Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para o amor, de me lançar nos braços das emoções, sem cautela e sem arrependimento. Também houve uma doce e teimosa busca — não por qualquer coisa, nem pelos outros, nem por mim — mas uma procura silenciosa por completude.
Começo a decifrar o tempo. Ele me segue, me empurra, me eleva e, depois, sem critério ou desculpa, vinga-se do que fiz ou deixei de fazer. Vai embora, me deixa na época em que mais preciso, me enterra na pressa de sua passagem.
Tento me levantar e, no desespero, agarro-me à esperança de que ainda haja um caminho para mim. Mas o horizonte me esmaga, como um pedaço de feno seco nos dentes afiados dos ruminantes.
Então me entrego a mais uma tentativa — de me purificar, me corrigir, me desculpar e seguir até a última estação, se ela ainda existir.
Penso nos outros, quero falar, interagir, reconciliar… e o que consigo? Apenas mais decepções na minha coleção de travessias.
Vou me recolher para dentro, pois não tenho escolha. Proíbem-me de dizer o que penso. Tenho que me enroscar nas teias que teceram, que parecem novas e limpas, prometendo um banquete na alvorada, mas que colocam minha vida em risco.
Preciso falar das flores e não das pétalas que caíram; sentir o vento sem me importar quando ele despenteia meus cabelos; olhar para o rio, cheio de máculas, e dizer que não foi obra dos homens. Tenho que compreender as narrativas, mesmo quando esquecem que meu coração vê e minha mente é lúcida.
Não suporto essas regras que nos impõem, verdades mentirosas e mentiras travestidas de verdade. Os sábios trancados e os tolos com as chaves.
Herta Fischer
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