Sabe! as vezes me ponho a perguntar:
Como não crer em Deus?
Troquei de casa, comprei novos móveis, estendi
minha cama com seda, e nela eu descansei.
Vi tudo mudado: cores diferentes, muitas luzes,
mas, dentro de mim, nada se renovou.
Fui então, em outros lugares: luxo, comida boa,
gente bonita, mas, eu, continuei na mesma.
Troquei de amigos, beijei outras bocas, tracei novos
horizontes, sem nunca me satisfazer.
Voltei, me casei, tive filhos, vivi de uma
forma diferente, tentei não brigar, mas, de
que adiantou, embora o cobertor fosse
quente, ainda sentia frio.
Mudei a aparência, pintei os cabelos, comprei novas maquiagens.
roupas caras, desperdicei muito tempo, e nada... nada
disto me acrescentou.
O vazio estava presente, sempre presente, não havia
lugar bom para estar. pela manhã. o riso, pela tarde,
solidão e tristeza.
A sensação de aconchego terminava rápido, assim como
quando a gente está comendo uma refeição muito gostosa,
e quando ela se acaba, vai com ela o prazer.
Eu ficava a perguntar: A vida é só isto?
Algumas faíscas de alegria entre um grande pedaço
de sofrimento?
O que eu levo, Senhor, O mesmo que trouxe?
O único momento bom que eu vivi, foi enquanto ainda
era criança, sobre a supervisão dos meus pais,
quando minha única tristeza era ficar longe deles.
E agora, quando já se foram, e eu ainda insisto a
viver esta miserável vida, mesmo sabendo que
nunca mais os encontrarei em lugar algum.
O que esperar então? Um monte de terra em cima,
e mais nada?
Algumas mesclas de céu num mar de nuvens, trabalho,
querencia do que passa, do que se repete, quando
não se é mais?
Tanto se corre para não chegar. toda delicadeza com
que se vive, apenas se vai sem respostas?
Que pobreza se fosse só isto!
Que tristeza! se plantássemos, plantássemos sem
nunca haver colheita, seria como aquela criança
que morreu ainda no ventre,sem nunca ter visto a luz
Mesmo que tivéssemos sentido todos os prazeres, mesmo
que todos os desejos fossem realizados, mesmo assim,
ainda não veria sentido sem a grande promessa de Deus.
Sem Deus, eu seria um homem sem Pátria, um pobre
homem órfão, sem ter porque fazer, ou onde cair.
Herta Fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
segunda-feira, 30 de março de 2015
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