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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Dona de mim (continuação) cp 3

Era dia, era noite, tanto fazia. Era eu
que não via o tempo se descabelar.
Tudo certo. Não havia nada fora do seu lugar:
o vento bailando com o tempo,
as nuvens passeadoras, o céu feliz com
 suas estrelas. Tudo isto acontecia enquanto o
dia dormia.
Quando  o dia acordava, um tanto preguiçoso,
 tão formoso e tão amante.  Tudo se transformava em meu mundo:
o feio ficava bonito, o preto mudava de cor,
o vento assoviava a passar por entre os torrões
de terra que agora endurecidos faziam parte das
paredes que nos rodeava, e
minha casinha ficava muito mais feliz.
Dentro dela morava um duendezinho, que
nos trazia alegrias, era a caprichosa esperança que enchia
nossos celeiros de paz..
Papai  ia na frente como um rei, o seguíamos como
seus súditos, fazendo tudo o que nos pedia.
Mamãe, a rainha do lar, amiga das comidas gostosas,
das camas arrumadas com gosto, lençóis perfumados e passados
a ferro, quentinhas e carinhosas.
Também era amiga do sorriso, nunca nos faltavam gargalhadas.
Ela nos emprestava seus préstimos, seu carinho, mais do que tudo,
que perfeição!
Dizem que precisamos melhorar as coisas, colocá-las no lugar,
mas, está tudo tão perfeito, Eu não mudaria nada!
Até o chapéu do meu pai estava no lugar certo, pendurado
sobre um prego na parede, se exibia satisfeito e orgulhoso
por seu lugar de destaque,
O balde com água descansava sobre uma pequena prateleira,
feliz sobre seu posto, nos matava a sede por dias. A
prateleira um tanto curvada, não estava muito feliz, por ter que ficar com o peso,
mas mesmo assim, nunca reclamava.
Nosso quintal ensolarado, feliz com o verão ou inverno, tanto fazia,
 pois, tinha-nos a passar por ele em qualquer estação.
Pela la das quantas da noite, a lua surgia no céu, prateando o meu quintal,
e nós, pequenos guerreiros do dia,  deitávamos em sua ternura sobre
a terra crua, a fitá-la com amor.
Lá se chegavam os anjos, balançando as suas asas, com luzes e serenata
a se regalar pelo ar. tinham nome: vaga-lumes.
A noite sorria, a lua cantava, e as estrelas dançavam na mágica dos
nossos segredos. Eram anjos, eram anjos!
Todo dia e noite, toda noite e dia eram assim, não ficava nada fora do seu lugar.
Dormir e acordar, acordar e dormir, tanto faz, a mágica estava no ar.
Não fazia diferença: todo dia era dia, qualquer dia, qualquer hora, a felicidade
não dormia.
As vezes chovia, e ai morava o encanto, tilintar sobre o telhado era a melhor brincadeira
que as gotas não dispensavam. E minha mãe sentada ao lado do fogãozinho a lenha a contar
piadas, enquanto um cheirinho de comida caipira dançavam sobre nosso nariz.
Tudo na hora certa: café, almoço, café e jantar. Nada era mais gostoso que a hora de dormir.
As galinhas começavam primeiro, se empoleirando nas copas das árvores, pareciam cantar uma
canção de ninar, pois até aquietar-se, faziam muito barulho.
A noite caia de mansinho, quase que, silenciosamente, não fosse as canções das galinhas.
Tudo era penumbra, uma cor roseada caia sobre os montes, tocavam o chão de suas colinas, para
depois transforma-se em alaranjado, até sumir das vistas e tornar-se tudo tão negro como carvão.
Amava as cores da noite. tudo era tão perfeito, quanto o lugar que nos abrigava.
Herta Fischer (hertinha)








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