segunda-feira, 15 de maio de 2017

Velhice eminente

Gosto de solidão, as vezes, é tão mais fácil falar com
as paredes!
Estou limitada as tarefas, as mesmas coisas de sempre,
como um eterno fazer.
Não vejo nada no fim do túnel,
só túnel,
,, equilibrado na necessidade
de posse.
E saber que os dias passam, sem nenhuma prerrogativa
satisfatória. Vai e a noite chega, vem, e a noite se vai.
Todos os dias iguais.
Numa canseira sem sessar: nos pés, nas mãos, no corpo e no
coração.
uma correria em vão.
Difícil chegar a uma certa idade, e perceber que,
seus melhores anos ficaram no tempo, mas, o tempo
ainda continua, mesmo levando um tanto de nós.
Um fim eminente expectado no olhar, uma névoa
se abrindo na mente que vai ficando esquecida das coisas,
e aquele hormônio, que despertava em mim, todas as  vontades,
vai diminuindo a cada passo que dou.
E deixamos certas manias, para cultivar outras: Um tique, uma
angustia sem causa, uma dor que sempre dói.
Sei lá!
Vou vivendo as escondidas, quase que a minar meus lamentos,
com a dignidade de mostrar que tudo flui, mas, por dentro, crente
de que já foi melhor.
Já não tenho asas para voar, enfraqueceram-se  á ponto de
atrofiar, e me dói esse volume, toda vez que penso que ainda posso.
Tudo se tornou penoso, até mesmo o mastigar, o apetite que falta,
a força que limita, a dor que não cessa.
A única coisa que ainda não me abandonou é a esperança, que
insiste em me dizer que o inverno traz em sua cola a primavera,
que nada é totalmente infrutífero: nem o viver, nem o morrer...
Herta Fischer  (Hertinha)





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