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Se existo, sou

Quando criança, raramente se tiravam fotos. Mas, quando acontecia, eu corria para pegar uma rosa ou qualquer outra flor para segurar na mão....

sábado, 30 de maio de 2026

Coração sertanejo


Na imensidão dessa estrada percorrida, quando já silenciada, transfigurou-se, vestindo-se de asfalto que, lentamente, torna meus passos mais pesados e traz uma saudade aos pés. Quanta suavidade a terra me oferecia em seu leito, quando ainda vivia sobre a poeira do tempo. A chuva ainda desperta nuances de barro e, em mim, faz chover lembranças. Queria ainda pisar na mata rasteira, contornar riachos dengosos, cheios de gozo e paz, que faziam as águas cantarem, correndo por trilhos abertos pelas mãos de meu pai. Que saudade imensa das árvores e seus frutos dançando ao vento, adoçando olhares; dos caminhos marcados por milhares de passos; da entrada suave onde o rancho vivia. Entre quatro paredes, o céu entrava, e o fogão de lenha aceso aguardava o sol. As manhãs se alegravam com sorrisos sem trauma, crianças se levantavam com leveza na alma, e o roçado chamava as enxadas para perto. Ah, mas o tempo esqueceu… Sim, esqueceu de viver! O vazio do mato, dos rostos, das vozes, é uma alma sem alma. Aquele romantismo de outrora, que contava histórias, recitava versos e prosas, entoava cânticos e inspirava poesias, hoje se encerra em páginas amarelas. Minha amada, tão bela quanto o despertar da manhã, serena e tranquila, pulsa dentro de mim. Teus olhos e teu sorriso são como um fio de transmissão de força que acende minhas luzes e traz o sol para mais perto. Espero por ti nas encruzilhadas dos meus devaneios, pelas florestas que dizem teu nome, nas cores que lembram teu ventre e no perfume que encerra meus dias.

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