Talvez, se me forem abertas feridas por
todo corpo, se
apiedassem de mim,
Quem sou, se não uma pilha esquecida
numa gaveta qualquer, esparramando
lágrimas fétidas em meio
ácidos inúites que corroem, nem
mesmo a gaveta faz algum caso da minha dor.
Inútil que sou, como a enxada enferrujada e
quebrada de um lavrador, que a
deixa esquecida num canto, e que, talvez,
quando tudo lhe faltar e só sobrar eu, num
canto , a esperar pelo uso, talvez, ele se lembrem
que ainda estou lá, e num último acaso, quando
o mato tomar conta, e todas as ferramentas
faltarem, me tornarei tão importante outra vez.
Todos sorriem, enquanto choro um lamento doloroso,
pois em mim só há fracasso.
Sou o nada que o homem procura desesperadamente
num sentido abstrato, quando a mente busca
o que não vê.
Sou carrasco, sou feiura, sou o que não querem.
Falsa joia pendurada entre as que realmente
tem valor.
Outras ficam intactas, e eu me enferrujo sem querer,
pois é esta a minha porção.
Não da para lutar contra ela, uma vez tomada , não
tem como reverter. Corrói, amarga, e transforma-se em algo
que ninguém quer.
Não há mais lugar para mim. Sou engano, sou amargura,
sou o que chamam de escória,
Quem me dera já tivesse o fim que mereço, sobre
uma cova embaixo de um grande carvalho,
onde os homens inocentes pudessem me fazer
companhia desfrutando a sombra, sem saber que estou ali.
Pois se soubessem, nem chegariam perto.
Herta Fischer
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Eco do fim
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