Eu tenho a síndrome do pôr do sol, talvez,
por pronunciar o fim de um ciclo, sei lá!
Me dá uma tristeza, quase que uma agonia, quando
o sol morre no horizonte, tingindo
o céu de cores alegres, mas em meu ser,
as cores não ficam agradáveis.
Sempre que a noite mata o dia, eu
saio para fazer caminhada, caminhando, eu
não sinto tanto os efeitos do fim.
Ao amanhecer de um novo dia, eu volto
a ser como era antes, os afazeres
do dia me mantém ocupada, gosto do barulho
da natureza urbana, quando os cães latem
por pouco e as crianças com som dos sorrisos
alegres e descontraídos, fazendo-me crer
que a resposta da vida veio cheio de novas esperanças.
Diz um poeta: "Não me importo com o sofrimento,
a esperança é que me mata"!
È verdade! Em termos, pois a esperança morre
no final da tarde, quando colocamos os
ossos para descansar.
Nada se ouve, o espírito se aquieta por um momento,
e a lúgubre sombra da morte que ruge, deixa
minha alma atormentada.
Não a morte em si, mas a longa espera
por algo que nunca chega, por algo
que se espera e demorada é a sua chegada.
Quando não se tem mais esperanças, a alma
chega ao seu limite, e começa-se então a
amarrar o corpo num tronco, e sobre
chicotadas ferozes, danifica-o como se
assim pudesse resolver a própria vontade.
abrindo um caminho de fuga.
Ninguém garante que essa fuga é eficaz, pois
muitas vezes, abre-se um caminho muito
maior de sofrimentos.
A tarde, para mim, significa dor de não
poder segurar a luz por mais tempo,
dor de não poder dar
ao projeto, a continuidade. É o
trabalho interrompido para descanso,
e isto significa o não saber ao certo, se
o amanhã me trará as mesmas possibilidades.
Pois ao dormir, tudo me é incerto!
Herta Fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
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