Nessa de me encontrar
perdi muito tempo - sempre estive.
Apareci em dia incerto, nem sei se me lembro.
A partir de algo, alguma lembrança solta
no espaço, comecei a sentir minha presença
em tudo que me rodeava.
Algumas vezes lá - outras vezes aqui, ali ou acolá.
Onde estava, estava eu.
O meu tempo me mostrou ao mundo, tirou de dentro, de
mim, o invólucro, patenteando o que eu não sabia e que
se achava escondido dos meus sentidos.
Passei então a ver e ouvir - já com um certo apuro.
Formas e víveres - cores e rostos
Soaram nomes, no primeiro momento, insignificante.
Depois veio a identificação da propriedade, após, a hierarquia.
E foram me mostrando formas de agir - a briga por um espaço e afins.
Decidindo por mim o tempo - Já me capacitando para outras esferas.
O aprendizado me empurrando e me motivando, cada vez mais, á ser idêntica
aos outros.
E de repente, já me sentia apta para seguir minhas intuições,
ainda meio que cambaleando.
Fui me inteirando de algumas coisas, como por exemplo: ter experiências
um tanto desagradáveis, compreendendo, que, os meus pés me serviam,
minha consciência me alertava, mas, não tinha liberdade de ação.
Tudo o que sentia e desejava estava condicionado ao que
estava acima de mim, na hierarquia da vida.
E foi assim, que os anos me engoliram, como
moscas mal colocadas no anzol.
E ainda hoje, quando já posso falar por mim, ainda
me vejo na obrigação de ter que pisar no freio, para
não magoar aqueles que pensam ser melhores do que eu,
e, que, ainda, vão me levar para um lugar que não desejo,
mas, que terei que ir.
Hertinha Fischer
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