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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Transformando meu mundo

Desde cedo, me encantei pelas letras, como um amor sem limites. Por muito tempo, as doces manhãs me inspiravam, quando os rouxinóis pousavam na entrada do meu mundo, prontos para cantar melodias sem palavras, mas cheias de emoção. Já começava a enxergar meu mundo sob a ótica da poesia. Era apaixonada por versos, prosas e carurus. Divertia-me com os repentes, e na minha cabecinha avoada, criava uma forma própria de escrita. Eram apenas rabiscos descuidados que, para mim, soavam como letras de lindas canções. Um companheiro inseparável, que sempre me inspirou, era um radinho de pilha, preso à minha orelha com a ajuda de um lenço. Até que, em certo momento, iniciei minha jornada como aprendiz do alfabeto. Aprendi rápido na escolinha dos meus sonhos. Devorava letras nas revistas, como se fossem pedaços de pão fresco pela manhã.
Formava lindas histórias de amor, enquanto plantava mudas de cebola na terra. Caminhava pela mata ao redor da minha casa, conversando com as folhas e capturando aranhas com o olhar. Minha saudosa casinha de telhas vermelhas, com piso de falso assoalho feito de barro, moldado com pés e mãos. A simplicidade do olhar me moldava, fazendo-me acreditar que tudo era possível. As histórias contadas me arrepiavam os cabelos, e os pássaros eram meu violão. Quando aprendi a assobiar, passava horas dando vida à construção. Na mente, desenhava letras de canções que se uniam, tão perfeitas quanto um casamento por amor. Meu coração pulsava de alegria, mesmo sem saber ao certo se havia coerência ou não. Tudo vinha bagunçado, desnorteado. 
como versinhos simples de criança.
Demorava a adormecer, abraçada à parede de terra batida, onde taquaras e barro já revelavam com precisão e maestria suas histórias. Já conseguia, então, coroar todas as minhas fantasias com lápis e papel. Tive que deixar minha casa, ainda sem asas, mas voei um pouco mais alto. E, com muita luta, consegui avançar no conhecimento. A cidade me entristecia um pouco, não era tão apaixonada por mim quanto o meu sertão. Não havia tantos pássaros a cantar, nem tanto tempo para sonhar. A saudade virou inspiração; quando batia forte, formava feridas internas que se transformavam em canções tristes. Assim, segui meu destino, sendo a estante dos meus livros não publicados, guardados no fundo do meu coração.

Hertinha Fischer.








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