segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Normalidade das coisas

Vou falar uma coisa para vocês.
Difícil não errar. Só não erra
quem não vive. As escolhas feitas
na juventude, geralmente, só servem
para suprirmos os dias, movidos
pala emoção de quem procura pelo sol.
Ninguém entra num barco furado, sabendo-o
furado. ninguém experimenta veneno sem
ter consciência de que vai morrer, ninguém
escolhe lágrimas ao invés de felicidade.
Tudo é movido pela fé do momento,
ou pela procura do viver um sonho.
Lembre-se! aquele(a) que não deu continuidade
para ser o seu ideal, em algum momento
foi o que mais você deu valor, por sabê-lo amor,
por pensar amor.
As águas de um rio se vão pelo córrego e
se renovam, porque água parada é lugar de bactérias e
algas. Se faltou sentimento é por estar carente de tudo.
Talvez, tenha sido bem intencionado, talvez pudesse
se verdadeiro no momento, só que a sensualidade das coisas
são inconstantes, quando se dá valor ao prazer..ao querer ou
a novidades em relação ao ego.
Porque muitos lares são desfeitos? As vezes, por falta de cuidado,
outras pela incompreensão, nunca pela falta de sentimento, muitas vezes é até pelo excesso dele em relação ao que se espera do outro.

É o mesmo cuidado que se deve ter com uma casa. Ela precisa de manutenção, de limpeza, de cuidado, senão as tempéries e as pragas acabam com ela.
Uma relação madura de "amor" paixão, só se firmará quando estamos dispostos a não ser dois, mas dois em um.
Infelizmente, as vezes, ou, quase sempre, nos colocamos como
deuses numa relação. venha a mim. quando que, na verdade teria que ser, venha a nós.
Isto analisado da forma normal, mas também existe anormalidade
nas coisas, no sentimento individual de cada um, na maneira de ser, na maneira de gostar, na inconstância do prazer, no caráter, no D.N.A. na forma que se relaciona externamente, pois a maioria dos problemas conjugais estão relacionadas com ambientes externos, que geram ciumes e desconfianças.
Eu afirmo: em questões de afetos homem-mulher, ninguém fica com ninguém por pena.
Tudo é suportável nesta vida.. menos o toque sem emoções, 

a não ser que haja segundas intenções
Herta Fischer.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Dona de mim (Cap 5 )

Eu não conhecia razão,
embora,tudo fizesse sentido
na razão do meu existir.
Não tinha nada que me arrepiasse,
nem a vida, nem a morte, apenas
o medo do escuro. não era a escuridão
que me atormentava, e sim, o que eu
não podia ver além dela.
Eu gostava de presença, mesmo da longínqua
plenitude dos ares, aquele azul intenso, cheio
de mistérios e incógnitas,  e a escuridão o encobria
com um manto silencioso, colocando tudo para dormir.
Eu não gostava daquele silencio ameaçador, definitivamente,
eu não amava a noite, depois que ela crescia.
Tudo porque eu amava o dia, eu o amava tanto que
as noites pareciam eternas,  crueldade demais ter que esperar
pela luz,
A noite só era-me notável, enquanto ainda criança, quando havia ainda
alguns resquícios do dia, mesmo quase que dormindo, quase a fechar
 os olhos, ainda me proporcionava alegria.
Mas era preciso, se não houvesse noite em meu viver, como apreciar o alvorejar, quando
o sereno caia bem de mansinho, e  sobre  a relva caminhar, com  as gotas a se divertir
 sobre a grama fina, acariciando meus pequenos pés.
E o sol tão brincalhão a secar as lágrimas da noite, colocando um fim em seu martírio.
E a  alegria despertava comigo, tudo era festa, tudo era cor, e perfeição.
Tão bom ser criança, tudo que é pequeno, é mais verdadeiro, é mais bonito, é mais aconchegante,
até parece que Deus deseja o simples, pois nos dá com mais abundância.
Assim como as marcelas que nascem em seu tempo e deixa os campos mais contentes, assim é com todas as flores da vida, quanto mais simples, mais satisfação.
A gente cresce, assim como as ervas do campo, alcançando a sua altura, vai se enverdejando até
amarelar-se de prazer ao atingir a plenitude.
Como as ondas do mar, que se quebram nas encostas, de dor não desfalece, cresce e toma seu caminho de volta, como quem nunca morre.
Tantos dias, muito se parece, mas na verdade são apenas pingos, pouco para viver e muito para sofrer, como uma flor a se romper em seu caule.
Finalmente, depois de trabalhar para viver, dar seus frutos no verão, vai se definhando até virar
pó. Não sabendo como veio e sem saber que caminho o toma de volta.
Assim é a vida, e a minha história não poderia ser diferente. Eu sabia que crescia, que seria andarilha pelas ruas tortas de meu destino, para enfim alcançar vitoria, na esquina de tantas glorias.
Glorificados somos no despertar, quando a água nos expele para fora, nas estações do plantio, o tempo nos enaltecem com seus préstimos pressupostos, até que o tempo se findem no corpo
que amadurece.
Da água á terra. Ambas, simbolo de fertilidade. Dois princípios de vida: O começo e o fim.
 Como duvidar da continuidade? Algo para se refletir!
Herta Fischer (Hertinha)












Dona de mim (cap 4 )

A gente sempre está no tempo devido,
no tempo certo, No tempo é que devemos
construir.
Naquele tempo, quando para mim, tudo
era tão reduzido. No pouco espaço
que conhecia, era como se meu mundo
aparente se consistisse em  ser o que era,
pois tudo estava em seu lugar. Era como
renascer todas as horas, numa eterno.
brincar de viver,
Ao sair para brincar, a pequena estradinha de terra
parecia se desenhar em cada passo, como quem
me levava a passear pelo meu destino, sem
grandes preocupações.
O mundo fervia como um caldeirão esquecido no fogo,
Havia revoluções por toda parte; pessoas sumindo, pessoas
morrendo, pessoas lutando por um ideal. E, eu, sem grandes
causas para lutar,
Compreendida pelo lugar que me acolhia, pela mansidão das horas lentas
que vivificavam as células do meu crescimento em estatura. Muito
mais crescia em entendimento, não como os adultos, que só pensam em si,
na qualidade do que comem, na beleza de vestimenta, no prazer de receber.
Meu intento sempre foi viver saber e crescer, assim como uma árvore que
se dá bem em seu lugar.
De manhãzinha quando o sol despontava no horizonte, tão meigo
e tão puro como uma tocha iluminada pelo fogo da esperança de apenas
nascer por ser preciso, eu , assim como ele, renovava a esperança de
seguir.
Não existiam dias e meses e anos, apenas as horas que me acompanhavam
porque o tempo era o tempo, aquele tempo presente em cada brincadeira, em cada
sonho de criança, em cada sabuguinho de milho debulhado, que carinhosamente
se transformava em bonequinha tão carinhosa e tão meiga presença.
Aquele mundinho reduzido, onde a casinha era a ramada que se deitava sobre
 as grandes árvores, a cama feita de folhas fresquinhas e macias, o fogãozinho
de tijolos e gravetos, o fogo imaginário, a comida apetitosa brincadeira de
um cérebro fértil e brincalhão.
Sobre um céu encantado eu brincava, como princesinha sem trono, o castelo
estava em tudo que podia olhar, que se estendia quanto mais longe eu pudesse ir.
Como quem tece uma manta, a próxima trama é sempre novidade.
As vezes eu chegava mais longe, até a esquina das minhas dúvidas, para depois voltar
para o conforto do que realmente conhecia.
Só que não podemos bitolar nossas andanças, senão o mundo rola sozinho, e eu
precisava fazer companhia ao espaço que ainda não me conhecia.
Fui seguindo aos poucos, não havia necessidade de absorver tudo de uma vez. Meus
olhos eram teimosos, estavam ávidos por exploração, antes mesmo de agir eu precisava
aprender, e como aprender se não pudesse observar?
Nenhum conhecimento chegava fácil, tudo era muito difícil. As coisas se isolavam, omitiam
a sua essência, tinha que descobrir por mim mesma.
E pela primeira vez em ninha vida,  finalmente, tive consciência de mim.
Já não me bastava ser criança, já não me bastava ser como qualquer animal, começava a formar opinião.
Observava meu pai, minha mãe, meus irmãos, ficava atenta ao que diziam, ao que faziam, mesmo
fingindo que não me importava.
Meu mundinho de repente ficou enorme, como se não pudesse mais contro-lá-lo.
Ficar ciente da cegueira de uma hora para outra, é muito triste. Precisei me esforçar para
aprender a enxergar, agora com mais clareza, esforçar-me para aprender sem ofender, pois,
naqueles dias havia uma certo tabu em relação a muitas coisas que os adultos faziam ou diziam,
nem tudo estava ao meu alcance.
Precisava sondar os passos, as vezes, tinha mesmo que apagá-los, não podia deixar pegadas,
para não sofrer castigos.
Fazer papel de adivinha: O que pode e o que não pode?
Não havia cartilhas ensinando a viver, apenas uma vara encostada num canto pronta para ser usada
caso pisasse em falso,
E o caminho era incerto, e os desejos impuros, e o que fazer? eu não sabia!
Mesmo o que nos parecia certo aos olhos alheios, mesmo assim. havia uma certa dúvida no ar.
Será?
Tornei-me uma alquimista profissional em relação a minha vida. Nada estava as claras, cada sentimento que descobria, precisava estar bem guardados dentro de uma caixinha de segredos, que só poderia ser aberta na solidão, marcados nos encontros comigo mesma.
Fiquei mocinha no silencio, nem sabia que me tornara moça naquele dia fatídico, quando vi
meu próprio sangue a escorrer, Por sorte, meus olhos furtivos já haviam presenciado alguma
coisa semelhante, e tirei minhas conclusões.
Então, me pareceu natural.
E do resto, o mundo se encarregou. O mundo ou o tempo, não sei. Não tem diferença entre um ou outro. pois o que nos leva são as experiências e as necessidades.
Nosso destino e nossa sorte estão em cada decisão que tomamos, independente da estação, movidos
mais pela necessidade do que propriamente por escolhas.
 Herta Fischer (Hertinha)










quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Dona de mim (continuação) cp 3

Era dia, era noite, tanto fazia. Era eu
que não via o tempo se descabelar.
Tudo certo. Não havia nada fora do seu lugar:
o vento bailando com o tempo,
as nuvens passeadoras, o céu feliz com
 suas estrelas. Tudo isto acontecia enquanto o
dia dormia.
Quando  o dia acordava, um tanto preguiçoso,
 tão formoso e tão amante.  Tudo se transformava em meu mundo:
o feio ficava bonito, o preto mudava de cor,
o vento assoviava a passar por entre os torrões
de terra que agora endurecidos faziam parte das
paredes que nos rodeava, e
minha casinha ficava muito mais feliz.
Dentro dela morava um duendezinho, que
nos trazia alegrias, era a caprichosa esperança que enchia
nossos celeiros de paz..
Papai  ia na frente como um rei, o seguíamos como
seus súditos, fazendo tudo o que nos pedia.
Mamãe, a rainha do lar, amiga das comidas gostosas,
das camas arrumadas com gosto, lençóis perfumados e passados
a ferro, quentinhas e carinhosas.
Também era amiga do sorriso, nunca nos faltavam gargalhadas.
Ela nos emprestava seus préstimos, seu carinho, mais do que tudo,
que perfeição!
Dizem que precisamos melhorar as coisas, colocá-las no lugar,
mas, está tudo tão perfeito, Eu não mudaria nada!
Até o chapéu do meu pai estava no lugar certo, pendurado
sobre um prego na parede, se exibia satisfeito e orgulhoso
por seu lugar de destaque,
O balde com água descansava sobre uma pequena prateleira,
feliz sobre seu posto, nos matava a sede por dias. A
prateleira um tanto curvada, não estava muito feliz, por ter que ficar com o peso,
mas mesmo assim, nunca reclamava.
Nosso quintal ensolarado, feliz com o verão ou inverno, tanto fazia,
 pois, tinha-nos a passar por ele em qualquer estação.
Pela la das quantas da noite, a lua surgia no céu, prateando o meu quintal,
e nós, pequenos guerreiros do dia,  deitávamos em sua ternura sobre
a terra crua, a fitá-la com amor.
Lá se chegavam os anjos, balançando as suas asas, com luzes e serenata
a se regalar pelo ar. tinham nome: vaga-lumes.
A noite sorria, a lua cantava, e as estrelas dançavam na mágica dos
nossos segredos. Eram anjos, eram anjos!
Todo dia e noite, toda noite e dia eram assim, não ficava nada fora do seu lugar.
Dormir e acordar, acordar e dormir, tanto faz, a mágica estava no ar.
Não fazia diferença: todo dia era dia, qualquer dia, qualquer hora, a felicidade
não dormia.
As vezes chovia, e ai morava o encanto, tilintar sobre o telhado era a melhor brincadeira
que as gotas não dispensavam. E minha mãe sentada ao lado do fogãozinho a lenha a contar
piadas, enquanto um cheirinho de comida caipira dançavam sobre nosso nariz.
Tudo na hora certa: café, almoço, café e jantar. Nada era mais gostoso que a hora de dormir.
As galinhas começavam primeiro, se empoleirando nas copas das árvores, pareciam cantar uma
canção de ninar, pois até aquietar-se, faziam muito barulho.
A noite caia de mansinho, quase que, silenciosamente, não fosse as canções das galinhas.
Tudo era penumbra, uma cor roseada caia sobre os montes, tocavam o chão de suas colinas, para
depois transforma-se em alaranjado, até sumir das vistas e tornar-se tudo tão negro como carvão.
Amava as cores da noite. tudo era tão perfeito, quanto o lugar que nos abrigava.
Herta Fischer (hertinha)








quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Dona de mim (continuação) cap. 2

Tão dona de mim. Tão dona de nada.Trago sonhos,
faço entregas , mas, o bem, nunca será aceito em sua totalidade,
porque traz em seu leito, renúncias.
Voltei-me novamente ao tempo presente, que de presente, me concede todos
os dias, amargor. Não é um amargo feroz, é tão manso que me deixa afagá-lo,
que me faz sorrir, pois sorriso eu tenho de sobra, mesmo que toda luz se apague, mesmo
que fique cega pela adaptação de quem não precisa mais da luz, mesmo assim, o sorriso
me é fiel, estará caminhando a meu lado como o melhor amigo que já conheci.
Eu nasci forte, diz minha mãe que nasci tão forte, que nem cabia mais em sua barriga, que o caminho que fiz para chegar, era pequeno demais, que tiveram que rasgá-lo.
Eu me enchi de coragem, atravessei lentamente por aquele caminho sofrido, humildemente avancei
sem me preocupar com as dores. e me fiz como um dia feliz. Nunca mais o abandonei.
Estava eu ainda pequena, nenhum entendimento me consolava, me tornava conhecida das coisas, e as coisas de mim, faziam parte. dançavam a minha frente, exibiam-se como bailarinas no palco,  e
me deixavam alucinada pela forma que despertavam meu interesse, ensinando-me a curiosidade.
A curiosidade me fazia cocegas, como uma irmã brincalhona, e as coisas se colocavam como fábulas contadas, com verdadeiro ensejo de serem descobertas e sentidas pelo meu desejo de tocá-las.
Aquele era o meu tempo, colado em mim como uma lesma em seu caracol, pelas suas mãos fortes me levava como background do meu viver.
Não existia mundo além de mim, não existia mal algum que me vigiasse, não havia dores, nem  misérias, embora estivesse cercada dela.
Era rodeada pela falta de conforto, mas não sentia desconforto, era tudo que eu conhecia, então, o que estava além, não existia.
A roupa velha que me vestia, tinha apenas a finalidade de me cobrir a nudez, pouco importava o seu estado, pouco importava os olhos que me vissem e me condenassem por ser maltrapilha e indecorosa
aquela forma de ser.
Alguém me assistia naquele singelo lugar. Uma casinha pequena que não perturbavam meus grandes sonhos. Acolhia-os. Eram grandes e tão pequenos, que cabiam em qualquer canto.
Se  a minha casinha era tão pequena e nela cabiam meus grandes sonhos, quão grande seria essa casinha, embora pequena, era maior que tudo o que eu sonhava.
Porque meu espaço era o meu mundo, e o meu pequeno mundo tão grande para mim.
Me sentia no paraíso. e o paraíso continha uma família da qual eu fazia parte, que de parte eu ficava
por ter sonhos demais.
Eu me sentia um pássaro sem asas a explorar a grande mata, a catar sementinhas, para criar minhas fantasias que eram muitas.
Todas as horas se me abriam os biquinhos, famintos de novidades, e eu os alimentava com minha
amiga esperteza.
Fui crescendo entre os braços do tempo, e minha curiosidade aumentava enquanto o relógio marcava suas horas sem cessar. Me dizia assim bem manso: sua hora vai chegar.
-Que horas, eu pensava: - todas as horas são minhas!
Nesse balanço enfadonho do vai e vem e vem e vai, para mim era só brincadeira de existir.
Até que comecei a sentir desconforto em não saber. Olhava para os outros, eles sabiam tudo de tudo, e eu,  uma simples criança perdida nas manhãs dos meus devaneios.
Tudo era manhã, não existia noite, nem tarde, nem dia, era a mesma coisa em todo lugar, apenas manhãs brincalhonas.
Eu precisava avançar, eu tinha sede de saber, queria seriedade, queria participar do mundo, não só daquele que criara com tanta afeição, eu precisava descobrir se havia vida em outros lugares. Já era tempo de dar a luz novamente, desta vez um pouco mais ousada eu seria.
Uma escolinha havia em algum lugar que eu desconhecia, eu sabia que estava lá, pois via meus irmãos saírem sorrindo, acompanhados de suas mochilas, que carregavam lápis, borrachas, cadernos
tudo tão organizadinhos que me traziam surpresa no olhar.
Eu os via saindo, e ficava carrancuda, porque eu também não poderia ir?
Meu pai, não raramente, me pegava tentando escrever. Ficava me fitando com orgulho e satisfação. Ele não sabia escrever, a oportunidade de alfabetização não lhe bateu a porta, a necessidade do trabalho foi mais urgente..
Num certo dia eu brincava de menina, meu sonhos estavam comigo.- numa ladeira de esperança, eu
empurrava uma vontade de ler e expandir o meu universo, queria-o um pouco mais aberto queria-o aos meus pés.  Precisava ser dona de mim.
Com apenas seis anos de idade, meu pai me disse que  eu ainda era tão jovem, eu tinha que esperar por mais um ano para poder iniciar a carreira de estudante. Ah! mas eu não podia esperar!
Sinceramente, acho que no céu eu tinha amigos, pois meu pai tão arrogante, só fazia a sua vontade, enfim, resolveu me matricular.
E eu fui, tão pequenina, sozinha no estradão empoeirado, como a rainha de sabá cantando a sua vitória, falando com minha mochila que mais parecia um bocó. Olha para mim, eu dizia:  Você carrega os meus sonhos, tenha cuidado, em você está meus lápis, meu caderno e minha borracha.
Comigo vai a vontade de estudar. delas eu tiro coragem para crescer.
E minhas mãozinhas frias e desengonçadas entrelaçaram felizes quando enfim eu fui aceita na escolinha encantada.
Timidamente cheguei no dia seguinte com uma alegria contagiante, acompanhada de um certo medo. tudo me parecia irreal.
Uma escolinha toda pintada de branco, a minha cor preferida, depois da cor azul. Um banheirinho do lado de fora. Com telhadinho e tudo. Lá dentro um piso feito de madeira com um largo furo no meio, Para mim, tinha cheiro de escola. Muito sofisticado para o meu gosto que só conhecia o ínfimo das coisas.
Entrei:  havia muitas cadeiras pedintes, pediam que as usasse, e uma delas me cativou. A primeira da fileira me pareceu mais interessante. Atendiam pelo nome de Carteiras, Basicamente: um banco de dois lugares, Onde se encaixavam uma bancada com compartimento para guardar pertences,
A filha da professora seria minha parceira, E, eu, quase morria de vergonha ao me deparar com tamanha beleza e sofisticação.
Me sentia como um ovinho de codorna em comparação com um ovo de avestruz. Mas, para minha surpresa, não tinha nada que a desabonasse. Muito pelo contrário:  era bondosa e companheira.
Tanto, que, depois da aula, a professora me convidava para tomar chá com elas.  Nossa escola. A escola do meu mundinho, era muito distante da cidade, obrigando, assim, que a professora morasse nela. Então, como tinha que se ausentar de sua casa na cidade por cinco dias na semana, ela trouxe sua filha para lhe fazer companhia, assim, poderia estudar também.
E nós nos tornamos boas amigas. Marta era seu nome.
Logo nos primeiros momentos, quando meus sonhos gritavam, minha professora tomava a minha mão entre a a dela, e me ajudava a fazer os primeiros rabiscos.
Tão logo comecei a escrever sozinha. tão logo meus talentos se afloraram.
Conheci o outro lado da moeda. De um pequeno mundo composto de sete pessoas á uma classe cheia de gente. E quando tinha que voltar para casa, alguns moleques me bolinavam, obrigando-me a conhecer malandragem.
Perto da escola havia um barranco como trincheiras de guerra, entravam lá para jogar pedras no teto da escola, e me obrigavam a entrar com eles. E com medo de sofrer violência pela desobediência, eu tinha que fazer o mesmo que eles faziam.
Eu acabei contando para a professora, e ela, tão bondosa, me segurava na classe até que todos iam embora. Assim, me livrei de muitas dores.
Tantos anos se passaram, e me levaram com ele, como o vento e sua andorinha plainando no conforto
um do outro.
Eu e o tempo, sonhos roubados, foi tudo em vão.
Tão logo me encontrei com as letras, tão logo as conheci, tão logo as abandonei. Meu mundo de palavras ainda me foram poucos. Assim como aconteceu com meu pai e minha mãe, eu tive que parar com os estudos, tinha urgência em aprender outras coisas. Estudar não enche barriga.
Fui para a roça, talvez, com menos alegria, mas, com muita coragem.
Peguei no cabo da enxada, tão pesada e tão malandra, não fazia nenhuma força, só deixava se levar pela minha.
Tudo passou. Depois de tudo, Fui indo, fui voltando. As experiências foram tantas, Voltei a estudar, e conclui o segundo grau, aprendi um pouco mais. E agora, estou aqui, como quem faz alguma coisa que gosta. Tão pouco, mas tão muito para mim.  Assim, como minha casinha pequeninha que guardavam  meus sonhos grandes, Meus sonhos ainda encontram algum espaço para crescer.
Herta Fischer (hertinha)













terça-feira, 24 de novembro de 2015

Dona de mim (capítulo 1)

Cheguei e me recolhi em um canto choroso, tudo as escuras,
o sol apenas me sondava furtivamente entre as paisagens
distantes do meu desconforto.
Em ruínas estava o meu mundo, desabado e inacabado acima
das minhas lágrimas de cristal.
Achava que podia mudá-lo, achava mesmo. Poderia colocá-lo
no paraíso dos meus sonhos, mas ele estava tão distante, tanto
quanto meu sonho descabido.
Subi para  o meu quarto, também estava escuro, escondido entre quatro paredes
e uma porta de esperança, que também se encontrava fechada.  Dei meia volta,
não queria tirar seu sossego, e fui para a sala sombria.
Liguei um radiosinho de pilha que no canto fazia silencio, sintonizei
virando o botão vagarosamente,
 logo uma melodia encheu de encanto o ar, e tudo ficou mais viçoso.
Tinha nas mãos uma tela, a espreita estavam os pincéis e as tintas, que
se logravam cada um de seu intento.
Pequei-os, meio tímida e confusa. De que me adiantava ter todos
loucos para trabalharem, quando que minha vontade e habilidade
não estavam lá.
Ha muito perdi minha vontade, eu as tinha, mas se perderam
na fumaça do descaso que nunca me incentivava.
Era eu e minha luz, era eu e minha certeza, que se amavam até
se perderem em tristezas,
Tudo aconteceu tão de repente, quando ainda havia sol nos meus dias,
e a alegria não fazia de conta: existia, assim como dia e noite.
Era sol e dia claro, sorriso de mãe  e de pai constantes me empurraram
para a vida. quando, tão cedo, se apagou embaixo de uma lápide qualquer.
Tentei seguir, tentei não olhar para trás, fiz meu olhar olhar para a frente,
só para a frente, onde meu futuro se fazia.
Mas esse futuro não tinha lugar, era errante assim como eu.  Não conhecia
caminho, não se lhe abriam estradas, apenas o desconforto de ter que seguir.
Minha sina se pôs de frente, como um tenebroso inverno, que na secura
se faz, e sobre o gelo vive. A dor da perda me levou a lugares selvagens, quando
tudo que se ouvia eram uivos, e a escuridão melindrosa me roubava toda luz.
Andei em lugares sombrios, tateando como cego a procurar por nada, E os
lobos continuavam a espreita, guerreando contra a inocência.
Quero seguir, preciso. Mas não tenho mais pés que se alegram em me levar, não
tenho mais coragem que me acompanhe, não tenho mais nada, a não ser
os dias que ainda insistem em nascer.
Dizem que filosofar é viver, mas para mim, filosofar é para quem já cansou de viver,
de esperar por dias melhores, quando tudo que se enxerga são densas nuvens se abrigar
no peito, enchendo o coração da visão de que não tem mais jeito.
A primavera nos alegra com flores, para depois, nos lançar na penúria do inverno, fazendo
os sonhos transformar-se em pó.
Eu já fiz muito, já fiz de tudo, já tive e perdi. mas também já cansei de me doar na
escuridão, quando ninguém me vê.
Não que eu queira ser vista por aquilo que faço, ou falo, mas que seja reconhecida por aquilo que sou.
Por ser alguém que galga o bem.
A vontade que eu tinha em estar já se perdeu pelos anos, se foi como a areia que o mar leva, sem nunca mais voltar a terra.
A alegria me visitou na juventude como quem visita um irmão, era tão macia e ativa como a lã de um carneiro, tão amorosa e atenciosa como uma mãe é com seu bebe. Com o passar dos anos, foi indo-se, afastando-se até não encontrar mais o seu lugar.
Ela se foi, dando lugar a rebeldia, a solidão, ao descaso, e amargou a fonte que antes jorrava abundante,
Desci das minhas certezas, subi pelas ruas tristes, encontrei-me no vazio.
Agora, enquanto ainda tenho folego, eu quero seguir, eu preciso sair de mim, para poder novamente encontrar um pouco do que já fui.
Quem sabe, ainda exista uma rua de sonhos, por onde passe gente como eu, que ainda se importe com o outro,  que possa  trazer-me de volta a confiança perdida.
Já se fez noite em meu caminho, e novamente a luz se foi, como quem tem medo, como
quem precisa se ausentar assim como se ausentou meus melhores anos.
Talvez  o próximo bonde de nome dia, nem me encontre mais, talvez eu já tenha criado asas e subido para outro lugar que me aceite
como este mundo nunca me aceitou, simplesmente, por eu ser assim, tão dona de mim.
Herta Fischer (hertinha)














Tudo a seu dispor


O dia chegou,
assim, como quem não quer nada,
e me abraçou.
Me vesti com um belo sorriso
e lhe dei.
Tanto era o amor
que nos unia.
Levantei-me, e de um salto,
me vi na vitrine da vida,
satisfeita em mim mesma.
Cabelos dançantes
enfeitavam minha alegria, enquanto
uma musica suave acariciava
meus ouvidos ávidos por som.
Só então, abri a janela,
e lá estavam todos, a rodopiar
em torno de si mesmos.
Quiz aproximar-me, mas estavam
tão preocupados com afazeres
estranhos, que de mim, não se deram
conta, Nem da minha alegria.
Fechei a janela com tristeza,
voltando para o silencio das coisas
que me rodeavam, estava tudo
arrumadinho, cada coisa em seu lugar,
Meu coração estranhou aquele silencio
que se fazia la dentro, e minha alma
se agigantou de tal forma que
quase nem cabia mais em mim.
E perguntei ao dia:


-Que me trazes,
se me acordas para viver só?
E silenciosamente, ele se encolheu um pouco,
como que envergonhado por acordar-me
e só me oferecer ausência..
E respondeu-me: - Abra mais uma vez a janela!
E eu abri. Lá estavam sobre o mundo, todas os
sorrisos, todos os amores, enquanto o som
sublime de cantos enchiam o ar.
Então me disse com ar zombeteiro:
- Só fica só quem quer.
Tudo a seu dispor: flores, pássaros,
nuvem, céu, sol, e ainda quer mais amor?
Não é só os que falam que podem te trazer
bem, assim como não é só o que
se come que sacia a fome.
Eu estou aqui todo alvorecer te cobrindo
com o manto da vida, te dou tudo o
que precisa, todas as ferramentas
para se realizar, porém, o que me cobra é,
justamente o que ainda não posso te dar. Ou
aquilo que ainda não consegue ser.
Adianta-te, clama pela fé, cobre-te com
esperança, enquanto o dia ainda o é,
pois ante a escuridão da noite, nada mais
se poderá fazer, a não ser, me esperar.

Herta Fischer (hertinha)


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Ainda estamos cegos

Não adianta.
Quanto mais se fala, menos se entende.
O ser humano e sua complexidade?
Quando eu, não eu, mas a minha essência,
diz que Deus é  que governa o universo,
que os acasos fazem parte, e que nós não temos
poder para caminharmos por caminhos livres de perigos,
que a nossa fé deveria suportar todos os reveses,
que é justamente a dor que nos fazem mais próximos
do Divino, eu simplesmente, estou falando do
que entendo por viver.
Corremos atras do vento, e amamos tudo o
que passa. queremos ver eternizado aquele que perece,
não firmamos nosso olhar Naquele que vive e permanece
para sempre, e na novidade da vida prometida aos
que seguem seu caminho sem grandes preocupações com o futuro.
É lógico que precisamos trabalhar para o nosso sustento,
é lógico que desejamos coisas, pois são as coisas, que ainda nos movem
neste plano, porque perecemos, atentamos, ainda ao que perece.
Porém ao nos entregarmos a vida que Cristo nos ofereceu quando
se entregou para a nossa salvação, quando ao parecer dos fracos,
foi de que, havia sido derrotado pelo inimigo na sua morte,
Mas, que, vencendo a morte nos mostrou o quanto poder Ele tem,
nos dando a plena confiança, de que, ao morrermos, estamos morrendo
apenas para o desejo do corpo. esse desejo que carregamos na carne.
Quando, porém, Cristo voltar, ele transformará esse corpo perecível em
corpo vivo. Um corpo eterno, que não mais conhecerá corrupção.
Ai, sim! estaremos vivos, seremos vivificados pela palavra que diz:
Vivificados em Cristo.
Ser vivificados com Cristo significa experimentar a vida de Deus em nós, significa ser
nascido de Deus por meio do seu Espírito, O vazio em nós é preenchido com a alegria de sabermos
salvos e completos, quando somos levantados do túmulo do pecado, e sentados com Ele nos lugares
celestiais.
(Ser vivificados com Cristo significa que "somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para
fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para que pudéssemos praticar" Efésios 2:10)
Agora ainda andamos com traves nos olhos, olhando com os olhos carnais, nos defendendo a nós mesmos, e sobre caprichos de quem vê apenas na aparência. Ainda achamos que podemos "salvar",
quando, na verdade, já somos salvos pelo sangue do cordeiro aspergido no altar de Deus.
O sangue do cordeiro está sobre o umbral da porta da nossa casa, e a morte não mais pode entrar,
por causa daquele que nos vivifica.
Nosso corpo carnal anseia por corpo, anseia por presença, anseia por aquilo que nada é, quando que, deveria ansiar por vida!
Qual é a nossa função neste mundo?
Crer na promessa, assim como Abraão creu, ao entregar o seu filho como sacrifício, mesmo sabendo
o quanto sofreria com seu ato, que para muitos poderia parecer crueldade.
Porém, antes que o fizesse, Deus ordenou que parasse, pelo testemunho da sua fé.
Assim, também nós deveríamos confiar totalmente na promessa da ressurreição.
Mas, ao invés disso, nos torturamos pela perda do corpo, quando que, deveríamos nos alegrar por
libertar-nos desse corpo que nos escraviza.
O corpo tende ao pecado, isto é, ao desejo de satisfação corpóreo. O espírito anseia por liberdade
quando esses desejos não são satisfeitos totalmente, e nunca serão, por causa de Cristo.
Como dizia Paulo:
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer
está em mim, mas não consigo realizar o bem.
Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.
Ora,se faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.
Acho então esta lei em mim, que, batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.
Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?
Dou graças a Deus por Jesus cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo á lei de Deus, mas com a carne, á lei do pecado. (Romanos 7:18-24)
Quando o próprio Senhor Jesus, para levar aos gentios a sua palavra, escolheu um dos perseguidores da sua igreja, a saber, o Apóstolo Paulo, antes, foi lhe tirado a cegueira, então-se os olhos lhe abriram,
e ele pode enxergar além do que até então ele conhecia.
Cristo é a nossa luz, quando Ele se nos manifestar, também nos abrirá os olhos e a nossa cegueira
desparecerá.
E desaparecendo a cegueira, em dia pleno andaremos, como todos aqueles que creram na promessa
antes mesmo que fosse cumprida, não mais procuraremos satisfações pra agora, olharemos mais
para o alto.

Herta Fischer (hertinha)












domingo, 22 de novembro de 2015

Seu dia

Oh, dia, me espere...
eu vou indo!
Oh, dia, se alegre..
estou contigo!..
Oh.. dia.
me dê forças..
caminho!
Tão simples
e tão complicado
sem fé.
Tão complexo e 
tão suave
o é...
Herta Fischer (Hertinha)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Pensando, refletindo e vivenciando

Porque Deus se desenha a minha frente,
não é um caminho,, é a certeza
de chegar..

.E pensar que amanhã, talvez,
eu nem fique.
mas enquanto estou,
que tal um abraço apertado,
daquele que esperamos nunca
mais esquecer.
Herta Fischer (Hertinha)

Uma vida inteira num deserto
só me faz confiar mais em Deus,
a falta de tudo me dá mais confiança do que
se pudesse estar nos braços da bonança,
pois no bem bom, com certeza já
teria te esquecido, e quanto
mais me falta mais preciso
do Senhor.

Quantos já sobrepujaram minha inocência, quantos transgrediram
minha imagem..Porém, nunca cansei de plantar flores, mesmo onde elas não crescem. Sou uma teimosa agricultora
que confia no tempo, e na fecundidade da terra. Nós semeamos, mas
o frutificar depende de quem conhece a semente melhor 
do que nós.
Herta Fischer (hertinha)

"Eu espalho o bem, porque o mal não me interessa."
Herta Fischer (Hertinha)

Não espero grandes nem muitos amores, só espero sinceridade, mesmo que seja aos pingos...Amo todos vocês, que de um Jeito ou de outro, ainda
vê beleza onde ninguém mais vê...
Amados no Senhor..Muito agradecida mesmo..

Que as estrelas brilhem em seus Emoticon heart Emoticon heart Emoticon heart
Não tem melhor lugar para ser céu...
Herta Fischer







Somos iguais

Eu gosto das pessoas independente do que ela gosta,
do que ela faz.. Simplesmente gosto
porque faz parte da criação. e eu também...
Escolha, ela faz para ela..sentimento,
eu sinto em mim...
Herta Fischer.

Cativar e cuidar

Eu tinha um cavalo
e ele me servia.
demorei para entender
que ao escravizá-lo
eu também perdia um pouco
da minha liberdade.
Havia um compromisso
entre eu e ele.
Ele me servia, mas dependia
de mim, o seu bem estar..
Então, era eu e ele,
escravizados um no outro.
ele, preso no pasto,
e eu, presa a ele
pelo compromisso.
Herta Fischer (Hertinha)

Ao me encontrar

Quando eu me amei de verdade
compreendi que deveria
amar mais os
que passam por mim.
Quando me amei de verdade
compreendi a mensagem
do Senhor Jesus:
Ganha vida aqueles
que não amam
a sua própria vida.
Assim foi com Ele
e com os profetas.
Assinaram sua entrada
na vida eterna quando
não depositaram confiança
na vida que tinham,
e confiaram cegamente
na promessa do Pai!
Morreram para viver...
Herta Fischer (Hertinha)

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Tesão por ternura

Sou romântica,
 mas onde se escondem as rosas?
No aniversário de ternura,
ou na mentira de quem a dá,
só para Merecer um obrigado,
Meus olhos límpidos e brilhantes
estão a procura de amor, um amor
exibido, quando  não só se
demonstra em desejos.
Quero uma mão a me afagar, quero
sorrisos soltos, quero
presença mais que tudo.
Não vivo na cama, tenho muito
mais a explorar.
Um abraço, só um abraço, me faz tanta
falta, um abraço sem nenhuma intensão.
beijos estalados sem nenhuma razão, dados
por delicadeza, não por paixão.
Herta Fischer (Hertinha)


Sem acepções

Oi crianças.
Conheci o primeiro amor
no colo da minha mãe, mas não
aprendi a ser amor assim.
A gente cresce e desaprende,
por nos incentivarem a
disputa.
Por nos ensinarem a nos ver
bem maiores do que realmente
somos,
Por nos fazerem ver diferenças
entre um e outro.
Por estarem sempre de olho
no ruim, por desacreditar
no bem, pelas más obra de alguns.
Por alertar-nos contra os homens, sem
ao menos entender o por quê da lama,
quando, os lugares enlameados
são poucos.. Ha mais dias de sol
do que dias nublados, no entanto,
damos mais atenção as nuvens que
ao sol.
 Desde a mais tenra idade, aprendemos o
egoismo, quando nossos pais ficam
se medindo a todo instante: quem
é melhor ou tem mais forças.
Quando que, o que foi ensinado
é que a companheira foi feita sob medida
para o homem e Deus a chamou de idônea.
Idôneo é o mesmo que conveniente, apta,
capaz. O que fez Deus criar a mulher foi
a solidão do homem,
Seria para que um cuidasse do outro, gerando
filhos para a obediência, e os ensinado
tudo o que aprenderam, No entanto,
não é isso que acontece.
Casam-se sem fé,  com  pensamentos sensuais,
visando prazer mais do que respeito e amor.
Escravizam-se ao invés de amar, e geram filhos
doentes, tornando-os seres ineficazes no bem,
Por isso o mundo sofre tantos preconceitos,
por falarem de anormalidades e  diferenças,
quando, na verdade, deveriam se preocupar com a
edificação pessoal.
Ensinando-os a respeitar toda a criação como algo
que se completa. O ruim e o bom, quem perde mais?
Porque o bom ganha todas as honras e o ruim, toda
sorte de criticas.
O bom é amado, o ruim desprezado.
Um não pode viver sem o outro, pois respeito
se aprende na diferença entre o que é perfeito
e o que é imperfeito, pois se aprendermos
desde cedo a não fazermos diferença entre um e outro,
nem vamos nos dar conta da diferença em si,
O que é normal não se torna objeto de controvérsia.
Herta Fischer (Hertinha)



,


Não menciono, porque em mim, não existe

De tanto falar, coisas acontecem!
Nunca dei ibope a preconceito...
Se realmente somos conscientizados na pureza de que somos
todos da mesma marca e patente, sabendo a origem de quem nos registrou..Tudo fica esclarecido, mesmo porque, aquele
que faz diferença são espíritos facciosos e divisionistas, que não devem ter tidos em consideração..
Herta Fischer.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O ser vivificado

Existe o ser vivente e o ser vivificado, O ser vivente está em destaque no mundo, pois procura se manter com o que consegue, por isso passa na frente de tudo
Já o ser vivificado (em Cristo) não se destaca, porque não
procura o bem para si mesmo, não se importa em estar em segundo plano, pois acolhe com amor a sugestão do Senhor:
Ama os seus semelhantes, assim como vos amei!
Herta Fischer.

Em busca do dia perfeito

E o que faço agora que reconheço
minha insignificância?
Me entristeci, sobremodo, até
minha alma desfalecer.
Não compreendi bem o fato
de ser assim, sem muita vontade
de estar no meio da satisfação.
Achava-me incapaz, achava mesmo que
não
merecia estar aqui, que todos estavam certos,
eu era a errada.
Lutei muito para ser igual, deixei-me levar
nos prazeres que fazem do ser humano
alguém especial, mas, nunca
consegui o pódio.
Festas, comilanças, danças, viagens, tudo
em que os seres se satisfazem, para mim,  não
faz a minima diferença, não me sinto melhor, nem
pior.
Fiquei imensamente triste por não ter conseguido
conquistar um grande amor, nem grandes amizades.
Sempre acreditei que não fiz o necessário, que não
tenho a emoção necessária para sentir-me bem
em relação as coisas.
Comprar é um martírio, sei que ainda necessito de
coisas básicas,por isso ainda vou a supermercados,
e lojas, mas dizer que sinto prazer nas coisas, seria mentir
para mim mesma.
Tento não ser assim,mas não adianta. Há quem fale
 que sou depressiva, por isto não
tenho gosto pelas coisas, mas sei que não sou.
Sou normal,pelo menos me sinto bem.
Ai, hoje eu estava procurando por respostas. as vezes, tenho
algumas por mim mesma, agora fui buscar com
 um especialista e entendi o que me acontece:
Não sou uma massa de corrupção, não vivo como
os demais, separado de Deus. Não me entreguei
ao gosto dos sentidos e as coisas fúteis
 que perecem ao meu redor.
O gozo que busco não se encontra no mundo,
ainda não está a meu dispôr, por isso, não
encontro o meu lugar no mundo.
O premio tão esperado, pelo qual anseio, esta
no outro lado, é para onde vou indo. Estou a caminho
das águas, como andarilha sedenta, a fonte me espera em algum momento,
em algum lugar, por isso ainda me alegro em caminhar.
Mesmo que seja sofrido, mesmo que seja solitário o
meu viver, mesmo assim, eu vou sem mágoa,
eu vou sem lamentos, eu estou segura em minha fé,
e estou seguindo rumo ao dia perfeito, no qual me alegrarei
de fato com aquele amor que desejo..Amor de Cristo!
Herta Fischer (Hertinha)




Barco a deriva

Será que sou arrogante?
Tenho muitos motivos para
pensar que não, embora, as vezes,
me considerem um tanto presunçosa, devido
a minha fé.
Creio que Deus comanda até os nossos
sonhos, não somos
responsáveis nem pelo ar que respiramos,
pois num instante, tudo pode mudar.
Algumas pessoas deixam a desejar, se
entregando a preguiça e ao não estar
nem ai com nada.
Eu acredito que não seja culpa dela, e sim, culpa
da forma em que foi criada.
Uma boa ave ensina os filhos tudo o que
ela aprendeu, mas uma ave que nada aprende,
nada pode ensinar.
Tem pessoas que vivem tão alheias, que vão
seguindo ao sabor do vento, e até mesmo
na questão religiosa, seguem aleatoriamente,
sem medir as consequências, achando que
Deus resolve tudo, que eles
não precisam se esforçar para fazer a sua parte,
e quase sempre ficam decepcionados com
o que recebem.
Tentar se conter, se preparar para mudanças em relação
ao que Deus espera de nós, não é utopia, Utopia é acreditar
que não temos nenhuma responsabilidade sobre coisa alguma,
Um barco sem leme segue ao sabor do vento e das ondas, correndo
o perigo de ser jogado obre as rochas á qualquer momento.
Já um barco com leme e um bom condutor,
mesmo em situações de perigo, sabe como enfrentar o vento e procura
fugir das grandes correntezas,
Por isso é que estamos sempre lutando uns com os outros para nos
defendermos, pois alguns pensam demais, outros nem pensam, alguns
fazem das tripas coração, para não prejudicar ninguém evitando
fazer danos a outrem, outros, porém, fazem questão de ser tropeço.
A meu ver, não é a religião que faz o individuo, e sim, a fé que ele
tem em si mesmo, por e pela causa de Deus.
Herta Fischer (Hertinha)




sábado, 14 de novembro de 2015

Nutrindo-me de bem

Pra falar a verdade:
é tudo tão estranho em mim..
Coisas não me realizam,, só
os sentimentos,
pois, coisas, se desgastam, empoeiram-se,
e sentimentos nutre..
Herta Fischer

Viver ou dominar

Meu Deus, até quando?
Suporto tudo, falta de amor,
desprezo por parte de alguns, até a falta de um homem
para me satisfazer, mas, não suporto a falta
de respeito.
Para lembrar: quando Deus estava cuidando
do seu povo, e os homens
relapsos e sem entendimento usavam os
seres a  seu bel prazer, tudo bem! eles
agiam sem razão.
Agora, depois de obter conhecimento,
de falarem a respeito, de dizerem-se cheios de fé,
de manifestar conhecimento
da vontade de Deus, e ainda, seguir pelo caminho
torto, Ah! isto eu não compreendo.
Quisera eu, ser como um ser errante, que
pelo muito andar, se cansa, que dorme
sobre folhas de palmeiras, que se resolvem por si mesmos,
e que agradam a Deus, na felicidade de se saber, seu povo,
Ao invés, de comermos e bebermos a vontade e ainda
querer furar o olho do outro, só para crescer ante os olhos alheios.
Quanta idiotice, acumular bens, pra quê?
De que adianta ter um cobertor enorme, quando somos pequenos?
De
que adianta construir um templo
sendo que nunca seremos divindade?
De que adianta querer dominar o mundo, quando o que somos
se resume em quantidades de anos?
Por quê?
Mesmo arrastando as pernas, mesmo não tendo
nenhum moedor que preste na boca, mesmo sem ter
o minimo de forças, ainda queremos construir impérios?
O que nos faz tão arrogantes? a carne?
É justamente ela que se extingue antes que
possamos respirar.
Cometemos toda sorte de sacrilégios e ainda culpamos
os outros. como se não fossemos devedores de nada?
No primeiro momento, escolhemos, para depois dizermos
que escolhemos mal, amamos e não compreendemos, para depois
dizermos que nós é que fomos incompreendidos?
Solicitamos paixões da vida, e quando somos objetos
das paixões, nos entristecemos?
O que queremos na verdade?
Viver ou dominar?
Herta Fischer (Hertinha)


Amigo são pessoas comuns

Sempre pensei no amigo como um irmão.
tive muitos, embora o tempo e
as circunstâncias os tenha levado.
Teve uma que me estendeu
a mão quando cai.
teve outro que, simplesmente olhou
em meus olhos, quando
tudo que eu via era vazio.
Outros ainda, me sorriram mesmo
sem me conhecer, e alguns
até me encararam com
paixão momentânea. e
me foram muito caros,
fizeram-me perceber
que estava viva.
Enfim, amigos
são os que espalham sorrisos,
ajudam quem precisa e até
silenciam quando a dor
nos exige reclusão..
Amoamigo.
Herta Fischer.

Quase chegando (Quase lá!)

As portas quase se fecham, mas
ainda resta uma fresta
por onde ainda passa luz.
Me regozijo em cada
dia como se me restasse
somente ele, como
se nada mais existisse
a não ser cada minuto
que passa.
Estou saindo de fininho
e quase chegando
no encanto
mais sublime e esperado,
o momento do
meu encontro
com Deus

,Quando todas as portas do mundo
se fecharem, e aquela
porta que se abrirá
mais do que todas as outras
que já estiveram abertas,
quando o caminho se me abrir
repleto da mesma esperança
que me levou, quando
enfim, eu sentir
que me livrei da canseira
de carregar este corpo velho
e perceber que o espirito
continuou intacto, por
Deus ter cuidado dele
como uma mãe amorosa
cuida de seu bebe.
Então, de fato, me
sentirei
novidade,
E este amor que hoje vivo
pela metade,
explodirá como
se tivesse sido
a única porta aberta
que eu não vi.
Herta Fischer


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Coisa de tolos

Eu quero o amor que
eu nunca senti, o sorriso
que esqueci em casa
Eu quero as mãos que nunca
estendi, e perna
transformando-se em asa.
Eu quero a caminhada
que não fiz, os prêmios
que não mereci.
Que ouça a oração que não fiz,
das bençãos que já recebi.
Estou sempre querendo,
nunca fazendo por merecer,
e ainda te condeno
por um dia ter que morrer.
Eu quero viver mais do
que todos, eu não me importo
com os outros,
Se tenho fico satisfeito,
sou orgulho
e sou tolo.
Herta Fischer (Hertinha)

Devaneio de quem procura

E la estava eu, miudinha e feliz, em meu mundo de faz de conta.
Caminhava para baixo, muito para baixo, só para baixo, rumo
ao encantado descanso perfeito.
Lá no sopé do morro, quase afogado em tristeza morava
meu lugarzinho.
Eu descia assoviando uma melodia serena que só meus
lábios conheciam, ninguém mais.
Meus pés não se envergonhavam, mas caminhavam nus pelas ralas
gramas  a beira do caminho que sorria.
E me tocavam, quase que tão carinhosas, a me arrancar suspiros
de prazer ante o molhadinho de sua nudez.
O caminho era tão estreito, impossível não amá-las, tão convidativas
estavam a beliscar-me os calcanhares.
Depois da descida um barranco me aguardava, tão decidido a me encurralar,
a não deixar-me avançar.
Eu tocava-os com as mãos e de manso escorregava por seu trépido e volumoso
corpanzil.
Alcançava sua gloria, quando ele se esparramava na terra e através dele se abria novamente um caminho, ele reclamava a soltar torrões de terra, mas me deixava ir.
Lá dentro, naquele buraco enorme, havia um mar de lama, e eu o enfrentava.
Meus pés tão pequenos e tão poderosos, com garra pisava o lodo, ele o
queria engolir, brigavam, se estapeavam, a meia boca aberta sugava-me  até a cintura,
e meus pés enérgicos sussurrava com bravura: Você não me vence não!.
Um para cima, outro para baixo, as vezes de joelhos, outras engatinhando, e eu
conseguia me safar.
De repente uma árvore deitou-se como quem me estendia a mão, e se pôs a meu dispor,
sorridente.
Eu apanhei seu galho como tábua de salvação, e cutucando a lama a coloquei em seu lugar,
Só então sorri, como quem sorri da dor, do outro lado se estendia um riacho de esperança e prazer,
onde, com cuidado, coloquei meus pezinhos cansados e sobrecarregados pela lama seca.
Quanta sabedoria existia na água, que a lama enciumada fazia questão de torná-la tão difícil de alcançar.
O rio então se me abriu em sorrisos e começou a cantar em seu córrego. Um tilintar tão melodioso
encheu meu coração de amor.
O coqueiro que teimosamente crescia ao pé do riacho se encantou com um pássaro que empoleirou
em seu galho, e pôs-se a dançar alegremente, molhando as pontas de suas folhas na água que sorria.
Quão mágica é a vida, quanta doçura  há em seu leito, parece feito de corações perfeitos, recheados
de novidades.
Pena que, tão logo cheguei, tão logo precisei pensar em voltar. Uma mariposa sapeca me trouxe a realidade, ao pousar em minhas mãos. Lembrando-me que o sol já se perdia entre as árvores, lançando um resquício de luz dançante a me dizer adeus.
Dei uma última olhada para o rio, parecia meio triste agora, uma sombra amarelada tirou um pouco do brilho de seu olhar.
Olhei para a frente, e o tenebroso pântano sorria como se zombasse de mim, mas eu, não desisti de enfrentá-lo novamente, pois o galho daquela árvore gentil e hospitaleira, me aguardava cheia
de vontade.
Peguei-o entre os dedos, senti uma força tão grande, que o medo de enfrentar a lama não
conseguiu me afetar.
Despedi-me do meu descanso e segui rumo a decadência de barro. Tão logo pisei, tão logo afundei.
Comecei a intimidá-lo, pisando bem de mansinho como se flutuasse, o galho que  me assistia, me empurrava, me encarava e me chamava para seguir. Foi até mais fácil do que pensara, ao chegar na margem, olhei para trás, tudo estava igual como era antes, e a natureza já um tanto adormecida
não mais se preocupou, foi ficando sem cor, e desfaleceu no seu lugar.
Mas ainda restava o barranco, tinha que vencê-lo.
Estava escuro, o sol se foi, a natureza adormecida já não podia me ajudar, então, era entre eu e o barranco.
Coloquei minhas mãozinhas em seu ombro, finquei com força e poder, dele arranquei gemidos, pois logo alguns torrões se soltaram, e minhas mãos deslizaram quase que me jogando ao chão.
Como tudo é perfeito.  mesmo no escuro um chumaço de capim se colocou a meu dispôr, peguei-os
pelos cabelos, de tão fortes me feriram, mas deles viera o socorro, e não podia desperdiçar.
Com as mãos feridas e doloridas pelo esforço, coloquei um pé em uma saliência, outro pé em outra mais acima, e com ajuda do pé de capim, consegui completar a escalada.
La de baixo, mesmo sem conseguir enxergar, uma saraiva de gritos de sapos me incentivaram a avançar.
Tão logo alcancei o caminho, minhas pernas me levavam, e sentia ainda, o doce carinho da grama a roçar nos calcanhares. Ate encontrar-me novamente na doce casinha que me abrigava da noite.
Serenamente. Cansada, mas contente. Espreguicei-me entre os lençóis macios, e a noite que nos alcançou, nela me acomodou até o sono chegar.
 Herta Fischer (Hertinha)















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