No final, podemos olhar para trás sem medo, fazendo um balanço do que foi realizado ou do que a vida acrescentou enquanto nos formávamos por dentro. Ter um objetivo é algo muito relativo: sempre haverá quem conclua que remou, remou e não chegou a lugar algum, assim como aquele que passou pela vida sem realmente participar e já se foi, ou ainda aquele que nem chegou a nascer e, talvez por sorte, não viu nem ouviu o que a humanidade faz, sem conhecer o mal nem o bem. Este, provavelmente, foi mais feliz, sem precisar fazer escolhas, pois a vida o programou para não participar. Já os que vêm e ficam precisam permanecer, mesmo sem boas condições, pois isso não é algo que se possa escolher. Temos corpo e espírito, que não escolhemos, sendo responsáveis apenas pelo que construímos depois que a consciência se forma em nós. É com essa consciência que nascem os indivíduos, cada um colhendo o que mais lhe cabe ou satisfaz, embora haja quem siga tendências e use outros como referência, sem se formar por si mesmo. Nem isso o torna culpado, já que alguns dizem que o que diferencia o bem do mal é o cérebro e, se ele não for bem “acabado”, pode gerar mentes doentes e indivíduos desconectados da realidade. Pessoalmente, acredito que tudo depende do lar onde a pessoa é criada e da escola em que estuda, pois as mentes são moldadas desde cedo pelo que aprendem.
Se uma criança crescer entre animais, provavelmente aprenderá a viver como eles. Se privarmos uma criança do convívio humano e limitarmos sua interação com outros da mesma espécie, facilmente ela se tornará inapta para viver em sociedade. Hoje em dia, vemos pequenos agindo como adultos, pois não há mais regras; absorvem atitudes inadequadas para sua idade e ninguém lhes ensina a ser criança, permitindo que pensem como qualquer pessoa, de qualquer idade. Estão aprendendo de forma errada e, quando se tornarem adultas, agirão conforme o que aprenderam. Não é preciso eliminar a propaganda, mas prepará-las para que conheçam e respeitem seus próprios limites. Não devemos ensinar que se defender é errado, mas que é errado pagar pelo erro dos outros e repetir esse erro. É preciso cultivar nas crianças o senso de respeito mútuo, especialmente pelos mais experientes. Não se pode ter tudo, então não se deve passar a falsa ideia de que tudo é facilmente alcançável. Ouvi alguém dizer: “Ele rouba porque quer uma roupa legal ou um tênis que não posso comprar!” Que mentalidade é essa? Desde quando precisamos medir forças com quem tem mais? Faltam bons exemplos e mentes saudáveis entre os adultos, pessoas que transmitam valores que não se baseiem no que se veste. Nem todos nascem com abundância; comparar quem tem menos com quem tem mais é errado e leva adolescentes a cometer crimes achando isso correto. Cuidamos do corpo, mas negligenciamos a mente, e quando ela adoece, o corpo é o primeiro a sofrer. É urgente agir antes que o mundo se torne um “mundo de psicopatas”.
Herta Fischer
Nenhum comentário:
Postar um comentário