Minha alma guarda o que desconheço,
do que vivi já estou cansado.
Quero ser o futuro,
ser o futuro que serei.
Sou um pedaço do passado,
e do presente prisioneiro.
Aguardo as cores que caem
nas estações,
depositadas por mãos que não sei.
Se chocam com as flores,
entre folhas e frutos aparecem.
Tudo cabe neste mundo,
antes que tudo acabe.
O tempo é um poço sem fundo,
que nem ele mesmo entende.
Escolhe, recolhe e sustenta,
e a alma se quebra.
O que trouxe, leva consigo,
no auge, tudo termina.
Não consigo imaginar,
longe da imagem mim mesmo.
Que serei na eternidade,
um eu que não sou eu,
ou eu no meu apogeu?
Hertinha Fischer
Nenhum comentário:
Postar um comentário