Formava lindas histórias de amor, enquanto plantava mudas de cebola na terra. Caminhava pela mata ao redor da minha casa, conversando com as folhas e capturando aranhas com o olhar. Minha saudosa casinha de telhas vermelhas, com piso de falso assoalho feito de barro, moldado com pés e mãos. A simplicidade do olhar me moldava, fazendo-me acreditar que tudo era possível. As histórias contadas me arrepiavam os cabelos, e os pássaros eram meu violão. Quando aprendi a assobiar, passava horas dando vida à construção. Na mente, desenhava letras de canções que se uniam, tão perfeitas quanto um casamento por amor. Meu coração pulsava de alegria, mesmo sem saber ao certo se havia coerência ou não. Tudo vinha bagunçado, desnorteado.
como versinhos simples de criança.
Demorava a adormecer, abraçada à parede de terra batida, onde taquaras e barro já revelavam com precisão e maestria suas histórias. Já conseguia, então, coroar todas as minhas fantasias com lápis e papel. Tive que deixar minha casa, ainda sem asas, mas voei um pouco mais alto. E, com muita luta, consegui avançar no conhecimento. A cidade me entristecia um pouco, não era tão apaixonada por mim quanto o meu sertão. Não havia tantos pássaros a cantar, nem tanto tempo para sonhar. A saudade virou inspiração; quando batia forte, formava feridas internas que se transformavam em canções tristes. Assim, segui meu destino, sendo a estante dos meus livros não publicados, guardados no fundo do meu coração.
Hertinha Fischer.
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