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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para o amor, de me lançar nos braços das emoções, sem cautela e sem arrependimento. Também houve uma doce e teimosa busca — não por qualquer coisa, nem pelos outros, nem por mim — mas uma procura silenciosa por completude.


Começo a decifrar o tempo. Ele me segue, me empurra, me eleva e, depois, sem critério ou desculpa, vinga-se do que fiz ou deixei de fazer. Vai embora, me deixa na época em que mais preciso, me enterra na pressa de sua passagem.


Tento me levantar e, no desespero, agarro-me à esperança de que ainda haja um caminho para mim. Mas o horizonte me esmaga, como um pedaço de feno seco nos dentes afiados dos ruminantes.


Então me entrego a mais uma tentativa — de me purificar, me corrigir, me desculpar e seguir até a última estação, se ela ainda existir.


Penso nos outros, quero falar, interagir, reconciliar… e o que consigo? Apenas mais decepções na minha coleção de travessias.


Vou me recolher para dentro, pois não tenho escolha. Proíbem-me de dizer o que penso. Tenho que me enroscar nas teias que teceram, que parecem novas e limpas, prometendo um banquete na alvorada, mas que colocam minha vida em risco.


Preciso falar das flores e não das pétalas que caíram; sentir o vento sem me importar quando ele despenteia meus cabelos; olhar para o rio, cheio de máculas, e dizer que não foi obra dos homens. Tenho que compreender as narrativas, mesmo quando esquecem que meu coração vê e minha mente é lúcida.


Não suporto essas regras que nos impõem, verdades mentirosas e mentiras travestidas de verdade. Os sábios trancados e os tolos com as chaves. 

Herta Fischer






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