domingo, 7 de maio de 2017

canção de passarinho

Fora do ninho estou,
lá para fora eu vou
e cantar como cigarra
á viver quase na marra.
Sem o bico que me traz
sem a manha de pedir
em certeza ainda nu
sou eu a me definir.
Solidão em meus reveses
quase a morrer em cada esquina
e como se não encontrasse
mais amor, nos doces olhos
de menina.
Tudo o que conheci,
tudo o que me ensinaram
tive que aprender, sem
saber como trabalhavam
as mãos que me afagaram
Na mente, crente que podia,
na fonte, águas rolavam a
mercê,
Na pratica, só o entender
sem saber fazer
Livre do ninho, livre
da imposição, mas, escravo
de mim,
da ruína de ser só,
de ter que ser o
que queriam,
de me fazer, enfim.
Temerosa e descoberta,
já no mundo a me rodear,
sem a cobertura de suas asas
o meu medo era de assustar
Até que também um dia
encontrei-me no mesmo adágio
De fazer as contas de um ninho, la
no quintal do seu Eurásio
sobre um pé de eucalipto
eu comecei meu estágio
Hertinha

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