totalmente, já não dava para distinguir quem era quem, apenas vultos negros cumpunham uma paisagem sem cor, e a imaginação começava a desenhar coisas sem nexo, nada a ver com a imagem do dia, quando tudo era lindo.
Aquele viajante não tinha medo de nada, acostumado com a selva onde vivia, aprendeu a se virar muito bem e a se proteger dos perigos das grandes metrópoles.
Mas, naquele momento não sentia nenhum conforto, tudo lhe parecia novidade, e desconhecia qualquer perigo que pudesse lhe pegar de surpresa.
Imaginou quantas onças estariam naquela hora a procura de alimentos e entrou em pânico, e rapidamente levou o seu barco para longe da margem, não poderia correr o risco que algumas dessas feras pulassem para dentro do seu barco.
A noite era daquelas onde a lua aparecia muito tímida, querendo esconder-se atras das árvores, com vergonha da sua própria beleza.
Foi então que com a ajuda de um farolete, ele conseguiu claramente enxergar um pequeno atalho entre a vegetação, desligou o motor  e usando um pequeno remo, alcançou a margem, Uma árvore recentemente arrancada talvez por um vento forte, exibia ainda suas folhas verdolengas esparramadas sobre a água, sugestionando que ali  havia um galho forte, onde poderia amarrar o seu barco.
Encostando o barco nas margens, bem devagar para não correr o risco de ficar encalhado, notou que o rio era bem profundo, saltou do barco para a terra diretamente, sem precisar molhar os pés. Satisfeito, amarrou seu barco no galho daquela árvore.
Agora só precisava continuar na presença daquela sorte que repentinamente viera em seu socorro.
Precisava de muita coragem para caminhar por aquele trilho tão estreito, para ver se conseguia encontrar um bom lugar para pernoitar. E com um pouco de paciência conseguir acender o fogo e esquentar alguma coisa para sossegar seu estômago, pois além de cansado estava faminto.
Tirou do barco sua mochila e começou uma lenta caminhada pela mata fechada, não dava para ver nada alem do alcance da luz fraca de sua lanterna.
Andou apenas por alguns minutos quando ouviu um murmurar, parecia algumas pessoas conversando, ficou um tanto animado, mas logo essa animação transformou-se em apreensão, pensando que talvez pudesse ser  selvagens fazendo uma caçada noturna.
Mas não tinha como voltar atras, ou seguia em frente, ou seguia em frente.....Foi então que caminhando um pouco mais encontrou uma pequena clareira, duas árvores exibiam seus troncos, uma na frente da outra, parecendo que estavam ali de propósito. Ele não perdeu tempo, tirou da mochila sua rede, e com o auxilio de uma corda, amarrou-a naqueles troncos,
Passou então a concentrar-se na tarefa de procurar alguns gravetos para acender o fogo. Após, abriu uma lata de feijão preto e colocou-a pendurado em um varal feito com dois ganchos, dispostos um de cada lado do fogo.
Depois de alimentado, deitou-se na rede, meio receoso, tinha a sensação de que estava sendo observado,
como estava muito cansado, tentou relaxar um pouco fechando os olhos.
Ele não sabia ao certo, mas tinha a nítida sensação de que sua rede se movimentava, quando abria os olhos a vegetação mudava e o fogo parecia distanciar-se dele.
Pensou então com seus botões, deve ser por causa do tempo em que fiquei exposto ao balanço das águas e  aos sons da cantiga das cigarras e dos grilos, isso deve ter mexido com meu labirinto, e por isso devo estar meio tonto.
Depois de pensar sobre isso, fechou seus olhos novamente e  acabou adormecendo.
No meio da noite, ao acordar, estava num lugar completamente diferente, deitado no chão, em cima de um tapete de folhas, pensou estar sonhando, mas ouviu novamente um murmurio de gente conversando muito próximo a ele.
Olhou a sua volta, tudo lhe pareceu extremamente estranho. Um lugar exótico, parecia ter saído de um conto de fadas. As árvores estavam agrupadas, pareciam fazer uma espécie de reunião, até que um coqueiro enorme se aproximou desse conjunto e num tom grave sua voz se fez ouvir:
-Onde o acharam? Disse ele se curvando.
-Uma voz feminina lhe respondeu:  - Na entrada da mata!  Estava dormindo numa espécie de balanço.
-No meio da noite?  Isso é quase impossível!
- Pois é!  Nós tivemos muita pacìência, foram dias de espera, até que finalmente encontramos alguém que vale a pena.
-E como voces descobriram que esse homem é o ideal para o que queremos.
-Ele mostrou-se muito seguro, adentrando a mata, com uma espécie de lanterna sem fogo,  caminhou até nós, acendeu o fogo, e em momento algum pareceu estar com medo.
O viajante não entendia o que falavam, mais sabia que o assunto era ele!
Então como num passe de mágica, as árvores foram descartadas, de dentro delas saíram várias figuras humanas, e o viajante percebeu que aquilo era um disfarce tão perfeito, que enganaria qualquer homem por mais inteligente que fosse.
Notou também a figura de uma mulher de cabelos ouriçados, olhos negros como uma noite sem lua, pele de cor pigmentada, parecendo que o sol daquele lugar queimava desproporcionalmente, estatura mediana, cintura fina e um bumbum exageradamente arredondado, seu corpo coberto apenas por uma saia engraçada, feita de folhas de palmeiras desfiadas grosseiramente.
Os homens eram da mesma cor da mulher, a diferença estava apenas no corpo, eles tinham o tronco um pouco maior que as pernas, dando-lhes um aspeto completamente diferente dos homens que conhecia. E também cobriam o sexo com folhas de palmeiras desfiadas.
Notou também que estava numa espécie de gruta, mas os homens estavam fora dela, perto de sua entrada, e no que dava para seus olhos alcançarem, havia muitos amontoados de terra, parecendo grandes cupinzeiros, de resto, só conseguia ouvir murmúrios de muitas pessoas falando ao mesmo tempo.
Ficou um pouco tonto, não queria acreditar que sua façanha pudesse ter fugido tanto do seu propósito, ele só queria um pouco de aventura e não contava  com nada daquilo que estava acontecendo.
Foi então que alguém se aproximou dele e lhe perguntou:
-Você está bem?
Ele não respondeu de imediato, olhou para a figura a sua frente e ficou tremendamente desconsertado:
Não era parecido com nada que conhecesse, tinha aparência de homem, mas não era homem. Ou era? Não sabia explicar!
A cabeça era desproporcional ao corpo, um tanto pequena para o tronco, e o tronco um tanto grande para as pernas.
Os braços e as pernas eram curtinhos, os pés e a mãos eram iguais as dos seres humanos comum, dando-lhe um aspecto de homem das cavernas. Tinha os cabelos espetados como juncos que nascem nos pântanos, e a aparência de um ser de outro planeta. Olhos redondos cor de mel e a pele como já dissera antes, era mesclada, como se nesse lugar os raios de sol fossem diferentes.
Logo entendeu que estava em um lugar selvagem, com gente selvagem, e estremeceu pensando que poderiam ser canibais querendo-o como refeição.
Resolveu então responder a pergunta que o ser lhe fizera:
-Estou bem! Mas onde estou?  E por que estou aqui?
Foi então que notou que o homem falava sua língua.
-Está num lugar secreto, onde não temos muito contato com os seres da sua espécie, e...precisamos de você para aprimorar nossos conhecimentos.
-Como assim?
-Você pode nos ensinar muitas coisas, como por exemplo: caçar, dançar, lavrar a terra e plantar!
-Mas...como você aprendeu a falar nossa língua, se diz que não tem contato com nosso mundo?
-Nós já requisitamos um homem como você, da mesma forma que trouxemos você para cá, nós também o trouxemos, e ele viveu aqui por muitos anos, nos ensinando tudo o que sabia. Só que a pouco tempo, ele morreu e nós ficamos sem líder, não sabemos mais a quem ouvir.
Foi então que tivemos a ideia de trazer mais um da mesma espécie, só teríamos que achar alguém tão especial quanto o outro, e quando o vimos, sabíamos que era especial.
-Por quê?
-Porque só uma pessoa destemida desceria do barco á noite e adentraria aquela mata densa, sem demonstrar medo.
-Mas eu estava com medo...só não tive alternativa!
-Não nos pareceu estar com medo, nós farejamos o odor que o medo exala, e o seu odor era de coragem.
O ser sem nome o pegou pelo braço ajudando a levantar-se e o empurrou para fora da caverna, e o que o viajante viu foi indescritível.
-Eu não entendo, ele disse meio abobado: É dia, mas tive a impressão de ter acordado no meio da noite!
O ser então lhe contou que naquele lugar não havia escuridão, todos os momentos são dias ele disse:
-Como pode ser?
-Esse lugar é mágico, temos dois sóis, e o sol nunca se põe, é o único lugar no mundo onde a lua não existe!
O viajante olhava para cima, olhava para os lados e para baixo, sem compreender a loucura daquele lugar tão exótico, e ao mesmo tempo tão maravilhoso aos seus olhos.
A terra era arenosa e a vegetação era parecida com coqueiros miúdos, alguns de folhas verdes, outros de folhas azuis, as árvores exibiam grandes troncos e poucas folhas.
Entre as  vegetações, cupinzeiros gigantes, que depois o homem classificou como casas.
Olhou para os arredores e viu algumas pontes que levavam a um lugar mais exótico ainda. De onde estava dava para ver que alguns animais estranhos pastavam.
Nesse momento algumas pessoas saíram de suas casas tirando um pouco  sua concentração de explorar com os olhos aquele lugar.
Foram chegando devagarinho, curiosos, logo depois foram se curvando ante sua presença, como se ele fosse uma pessoa muito importante.
Ele sorriu meio sem jeito...e começou a ficar entusiasmado com a festa que  se seguiu, todos dançavam ao seu redor, inclusive as crianças que eram muitas. Uma alegria contagiante tomou conta do lugar, muitas vozes cantando uma canção em língua nativa.
Depois de alguns minutos que pareceram horas, todos rumaram para seus cupins, ou casas, como preferirem.
O seu guia convidou-o a acompanhá-lo, e ele o seguiu curioso para explorar aquele mundo tão magnífico e tão estranho para ele.
Atravessaram a primeira ponte, ele notou alguns materiais diferentes e questionou seu guia:
-O que é isso?  Disse apontando com o dedo indicador para a lateral da ponte.
-Uma espécie de cipó, que nascem perto do pântano! Aqui, nós temos tudo, só precisamos de idéias para que possamos usar os recursos com responsabilidade. Foi para isto que o trouxemos!  No seu mundo, as idéias trazem progresso, só que com o progresso vem a destruição, e nós não queremos cometer o mesmo erro. Queremos desenvolver esse mundo sem que para isso precisemos causar danos a natureza.
Foi então que andando um pouco mais sobre a ponte suspensa, ele pode entender a preocupação daquela raça tão nobre.
Eles estavam passando de uma montanha para outra, abaixo havia um rio, mais adiante uma cachoeira derramando suas águas num vale. Era uma visão estupenda. Águas douradas, tanto ao cair, como ao se deitarem sobre o vale.
Ele se deleitou com aquela visão!
Não tinha como não ter curiosidade, olhando de relance ao companheiro, perguntou-lhe como aquilo seria possível?
E o Ser lhe respondeu:
- O que você está vendo são pepitas de ouro!
-Deste tamanho?
- São milhares de anos que a natureza vem esculpindo essas pedras. A natureza nos presenteia com a beleza e o nosso povo conserva. Está vendo as pedras lá embaixo, são de rara beleza, ametista, jade, rubi, e outras tantas mais que nem conseguimos classificá-las.
-Como você sabe os nomes das pedras?
-Seu conterrâneo é que colocou esses nomes, fez muitos estudos por aqui e nos ensinou muitas coisas,
sabemos por exemplo que, na sua terra elas são muito valiosas!
-Se soubessem desse lugar...dizia ele: Já não haveria nada por aqui! Bastaria um cientista descobrir esse lugar e...sua raça seria extinta.
-É por isso que tomamos tanto cuidado quando atravessamos do outro lado!
-E como é que fazem isso?
-Nos nos transformamos em árvores! Há tantas nas florestas que uma a mais ou a menos não fazem diferença, ninguém iria se importar se encontrasse uma especie de árvore fincada em algum lugar!
-É verdade, eu nem percebi que estava amarrando minha rede numa de vocês!
Mas, o que esperam de mim?
-Que você nos ajude a fazer a terra produzir mais!
-Por quê, estão com dificuldades?
-Um pouco, a população vem crescendo, e nós precisamos desenvolver novas técnicas na agricultura., já que abominamos o comércio, e não queremos moedas, precisamos apenas do sustento que a terra pode garantir.
- Quais são esses tipos de alimentos?
-Alguns tipos de raízes, vegetais e também algum tipo de animal.
Algumas são nativas, outras o estrangeiro trouxe em sua mochila, ele coletava algumas espécies de sementes, quando nós o trouxemos para cá. Ele dizia que pretendia formar uma fazenda no meio da mata atlântica.
-Quer ver nossos animais?
- Sim, eu quero conhecer tudo por aqui!
Foi então que o nativo o levou por uma outra ponte, passando daquela montanha para outra, porque havia muitas a serem exploradas. Os animais estavam pastando tranquilamente uma espécie de capim com folhas muito verdes, parecendo pura clorofila.
Então, ele não pode deixar de observar que as diversidades de espécies eram muitas, todas diferentes das que conhecia. Com alguma semelhança, mas todas pareciam ter saído de um mundo muito antigo, onde suas características foram preservadas pelo tempo, sem sofrer nenhuma modificação.
Por onde olhava havia muitas combinações de cores, tanto a vegetação, quanto aos animais.
Depois de algumas horas curtindo aquele paraíso perdido, eles voltaram para o aglomerado de casas e o anfitrião  o levou para dentro de uma delas.
Cansado pelo esforço das caminhadas e da adrenalina de estar em um lugar desconhecido e cheio de surpresas, ele sentou-se numa espécie de banco, feito de um material diferente. olhou para cima e  ficou maravilhado com a arquitetura. Uma abobada reluzente e cheia de cristais circundava as paredes arredondadas, dando um ar de beleza e leveza ao mesmo tempo, nada muito sofisticado, mas cheio de encantos.
Nada perguntou, porque já sabia a resposta, todo o material foi tirado da natureza exuberante e exótica daquele lugar.
As paredes contrastando com o teto que aos poucos iam se afunilando, perdendo-se do alcance dos olhos, até que sumia por completo dentro de uma espécie de material arredondado que nós chamamos de cano.
Parecida com uma mesquita, mas cheio de imperfeições, já que as paredes seriam de uma espécie de terra misturada com cristais coloridos em conjunto com pedras lascadas e outros materiais não identificados por ele naquele momento.
O anfitrião deixou-o dizendo que ele precisava descansar, prometendo que logo voltaria, para que pudessem conversar mais a respeito do que esperavam dele.
Uma pequena mesa de pedra estava disposta num cantinho, tomada de iguarias desconhecidas, mais muito saborosas, ao qual ele não teve nenhum problema e nem se fez de rogado, saboreou tudo com muito apetite.
Logo após deitou-se numa rede que logo reconheceu ser sua, e entrou em transe, tanto eram as emoções e o cansaço.
Não tomou consciência do quanto dormiu. Ao acordar sentiu-se tão revigorado que nem se lembrou de imediato de onde estava. A porta se abriu e ele ficou um pouco confuso com a aparição.
Uma mulher esquisita, com um ar muito alegre lhe saudou dizendo:
-Dormiu bem?  Hora de trabalhar!
Ele sorriu quando as lembranças se harmonizaram dentro de sua cabeça, e em um segundo estava em pé, um pouco inseguro disse a mulher:
-Bom dia!  Tem um lugar que eu possa me lavar?
Na verdade ele estava apertado, louco para fazer uma visita ao banheiro.
-No rio! Ela disse como se fosse a coisa mais natural do mundo.
-Não tem banheiro nesse lugar?
-Ban...nheiro, ela repetiu sem entender.
-Deixa para lá!  Ele já havia entendido que não.
Daria um jeito de aprender a fazer tudo sozinho, só queria um pouco de privacidade.
-Eu posso sair sozinho?
-Pode! Mas volte logo, que vamos para a plantação.
Ele então saiu de sua toca e rumou para o rio, tinha tanta vegetação alta por ali, que não teve nenhum problema em achar um lugar reservado para suas necessidades fisiológicas. Lembrou então que a primeira coisa que faria naquele lugar era fabricar papel e construir pelo menos um banheiro para ele.
Quando voltou havia uma grande concentração de adultos e crianças reunidas num grande pátio, as crianças eram tão barulhentas quanto as que ele conhecia, algumas brincavam num brinquedo bem conhecido que ele veio a saber depois que o homem que antecedeu a ele desenvolveu. Era feito de madeira cortada em forma de y, e no centro do gancho uma grande tora servia de gangorra.
Logo que chegou algumas pessoas o cercaram  e o arrastaram para o campo.
Ao chegarem ele logo percebeu que todos estavam muito animados para iniciar o trabalho. Tudo parecia bem ordenado e as tarefas bem distribuídas entre eles, que chegou a pensar que seria desnecessário sua estadia por aquelas bandas.
Havia tantas variedades de tubérculos, árvores frutíferas e outros tipos de alimentos que qualquer um ficaria com água na boca.
Cada  ser tomou o seu lugar, e ele ficou ali plantado com a sensação de que não sabia o que fazer, afinal ele era da cidade, não entendia nada de agricultura, até que a mesma mulher que o acordou pela manhã aproximou-se dele e lhe falou:
-Sei que não está entendendo bem o que está acontecendo, tudo é novidade para você, o que nós precisamos é de um homem inteligente que nos ajude a continuar o que já foi começado. Olhe a sua volta! O que você vê?
Ele olhou e respondeu:
-Muitas árvores e uma paisagem de tirar o fôlego, a terra é convidativa, parece que pede para ser plantada, nunca vi tamanha benção em nenhum outro lugar, há tanta fertilização quanto beleza por aqui.
- Então... ela continuou. Nós precisamos de um método de irrigação eficiente, os canteiros com as mudas ficam do outro lado do rio, dificultando o transporte. Se fossem cultivadas mais próximas das plantações definitivas, poderíamos plantar mais. As sementes precisam ser regadas todos os dias!
Foi então que o viajante lembrou de algo que tinha vivido na infância e precisava colocar sua ideia em prática.
-Deixa eu pensar em alguma coisa que podemos realizar, mas para isso preciso de algumas informações!
-Pode pedir o que quiser, você terá todo o nosso apoio.
-Primeiro preciso saber seu nome!
-Princes! Ela falou sorrindo:
Ele olhou para ela um tanto surpreso, por que esperava ouvir um nome bem diferente.
-Por que me olha assim, não gostou do meu nome?, pode colocar outro se quiser!
- Não, imagine, seu nome é lindo!
-E como posso chamar você?  estou muito curiosa para saber!
-Francisco. Ele falou:
-Ela repetiu num som um tanto engraçado e ele caiu na gargalhada acompanhado por ela que também o imitou.
-Bom, agora vamos pras coisas práticas. Onde poderemos achar algumas especies de árvores que sejam parecidas com canos, quer dizer...ocas.
-ocas, ela repetiu. Como bambus?
Ele ficou boquiaberto, não podia sequer imaginar que naquele lugar parecido com uma terra perdida, poderiam conhecer aquela planta.
-Isso mesmo, você sabe onde podemos encontrar?
-Sim, há muitas espécies por aqui. Por que você precisa de bambu?
-Para trazer água para perto da plantação!
- E como você vai fazer isto?
-Você vai ver com seus próprios olhos, mas primeiro precisamos de muitos homens dispostos a fazer o trabalho pesado.
Princes olhou para ele franzindo a testa e dizendo alegremente;
-Isso é a coisa mais fácil desse mundo e dando um assovio, uma multidão de homenzinhos apareceram diante dele.
Numa língua desconhecida ela então passou para eles as coordenadas sobre o corte dos bambus. Antes mesmo que terminasse o dia, já havia bambus suficientes para a obra que ele pretendia realizar.
O dia não terminava nunca, no entanto, o corpo pedia um descanso, e ele foi novamente guiado até seus aposentos. Enquanto seguiam para lá ele foi explicando de que maneira iria trazer aquela água até lá embaixo.
Dizia ele:
-Seus homens devem abrir os bambus pelo meio, mas sem danificá-los, tirando as partículas existentes entre os gomos, deixando-os com aparência de canaletas.
E ela ia ouvindo tudo com muita atenção, até que alcançaram o quintal da pequena casinha onde iria dormir.
Tudo estava muito quieto, então ela lhe contou que já era hora de descanso, ele ficou intrigado com tudo aquilo, não conseguia entender aquele mundo misterioso, onde não havia noite, então como eles poderiam saber a hora de dormir? Resolveu então perguntar:
-Como vocês sabem que é hora de dormir?
-Está vendo aquele sol da esquerda?
-Sim!  Ele respondeu:
-Então, quando ele atinge o pico daquela montanha  da esquerda, e o outro sol menor começa a despontar na montanha do lado direito, já é hora de irmos descansar.
Ele então percebeu novamente os encantos daquele lugar, tudo era realizado num ciclo uniforme, como em nosso mundo, só que com uma diferença, não havia sol e lua, e sim sol e sol.
Tudo era extremamente estranho para ele, mas estava cansado demais para tentar entender, então resolveu relaxar, entrou nos seus aposentos que como no dia anterior estava bem arrumado, encontrando tudo de que precisava dispostas na mesma mesinha. Se alimentou e deitou-se em sua rede.
No dia seguinte, acordou com alguém batendo em sua porta, levantando-se apressadamente foi ver quem era. Eram apenas dois que falavam sua língua, Princes e Joum , e naquele momento era Joum quem viera
acordá-lo dizendo em voz alta:
-Vamos , muito trabalho lhe espera!
Meio sonolento, um sorrisinho sem graça despontou no canto de sua boca:
-Já, eu...parece...não consegui descansar o suficiente...eu estou um pouco tonto com essa doideira de tempo daqui, nunca sei que horas são....
Joum deu uma gargalhada gostosa antes de fazer seu comentário:
-Para quem não está acostumado isso é muito chato mesmo, mas depois acaba se acostumando, quando estará pronto?
-Só o tempo de me arrumar e tomar meu café, não acordo se não cumprir meu ritual!
-Então estarei lhe esperando na lavoura!
-Esta bem, daqui uns quinze minutos estarei lá!
E o serzinho esquisito saiu apressado, enquanto o viajante cumpria seu ritual de todos os dias, logo que ficou pronto, abriu a porta de sua cabana e deu de cara com um dia lindo.O sol parecia feito de vidro e acompanhava seus raios a mesclagem de todas as cores se fundindo.
Ficou maravilhado com toda aquela beleza e já cogitava a ideia de não mais sair daquele lugar, não fosse a extrema saudade de sua família., mas não tinha muito tempo para pensar nisso, lá embaixo tinha um montão de gente ansiosa para começar logo o trabalho, e era gente que não sabia esperar.
Ao chegar perto da plantação avistou um monte de semelhança de bambus dispostos em um monte grande, percebendo que aquela gente era muito estranha, mas muito disciplinadas.
-Vamos subir até o morro, disse ele logo que chegou. E os seres dispunham os feixes nas costas e já iam saindo, parecendo robozinhos, prontos para atender suas ordens de imediato.
Logo que chegaram com a carga no topo, o viajante deu ordens para que fossem formando canaletas ribanceira abaixo, quando a altura não dava, usavam troncos de árvores com ponta em formato de V como alicerce, não demorou muito tempo , ele acertou a ponta da canaleta no fio de água e elas fizeram seu curso vagarosamente até chegarem em outra extremidade ao lado da plantação.
Quando ele desceu para ver sua obra, os selvagens estavam em festa, com uma alegria contagiante vieram lhe cumprimentar formando fila e lhe estendendo a mão.
O viajante não conseguiu segurar a emoção, nunca tinha feito nada que lhe parecesse tão importante pra alguém, e ver o seu trabalho sendo valorizado, até mesmo ele se encheu de alegria a ponto de derramar algumas lágrimas, coisa que há muito tempo não acontecia.
As crianças festejavam tomando banho na bica, e as mulheres cantavam uma canção alegre, ele não entendia a letra, mas o ritmo era muito gostoso de se ouvir.
Princes e Joum lhe abraçaram comovidos e não cansavam de agradecer.
Princes era a mais eufórica e falava até pelos cotovelos misturando sua língua nativa com o idioma do viajante que ficava difícil saber do que se tratava, mas ele sabia que era de tanta felicidade.
Dois dias depois houve uma grande festa, junto ao pequeno lago e uma pedra de jaspe lhe foi dado de presente, enrolado numa espécie de bolsinha de juncos dourados e foi Princes que colocou em seu pecoço lhe dizendo:
-Nós estamos lhe oferecendo este humilde presente em forma de agradecimento, e queremos saber se você fica conosco ou parte ainda esta noite?
O semblante do viajante ficou sem expressão por um momento, estava tentado a ficar, mas pensou no sofrimento de seus filhos e de sua esposa, pensou um pouco e depois respondeu:
-Eu tenho que ir, mas nunca me esquecerei desse paraíso, e sou extremamente grato por isso!
-Então, você precisa ir pra casa  dormir, quando você acordar não mais estará aqui!
E o viajante muito triste se despediu de seus novos amigos e deitou-se em sua rede. Ao acordar no dia seguinte, antes mesmo de abrir os olhos, ouviu os cantos dos pássaros saudando a chegada de mais um dia, sua rede estava no mesmo lugar do dia em que foi raptado pelos homenzinhos, com uma diferença, sua rede estava amarrada em duas estacas da mesma madeira com que foi feita a canaleta que transportava a água daquele lugar paradisíaco. Era a prova de que não fora um sonho, lembrou-se então do presente que tinha ganhado, colocou a mão no pescoço deslizando os dedos sobre o fino pendão até chegar na pequena bolsinha de junco, e lá estava sua pedra preciosa. Bocejou e levantou-se, uma mesinha estava colocada ao seu lado cheiinha de guloseimas, um sorriso se formou em seus lábios quando percebeu que seus amigos foram fiéis até na hora de entregá-lo de volta, ao lado de sua refeição estava um pote com pepitas de ouro, como pagamento por sua ajuda.
Tomou seu café despreocupadamente, colocou as sobras na mochila e voltou para o rio, onde seu barco lhe aguardava, seguiu de volta para casa assobiando uma canção nova, não sabia a letra, mas sabia que nela continha uma estória de um povo que vivia além da nossa imaginação!


Autora: Herta Fischer
                                                                         direitos reservados








segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

''Sabedoria de Deus X Sabedoria humana



Se houve uma mudança real nesse mundo, eu ainda não vi.
Se houve alguma mudança, eu tenho que descobrir.
Não há sapos pondo ovos fora da lagoa, nem aves perdendo as asas, ou deixando de voar.
Não há macacos ficando eretos, deixando de ser macacos e virando gente.
Não houve grandes mudanças no comportamentos das cobras, elas estão se adaptando,
mas ainda são agis, não criaram pernas e continuam gostando de picar.
Se houve uma mudança real nesse mundo, eu ainda não vi.
A metamorfose das borboletas e do bicho da seda continuam acontecendo e ninguém consegue explicar, como que uma larva consegue se transformar num casulo, e o pequeno casulo se alimenta por onde, onde se esconde a inteligência desses seres?
Que se transformam tantas vezes para colocar seus ovos nas folhas para depois morrer, se despedem da vida sem nunca verem seus filhinhos crescer.
Não se entende também as extensões das nuvens,e os trovões da sua casa, que com as mãos se encobre a luz e não deixa passar por entre elas.
E os morcegos que entram durante o dia nos seus esconderijos e ficam em suas cavernas, até que a luz se apague.
Dos confins do sul sai o pé de vento, e do extremo norte o frio, já se entendeu o seu destino?
E os dinossauros, por que todos foram eliminados da face da terra de uma só vez?  Por acaso não foi para o homem entrar na estória?
A chuva por acaso tem família, ou quem gera as gotas do orvalho? De que ventre procede o gelo?  E quem gera a geada do céu? Alguém consegue me explicar.
Como a corrente de ar pode vencer o mar bravio, e sair do outro lado, sem um sopro forte e alguém para lhe designar o caminho?
Como os animais podem suportar suas dores de parto e darem a luz sozinhas, sem um homem inteligente por perto?
Quem encerrou o mar com portas, quando transbordou e saiu da barriga de sua mãe?
Por que suas águas traçam seus limites e dali não passam e suas ondas se quebram empoladas?
Sabes tu as ordenanças do céu, ou pode explicar do domínio deles sobre a terra?
Ou pode gritar para as nuvens , para que chova em abundância sobre a terra?
Explica-me como se funde o pó numa só massa, e se pegam os torrões uns aos outros?
Quem prepara os alimentos para os corvos, quando seus filhotes clamam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?
Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente, faz grandes coisas que nós não entendemos e que o homem teima em decifrar, e sofre por não poder explicar.
Atentamente ouvi a movimentação da sua voz, e o sonido que sai de sua boca. Ele o envia por debaixo de todos os céus,e a sua luz até os confins da terra.
Só aquele que o teme sabe que nenhum homem é sábio, se alguma sabedoria há, é por que o próprio Deus o concede, e aquilo que não poderemos saber ainda, homem nenhum conseguirá me explicar!
                                                                                                                                                                 
Trechos do livro de Jó com algumas adaptações feita por hertinha

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Amor



O amor é planta que não se abala, mesmo enfrentando tempestades, ela continua resistindo.
Frente a um mar de ondas revoltas, ela continua inabalável.
O amor é folha que nunca seca, mesmo em tempos de seca e de sol forte, ela continua firme e forte.
O amor é luz que nunca se apaga, mesmo em tempos de ventanias constantes, continua acesa.
O amor é fagulha que o vento de carinho carrega em todos os lugares, incendiando corações tristes ou alegres.
O amor é lenha que nunca se cansa de queimar, passe o tempo que passar, mantém suas chamas acesas.
O amor é lembrança que nunca foge, nem o tempo consegue levar.
O amor é como o beija-flor que nunca se cansa de procurar pela flor.
O amor é como cactos do deserto, nunca morre de sede.
O amor é o que sou, é o que você é, é o que somos, o que buscamos, o que conquistamos.
O amor não conhece a palavra silêncio, é o grito dos inocentes ante as injustiças do mundo.
O amor é peregrino, não estaciona em nenhum lugar, está sempre em movimento.
O amor procura o bem, protege, trás o que está perdido de volta ao lar.
O amor respeita limites, respeita as leis, e segue tranquilo.
O amor é tudo em todos, não se abala diante das adversidades, está sempre lutando por dias melhores, conserva em si a delicadeza, não deseja ou faz mal a ninguém.
Enfim, o amor é o responsável por ainda existir beleza na terra, por que quem ama preserva, quem ama cuida, renova e busca perfeição em todas as coisas!

Autora:  Hertinha

sábado, 26 de novembro de 2011

Nobreza e vassalos



Enquanto tudo corre ao encontro do nada e ao mesmo tempo de tudo, eu simplesmente vivo despreocupadamente em busca de conhecimento.
Não quero ser como todo mundo, escolhendo futilidades, eu quero ser mais do que isso!
Encarar meus medos, buscar forças em meio a fraqueza, tirar o néctar do amargor das flores murchas e sem vida. Eu queria ser como as abelhas que constroem seus ninhos e em meio a zunidos impetuosos saem em busca de razões para existir e subsistir. Do doce fazem algo mais doce, eu ao contrário, queria fazer do amargo algo que se pudesse ser tão doce quanto o mel.
Para que essa luta realmente valesse a pena, que meu grito fossem zunidos que incomodassem, mas que pudesse ser ouvido, e sentido, e modificado, e aproveitado!
Pobre e inútil que sou, pois sou simplesmente eu, quando almejo ser nós!
Quanta vida, meu Deus...quanta vida desperdiçada no vazio das coisas que para nada aproveitam, Quantos desperdícios de energia na correria atrás do vento da ilusão.E quando se chega ao final, onde estará o premio?
No final do arco-íris?
No final do arco-Iris não existe nada além do nada!
E esse nada é a razão de toda essa correria, eu pelo menos só vejo o vazio nas coisas materiais, elas se desgastam com o tempo e a tendencia é o acúmulo, por que dá a sensação de falso prazer, que também some ao sabor do vento do desejo que passa.
E o valente soldado sucumbe ante a violência daquele que o compra, daquele que se alimenta de seu suor, daquele que o vê como uma montanha de $.
Quanto mais cego melhor.. de preferencia cego, surdo e mudo. mas com muita disposição para correr, com muita disposição para desejar. E  é isso que ensinam desde o nascimento.
Comercializar vidas humanas, comercializar fraquezas, comercializar e comercializar.
A educação é mentirosa, é a sua cabeça colocada a premio, e em cada canto que quiser se esconder, é ali mesmo que te pegam, que te sugam.
A esperança está em Deus que tudo vê, que fará justiça a seu tempo, que não negará ao justo sua vitória, que exterminará toda a impiedade com que impiamente o homem comete. para arrasar vidas ao seu bel prazer, acumulando bens sem valor as custas do suor alheio. Coisas que para nada se aproveitam.

Herta Fischer






sábado, 12 de novembro de 2011

Felicidade, presente de Deus



Eu li um texto sobre felicidade, e isso me fez refletir sobre a grandiosidade desse sentimento universal.
Eu penso que felicidade não é apenas um momento como muitos acham que seja.
 Ela é viva e é dinâmica, está arraigada na alma desde sempre. O que faz com que ela pareça muito distante, é o nosso desejo de que tudo aconteça exatamente do modo que sonhamos ou queremos.
Não deixamos que a vida se encarregue das coisas essenciais, sempre queremos satisfação imediata e poder para duplicar nossas conquistas, ao invés de apenas aceitar o presente como dádiva de Deus.
O próprio Deus disse pela voz dos profetas que; Tudo o que pedis, em nome de Jesus, ele vô-lo daria. Só que pedis mal, para gastar com coisas sem valor, ou para satisfazer seus vãos desejos.
Verdade seja dita, é difícil contentar-nos com o que temos, quanto mais realizamos, mais intentamos em realizar, e acabamos virando escravos do nosso próprio querer.
E nessa busca incessante, esquecemos de ser feliz.
Deixamos nossa mente tão concentrada no material, esquecendo que o "essencial é invisível aos olhos" e que a felicidade existe e mora dentro de cada um, o que acontece é que por esquecimento, nós deixamos de senti-la,
simplesmente desprezamos esse dom, para vivermos em aflições.
É tão bom aceitar a vida como presente de Deus e dosar tudo bem dosadinho, um pouco para nosso prazer, outro pouco para somar com o prazer de outras pessoas.
Se unir a outra pessoa, com a consciência de que todos temos defeitos e que um não é maior que outro, sentir-se protegida e também proteger quem está á seu lado.
Em relação á filhos, não os abandone como muitos o fazem deliberadamente, usando desculpas para não estarem com eles quando eles mais precisam. A sua presença vale mais que qualquer outro bem material.
Quando crescerem eles também irão a luta, você não precisa deixar para eles um império, basta que os incentivem com seu amor.
Deixe quaisquer sentimentos ruins fora de sua vida, o ciúme, a inveja e todos os pensamentos que não sejam para a edificação. Então poderá enfim abrir a janela do seu coração e sentir que a felicidade transbordará, e virá de dentro para fora, e não o contrário como muitos pensam.

Herta Fischer


Amor em Cristo



As vezes, saio de dentro de mim, para poder entender a plenitude e o vazio.
O vazio é um vácuo espremido entre  a loucura e a razão.
E a plenitude está na própria razão,.preparada para entender  aquilo que foge de qualquer entendimento humano.
Numa dessas vezes que sai de mim e fiquei entre o vazio e a plenitude, comecei a entender que os mistérios que nos cercam sobre a relação de Deus e os homens são muito mais complexos do que imaginamos, mas que, por outro lado, quando temos o entendimento por parte do próprio Deus sobre o que Ele requer da humanidade, tudo fica mais claro.
Eu tenho receio de falar sobre isso, as vezes, por pensar que talvez não me seja dada a autoridade de falar sobre um assunto tão delicado sem nenhuma base.
Mas, pelo pouco ou muito que já conheço da palavra, não por entendimento próprio ou por entendimento alheio, mas por aquele que busco e que com fé eu procuro, livre de qualquer sentimento que não seja o amor que Ele próprio nos revelou. Eu penso que posso falar um pouco sobre isso!
Não indo além, e não querendo saber mais do que convém, por que existe mistério, que como o próprio apostolo Paulo falou:  Difícil de entender!
Tudo isso amigos, para chegar a conclusão de que o propósito de Deus é de Deus, não dos homens, embora os homens estejam incluídos nesse propósito maravilhoso.
E tudo o que o homem precisa entender é que: Em Cristo o amor de Deus para com a humanidade foi totalmente revelado. E  que o homem só precisa acreditar nesse amor!
E como todos os que são nascidos desse amor, também possam praticar o mesmo amor.
Não houve acepções de pessoas para a salvação por meio de Cristo, até mesmo para com aqueles que o transpassaram houve promessa, Pai, perdoa-os, por que não sabem o que fazem!
E quando o próprio Cristo, por meio de seus apóstolos diz; Sejais membros uns dos outros, sujeitando-se uns aos outros em caridade e amor, por que todos os membros bem ajustados formam o corpo cuja cabeça é Cristo, e a perna não poderá dizer que é melhor que o pé, por que ambos fazem parte do corpo, e até o órgão que julgamos indecoroso tem sua função no corpo que formam um todo.
E nós não podemos agir como a meninos que ainda precisam do leite, não podemos julgar aqueles que não nos pertence, Deus sim , pode fazer seu julgamento por que nos conhece.
Não pode o barro falar ao oleiro, quero que me faça assim, nem tão pouco julgar o modo com que o oleiro faz sua obra.
O que nos cabe é usar de boa conversação, de bom proceder, sem se intrometer em casos alheios, exortando e dando bons exemplos, para que porventura alguns possam através das minhas atitudes voltar-se para a face de Cristo, aprendendo a prática do amor sem fingimento.

Herta Fischer

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Minha vida e o conhecimento



 Eu nasci em uma época onde as pessoas se relacionavam de uma forma mais pura, ou era eu que via assim.
Conforme fui crescendo as coisas foram mudando, não sei se foi só as coisas ou o mundo todo mudou,  e eu fui mudando junto com ele.
Sempre gostei de ouvir as histórias que o povo contava, e com seis anos de idade fiquei doida para aprender a ler, para poder entrar nas histórias dos livros.
Meu pai era um camponês muito simples, mal sabia escrever seu nome, e minha mãe completamente analfabeta. Então. amparada nas mãos de Deus, e guiada por Ele, eu fui para a escola.
A professora daquela época era diferente das professoras do tempo presente. Elas davam aulas para três fases ao mesmo tempo, e dizia que se um dia o diretor viesse visitar nossa pequena escolinha, ela me esconderia embaixo da cadeira, por eu ser muito pequenininha.
E eu ia crescendo no tamanho e na sabedoria e com sete anos de idade já sabia ler.
Ganhei então me primeiro livro!
A partir dai, eu nunca mais parei de ler, lia de tudo, revistas, documentários.
Quando terminei a quarta série, meu pai me tirou da escola para que pudesse ajudá-lo nos afazeres da agricultura.Não tinha mais como seguir com os estudos e minha tristeza foi tremenda.
Aos quatorze anos de idade eu tive que sair de casa para trabalhar fora, fui para Ibiúna e fiquei por lá por dois anos.
Aos dezesseis anos voltei para Piedade S. P, para trabalhar numa empresa com carteira assinada.
 Quando completei vinte e cinco anos, voltei para a escola,  mais uma etapa do meu sonho se realizou, consegui  terminar o ensino fundamental.
Fiquei nessa empresa por quase dez anos  e diante da dificuldade de ter que trabalhar para meu próprio sustento, eu tive que deixar a continuação dos estudos para depois.
Aos vinte e oito anos, Deus preparou-me para o casamento e logo depois para ser mãe.
Eu larguei do trabalho para ser mãe em tempo integral, queria ser fiel ao propósito que Deus preparou para mim.
Quando meus dois filhos já estavam no ponto de seguir andando com seus próprios pés, chegou minha hora de dar mais um passo em direção a complementação dos meus estudos.
E finalmente, com quarenta e cinco anos eu conclui o colegial
Meu sonho era fazer letras, mas a condição financeira daquele momento não possibilitou, e então entrei na faculdade a distância para fazer pedagogia, mas também tive que sair, meu marido ficou desempregado e precisando pagar a faculdade de nosso filho mais velho, tive que abandonar meu sonho de se formar.
Hoje estou com quase cinquenta e um anos, e resolvi deixar esse meu sonho de lado para fazer o que mais gosto de fazer que é escrever. Sei que não é um modo sofisticado de escrita, mas está dentro daquilo que eu chamo de possibilidade, e com todas as dificuldades que encontrei na vida, eu já me considero uma pessoa abençoada e feliz.

Herta   Fischer



Só se for com você



Embalado nas ondas, ao bater nas encostas,
sinto o mesmo desejo de te abraçar.
E os ventos uivantes numa brisa incessante, vem me acariciar
Sinto em mim  tua presença, numa amizade serena
a me encantar.
E as gotas das águas, sustentadas em sonhos,
refrigério tão puro pra minha vida que é você
Nesse mar tão imenso, de sentimentos tão puros,
minha alma te alcançará e chegarei  aonde quero
Da vaidade da vida, da vaidade das ondas.
quebrando na praia sem  limite e sem medo,
preservando o segredo de não querer te perder.
E os castelos eu crio, vencendo os desafios,
do querer e poder.
Encarando de frente, as pedras e a areia,
para plantar a semente deste amor que
grita em meu ser
Deixando pra trás as ondas e o vento
traçando novos caminhos de sonhos.
Ao seu lado, sempre ao seu lado
Quero viver e vencer


Vencer .....só se for com você.....Só se for com você...quero vencer
Esse mar....essas  ondas  eu com você quero vencer...vencer...vencer...só se for com você!


Bordões inflamados





Minha cabeça virou antena, minha mente virou lixeira,
meus conselhos que eram santos, hoje já não se ouvem mais,
foram esquadrinhados no papel da ignorância, reciclados da vida,
para as coisas e objetos sem valor.
Mais vale um gole de pinga, que uma palavra de amor,
sorte é o ganho, deus é o dinheiro, amor é o prazer,
beleza a fortaleza, amizade é o rancor.
Estamos vivendo sem rédias, sem  nenhuma direção,
bordões inflamados no fogo da corrupção,
ter é melhor que fazer, viver é melhor que ser?
Está tudo do avesso e é difícil de entender.
O homem virou mercadoria, e a vida uma barganha,
os amigos se foram, só ficaram gente estranha.
E eu que era eu, hoje já não me conheço mais,
o fermento levedado, tomou conta da massa,
cresce no desconforto da pureza que ficou pra trás.
Eu quero mudar, mas o mundo não me entende,
eu também não consigo entendê-lo.
Eu almejo coisas boas , ele só oferece coisas más,
dos prazeres o mundo está farto, a carne satisfeita,
mas o espírito está agoniado, e com isso não satisfaz.

Autora: Herta Fischer

Não me enquadro neste mundo



Estamos vivendo por viver..........
Eu procuro algo de valor nas pessoas e não encontro mais.
Futilidades apenas.
Tanta gente sem conteúdo.
Tantas propagandas e nada para oferecer.
Aparência...Nada mais!
Sorrisos..coração sangrando.
Beleza e vazio, multidões e esquecimento.
Um mar imenso, ondas revoltosas
Encontrar um meio termo...Impossível!
Ando alheia a isso tudo
Não encontro nenhum espaço
Tudo o que foi já era, tudo o que era já foi
Tudo o que se diz alguém já falou
Todo o pensamento é em vão.
Corpos bem cuidados, mentes sem razão
  Autora Herta Fischer

sábado, 29 de outubro de 2011

Injustiça Social



É muito bom falar de coisas boas, das estrelas que brilham, das cachoeiras, do mar e de tudo que nossos olhos podem apreciar.
Mas é preciso falar das coisas feias que acontecem em nosso mundo, que nos entristece.
Das crianças que vivem pelas ruas, sem teto e sem direção.
Das pessoas que enganam facilmente os menos esclarecidos, tecendo na surdina um meio de se dar bem.
Das leis fracas deste mundo que são desleais para com os inocentes, e trabalham em favor dos culpados.
Dos nossos lares que transformaram-se em cadeias, e os que deveriam estar na cadeia estão nas ruas aterrorizando as pessoas de bem.
Dos altos impostos que o povo paga e não tem retorno. Dos hospitais lotados e muita gente morrendo como indigentes sem valor
Das pessoas que acham que são melhores que as outras, que usam de violência inspirado em covardia.
Da pátria que esquece seu povo para tratar de assuntos internacionais que não lhe dizem respeito.
Das ruas superlotadas de carros, e a indústria de carros querendo vender mais.
Do dinheiro que sai do bolso do povo que muitas vezes nem tem o que comer e vai parar nos bolsos dos corruptos.
Do homem que precisa trabalhar, e que por falta de estudo dizem que não tem qualificação.
Do jovem que para garantir seu futuro precisa de experiência, como ter experiência se não lhe derem oportunidades para aprender.
Do idoso que apesar de aposentado, ainda tem que trabalhar para complementar o seu salário.
Da constituição que foi esquecida, da dor de quem precisa, da falta de atendimento, do descaramento político, da falta de amor, do mundo esquecido e tão sofrido que busca consolo todo dia, acreditando num mundo melhor!
Assim não dá para ser feliz!
Todo o mal escancarado entre a loucura e a lucidez de quem paga o preço,
De boca fechada, cospe pra dentro, a saliva do silêncio
Come o pão do esquecimento, o lamento é seu sustento,
Na dor que não tem fim, do suor que é tudo em si
Da compreensão que nunca foi
companheira do sonhador.
Do sonho de quem sonhou
Do preço alto que pagou
E nunca se realizou!


Autora:  Herta Fischer                         direitos reservados

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Eu só quero ser eu!



Eu vivo simplesmente por viver
Uma condição de aprendiz
Mas pensam que minha cabeça é oca
Que não quero nada com nada
Que é só se divertir
Eu quero mais do que isso
Não só trabalho, não só estudo
Quero também me divertir
Vestir a roupa que gosto
namorar de vez em quando
Jogar bola, correr no campo
Quero mesmo é ser feliz
Tudo o que sou é tudo o que tenho
Brinco na orelha, cabelos compridos
Não quer dizer que sou mal
Tenho sempre o dever cumprido
E sou cheio de moral
Não falo mal de ninguém
Nem acho que sou o tal
Eu só quero nesta vida
Ser  autêntico e original


Autora: Herta Fischer               direitos reservados

Hoje

Hoje eu queria saber de onde vem tanta intolerância?
De onde vem tanta cobrança?
De onde vem tanta ganância?
De onde vem tanta arrogância?
Se todos iremos para o mesmo lugar!
Se todos temos contas a pagar!
Se o que queremos é alguém para amar!
É sorrir pra não chorar!
Não posso compreender o acaso.
Nem tão pouco o descaso
Do que quero que é tão pouco.
Do muito que me é negado
Se me dou não é suficiente
Se não dou sou deficiente
Então não entendo essa vida
Nem o que querem de mim
Me digam por  favor
A razão de me tratarem assim
Feito objeto inanimado
como um anão de jardim
Não fui tão bem talhado
Nem por mãos hábeis esculpido
Do estado bruto nascido
E também fui escolhido
Pra ser uma carta do baralho
Não sou um corpo sem mente
Tenho desejos e vontades
Não pode por sua vaidade
Amarrar com fios as minhas mãos
Me arrastando simplesmente
Como um boneco sem noção
Dentro desta carcaça descartável
Também bate um coração!

Autora: Herta Fischer            direitos reservados

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Está faltando amor verdadeiro

''Está faltando amor verdadeiro"
Atualmente neste planeta, o amor está confuso.
Amar não é sentimento de posse, nem sentimento negativo.
Amar não é eu!
Se alguém lhe diz: eu te amo
O outro responde: Eu também!
( Eu também me amo)
O ego é uma praga que contamina o mundo, é uma planta que precisa ser exterminada pela raiz.
Reagindo contra nós mesmos é a solução.
A gente sempre pensa: Cada macaco no seu galho!
Não é assim;
Nós nascemos e crescemos para compartilhar, e como é bom respeitar as diversidades, É com elas que aprendemos a gostar de tudo e compreender melhor nossas escolhas.
Já imaginou se todos gostassem das mesmas coisas. Que tédio!
Se todos apreciassem as mesmas cores, desejassem os mesmos amores. Que desperdício!
Que seria da Rita, da Joana, se todos  escolhessem as Marias?
Que seria do mecânico, se ele não ensinasse seu oficio a outros?
Ficaria louco diante de tantos carros para consertar!
Estamos diante de um quebra cabeça e todas as peças precisam se encaixar,
Como encaixar essas peças?
Ordem!
Sem ordem não há progresso!
O amor é arma contra todos os males.
Não devemos ver o amor como objeto sexual. O amor não é isso!
Não confunda amor com paixão, uma coisa não tem nada a ver com outra.
Sexo é para reprodução. Amor é compaixão!
Se amarmos verdadeiramente nossos semelhantes, nunca lhe faremos mal,
Jamais destruiríamos nosso planeta, pois é nele que vivemos.
Não poluiríamos nossos rios, porque água é vida, sem água a morte é certa. Nós não somos assassinos.
Não jogaríamos lixos na rua, pois o lixo traz doenças, e o amor verdadeiro jamais condena.
Não negaríamos emprego  a quem quer que seja, mesmo aquele que não tem estudos precisa comer.
Tanto os símplices, quanto os astutos precisam sobreviver.
O estudo é bom para adquirir conhecimento, mas a inteligência é um dom.
Igualdade e oportunidades para todos é a conscientização e  a realização do amor pleno e verdadeiro!

Autora: Herta Fischer

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Rosas



Meu jardim florido, na maioria....rosas
Rosas amarelas, rosas brancas, rosas vermelhas. rosas cor de rosas.
Colirio para os olhos!
Quando a chuva abundante cai sobre o jardim, enche-se de vida.
Minhas rosas parecem sorrir, amorosas e sinceras.
A queridinha dos pintores. Assim como a lua e as estrelas,
são tidas como enlace de amor, de amizade, de carinho.
Rosas de hiroshima...Lembrança de uma tragédia sem igual
Rosas de igreja, lembrança do amor perpetuando
Objeto de arte, de vida, de coragem.
Entre todas as flores é a mais bela
Tão doce que se fez cançâo!
Tão delicada, que os amantes se embriagam com seu perfume
Sobre o leito, cheirando carinho
Sobre tapetes, traçando caminhos
Sobre o ar, o vento beija suas pétalas
Deitando-se ao chão é deliciosa a visão!
Rosas, rosinhas. ainda em botão
Singela carícia do meu coração!

Autora: herta Fischer

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Falta de humildade

Quando olhares para tuas mãos e concluíres que estão limpas, por usares outras calejadas e sujas.
Quando olhares para teus bens e chegares a conclusão, que teve boa vida e alegrias, ás custas do sofrimento e dores alheias.
Quando olhares teus favores, seu jardim cheio de flores, e constatar que nunca derramastes nem uma gota de água sobre elas.
Se comes e bebes, veste-se bem, e alguém que tu desprezas promove seu bem estar.
Quando olhares dentro do teu coração e chegares a conclusão, que vivestes uma vida de ilusão.
Tirando do pobre o direito de comer seu pão, Ao invés de tratá-lo como rei, tratou-o feito cão.
Chegando já o seu último dia, quando seu dinheiro já não for mais solução.
Terá vontade de voltar o tempo para pedir perdão, mas não será mais possível, restará apenas as lágrimas da solidão que te acompanhará  naquele vale para onde todos irão!
Autoria: Herta Fischer

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Conversando comigo mesma

Há dias em que a gente fica pensando no que é a vida. Um emaranhado de confusão e estratégias para não entrar em depressão.
Tento fazer algo que me tire deste estado, corto o cabelo, passo creme no rosto, tudo para me sentir menos entediada.
Talvez se me sentir um pouco mais bonita, preencho esse vazio.
Mas não, nada é capaz de fazer com que me sinta melhor. Então, ligo a televisão, e fico um pouco pior.
Alguns programas só mostram violências, e nos intervalos, ainda tenho que engolir políticos mentindo, dizendo que se eleito vai ser melhor que todos os que já estão aí.
Estou cansada dessas mentiras, estou cansada deste mundo excrementado, onde quem quer viver de forma honesta não tem mais vez.
Tudo está fora de lugar, o que era já não é mais.
Me sinto como um peixe fora d'água, tentando desesperadamente respirar, sabendo que o que me resta é apenas um punhado de ar reservado nos pulmões. Assim que acabar essa reserva será o fim.
Quando saio para a rua, tudo parece normal, as pessoas agem como se tudo estivesse maravilhosamente bem, como se no mundo não houvessem problemas, então penso que o problema sou eu.
Não vejo graça nesse consumismo todo, não vejo graça em me tornar como todo mundo, tentando a todo custo, ter uma aparência perfeita.
Eu sonhava com um mundo melhor, onde as pessoas não vivessem só de aparências, onde pudessemos conviver pacíficamente uns com os outros.
Atualmente, as pessoas nem olham mais umas para as outras, ou se olham não as vêem.
Ninguém procura saber de você, não se importam com o que você pensa. Muitas vezes, passamos a vida inteira ao lado de alguém, sem que realmente a conheçamos.
Estamos sempre preocupados com o vizinho, com os problemas dos outros, e não dedicamos um pouco do nosso tempo para conhecer quem convive diáriamente conosco.
Somos muito rápidos quando se trata de criticar, esquecendo quase sempre de elogiar quem merece.
Parece que o mal tem mais importância que o bem, o mal esta sempre em evidência, enquanto que o bem raramente aparece.
E quando aparece, ninguém mais acredita nele.
A mentira tomou o lugar da verdade e o mal entrou no corpo do bem, e não tem quem o exorcise, ninguém tem forças para lutar contra, porque se tornou conveniente para muitos.
Quando porém vier o que é perfeito, e encontrar essa pirâmide de absurdos que a humanidade insiste em construir, não sobrará pedra sobre pedra.
A justiça será feita!


Autora:  Herta Fischer                 Direitos reservados

domingo, 11 de setembro de 2011

A princesa das botinhas cor de rosa

Esta é uma história inacreditável e emocionante que aconteceu comigo!
Eu morava num sertão, cercado pela natureza exuberante, numa casinha de pau-a-pic.
Apenas quatro cômodos nos abrigavam da chuva e do sol forte.
Do meu quarto, onde dividia minha cama com mais três irmãs, podíamos ver o clarão da lua em noites enluaradas, em outras noites a escuridão era total.
Tínhamos como luzeiros apenas algumas lamparinas a querosene, cuja luz era tão fraca, que mal iluminava nossos pés.
Lá fora, do lado esquerdo da pequena casinha, havia um pequeno jardim, repleto de gardênia e margarida, enchendo nosso pequeno mundo de cores e perfumes.
Tínhamos também um cavalo, que atendia pelo nome de Lebuno. Lebuno tinha os pêlos em tons de marrom escuro, as crinas e o rabo eram de um preto iluminado. Nosso cavalo morava num pasto cercado por arames farpados. O lugar era imenso, os arames passavam pelas árvores, entrelaçando-se entre uma e outra, até chegar as margens de um riacho. recomeçando na outra margem até se encontrarem novamente, formando um enorme círculo.
Quantas e quantas vezes eu  fiquei maravilhada, vendo-o trotear pelos campos, enquanto se exercitava.
Aquele pasto era lindo, árvores frondosas dançavam ao sabor do vento, abaixo delas, relvas verdejantes aguardavam o momento em que Lebuno faria o trabalho de podá-las com seus dentes. Pois um dependia do outro para sobreviver. E viviam assim, em perfeita harmonia um com o outro.
Tudo aconteceu em uma tarde de verão, quando eu caminhava por aquele pasto mágico:
Lebuno pastava de um lado, e eu fazia companhia a ele do outro. ambos estávamos sossegados ouvindo apenas os sons da natureza que naquela hora eram muitos.
Repentinamente meu cavalo começou a relinchar, como sempre fazia quando queria comer milho, ou pedia que o levássemos para passear. Era assim que se comunicava conosco.
Depois percebi nele certo nervosismo, estava com as orelhas em pé e bufava como se estivesse com medo.
Meus cabelos também se levantaram, como se um imã os puxassem para cima, todos os pelos se arrepiaram.
Ouvi então, barulho de passos que se aproximavam. Não dei muita importância naquele momento, achando que era uma de minhas irmãs, querendo me assustar.
Só não entendia o porquê do meu cavalo estar tão nervoso, e dos meus pelos estarem tão ouriçados.
Foi então, que uma moita atrás de mim começou a criar vida, os galhos se separavam como se duas mãos se dispusesse a empurrá-los, tentando abrir passagem.
Não dava para ver ninguém, meus olhos fizeram um movimento, olhando para o chão, eu estava sentindo muito medo, pensando ser uma cobra.
Meu cavalo saiu em disparada. Nunca pensei que fossem tão sensíveis, achava que só os cães fossem dotados desses instintos tão apurados.
Ao olhar para o chão eu pude ver dois sapatinhos cor de rosa, vestindo dois pezinhos minúsculos. Apenas isso!  E os dois pezinhos começaram a andar, vindo em minha direção.
Eu fiquei paralisada. E ao mesmo tempo encantada com aquela aparição!
Depois do susto, arrisquei uma pergunta:
-Onde está o restante do seu corpo?
-Não consegue me enxergar?  Disse ela com voz de criança.
-Por enquanto só consigo enxergar seus pés! Que são muito bonitos por sinal. Amei sua botinha cor de rosa!
 Uma botinha fez um movimento gracioso, colocando-se por cima da outra que ficara no chão.
Dei então uma risada nervosa, porque não entendia direito o que estava acontecendo, era muito para minha cabeça.
Eu estava falando com dois pezinhos. Era ridículo!
Esfreguei meus olhos com as duas mãos... Esfreguei tanto que chegou a doer. Porém, ao abrir meus olhos novamente, aqueles pés com botinhas cor de rosa continuavam ali.
Sempre fui muito sonhadora, acreditava em histórias de príncipes e princesas. Quando completara sete anos de idade, tirei a maior nota da escola e ganhei da professora, meu primeiro livro. Era da gata borralheira!
Eu me encantei em saber que já podia embarcar para vários lugares do planeta, sem precisar sair do lugar.
Já conseguia ler muito bem, como não conhecia a cidade, eu viajava através dos livros que chegavam em minhas mãos.
A partir dessa idade eu me apaixonei pelo conhecimento.
Mas, voltando ao tempo presente... Lá estava eu vivendo uma história real.
Voltei a perguntar:
-Onde está seu corpo?
-Está aqui comigo!  Duas mãos, dois olhos, duas orelhas, um coração...e foi enumerando todos os componentes de um corpo, enquanto meu subconscientes montavam as peças, imaginando uma linda princesa.
-Por quê só consigo enxergar seus pés?
-Porque os seres humanos precisam de um corpo visível para acreditarem em alguma coisa?
-Nem sempre eu preciso ver para crer! Disse eu:  Me sentindo um tanto arrogante.
Qual não foi minha surpresa, quando a ouvi falar:
-È por isso que não precisa me enxergar! Eu existo e isso te bastará!
-Você diz isso, mas seus pés estão visíveis!
-Gosto de mostrar algo para as pessoas, a partir daí, elas podem tirar suas próprias conclusões.
-Você mora nesse pasto?
-Não! Ela disse, dando uma gostosa gargalhada, rindo da minha ignorância.
Eu moro num castelo muito distante, preciso viajar muito para chegar nesse lugar, mas o esforço vale a pena.
O Lebuno me diverte, gosto muito dele e ele também gosta muito de mim.
Nesse mesmo instante, meu cavalo chegou todo serelepe, batendo a cabeça no ar, acima daqueles pezinhos tão charmosos.
-Parece que está querendo brincar com você!
-Ele sempre quer!  É por isso que venho quase sempre neste pasto... Muitas vezes eu subo em seu lombo, e ele sai galopando ao sabor do vento, e eu me delicio sentindo a brisa tocar meu rosto.
-Então é por isso que o vejo correndo, parece brincar com alguém, só não sabia com quem!
-Somos amigos! Você quer ser minha amiga também?
-Quero muito, mas queria poder ver teu rosto. Poder conhecer você de verdade.
-Eu ainda não posso me revelar. Disse ela: Dando um passo em minha direção.
-Por quê?  Perguntei-lhe: Meio desapontada.
-Você ainda não está preparada para receber essa graça, pode se assustar e sair correndo!
-Claro que não!  Amo surpresas.
-Eu não sou do seu tamanho... Sou tão diferente de você!
-Meu cavalo também é, no entanto, nosso amor é tão grande!
Não me importa o seu tamanho. Se é loira, morena, ou negra. Se é feia,bonita, ou linda. O que importa é a sua personalidade. Se você é sincera e  é puro o seu sentimento, já me cativou.
-Foi por pensar assim que resolvi me mostrar a você, não completamente, mas sabes que estou aqui!
-Posso lhe fazer uma pergunta. Disse eu meio desajeitada:
A menina das botinhas cor de rosa me respondeu:
- Se eu puder responder!
-Onde é o seu reino?
-Está vendo aquela floresta!
- Sim, respondi: Mas você me disse que era tão longe!
-Para mim é! Não vê o tamanho de meus pés?
- É muito engraçado, meu pai não deixa nenhuma de minhas irmãs entrarem naquelas matas, ele diz que poderemos encontrar uma mulher, cujo nome é Jorja Paca, ela come criancinhas, e agora você vem dizendo que mora naquelas matas. Não tem medo?
-Seu pai conhece minha mãe?
Eu fiquei abismada com essa possibilidade, e falei com espanto:
-Sua mãe?  Quem é sua mãe?
-Jorja paca é minha mãe! Só que ela não come criancinhas, ela é a rainha  da natureza. Vive para preservá-la.
Acho que seu pai á conhece, e para preservar aquele recanto onde moro, ele inventa que minha mãe é uma bruxa malvada, quando na verdade ela é uma princesa muito bonita.
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo:
-E o que esconde essa mata tão desconhecida?
-Além de nosso castelo: Disse ela divertida.
-Sim, eu quero saber de tudo!
-Árvores centenárias, morada de muitas orquídeas, que á seu tempo, exibe suas flores exóticas.
Barbas de bode, de até dez metros, enfeitam seus galhos até alcançarem o chão.
Teia de aranhas diversas, parecendo fios de prata, descendo de um lado á outro, formando redes, aonde os pássaros vem descansar.
Folhas mortas pela ação do tempo, como um tapete persa, se estendem encobrindo os segredos de muitos animais minúsculos.
Eu lhe perguntei então:
-Aqueles urubus que moram na baixada, onde recolhemos nossa água na mina, também são seus amigos?
Por que pergunta isso?
Eu então comecei a narrar uma aventura acontecida comigo e com meu irmão:
-Eu e meu irmão, encontramos o ninho de um urubu no alto de um paredão. Não dava para alcançá-lo com as mãos. Então nós resolvemos cutucá-lo com uma grande vara que por acaso encontramos por perto.
Não contávamos com a presença da mãe do bichinho por perto, e continuávamos a cutucá-lo.
Num determinado momento, a ave sentindo-se acuada deu um rasante sobre nossas cabeças, tentando proteger o filhote.
Nós não aguentávamos de tanto rir, e continuávamos a brincar.
Repentinamente a ave sumiu no céu, ficamos aliviados.
Não demorou muito tempo o céu ficou preto, uma sombra se instalou sobre nossas cabeças, e...milhares de urubus se lançaram em nossa direção.
Eu e meu irmão ficamos brancos. Então, ele gritou para mim: -Abaixa! Abaixa! Deite-se ao chão!
As aves davam tantos rasantes, pareciam aviões em guerra, faziam tanto barulho, que meus ouvidos ficaram surdos e por alguns momentos pensei que ia morrer.
Eu não podia ver a expressão de minha princesinha, mas pelos pés que não paravam no lugar, deu para perceber a aflição que se passava em seu coração.
Então eu continuei:
Naquele momento, eu pensei na idiotice do meu ato, no desrespeito que eu e meu irmão deixamos de ter pelas aves. Elas se voltaram contra nós, estávamos pagando o preço.
Então as lágrimas caíram livremente pela minha face, não eram só pelo medo, mas emocionou-me a união existente entre eles.
Ouvi então uma gargalhada estridente, alguns pássaros assustados levantaram voo. Olhei para o lado e...parei por um momento, a voz saiu um tanto tremida:
-Eu consigo ver!
-Ver...O quê? Disse ela parando de sorrir:
-Você!..Da cintura para baixo! Como pode ser?
Ela sorriu, eu não pude ver, mas senti que ela sorriu. Depois começou a falar:
-Naquele dia, eu e minha mãe estávamos lá, ao seu lado e de seu irmão, vocês não podiam nos ver, protegiamos os dois das garras das aves. Vocês poderiam ter sérios problemas, caso não tivéssemos intervido.
-Então foi isso que os assustou, porque logo foram embora!
-Nós demos ordens para que não os machucassem, afinal eram só duas crianças se divertindo.
Agora, respondendo á sua pergunta. Você se transformou, contando-me sua história. Seu coração ficou mais leve. Por isso, concedi que me vesse mais um pouquinho!
-Por quê não posso te ver por inteiro?
-Ainda não está pronta!
-Quando estarei pronta?
-Quando se libertar de mais uma tristeza que está em seu coração, algo que você fez e que logo se arrependeu!
Veio então em minha mente a história da cobrinha.
-Num certo dia, eu e meu pai saímos para mariscar. Com uma peneira nas mãos, conseguimos pegar muitos peixinhos. Eu fiquei com muita pena deles, mas precisávamos tirá-los da água para poderem servir de alimento.
Meu pai pediu-me que os limpasse. Como não tínhamos água encanada em casa, encaminhei-me sozinha até o rio onde coletávamos água para beber e também para outros fins.
Nesse riacho, tinha uma biquinha. Na verdade era um córrego que terminava com uma telha servindo de canaleta, jogando a água da parte de cima para a parte de baixo.
Eu fiquei sentada num barranquinho, enquanto limpava os peixinhos em baixo da água da bica, quando uma cobrinha veio deslizando sobre a telha quase de encontro a minha mão, Eu me apavorei, sempre tive muito medo delas. E naquele momento, eu perdi todo o bom senso, peguei um pedaço de pau e a matei.
Subi para casa correndo para contar a minha mãe o ocorrido. Entrei apressadamente em casa, coloquei os peixes sobre a mesa. Tinha o coração Saindo pela boca.
-Mãe, eu matei uma cobra!
Minha mãe olhou para mim assustada:
-Como foi isso?
Eu lhe contei toda a história. Então ela me disse: Coitada da cobra, morreu com fome. Ela só estava querendo comer os peixinhos!
Eu passei o dia inteiro chorando por causa da cobrinha indefesa.  Depois disso, cada vez que encontrava com uma cobra, eu saia correndo!
Depois de narrar esses fatos, olhei para o lado, meus olhos estavam lacrimejando, e qual não foi a minha surpresa ao ver do meu lado a princesinha inteira.
Era uma coisa do outro mundo, nada poderia descrever a emoção que eu sentia, eu toquei naqueles cabelinhos tão macios, eram da cor de caramelo.  Pequena e doce menina, olhinhos amendoados, bracinhos curtos e tinha o cheiro de jasmim.
Entre soluços eu lhe falei:
-Já posso lhe ver!
-Eu sei! Ela me disse sorrindo:
- Só faltava este complemento para abrir os teus olhos. A transformação está completa!
-Agora você já pode saber todos os segredos que nos cercam.
-Que segredos são esses?  Disse-lhe aos prantos:
-Nós vamos deixar esse mundo por um tempo!
-Como assim?
-Até agora nós cuidamos das coisas desta terra, cuidamos da natureza, dos seres humanos. Mas agora temos que deixar as coisas caminharem sozinhas.
-Os seres humanos vão acabar com tudo!  Disse eu atordoada:
Ela deu um sorriso triste;
-Vão mesmo, e eu não posso fazer nada!  esse pasto tão bonito, onde seu cavalo é tão feliz, vai desaparecer.
Tudo vai ser destruído por causa da ganância do homem.
E não haverá mais nenhuma interferência do criador. O homem fará sua escolha,
Se escolher preservar, terá um futuro bom. Se escolher destruir, a terra retribuíra com destruição.
A terra vomitará toda a sujeira enterrada sobre ela.
Eu fiquei muito assustada com tudo que a princesinha me disse, porque sabia que o homem sempre precisou que alguém o guiasse. Tomando suas próprias decisões, o planeta viraria de cabeça para baixo.
Então arrisquei fazer uma última pergunta:
-Você precisa mesmo partir?
Sim! Ela me disse: Eu e minha mãe vamos deixar esta floresta onde por muito tempo estivemos ensinando as pessoas a conservar e amar esta terra.
E ...assim como apareceu, foi desaparecendo aos poucos, até deixar apenas suas botinhas cor de rosa a vista, e depois desapareceu por completo. Eu fiquei ali por muito tempo com a sensação de que tinha tido um lindo sonho. Meu cavalo Lebuno morreu  alguns meses depois.
Passou-se muito tempo desde esse dia. Eu vim para a cidade, constitui família e a vida seguiu seu curso. Tudo o que a princesinha falou foi se concretizando. O homem foi ficando cada vez mais desobediente.
Quando voltei para fazer uma visita na minha terra, não mais encontrei o pasto do Lebuno. Em seu lugar, encontrei uma terra devastada e sedenta. Da mata nativa apenas algumas árvores resistiram a ação do homem e milagrosamente continuam em pé.
Minha casinha pequenina não resistiu. Dela nada sobrou! Apenas carrego dentro do meu coração a imagem de um sonho lindo. Quando ainda havia em minha terra um castelo, a rainha Jorja Paca e sua linda filha, a princesinha invisível das botinhas cor de Rosa.

Autora: Herta Fischer                  Direitos reservados

sábado, 10 de setembro de 2011

Abandono

Com os olhos secos por não ter mais o que chorar, perambulo pelas ruas a procura de alguém.
Fiz o que pude nesta vida para não ficar só!
Como o céu despido do sol e das estrelas minha alma se atormenta.
Numa saudade quase louca, na loucura do abandono.
Com panos de saco me protegendo do frio, durmo nas ruas imundas das impunidades.
Na concha dura do caracol escondo meu desgosto.
Para lutar já não tenho mais força, o cedro se envergou.
O alimento da verdade se esgotou,
e o tempo já não importa mais,
Não posso voltar para casa, ninguém me espera, o abandono é total.
Ninguém a minha espera e ninguém para esperar.
Choro amargamente esse vazio que a vida não quis preencher,
Solidão, tristeza e abandono são companhia constante.
Mendigo o pão dos alentos, tiro do lixo o meu sustento.

Autora: Herta Fischer                 Direitos reservados

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fé e vida

Nesta vida tão sofrida, todos os experimentos valem a pena, desde que não prejudiquem ningém.
Viver é uma arte!
Faça da vida seu palco, actue com dignidade. Tranforme tudo que é triste em alegrias.
Sorria para a vida, que por certo ela sorrirá para você.
Você terá que agir sem muitas expectativas, sem esperar demais dos outros, nem de você mesma. Apenas deixar rolar.
Não fazer cobranças indevidas, somar, multiplicar, dividir e amar.
Que seja somente coisas boas a ocupar sua mente.
Deixa cada um seguir o seu caminho, concentre-se em sua trajetória.
Não se preocupe com esse mundo mau. Olhe para o alto.
No invisível está a sua força, no bem  a sua segurança, na fé a sua esperança. E em Deus a concretização da vida!

Autora:  Herta Fischer       Direitos reservados

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Decepção

Decepção foi o que senti, quando descobri que me enganava.
Que foram falsas todas aquelas palavras.
Sentimentos deveriam ser intocáveis!
Nada mais triste do que sentir um vazio no coração, é não ter mais o que falar.
A porta que estava entre aberta, fechou-se para sempre.
E a canção parou na metade, nem sei como termina.
A vida é mesmo uma ilusão, nada é o que parece.
O que parece ser nuvem, logo transforma-se em tempestade,
Vitorioso é aquele que mesmo lesado, ainda compreende quem o lesou.
Mas, enquanto a ferida estiver aberta, melhor é dar um tempo.

Autora: Herta                                  Direitos reservados

domingo, 4 de setembro de 2011

Valores invertidos

A vida é um sonho eterno, só precisamos sonhar acreditando!
O Senhor é dono de nossas virtudes, provedor da fonte de todo bem.
Ao aceitarmos Cristo como nosso salvador, devemos despir do velho homem,
para revestirmos do novo homem resgatado, pronto para toda boa obra.
Acreditando que podemos mudar nossa forma de aceitar a vida e as pessoas do jeito que elas são.
Quando adultos nos esquecemos que um dia já fomos jovens, e que cometemos os mesmas
coisas que hoje condenamos nas atitudes dos jovens.
Quando saio as ruas, eu posso ver que a falta de educação nos mais velhos é tão evidente
quanto nos mais jovens.
As vezes até um pouco mais.
Os adultos tem obrigação de dar bons exemplos, ao invés de apenas criticar.
E que o sentido familia já não é mais o mesmo para a própria família.
Esta geração está contaminada pelo egocentrismo, e bota a culpa nas circunstâncias.
Temos tudo, e ao mesmo tempo não temos nada.
Por que os valores estão completamente invertidos.
Muitas pessoas casam com o desejo de construir uma família, mas negam a responsábilidade que isso vem acarretar.
Não adimitem que para o casamento dar certo, duas pessoas precisam estar preparadas para andar no mesmo sentido e não na contra mão.
O homem deve estar certo de que será o provedor, enquanto a mulher se prepara para ser mãe.
A responsábilidade deve ser dividida, e as tarefas também.
Só que não adianta atribuir obrigações a outros, sendo que a escolha  é de cada um.
Não adianta querer ser mãe pela metade, ou você é mãe ou você não é!
Se não tem capacidade para isso, então fique só.
Não coloque uma vida no mundo para colocá-la a mercê de sua vontade. Ou para abandoná-la nas mãos de outras pessoas.
Cabe a você, só a você criá-la e educá-la.
Senão as drogas tomarão conta dela para você, quando você perceber já é tarde para voltar atrás, e verá que não compensou. Pode ter ganhado por um lado, mas por outro, todos perderão.
As mulheres estão equivocadas quando pensam que são homens, que podem agir como eles, cabe a cada um ser o que é, o homem tem de proteger a mulher e a mulher ser companheira do homem.
Foi para isso que Deus os fez homem e mulher, do contrário os fariam do mesmo sexo.
A modernidade está afetando a consciência das pessoas, e essa inversão de valores acabando com a saúde da sociedade.
Só tem um jeito de consertar tudo isso, é refletindo sobre nossa própria conduta, não da conduta do meu vizinho ou dos meus amigos..., mas da minha conduta.
Eu preciso mudar, eu posso fazer a diferença. Quando eu mudar, tudo a minha volta muda!
Ser mãe é responsábilidade da mãe!


Autora; Herta Fischer                Direitos reservados

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Andando na corda bamba

Cinquenta anos já se findando!   Mais da metade do oceano explorado.
Já consigo enxergar o pote no fim do arcoíris.
A seara está madura, mais um pouco e estará pronta para a colheita.
As ruas estão vazias de mim.
O cálice quase vazio, ninguém para brindar.
O que levo desta vida?
O que deixo neste mundo?
O que plantei, sequer brotou,
e se brotou nem percebi.
A ilusão do que vivi, quase se apagou,
da mesma forma, o sonho não se realizou.
Uma saudade do que não vivi,
e do sabor que não senti.
Do sorriso que não dei,
da mão que não estendi.


Autora:  Herta Fischer                Direitos reservados

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Escalada da vida

Estou só....Muito só!
Vejo diante dos meus olhos o tempo passar.
Diante do sol ardente, escaldando lentamente minha alma já sedenta.
Prudentemente, escalo os montes, vejo e revejo os perigos que se
escondem atrás dos morros.
Há pedras soltas, encobertas por incertezas que podem fácilmente
desencadear tantos perigos.
Nessa escalada tão sofrida tendo os pés sangrando
encaixados entre um buraco e outro.
Cada passo é uma conquista, cada pedaço uma redenção.
Tendo as mãos calejadas por segurar a corda dessa vida sem noção
Como cabritos monteses entre as rochas e suas presas,
sem saber como escapar.
Trazendo nas entranhas resquícios da coragem que não tem,
mas sabendo de antemão, que precisa continuar.
Tão sofrida é a subida, tão difícil a escalada,
mesmo correndo o risco de dar de cara com o nada.
Segue em frente, segue sempre, confiante,
alguma força superior o impulsiona,
em breve alcançará o pico.
Não olha para trás, para não ver o precipício,
Olha sempre para cima, o sofrimento é uma ilusão.
Quando chegar no seu destino, sorrirá satisfeito
por ter completado a jornada.
Do outro lado te espera,
toda essa imensidão.
Então, sentirá tanto prazer, que esquecerá,
a dificuldade da escalada.
Continuará explorando outros lugares,
sem sentir medo de nada.


Autora:  Herta Fischer                                                      Direitos reservados



sábado, 27 de agosto de 2011

Solidão

Solidão, amarga revolta.
Onde estão todos?
Tanta gente, ninguém presente.
Tantos risos,
nenhuma alegria.
Caminhos diversos, nenhum encontro.
Pais e filhos se distânciando.
Letras de música sem conteùdo,
num lar que precisa cantar.
Flores diversas espalhadas num jardim,
ninguém para olhar.
O mundo se cala no meio de tanto barulho,
há silêncio, há confusão.
Quanto mais gente no mundo,
mais sozinhos nos encontramos.
Todos sem tempo, sem paciência, sem coração.


Autora:  Herta Fischer                   Direitos reservados

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Possuir ou ser possuído?

É muito difícil falar sobre esse tema!    Dinheiro!
Há dois mil anos atrás o dinheiro, ou melhor, tudo o que significava moeda, mesmo quando ainda era à base de troca em espécie, as pessoas já queriam levar vantagem. Foi aí que surgiu na palavra "O dinheiro é a raiz de todos os males".
Quando surge uma oportunidade de falar que o dinheiro é o vilão do mundo, as pessoas perguntam: Se vivo sem ele?
A resposta é óbvia. Não!
Tudo gira em torno dele, sem ele não compro nem vendo.
Então não posso fala mal dele, Correto?
Errado!  Posso usá-lo, mas não fazer dele um deus.
Não posso colocá-lo á frente dos meus princípios, não posso desejá-lo á ponto de passar por cima dos outros.
Não posso ser medida por aquilo que tenho, mas por aquilo que sou!
O dinheiro deve ser conseqüência do meu trabalho, não do suor alheio.
Ele pode comprar coisas para mim, mas nunca me comprar.
Pode me fazer mais bonita, nunca melhor.
Pode erguer um arranha-céu, mas não garante que um dia ele não caia.
Pode comprar tudo, nunca uma alma.
Não paga a paz, do contrário não haveria guerras. Se existe guerra é justamente por causa do dinheiro.
É responsável por quase todas as contendas em família.
Se não o possuo, sou descriminada, não entro em certos lugares. Não sou bem vista na sociedade.
Enfim, possua-o... Não se deixe possuir por ele.
Não se deixe envolver por sua falsa magia, ele pode embotar seus olhos, impedindo que veja a luz.
Pode arrastá-lo ao encontro da loucura se colocá-lo como prioridade.
Pode acabar com sua paz se não conseguir prazer longe dele.
Aprenda a satisfazer-se com o necessário.
Use-o com moderação, dinheiro demais faz mal a saúde.
Moderadamente tudo é bom!
O que faz mal é extrapolar, é não ponderar, deixar se levar, corromper e ser corrompido.
É usar o dinheiro para esconder fraquezas, para se safar da justiça, para não corrigir um erro.
Achar que pode comprar dignidade, que pode vender poder.
Que o dinheiro pode tudo.
Quando estiver dando seu último suspiro, poderá entender o que estou dizendo e me dar razão.
Para onde vai, o dinheiro não pode entrar.
O máximo que poderá fazer é enterrá-lo com seu corpo para que juntos apodreçam!


Autora; Herta Fischer  

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Tudo tem seu tempo

Tudo tem o seu tempo....Tempo para plantar, tempo para colher.
A ansiedade é inimiga do tempo e também da saúde.
Não respeita a determinação do espaço entre a espera e a conquista.
As vezes machuca, e até mata a esperança de sí mesmo e de outras pessoas,
A espera é uma virtude daquele que não precisa ver para crer.
Daquele que tem o destino como propriedade divina.
Que acredita que o espaço tempo não existe, porque estamos sempre colhendo ou plantando.
Um dia apenas complementa o outro sem ponto final.
A sensação de que podemos realizar mais que o outro é que traz uma falsa impressão de que o tempo passa depressa.
Se não houvessem datas nem calendários, nem dia, nem noite, nem chegadas, nem partidas, o espaço tempo não teria tanta importância.
A gente somente viveria.......E a ansiedade por certo deixaria de existir.
E nos livraríamos de tantas doenças,
O que nos consome é o efeito do querer, do ter que fazer, da cobrança da sociedade, da falta da liberdade.
Se  não acompanharmos essa correria toda, ficamos para trás. Se não sou bonita o suficiente sou descriminada, se não sou inteligente o suficiente fico desempregada. Se não estudo, sou preguiçosa, se estudo sou nerd.
Se quero um trabalho melhor.....só o estudo não vale, tenho que fazer teste de inteligência. Precisam esquadrinhar minha mente para definir o meu perfil. Caso contrário, morro de fome!
Tempos difíceis...tempo...tempo....tempo.
Sempre cobrando, sempre empurrando e a gente sempre sem tempo.

Autora: Herta fischer                                         direitos reservados






domingo, 21 de agosto de 2011

Oportunidade

Não sinto nenhuma inspiração neste momento. Não sei por quê,,. Estou um pouco triste.
Talvez seja porque estou com saudade da primavera. Este tempo seco me lembra coisa ruim.
A vida é uma eterna busca pela felicidade, embora nem sabemos ao certo o que isso significa.
Quase sempre nossa visão é nebulosa e o nosso destino incerto. A névoa se estende por quilometros de distância é cada vez mais dificil encontrar a saida.
Tomamos vários atalhos no escuro, tropeçando nos obstáculos que surgem inesperadamente á nossa frente.
Muitos procuram  o sentido da vida em coisas que o deixam ainda mais perdidos e a gloria da chegada parece desaparecer diante dos olhos.
Não existe um ponto de partida, nem ponto de chegada, cabe a cada um decifrar seus próprios códigos. Desenvolvendo metas eficientes para entender o propósito que o impulsiona, que o dirige.
O futuro de cada um vai depender das escolhas que fizer, nem sempre o caminho mais fácil é o mais seguro.
Não confie muito na beleza. Um jardim florido pode esconder vários perigos, enquanto que um
 deserto pode indicar o caminho da fonte.
Fugir da vida usando um caminho desconhecido que parece oferecer mais segurança, pode ser uma armadilha para arrastá-lo pelo vale da morte. No inicio pode parecer prazeiroso, no momento seguinte recheado de sofrimentos.
O mal as vezes toma a forma de bem apenas para confundir as pessoas mais frágeis e despreparadas.
Sem saber as pessoas caem nessa teia e acabam sendo devoradas pelas artimanhas do inimigo do bem.
Quando percebem já é muito tarde...quase impossível voltar atrás. O melhor é não dar lugar a esse tipo de curiosidade,  Os atalhos quase sempre são perigosos, embora nos pareçam inofencivos. Quando lhe der vontade de segui-lo, pare e pense...Dê meia volta....Retome o caminho que o leva a verdadeira fonte que destila  a segurança de um vencedor.
A vaidade e o ego são os senhores do submundo das ilusões, dá-nos a sensação do voo, esconde a derrota da queda.
Dá forma de prazer transformando-se logo em dor e insatisfação.
O viver seguramente é aceitar os conselhos de quem tem mais experiência. È ter bom senso, é acreditar na responsábilidade, é defender-se dos prazeres momentâneos,
Não deixar-se envolver por promessas falsas, escolher bons amigos, semear a semente do bem, não dar margem para o mal, não ceder aos desejos do coração antes de consultar a consciência e a razão,
É respeitar o espaço do outro, dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar. È escrever sua história com a responsábilidade da sabedoria. Com a coerência do entendido, com a inocência de uma criança, com o poder que só os inteligentes constroem.


Autora: Herta fischer      direitos reservados ao autor.



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