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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Apenas um flor

Há tanto tempo estou aqui que já perdi a conta das vezes em que dormi e sonhei. Montada no cavalo do tempo, sigo em disparada para algum lugar. Sei que um dia me tornarei, para os outros, apenas saudade. Talvez por um tempo ainda se lembrem de mim, até que, enfim, me esqueçam para sempre. Minha presença é simbólica, apenas fumaça que se desfaz. Enquanto o fogo queima, há lembrança; depois que se apaga, só o cheiro de fumaça fica no ar. No pequeno vale, uma flor — sem olhos para ver, sem ouvidos para ouvir — apenas uma flor. Ela se abre na magia que passa, vive no encanto do ar, mas ao findar seus dias, resta apenas um vale vazio. A terra sente a perda, mas não se curva ao sofrimento; logo se ergue e faz nascer outra flor para desabrochar. De flor em flor, pratica a divindade e multiplica sua criação. Nesse ciclo belo, sob o sol de janeiro a dezembro, ela se abre, tornando-se um leque de esperança, como um arco-íris enfeitando o céu. Amo fazer parte disso. Estou aqui, digo eu! Tenho consciência até certo ponto e poucas lembranças retroativas, apenas resquícios de um pequeno espaço onde uma flor brotou num certo jardim. Viveu, sofreu, mas deixou boas sementes para continuar.

Herta Fischer



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