Tropecei várias vezes e também
já servi de tropeço para alguns.
Eu vivia sobre regras duras aos quais
não permitiam perguntas.
Então, filha do meio que era, eu
precisava desesperadamente que
pudesse despertar admiração.
Como atriz coadjuvante que sempre fui,
não suportava a ideia de que a atriz principal
da peça fosse mais bem vista, e recebesse
todos os holofotes.
Então, baseando em minha própria incapacidade,
criei meios de ser única.
Desejei imensamente que me amassem, criei
personagens, persuadi plateias, amaciei egos,
e me fiz mágica para chamar a atenção que
me faltava.
Porém, toda luz falsa se apaga, e um dia
fui obrigada a enfrentar a escuridão, me
tornando atriz principal.
E o medo e a insegurança de atriz principal
me fez chegar onde eu não queria. Todos
os olhares se voltavam para mim, e isto
me incomodava, atuar é fácil, difícil é convencer.
Eu não consegui convencer nem a mim mesma, que
dirá aos outros.
Todo dia precisava decorar novas peças, me colocar
no palco sobre estreia, e convencer.
Dei rasadas falsas e chorei de verdade quando
vi que eu mesma me usava sobre ideais falsos.
Não sou palhaça, nem vilã, nem assombração,
sou apenas uma péssima atriz, que de qualquer
jeito queria fazer outros amarem algo que nem
fazia parte de mim.
Então, me recriei na solidão do meu camarim,
quando todos os olhares foram embora. E
atrapalhada com meu supremo ego, aprendi que
na vida só se sobressaem quem já nasceu
com dom.
Adeus amores de um dia, prefiro ficar só
do que morrer tentando chamar a atenção.
Se não posso ser importante em mim, então
também não posso tornar-me importante
para ninguém.
Saio de cena, vago pela rua, sem vestes brilhantes,
nem fala decorada, e talvez, assim, algum
transeunte em sua caminhada perfeita, me olhe,
e me queira bem, sem que para isso precise
me esforçar.
Herta Fischer
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Eco do fim
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