Tão curto está o cobertor que
mal nos cobre.
Tão sofrido está o dia que
mal nos sustenta.
Tento não ver o mal,
mas o mal está a espreita, muitas vezes
no olhar de quem mora ao lado.
Tantas competições sem sentido,
como se descobríssemos no outro,
a cada instante, um inimigo.
Ai, que saudade da soma,
dos cuidados de um para o outro,
da alegria da companhia, da
unidade do espírito.
Que saudade da família sã,
da orientação sagrada,
do sentir que o outro se importa.
Tantas pedras sufocando as flores
antes que desabrochem,
tantas almas sem esperança em Deus,
pois os homens só pregam descriminações,
embora insistam na unidade cristã.
Para cada armadilha, um laço,
para cada laço, uma mentira, e
de mentiras em mentiras,
as pessoas se enredam
em mais descriminações.
Até quando teremos
que conviver sem falar
o que pensamos, pois
democracia também se
tornou mentira.
Portas se abrem diante do eu e
se fecham entre nós.
Herta Fischer,
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Entre buracos
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quarta-feira, 12 de novembro de 2014
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