Não guardo rancor.
Guardo lembranças, como se guarda doces em potes. Certas pedras esquecidas pelo caminho, aquelas que se desviaram de mim. Sinto-me plena, como uma flor na primavera. Afinal, tudo depende das coisas e coisa não sou. Teve festa, fui premiada, ganhei presentes. Também houve dias de luto, passagens fúnebres, e de lágrimas me presenteei. Como gotas de orvalho presas na madrugada, chegam à superfície sem dano. Logo que passam, o sol volta com força, mostrando que viver é também sofrer. Nada ocupa minha mente além do agradecimento. Como um cometa, passo. Traço caminho. Luz por um momento, depois, puft. Adeus! Nada terá tanta importância!
Hertinha Fischer.
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