Meu pai carregava histórias no olhar, como contas de luar. Sabia o que precisava saber, merecia o que conquistava. Suas vestes e o jeito de andar, só as nuvens podiam contar. Segredos habitavam em seu chapéu, revelados aos pregos da parede, desenhados com o suor dos dias, nas marcas de sua rede.
A terra o acolhia no roçado, a colheita o observava, o sol o prendia e a lua o libertava. Pouco sabia da vida, e a vida o levava, entre flores de maracujá, ele era a mamangava. O céu regava as plantas, e as plantas o regavam.
Cresci sob sua sombra, e sua sombra ainda me conta as histórias que ele me ensinava. Ele partiu, e eu fiquei, mas continuo inspirado por seus olhos.
Hertinha Fischer
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