Ainda há tempo para recomeçar, mesmo que a “bateria” esteja fraca. Busco renovação. Meu corpo sente o desgaste do tempo, mas meu espírito deseja mudanças. Meu foco é o que me cerca, não quero ser motivo de tropeço para ninguém. Não quero me “reajustar”, mas ajustar a forma como lido com os outros, entendendo seus motivos e usando os meus com prudência. A natureza não condena, apenas se adapta com o tempo. Preciso reaprender a caminhar, usando o apoio da compreensão e a coragem da renúncia. Quero chegar à estradinha da amizade, cercada de bem-querer, onde possa ser bênção. Não vivo só para mim, sou parte do universo que envolve a Terra, cuidando para que tudo funcione bem, sem destruir o que está além da minha compreensão.
Pensamentos da Herta
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Foco no objetivo
Ainda há tempo para recomeçar, mesmo que a “bateria” esteja fraca. Busco renovação. Meu corpo sente o desgaste do tempo, mas meu espírito de...
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Foco no objetivo
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Revolta tranquila
A poesia ainda desperta em mim o desejo de caminhar entre lixos e flores, catalogando esperanças e consolos. Como árvores infrutíferas que surgem entre as frutíferas, talvez para equilibrar a flora, passo a compreender os reveses e as incoerências naturais. Homens em guerra, entre a paz de alguns, doenças, mortes e a vida em expansão. Olhando para o céu e suas mudanças, que afetam a terra e o próprio céu sem abalo, homens à procura de si mesmos. Há em mim uma revolta tranquila, se é que isso é possível. Preciso ser, obrigo-me a seguir; os frutos adoecem e as flores surgem, mesmo que morram no pé.
Herta Fischer
domingo, 11 de outubro de 2026
Pedaços semelhantes
Estou aqui, mais uma vez, tentando mudar o foco dos pensamentos. Minhas lembranças são tão vívidas que, muitas vezes, parecem costuradas com pedaços semelhantes. Tive muita dificuldade para me encarar de frente, acreditava ser apenas o reflexo dos outros. Desde cedo, caminhei e brinquei com minhas fantasias, superando obstáculos e deixando que o tempo curasse certas feridas. A mata era meu mundo, os trilhos entre as árvores, minha alegria. Ainda vivo essa simplicidade, mesmo sem caminhos ou grandes florestas para explorar. Meus olhos substituem meus pés, e meu coração sente o invisível das boas memórias. O mundo visível é como uma grande tela, já pintada e completa, onde os olhos se cansam de ver e os ouvidos de ouvir. Nas profundezas das lembranças, onde o mortal não entra e o eu sem máscaras se revela, é possível ouvir a própria voz sem mover os lábios, chorar em silêncio sem lágrimas e alcançar o próprio limite — e, assim, aprender um pouco mais sobre a vida.
Herta Fischer
domingo, 27 de setembro de 2026
Estrada da vida
Em minhas breves viagens pela vida, a insistência tirava a magia de sentir. Caminhava rápido demais pelos caminhos das conclusões, até que me fechei em mim mesma, podando as descobertas mais importantes e me tornando formal demais. O medo de errar, de causar desconforto a alguém, de precisar de correção, me causava pânico. Cada passo precisava ser milimetricamente estudado, as palavras escolhidas e as ações alinhadas ao que eu julgava apropriado. Essa mania de perfeição sugava toda minha energia, a ponto de, muitas vezes, não querer mais estar. Nos momentos solitários, sentindo pena de mim, divagava de uma lembrança ruim a outra, ressaltando memórias que só me deixavam mais perdida. Havia uma divergência entre o que pensava e o que sentia. Sentia um bem enorme pairando no coração, mas, no íntimo, esse bem virava peso. Não deixava nada para depois, apenas para evitar cobranças futuras. E assim os anos passaram quase automaticamente, sem grandes vitórias ou derrotas, sem felicidade ou infelicidade. Como um redemoinho no ar, que começa e termina. Mas estou evoluindo! Quero mais do que simplesmente passar. Quero sentir as emoções da corrida, sem me preocupar com medalhas, apenas pelo prazer de estar no páreo e sentir o gosto de participar.
sábado, 19 de setembro de 2026
Aprendizado e prova
Ainda é cedo, o velho e o novo caminham pelo mesmo enredo. Até que o sol se ponha no horizonte distante e derreta esse olhar insistente. A velhice é como uma árvore que perdeu a capacidade de absorver seiva: ainda vive, até que caia sua última folha e se torne deserto. Já me formei na escola da vida, e muitas coisas ficaram para trás. O que antes era aprendizado agora virou prova. Não há mais tempo para consertar. Só me resta seguir o caminho, sem insistir demais, devagar e sempre, até que o sempre se desfaça diante do meu olhar.
Hertinha Fischer
terça-feira, 1 de setembro de 2026
A cruel passagem
Hoje o dia escondeu sua luz, trazendo um toque de nostalgia ao meu olhar. Não me incomoda a ausência do azul do céu nem a coroa do sol encoberta; estou aqui, e isso me basta. O que me incomoda é essa saudade de um tempo que já não existe, que se foi e não volta mais, embora seja sempre o mesmo, girando como um bambolê na cintura. Deveríamos nascer, crescer e morrer juntos — utopia! Tudo se resume a um pouco, e um pouco de tudo se resume a nada. Sinto falta da minha mãe, do meu pai, das conversas silenciosas no olhar, dos vagalumes nas noites de verão, do fogo aceso no centro da cozinha, quando aquecíamos os pés nos dias frios, das manhãs que se derramavam em águas, deixando o dia tão aguado quanto meus olhos nesta manhã. Pergunto-me: onde o tempo escondeu esse tempo? Continuo perdendo: um dia meu irmão se foi, noutro, minha irmã mais velha. Assim como hoje, a mesma mudança, o mesmo desconforto, a mesma saudade — e nada a dizer.
domingo, 30 de agosto de 2026
Se existo, sou
Quando criança, raramente se tiravam fotos. Mas, quando acontecia, eu corria para pegar uma rosa ou qualquer outra flor para segurar na mão. Sentia-me mais confiante, pois pensava que as pessoas se concentrariam na beleza da flor e não na minha figura triste. Sempre fui muito tímida, falava pouco, mas dentro de mim havia um mundo de comunicação. Conversava muito com minha imaginação. Havia dias em que me sentia a rainha das palavras; pouco entendia das coisas, mas elas me contavam seus segredos mais íntimos. O pilão encostado no canto falava de união, quando a força das mãos humanas se combinava com a dureza da madeira, e a dureza no rosto de meu pai se juntava à força da lâmina da enxada. Tudo se encaixava no propósito de existir. Existir é algo complexo, difícil de interpretar. O que significa existir? Para mim, é apenas reconhecer-se no próprio meio. Como a semente que germina e, sem perceber, se torna o que deve ser, entregando-se ao seu mundo, como se o mundo fosse parte dela. E é, dentro do seu entendimento único. Assim se forma o eu sou. Não existe beleza ou feiura, nem capacidade nem incapacidade, o que se forma é o complemento, aquilo que se acomoda para acrescentar.
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