Total de visualizações de página

Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Rés-do-chão

A terra enchia minhas unhas de vontades,  

vontade de água, de me submergir em seu leito  

e desvendar suas entranhas.  


Sapatos descansavam limpos demais,  

enquanto meus pés brincavam com a lama.  

Ah, quanta sujeira limpa!  

Tão suja que lavava minha alma com risos.  


Tudo era chão, dentro e fora de casa.  

Até o formoso pé de manjericão,  

orgulhoso e repleto de flores perfumadas,  

tinha suas raízes fincadas no chão.  


Minha casa parecia brotar da terra,  

como se nascesse de sua barriga,  

sem cortar o cordão.  


O céu se espalhava no horizonte,  

beijando o chão.  


O chão do rio era chão,  

rolava no chão, escorria pelo chão,  

secava chão, molhava chão,  

e o chão seguia sendo chão.  


Eu no chão, o chão em mim.  

Tenho certeza de que seremos um só.  

Faço parte desse pó.  

Hertinha Fischer









Nenhum comentário:

Postar um comentário