O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido. Salmos 34:18. São muitas as chances de dias cinzentos, de doença no corpo, de solidão e descaso, de fome, tristeza e desalento. Por isso, os “templos” vivem cheios! Desde cedo aprendi a confiar, pois o acaso está sempre à espreita e não escolhe. Além disso, acredito que o corpo, como qualquer casca, pouco aproveita; o novo, o especial, o imortal está ligado à vida, não à morte. O escultor retira da terra o barro necessário, usa o que precisa e devolve o restante à sua origem. Assim é também com esta vida limitada: não só os pobres conhecem a desolação ou sofrem aflições; independentemente da classe social, as condições do corpo são as mesmas. No espiritual, porém, cada um tem seu parecer, ainda preso ao que os olhos veem e à vaidade, que é apego ao que é passageiro. A morte do corpo é inevitável, mas quando a percebemos, nos afligimos como se isso pudesse combatê-la. E assim nossas frustrações crescem, pela incompreensão do óbvio e pela luta contra o que já é certo. Sofremos pelas desigualdades, pelo nascimento, pela desorganização interna do ser que desvaloriza a vida e explora o que é frágil. Enfim, a humanidade suspira e sofre desde o nascimento até a morte, sujeita ao acaso, mas sem querer que ele nos encontre distraídos. Não aceita.
Herta Fischer
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