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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

sábado, 30 de novembro de 2024

Sou o olhar de meu pai

Meu pai carregava histórias no olhar, como contas de luar. Sabia o que precisava saber, merecia o que conquistava. Suas vestes e o jeito de andar, só as nuvens podiam contar. Segredos habitavam em seu chapéu, revelados aos pregos da parede, desenhados com o suor dos dias, nas marcas de sua rede. 


A terra o acolhia no roçado, a colheita o observava, o sol o prendia e a lua o libertava. Pouco sabia da vida, e a vida o levava, entre flores de maracujá, ele era a mamangava. O céu regava as plantas, e as plantas o regavam. 


Cresci sob sua sombra, e sua sombra ainda me conta as histórias que ele me ensinava. Ele partiu, e eu fiquei, mas continuo inspirado por seus olhos.


Hertinha Fischer







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