Me divirto com essa pose de poeta,
que emaranha minha estrutura.
Consola-me ó vida, diz-me com
sinceridade, quem pintou o céu,
como se torna azul o que não tem cor?
De onde sai a voz do trovão? de que abismo
vem e me assusta.
E os lagos que se formam em cima, despejando
águas em lugares distintos, como se tivessem
alma? Como chegam as gotas até que se formem nuvens,
e desaguem, sobe um véu e se faz corpo?
De onde sai o vento, e para onde vai depois que passa,
onde se escondem até que sejam chamados?
E o meu corpo, para que tanta água,
se mais sai do que entra?
Tudo é sobre água até que minha alma
seque no umbral de quem se cansa de sonhar.
Meigos reflexos de poeta, que vê o
que ninguém enxerga, nuvem em
mar aberto, e solidão num
dia cheio.
Risos e lágrimas se misturam, nestas lápides
frias que sugam este corpo de arrependimento,
que, de tanto sonhar, morreu antes mesmo de nascer.
O poeta tem em mente, cores e amores, que nem
vivem, está sobre a sombra do dia que morre,
que de tanto esperar, escreve coisas sem sentido,
para ver algum sentido nas coisas.
Herta Fischer
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Entre buracos
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
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