Dona Tereza era feliz com sua família: cinco filhos, seu maior tesouro, quatro meninas e um menino. Na pequena casa de barro, longe da cidade, vivia sem luxo. O marido, descendente de alemães e criado de forma rígida, tinha um ar de superioridade. Agricultor bem-sucedido, levava uma vida simples, mas sem deixar faltar nada para ela ou para as crianças. Trabalhador, cuidava sozinho de tudo, do plantio à colheita, enquanto ela se dedicava à casa e aos filhos pequenos. Moravam como arrendatários, sem possuir nem a casa onde viviam. O dono do sítio, que morava a poucas quadras, bebia muito e, às vezes, precisavam ajudá-lo para que sua família não passasse fome. Muitas vezes, a esposa do senhor Davi ia até a porta de Dona Tereza chorando, pedindo arroz e feijão emprestados, e ela ajudava com gratidão, pois Dona Francisca também nunca lhe negava ajuda. Eram grandes amigas e assim viveram por muito tempo, até que o marido decidiu mudar-se. Foram para outra casa, mais distante, e começaram uma vida nova. O novo sítio era maior e pertencia a um homem rico, o que permitia a seu Eurico pagar apenas o necessário. Após a colheita, entregava uma porcentagem ao dono das terras. A casa não era grande coisa, mas tinha um galpão para guardar milho e armazenar cebolas trançadas até conseguir boa oferta de compra. Seu Eurico não era muito gentil com a esposa e quase não conversavam. Ela realizava as tarefas domésticas com perfeição, como ele achava que era o papel da esposa, enquanto ele cuidava da roça e dos afazeres do campo.
Herta Fischer
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A dose certa
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terça-feira, 3 de março de 2015
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