Eu estive no topo da decepção quando percebi que podia descer. Sentia pena de mim mesma, sem coragem para me encarar ou me livrar do que me incomodava. Talvez nem houvesse algo real, apenas fantasmas criados pela minha mente. Cresci entre irmãos, mas me encontrei perdida na solidão quando o instante se resumiu a apenas eu. Fazia parte, mas nada tinha sentido; buscava amor, mas os homens só queriam o corpo, e o meu não estava pronto para se entregar sem sentimento. Sem perceber, mergulhei no ostracismo. Foram os livros que me deram propósito, que me motivavam e faziam companhia. Passei a me ver dentro das histórias, como se os romancistas conhecessem minha vida e me colocassem como protagonista, amada como talvez nunca fui. Não contava com o amor distante dos meus pais. Sempre acreditei que amor é cuidado, preocupação e presença. Na agonia de estar só, ia me desfazendo como uma folha ao vento. Trabalhava para sobreviver, e o pouco tempo livre se perdia em pensamentos negativos sobre mim, a vida e todos ao redor. A tristeza era tanta que eu dormia a maior parte do tempo, fugindo de algo. À noite, pesadelos me atormentavam, e de dia, a vida parecia carregada de incompreensão. Eu andava como um autômato por vales sem cor, sã, mas parecendo doente. Ao voltar do trabalho, encontrava um quarto frio, vazio de alegria. Cheguei a não ver saída. Passei a procurar por Deus, talvez fosse Ele minha tábua de salvação. Comprei uma Bíblia e comecei a ler, mas, sem compreender bem as palavras, apenas segui até que Ele mesmo me reconstruiu por dentro.
Herta Fischer (hertinha)
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A dose certa
Enquanto o dia começava a trazer a luz do sol mais perto, as rosas dançavam, espalhando suas pétalas adormecidas pelo chão. O céu, de um azu...
quinta-feira, 30 de março de 2017
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