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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

fugidio da idade

Depois dos sessenta, estiagem.  


Seca implacável me acompanha nos passos, poeiras.  


O cheiro se vai, o paladar se engana, mente.  


Ossos à mostra nos calcanhares, indecentes.  


Dentes postiços, presos e imóveis, demente.  


Olhos fracos, lentes desfocadas, poeira.  


Pés calejados, unhas espessas, frieiras.  


Pele sobrando nos braços, gordura nas coxas, canseira.  


Caminhada lenta, retorno melancólico, vergonha.  


O tempo ri, passa como vento, fim.  


Prisioneira da idade, sonhando com a juventude, vaidade.  


Hertinha Fischer.


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