De onde arrancar forças?
Quem me dá o sustento dia a dia?
Se não sou eu a empurrar pedras,
quem me auxiliará?
Há muito tempo, iniciei minha jornada,
andei por ladeiras imensas, meus pés
me levavam, e, sem canseira, descia em disparada.
não precisava usar a força, nem muita sabedoria,
a gravidade me chamava, e eu, ia.
Tudo o que estava abaixo não me intimidava,
pois meus joelhos não precisavam dos ligamentos,nem
suportar limites.
Até que se iniciou a subida.
Eu olhava para cima e só via um amontoado
de pedras, até para dar o primeiro passo,
tinha que ser bem medido.
Qualquer que fosse a decisão, por melhor
que fosse, ainda me convinha pensar.
Tudo poderia vir abaixo, a qualquer momento,
e levar a minha consciência. Foi então, que]precisei clamar
a sabedoria: - venha! estou disposta a te escutar.
- Pise! disse-me ela: - um pé de cada vez, veja se
está segura, se não há nenhuma pedra solta.
Não olhe para baixo, nem se assuste com barulho, apenas use
a intuição.
E a cada passo que dava, meus pés se amedrontavam, e minhas
mãos gritavam de dor. Não é fácil subir, não é nada fácil chegar
onde se quer.
Ninguém por lá, todos á minha volta estavam lidando com suas próprias
limitações, de quando em quando alguém sondava-me para ver se
eu não caia, ou se estava muito â frente.
Pedras rolavam, e como um equilibrista, precisava me desviar,
as vezes, uma me acertava a cabeça, ou passava muito perto, assoviando
em seu prazer.
Não dava tempo para ser tola, tinha que me prender a sabedoria, de tal forma,
que não á perdesse.
E fui desbravando a mim mesma. transformando cada escorregão em força,
cada gota de sangue que caia, mais e mais me incentivava.
Na metade do caminho, alguns se aliaram a mim, nos auxiliávamos mutuamente,
embora, alguns tentassem mutilar os esforços.
Lá em cima está o prêmio, ainda o vejo por lá, ou melhor: agora eu consigo
enxergar, já não estou muito longe.
Só mais alguns passos, com esforços redobrados, me sinto muito
cansada. Mas a fadiga mais uma vez se transforma em sabedoria, e é ela, quem
me leva.
Se ela me leva, me sinto bem, chegaremos e tomaremos posse do que é nosso,
pois valeu a pena todo peso da carga, todos os ligamentos desgastados, pois
quando chegar ao topo, não mais precisarei deste corpo que me levou, nem
de todo o resto que o sustentou.
Herta Fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
sexta-feira, 27 de março de 2015
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