Emergindo a tarde, como borboletas a sair do casulo, já são seis horas.
O dia e sua fonte se esgotando.
Já se faz escuridão e o medo é tremendo.
Arrepia-me a alma á falta da luz, Preciso acostumar-me a solidão da noite.
Durante o dia é sensatez. Na noite a dúvida. E o que se enxergava bem, agora
estranhos vultos a povoar-me.
Estranha também é esta sensação de não poder voltar, não
ha mais caminho, tudo ficou na nebulosa prece do tempo fim.
Já secaram-se as melhores fontes, agora só respingos minguados
de uma água que não se pode mais beber. E minha língua se resseca cada vez mais,
abocanhando desesperadamente o que restou. Não há refresco!
Os melhores anos da melhor idade se foi,
Agora só resquícios de saudade
do que já passou, e do que vai passando quase sem perceber.
Os dias se arrastam e as experiências passadas não mais me acompanham,
pois as forças já não sustentam meus sonhos.
Eles se despedaçam ainda virgens sem conhecer o prazer, só a imaginação
do querer e não mais poder.
É...quando me olho nem mais me reconheço! A beleza da margem do rio
se fundiu com a terra seca, onde não mais se vê água, Apenas um rio evaporado e triste,
trincado pela aspereza do sol forte que não lhe dá trégua.
Todos os dias são como fazer uma refeição rápida e saborosa, sabendo que precisa
aproveitar ao máximo todo o tempo possível, pois não se sabe a que horas vai dormir.
Rapidez e prazer, duas coisas que vai ficando cada vez mais essencial e mais escasso.
Até que o dia termine e a noite fuja, e não haja nada a não ser nunca mais. Maratona contra o tempo
eis o que restou.
Herta Fischer
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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
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