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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

domingo, 1 de dezembro de 2024

Fim dos tempos

 Aquele cheiro de torresmo que nascia

em varais acima do fogão, a lenha, de Dona Francisca, somado
com caldo, fino, de feijão e os bijus de farinha de milho de Dona Vicentina. Chega a salivar nas lembranças. Oh, por que mundo?
Oh, mundo por que faliu na simplicidade.
Nunca mais se verá cena mais deslumbrante.
O pequeno riacho que lavava roupas, enquanto mulheres cantavam.
As roseiras brancas enfeitando trilhos de passagem. Margaridas rolando ladeira abaixo, perfumadas e descuidadas.
O tilintar da chuva a cair nas folhas das árvores, cantando em versos, cheiro de terra molhada.
Liberdade da felicidade que rodeava as margens dos rios, a aspergir integridade e confiança aos arredores.
Quando foi que a escuridão roubou o caminho da luz?
Em que tempo tudo virou lembranças?
Em lugar de terra, asfalto, em lugar de flores, pó, em lugar de gente, carros, em lugar de alegria, confusão.
Bem diz a escritura: Quando disserem, paz! viria completa destruição.
Desce sobre a terra um espírito maligno que se chama mentira e confusão, destruindo o melhor de nós. Toda sabedoria humana não passa de braços estendidos de pedintes, De gente destruindo gente. De máquinas manipulando conhecimento.
Foi ensinado ao ser humano toda espécie de arte, para que sobrevivesse e bem. No entanto, tudo está sendo esquecido em nome da tecnologia artificial. E os braços dos homens, assim como o cérebro está definhando, doando a sua inteligência a quem não precisa comer, nem falar, nem sentir, nem desejar.


Hertinha Fischer

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