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Eco do fim
Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...
sábado, 25 de março de 2017
Rabiscos de mim
Ver o tempo passando, e tantos seres
não sabendo a que vieram.
Dá uma tristeza danada observar
o comer e o dormir sem fim.
Sai de casa, volta para casa, inútil,
tudo futilmente inútil.
Quantas idas e vindas sem sentido,
quantos aparates incertos e deslocados
a se desfazer em algum canto, sem
necessidade alguma de existir.
Precioso para mim, ainda é sentar aqui,
e bater um longo papo com a minha solidão,
quando sou somente aquilo que penso, Um nada
a se revelar.
Tela em branco? Sim!
Ainda sou aquela que nada sabe, que nada
faz para sair deste sistema inútil, que pensa
conquistar, que fala de amor, mas,
que de amor nada sabe,
Apenas alguns rabiscos que sai de mim,
embaçados numa mistura que invento,
gravuras sem nenhuma lógica e nenhuma definição.
Tento desesperadamente entrar em transe, e me tornar
útil de alguma forma, inventando meios para
ensinar felicidade, quando eu mesma a desconheço.
Felicidade, palavrinha estimada, tão procurada e tão
difícil de ser encontrada.
Estará ela em algum lugar, na atmosfera,
longe da humanidade, escondida nas palavras de Deus?
Porque então, revelastes ternura, se só amargura plantastes?
Talvez seja este mesmo nosso castigo, o de andar
a flutuar no espaço dos sonhos, quanto muito,
ver tudo de longe?
E desejar, desejar e nada ter.
E quando pensamos que o dia nos trará a felicidade
de presente, a noite o toma e nos põe para dormir.
E o que esperamos nunca chega, ou chega, justamente
na hora em que temos de ir embora.
E apaga-se a memoria, lá se vai o desejo, o ensejo,
a felicidade, o que ensinamos e o que aprendemos,
e novamente a noite surge, desta vez muito mais impiedosa,
nos põe novamente na cama, para dormir, quem sabe, até quando?
Herta Fischer (Hertinha)
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