Eu queria ser poesia em
qualquer lugar que me couber.
Dançar em letras sublinhadas,
viver na rima do tempo, assim
como versos que falam
de amor.
Queria ser rosa cor de rosa,
abrir-me na primavera, sentindo
o gosto de estar desperta.
de se ouvir falar, de ser amada.
Queria ser vento forte, norte, trazendo
chuva.
Passar, passando, no mundo das
coisas.
Queria ser chuva, subindo, indo,
saudando, voltando.
Queria ser cachoeira fria, desnuda,
nascendo, morrendo a cair de um penhasco.
Queria ser alguém que sonha, que esquece, que
vai sem se preocupar.
Queria ser o que se fala sobre isso, a boca
que destila mel, a sensação boa do pensar,
do escrever, do registrar.
De contar historias, de inventar memórias,
de ser o que quiser, de voar sem asas,
de andar sem pés, de conhecer
vários lugares sem, no entanto, sair do lugar.
Herta Fischer (Hertinha)
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Entre buracos
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sexta-feira, 18 de novembro de 2016
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