Ai gente, me perdoem!
Mas, preciso contar esta história,
já que vivo fora da realidade.
Numa sala, a razão e
a loucura sentam lado a lado.
A razão lhe pergunta:
-Quem é você, de onde vem?
Meio constrangido pela falta
de cultura, a loucura responde:
Da lua, sou alucinógeno!
-Como assim, aluninógeno?
-Ah, sei lá, lunático,alucinógeno,
lunático, dá no mesmo!
_ Quem te definiu assim?
-Ouvi falar, aliás, é assim
que me chamam na maioria das
vezes, só porque sou contra
os demais.
Saio rodopiando, torcendo
o nariz, buzinando com
a boca, dirigindo minha
bicicleta na contra mão.
-Ah, você tem bicicleta?
-Não!
-Então como dirige, se não tem uma?
-Dirigindo, ora! Não sabe o
que é fazer de conta?
Chupo limão! e nem faço cara feia, quer ver?
-Não temos limão aqui!
-E precisa? Vai sem limão mesmo!
não sabe fazer de conta?
-Sei, sim!
-Então? Não parece!
Sabe tomar água de canudinho?
-Sei, claro, mas isto não é normal!
-E o que é normal?
fazer do jeito que todos fazem?
Nunca chegou num lugar, onde
havia um córrego de água
suja, ao colocar a mão
por baixo, encontrou
uma nascente, sem nada
para tirar água limpa que se misturava com a
água suja, pegou um canudinho,
colocou na fenda e tomou a água?
-Que fenda, do que esta falando?
-Ah, vejo que não tem noção nenhuma
senhora razão!
Nunca foi doida?
-As vezes!
-Porque, só as vezes, me parece tão lúcida,
mas vejo que não sabe muita coisa!
-Como assim?
-Já esteve na lua, já pegou alguma estrela com as
mãos, já brincou de pega-pega?
-De pega-pega, sim, só não peguei
nenhuma estrela com minhas mãos, nem
estive na lua!
-Nem tem imaginação, pelo visto!
Eu vivo no mundo da lua, já
comi pitangas por lá, não
sabe o que é pitanga? Não, né?
-É claro que sei!
-O que é? me diga então!
-Uma frutinha vermelha!
-Não! Errou! uma frutinha azul!
-Azul??? Onde?
-Na lua!
Ah! Ah! Eu sabia, você nunca esteve lá,
Tá vendo, senhora razão, nem sempre
tem razão!
-É, nem sempre, as vezes a loucura
também sabe!
-Eu sei! procuram decifrar-me,
mas é loucura tentar me entender,
pois de louco não tenho nada!
- Será?
-Claro, de onde pensa que sai?
-Da falta de razão, talvez!
-Não, da falta de compreensão!
-Por quê?
-Ninguém me conta coisas certas, só fantasias,
ninguém me ama, só fogem de mim!
-Quem foge?
-Você!
-Eu?
-È, você mesma!
- Anda á meu lado, mas me vira a cara!
-Eu não viro a cara para você!
-Vira, sim, como você fez agora,
pensa que não vi?
-Viu o quê?
- Você olhou para o lado e torceu o
nariz!
- Não fiz isso!
- Tá bom, faço de conta que acredito,
é minha sina!
-Sua sina é se enganar?
- Tá vendo como você sabe?
- Sabe o que?
-Que virou a cara para mim!
-Quando virei a cara para você,
eu só queria te entender!
- Não precisa virar a cara
para me entender!
- Como assim?
-Só me conhece, aquele que
me encara!
Herta Fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
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