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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

quarta-feira, 18 de março de 2015

Cuidado com a mente

Pois é, amigos! Quando se trata de pessoas, somos todos iguais em qualquer lugar. Não devemos nos opor a ninguém, mas sim observar os feitos e, então, defender ou criticar. Não podemos ser indiferentes ou aceitar tudo passivamente; é preciso se posicionar de forma firme, sem ficar à mercê das conveniências. Às vezes, é preciso perder para ganhar, e nem toda perda é derrota — como quando eliminamos uns quilinhos extras ou deixamos para trás alguém que achávamos amar. O tempo mostra que toda perda traz alguma compensação. A vida não é linha reta nem triângulo, é um círculo que se completa: saímos de um ponto, damos a volta e voltamos ao início, sem nos afastarmos demais e sem esquecer o caminho percorrido. Ninguém se perde na estrada, apenas se afasta do ponto central, o que pode ser cansativo, especialmente quando percebemos que as pontas da corda se aproximam, sinal de missão cumprida. Não há nada mais digno que chegar à conclusão, tornar-se pleno e atingir o ápice da vida, onde não há mais nada a encontrar, pois tudo está feito. Como um artista que cria sua obra com determinação, mesmo sem saber exatamente o resultado, molda espaços e paisagens até se satisfazer com o que vê. Assim é a vida: ninguém começa nela em plenitude, tudo é aprendizado e reflexão, e até o fim dos dias buscamos algo que complete a obra.

No final, podemos olhar para trás sem medo, fazendo um balanço do que foi realizado ou do que a vida acrescentou enquanto nos formávamos por dentro. Ter um objetivo é algo muito relativo: sempre haverá quem conclua que remou, remou e não chegou a lugar algum, assim como aquele que passou pela vida sem realmente participar e já se foi, ou ainda aquele que nem chegou a nascer e, talvez por sorte, não viu nem ouviu o que a humanidade faz, sem conhecer o mal nem o bem. Este, provavelmente, foi mais feliz, sem precisar fazer escolhas, pois a vida o programou para não participar. Já os que vêm e ficam precisam permanecer, mesmo sem boas condições, pois isso não é algo que se possa escolher. Temos corpo e espírito, que não escolhemos, sendo responsáveis apenas pelo que construímos depois que a consciência se forma em nós. É com essa consciência que nascem os indivíduos, cada um colhendo o que mais lhe cabe ou satisfaz, embora haja quem siga tendências e use outros como referência, sem se formar por si mesmo. Nem isso o torna culpado, já que alguns dizem que o que diferencia o bem do mal é o cérebro e, se ele não for bem “acabado”, pode gerar mentes doentes e indivíduos desconectados da realidade. Pessoalmente, acredito que tudo depende do lar onde a pessoa é criada e da escola em que estuda, pois as mentes são moldadas desde cedo pelo que aprendem.

Se uma criança crescer entre animais, provavelmente aprenderá a viver como eles. Se privarmos uma criança do convívio humano e limitarmos sua interação com outros da mesma espécie, facilmente ela se tornará inapta para viver em sociedade. Hoje em dia, vemos pequenos agindo como adultos, pois não há mais regras; absorvem atitudes inadequadas para sua idade e ninguém lhes ensina a ser criança, permitindo que pensem como qualquer pessoa, de qualquer idade. Estão aprendendo de forma errada e, quando se tornarem adultas, agirão conforme o que aprenderam. Não é preciso eliminar a propaganda, mas prepará-las para que conheçam e respeitem seus próprios limites. Não devemos ensinar que se defender é errado, mas que é errado pagar pelo erro dos outros e repetir esse erro. É preciso cultivar nas crianças o senso de respeito mútuo, especialmente pelos mais experientes. Não se pode ter tudo, então não se deve passar a falsa ideia de que tudo é facilmente alcançável. Ouvi alguém dizer: “Ele rouba porque quer uma roupa legal ou um tênis que não posso comprar!” Que mentalidade é essa? Desde quando precisamos medir forças com quem tem mais? Faltam bons exemplos e mentes saudáveis entre os adultos, pessoas que transmitam valores que não se baseiem no que se veste. Nem todos nascem com abundância; comparar quem tem menos com quem tem mais é errado e leva adolescentes a cometer crimes achando isso correto. Cuidamos do corpo, mas negligenciamos a mente, e quando ela adoece, o corpo é o primeiro a sofrer. É urgente agir antes que o mundo se torne um “mundo de psicopatas”.


Herta Fischer





















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