Quanto me custa murchar.
Ainda bem que acredito num amanhã
glorioso em outro país, uma pátria
que renovará minhas pétalas, com
água santa e miraculosa.
Se hoje vivo como flor apedrejada,
amanhã viverei como quem nasce de
novo.
Cada dia é uma promessa,
cada passo, apressa a chegada,
e vou indo lentamente, até que possa, enfim,
encontrar realmente o que
interessa.
Posso ser só eu. O que me importa?
Deixo o que tenho, para me entregar ao
que ainda não consegui.
Tenho raiz profunda.
Mate-me! e ainda viverei.
Pois, caem-me as pétalas e ainda restará a semente.
Se tira-me o ar, tudo se renova, se tira-me a esperança,
ainda restará esperança sem fim,
meu limite não se acaba. Quanto mais se tira,
mais profundo fica.
Herta Fischer
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Entre buracos
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
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