Meu dia é uma página em branco,
não tenho lápis, não tenho ideia, mas
as horas contam minha história.
Tem dia que estou sem vontade, noutro
estou cheia de energia.
Fico triste com o descaso, ou
a falta de ordem em mim, pois
o novo, sempre é intrigante.
Tenho medo das respostas que
encontro em mim, quando
me questiono a respeito
do que sinto.
Eu acredito que nunca amei, que não
amo da forma devida, pois ainda
não cheguei onde devia.
Estou presa a inconstância da
vida, tenho medo de ir em frente
e encarar o que há de vir.
Talvez, eu explique melhor: Não existe
inconstância na vida, mas, sim, inconstância
de sentimentos em mim.
Eu é que ainda estou derrapando no
conhecimento, parada no lugar, deliberadamente,
deslizando e patinando sobre o que eu
acho que tem de ser.
Se eu não acredito no que falo?
Sim! eu acredito piamente, sem nenhuma
sombra de dúvida, só não consigo
me separar de mim, e desta natureza tão rude que,
me esmaga e me desperta para uma realidade
crua, na qual tenho que ser atriz, sempre atuando
e serpenteando conforme os
papéis que me chegam.
Sabe, quando a gente precisa viver com um pé na frente,
e outro atrás, pronto para dar meia volta?
Pois é! Detesto não acreditar, detesto ter que colocar as pessoas
em quarentena. Será que confio, ou desconfio?
Então, sobre este conceito: do não poder colocar a mão
no fogo, é que duvido do amor que digo sentir.
Pois o amor, para mim, é pleno, livre de julgamentos, livre
de sensualidade, não vê o rosto, propriamente dito,
nem vive sobre condições, é sentido e renúncia, é
o bem e seus favores.
É estar no bem estar, é saber o que o outro quer, antes dele mesmo.
É ser, não é crer, é realização antes de desejo, é ver o outro
como ele próprio se vê.
Então, eu falo, mas duvido que este amor more em mim, por enquanto
ele é apenas a esperança quando o dia morre.
Talvez por isto mesmo ainda não encerrei minhas buscas,
quem sabe, um dia?
Herta Fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
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