Há sessenta e quatro anos, nascia eu.
Eu, sob a lona azul do circo, flutuando acima de um tapete verde, como um tatuzinho no buraco da terra, mas acima dela. Uma pequena de pele queimada, olhos esverdeados, vivendo entre galinhas e cães. Onde os rios passeavam pela mata, traçando caminhos como o chão de um formigueiro. Despencando dos penhascos, caindo lindamente, com suas saias brancas e rodadas.
Sem saber para onde vou, sigo pelos encantos da mata, túneis de esperanças se abrem. Vi trincheiras abertas sobre a mata fechada; talvez ali houvesse guerra. E a guerra interna ainda vive em mim, enquanto sigo ligeiramente as borboletas, desejando voar como elas. Tento avançar como quem persegue uma presa, com a agilidade de quem precisa e, muitas vezes, rastejando.
Confronto a monotonia com olhos de lince, caçando coelhos. Quanto mais penso, mais me consumo nesse cansaço de existir. Os anos me atravessaram e me transformaram de tal forma que não consigo mais voltar. Também esqueci como caminhar cheia de vida, mas ainda assim, a esperança brota, como galhos cansados que brotam até que a seiva perca sua função e a terra consuma os galhos secos.
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