Engraçado como se teme ver-se á maneira que se é.
Sou metade, sou nada ainda, como
se o tempo fosse livre ou eterno.
É claro que somos, que acreditamos em algo
maior, para não sucumbirmos ao maranhosismos
a que se predispõe a criação.
Penso como uma formiga, e como uma
formiga estou sendo pisoteada a todo instante,
de sorte, que, sou maior do que ela em tamanho.
Hoje me pus a pensar em Deus, nas crenças que nos levam,
e também no quanto tempo
desperdiçados em crer em alguma coisa menor.
Como um talismã, ou água benta, ou ainda,
em a deusa daqui e dali.
Que fraqueza a nossa!
Me sentindo como uma mariposa a chegar perto da luz,
como se pudesse concorrer com ela, não sei o que
busco, se luz ou se morte.
Quem sou eu para pensar que Deus olharia por mim?
Deus! Veja que nome grande!
Miserável e inútil que sou, a unica coisa de que preciso é trabalhar
para sobreviver, no entanto, quero bem mais do que isto,
quero que o mundo veja as minhas conquistas, e é claro,
que só alguns conseguem ver, o restante, ainda não conheço.
Então, faço força para que me vejam no meu bairro,
embora não converse com todos, mas, todos
os que passam por mim, pode facilmente dizer: - Nossa!
queria ser como ela! E dai? no que isto pode me agradar!
Fico onde estou a observar de longe, as pessoas se matando por algo
que se gasta e desgasta, que só tem valor enquanto ainda se
está apto para aproveitar, e não se sabe a hora em que tudo isso
passará a valer nada.
Assim como nada somos, diante da grandiosidade do universo,
como grãos de areia na praia e poeira no ar, é isso que somos.
Dai eu olho para minha casa, construída sobre a terra, coberta
por camadas de outro material, que me faz livre da chuva
e do sol forte, mas que também abriga tantas desnecessidades.
E essas desnecessidades me pesam mais que viver sem rumo,
pois dela sou escrava.
Olhando no espelho de minha historia, só vejo a mesma
coisa de sempre, nada que me agrade ou me tire deste
modo de estar. Mas preciso estar, preciso, mesmo que não me agrade,
sou e pronto, existo por isso não posso me mexer em outro sentido
que não seja o mesmo sentido de todos. a não ser que me descarregue
em algum canto, e me torne algo superior ou inferior, quando não
mais precise desse sistema ilusório de viver.
Herta Fischer (Hertinha)
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A dose certa
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quarta-feira, 24 de maio de 2017
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