A terra enchia minhas unhas de vontades,
vontade de água, de me submergir em seu leito
e desvendar suas entranhas.
Sapatos descansavam limpos demais,
enquanto meus pés brincavam com a lama.
Ah, quanta sujeira limpa!
Tão suja que lavava minha alma com risos.
Tudo era chão, dentro e fora de casa.
Até o formoso pé de manjericão,
orgulhoso e repleto de flores perfumadas,
tinha suas raízes fincadas no chão.
Minha casa parecia brotar da terra,
como se nascesse de sua barriga,
sem cortar o cordão.
O céu se espalhava no horizonte,
beijando o chão.
O chão do rio era chão,
rolava no chão, escorria pelo chão,
secava chão, molhava chão,
e o chão seguia sendo chão.
Eu no chão, o chão em mim.
Tenho certeza de que seremos um só.
Faço parte desse pó.
Hertinha Fischer
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