Vejo o mundo como um deserto, onde vivo as miragens. Vaguei pelas areias do tempo, sob um sol forte e luz difusa, até descobrir minha casinha, um castelo de areia. À luz de lamparina, atravessávamos a noite. Eu e mais seis esperanças individuais transformávamos a grossa camada de areia em grãos finos que grudavam nos pés. À noite, nos juntávamos no leito, como leitõezinhos famintos, adormecidos no colo de mãe.
Os caminhos, sem querer, nos afastaram, e aquele recanto tornou-se apenas sonhos passageiros. As passagens se fecharam, e o rio virou um jardim de ninfeias vermelhas e estrelas brancas, no meio do lodo. A casinha perdeu as paredes, metade cedeu ao tempo, sobrando apenas ossos e outras tantas saudades que agora vêm à tona.
O deserto continua trazendo constrangimentos às paisagens. Nada sobra, nada! Nem mesmo as sombras daqueles que por lá passaram.
Hertinha Fischer
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