Estou vendo meu mundo desabar diante dos
meus olhos.
Eu digo, meu mundo, porque é
também meu o dever de construção
de sentimentos á minha volta.
Tenho certa responsabilidade sobre
a amizade e o bem querer.
No entanto, parece sou invisível,
talvez por me preocupar mais com
a realização minha que dos outros.
Dou minha contribuição, dosando
as palavras, tentando colorir os caminhos
já visualizado, e levar um pouco
de cor pelos que ainda não passei,
No entanto, poucos conhecem essa linguagem,
Se eu falar da situação dos meus vizinhos,
se eu passar a minha língua por historias alheias,
seja bem vista e tão melhor aceita.
Não se pode mais dar conselhos, nem falar de bons princípios.
parece que soa mal, que não vem do coração,
que estamos invadindo territórios proibidos.
E quem se atreve a pensar e a falar do que se deve fazer para viver melhor,
acaba se tornando ofensa,
O mundo as avessas, não o reconheço mais. Ha muita
falta de pão, mas, há também, mais falta de coerência. Desaprenderam
a pensar?
A única coisa plausível e desejada são as lojas, por onde as pessoas passam,
entregam as suas almas.
Carros e mais carros passam pelas ruas, luxo desnecessário
corre nas veias dos velhos e adolescentes, e o primordial
da vida se esconde entre os dentes ávidos e cortantes
que só mastigam ilusões.
Quando foi que nos perdemos uns dos outros, quando foi
que a aparência tornou-se muito mais importante
que os princípios?
Quando aconteceu o término familiar? onde as mães
tornaram-se produtos de mercado, e os filhos, igualmente,
foram entregues a adoção temporária, não mais fazendo
parte do seio que os alimentou, alimentando-se do leite
mundano.
Leite contaminado por ideais que vem de fora, subjugados
a aprender dos outros, tendo que se virar para ser alguém
a mercê da sorte.
Assim como um cãozinho abandonado a abanar seu rabo
para quem passa, mendigando um pouco de atenção,
aprendendo com quem não é da sua raça, a pedir,
ao invés de buscar por si mesmo.
E está tudo certo, é assim mesmo que deve ser, filhos abandonados literalmente,
para poderem, enfim, ter coisas que todo mundo tem, quando o principal
lhes é negado: O direito de aprender e de conviver com os pais!
Então acabam aprendendo com o mundo, a procurar satisfação
de outro jeito, como zumbis das esquinas, tragando as suas frustrações como
fumaças salvadoras, que o levam justamente para onde não querem ir.
Para o fundo do poço!
Herta Fischer (Hertinha)
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Foco no objetivo
Ainda há tempo para recomeçar, mesmo que a “bateria” esteja fraca. Busco renovação. Meu corpo sente o desgaste do tempo, mas meu espírito de...
segunda-feira, 29 de maio de 2017
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