Na imensidão dessa estrada percorrida, quando já silenciada, transfigurou-se, vestindo-se de asfalto que, lentamente, torna meus passos mais pesados e traz uma saudade aos pés. Quanta suavidade a terra me oferecia em seu leito, quando ainda vivia sobre a poeira do tempo. A chuva ainda desperta nuances de barro e, em mim, faz chover lembranças. Queria ainda pisar na mata rasteira, contornar riachos dengosos, cheios de gozo e paz, que faziam as águas cantarem, correndo por trilhos abertos pelas mãos de meu pai. Que saudade imensa das árvores e seus frutos dançando ao vento, adoçando olhares; dos caminhos marcados por milhares de passos; da entrada suave onde o rancho vivia. Entre quatro paredes, o céu entrava, e o fogão de lenha aceso aguardava o sol. As manhãs se alegravam com sorrisos sem trauma, crianças se levantavam com leveza na alma, e o roçado chamava as enxadas para perto. Ah, mas o tempo esqueceu… Sim, esqueceu de viver! O vazio do mato, dos rostos, das vozes, é uma alma sem alma. Aquele romantismo de outrora, que contava histórias, recitava versos e prosas, entoava cânticos e inspirava poesias, hoje se encerra em páginas amarelas. Minha amada, tão bela quanto o despertar da manhã, serena e tranquila, pulsa dentro de mim. Teus olhos e teu sorriso são como um fio de transmissão de força que acende minhas luzes e traz o sol para mais perto. Espero por ti nas encruzilhadas dos meus devaneios, pelas florestas que dizem teu nome, nas cores que lembram teu ventre e no perfume que encerra meus dias.
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Coração sertanejo
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sábado, 30 de maio de 2026
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