Total de visualizações de página

Eco do fim

Enquanto novos caminhos se abrem, os meus já estão cansados. Quase sem fôlego, minha alma repousa. Houve um tempo de amar, de me cuidar para...

sábado, 8 de março de 2025

Guerra interna

Há sessenta e quatro anos, nascia eu.


Eu, sob a lona azul do circo, flutuando acima de um tapete verde, como um tatuzinho no buraco da terra, mas acima dela. Uma pequena de pele queimada, olhos esverdeados, vivendo entre galinhas e cães. Onde os rios passeavam pela mata, traçando caminhos como o chão de um formigueiro. Despencando dos penhascos, caindo lindamente, com suas saias brancas e rodadas.


Sem saber para onde vou, sigo pelos encantos da mata, túneis de esperanças se abrem. Vi trincheiras abertas sobre a mata fechada; talvez ali houvesse guerra. E a guerra interna ainda vive em mim, enquanto sigo ligeiramente as borboletas, desejando voar como elas. Tento avançar como quem persegue uma presa, com a agilidade de quem precisa e, muitas vezes, rastejando.


Confronto a monotonia com olhos de lince, caçando coelhos. Quanto mais penso, mais me consumo nesse cansaço de existir. Os anos me atravessaram e me transformaram de tal forma que não consigo mais voltar. Também esqueci como caminhar cheia de vida, mas ainda assim, a esperança brota, como galhos cansados que brotam até que a seiva perca sua função e a terra consuma os galhos secos.

Hertinha Fischer



Nenhum comentário:

Postar um comentário