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Coração sertanejo

Na imensidão dessa estrada percorrida, quando já silenciada, transfigurou-se, vestindo-se de asfalto que, lentamente, torna meus passos mais...

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O tempo e nós

Não tenho idade, sou o tempo, e ele sempre se renova em seu próprio percurso. Meu útero guarda meu reflexo, como uma rosa que o tempo despetalou, mas cujo caule ainda lembra como fazê-la florescer. Onde mais estaria o útero das flores, senão nelas próprias?

O tempo nunca acaba, embora pareça passar diante de nós. Se entrei nele e vivo o agora, onde me refugiarei quando deixar para trás o futuro que não viverei?


São muitas perguntas e poucas respostas. Sou peregrina nesta terra e sigo adiante como quem sabe e não sabe, como quem vive e pouco vive, pois há um tempo limitado para estudar, refletir e aprender sobre mim mesma e sobre como a vida funciona.

Acredito que somos como elos de uma corrente invisível, cujo tempo guarda em sua memória para nos reencontrar nos planos celestes. Cada ser é um elo que se une em algum lugar, para depois se reunir em um momento específico. Algo que só mais tarde iremos compreender.

sábado, 18 de abril de 2026

Mantendo o desejo de viver

Já é tarde, quase suave e aberta, e as manhãs se deixaram levar. Meus olhos deram vida, emprestando seu brilho ao meu coração. Apagou-se todo o orgulho que havia, acenderam-se as luzes da generosidade que minha alma havia esquecido. De juíza à expectativa, da incompreensão à sabedoria do tempo. Deus organizou o corpo, concedendo muito mais honra ao que não tinha, para que não haja divisão entre o forte e o fraco; pelo contrário, que todos cooperem com igual cuidado em favor uns dos outros, sem prejudicar ninguém. É um lembrete de que participamos de um mesmo princípio: o bem que nos completa! Mas o mundo, como vento tempestuoso, carrega mágoa e raiva, despejando sobre nós relâmpagos de mal querer. Infelizmente. 




Nuvens aguadas

Prefiro ser desprezada pelos homens a ser esquecida por Deus. Ando meio murcha, como uma rosa fora do solo, suando sob sol forte, mas me fortaleço com o sal. Caminho sobre a glória do porvir, já que a realidade já não me compõe nem me retrata. Procuro ser o que sempre fui: triste nos tempos de tristeza e alegre nas épocas de alegria. Sou mais! Nada me subtrai — nem o tempo, nem as andanças, nem as cobranças. Eu o universo somos um; eu, com todos, sou o componente que sustenta o que se vê, a alegria da complexidade que ronda a existência. Sem vindas nem idas, apenas passos que me transportam, enquanto a criança ainda mora em mim, apesar de tantos anos completos. Produzo e prendo!