Ah! O que antes eu tinha,
com que suavidade o sol
se espalhava.
O abraço da estrada até minha casa,
com braços longos e apertados
flanqueados por arbustos baixos.
As flores, que certamente se abriam
em sorrisos primaveris, celebrando
as passagens.
A textura da terra batida envolvendo, com
cuidado, o contorno do nicho sagrado.
As vozes preenchendo o silêncio,
como quem precisa de melodia.
Arvoredos convidando as folhas
a dançarem na serenata do vento.
A menininha sentada no alpendre da vida,
sonhando com os anjos.
O senhor e a senhora atiçando a força e a lei,
que eles mesmos criavam e acertavam.
O riacho descobrindo o caminho das águas,
o balde suportando o peso delas.
Aliança sem dedo. Casamento sem cláusulas.
União de tudo com todos, lei sublinhada
na lógica do sacrifício.
O equilíbrio entre necessidade e causa,
harmonia entre o útil e o agradável,
na delícia de construir, na simplicidade,
um lar de respeito e amor.
Hertinha Fischer
lar
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