Eu, com uma grande parcela de tempo em mãos, tão grande que até me curva as costas.
Tudo parece desgastado demais - mãos finas e calejadas adornam um membro já ressecado.
Diante de tantos olhares - cansaço de admirar.
Diante de tantos ouvires - cansaço de aprender.
Diante de tantos passos - cansaço de florescer.
Um caracol me disse que carregaria minha casa nas costas. Ri dele.
Hoje percebo que, de fato, carrego não só a casa, mas também todos os utensílios que usei.
Tudo pesa com o passar da idade - amor, saudade, amizade. Todos aqueles sentimentos que silenciamos ou declaramos vêm à tona novamente. Não sei se é para nos inspirar a entender ou para nos provocar a esquecer.
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