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Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

sexta-feira, 14 de março de 2025

Revelando-me como pessoa

Já se iam as longas horas, 


que delongas me contaram.  

As colinas cansadas inclinavam-se, suavemente,  

sobre uma superfície montanhosa.  

Enquanto meu semblante se rejuvenescia,  

na altivez do pensar.  

Nunca me sentia maior, nem melhor,  

apenas uma miudeza sem igual,  

como as asas de um gafanhoto,  

sustentava-me no alto.  

Fui crescendo entre meio,  

sem saber, ao certo, se realmente era.  

Tudo me parecia grande demais, impenetrável demais,  

para que pudesse fazer parte.  

Foi aí que me engrenei em mim, fui adentrando  

na sutileza do eu, quase em murmúrio,  

para que eu mesma pudesse me escutar.  

E ouvi meu próprio falar como os surdos  

ouvem seus grunhidos e os compreendem.  

Atentei para a descoberta silenciosa de  

poder, sem que soubessem que sabia.  

E a poesia voou para dentro, e se propôs  

a falar para fora, jorrando-me para a  

completude da vida plena.  

Ouvindo-me e relatando-me.  


Hertinha Fischer.

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